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100 ANOS DE CANUDOS

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Para um cidadão desavisado esta coluna talvez seja um choque, pois preste atenção: vamos falar de um filme brasileiro. De guerra. E bom.

O título, Guerra de Canudos, é autoexplicativo, e o ano de estreia é 1997. Embora não seja um lançamento (não chega nem perto disso), pode ser uma novidade para muita gente, uma interessante interpretação audiovisual de um dos episódios mais marcantes da história do Brasil.

Se é que é preciso relembrar, a história de Canudos se deu no final do século XIX, quando o líder religioso Antônio Conselheiro, que peregrinava pelo sertão do nordeste, revoltou-se contra a recém-decretada república e fundou em resposta a comunidade de Canudos, prometendo salvar o povo da tirania e da miséria.

O filme não é, entretanto, apenas histórico, mas sim um roteiro original. Ele aproveita o episódio de Canudos para contar uma estória dentro da história, muito boa por sinal, e com um elenco invejável.

Zé Lucena (Paulo Betti) é um sertanejo simples que mora com a esposa Penha (Marieta Severo), a filha Luíza (Claudia Abreu) e outros dois filhos. Depois que soldados da república aparecem para roubá-lo (em outras palavras, “cobrar-lhe impostos”), Zé não vê outra saída a não ser entrar para o grupo de peregrinos que segue Antônio Conselheiro (Zé Wilker). Porém Luíza, sua filha, não aceita a decisão e foge de casa.

A partir de então acompanhamos os dois rumos, o de Zé e o da filha. Este segundo fica para a imaginação do leitor: o que uma garota jovem e bonita, sem estudo e sem família, pode virar no meio do sertão em 1890?

Enquanto isso, Zé, Penha e os outros dois filhos peregrinam ao lado de Antônio Conselheiro e participam da construção de Canudos e da defesa de seu território, que passa a ser ameaçado pelo exército em 1896. É quando entra na história o Tenente Luís da Gama (Selton Mello) e seus sucessivos chefes, tirânicos e prepotentes, prometendo um a um a acabar com Canudos e falhando miseravelmente, deixando batalhões de soldados em condições deploráveis.

Convergem para esse momento os pontos mais baixos e mais altos do filme. Dica: não espere grandes efeitos especiais de guerra, nem atuações primorosas de figurantes cuja única função é morrer em combate – isso nem dá pra criticar, né? Grandes sucessos como Star Wars estão aí como exemplo do mesmo fato.

Em relação aos protagonistas, por outro lado, pode elevar a expectativa. Do meio para o fim Claudia Abreu interpreta duas cenas de cair o queixo, uma na tenda, outra já nos finalmentes. Acredite: quando chegarem essas cenas você vai saber do que estou falando.

Paulo Betti não fica pra trás vivendo um sertanejo chucro e extremamente religioso, despertando-nos um sentimento misto de raiva e pena perante tamanho fanatismo e desespero. Marieta Severo também é um ponto forte, muito antes de A Grande Família provou-se uma dona de casa religiosa perfeita, mas dessa vez no século XIX, nordestina e miserável.

Poderíamos ficar por horas tecendo comentários sobre o filme e seus personagens, os que já foram citados e os que não foram – porque o longa é muito mais do que esse resumo até aqui. Mas se vale dar destaque a mais alguém, é para Roberto Bomtempo, que faz o jornalista Pedro, correspondente de guerra e uma espécie de Euclides da Cunha genérico, com o perdão do termo. Já o último elogio fica para a trilha, do já consagrado Edu Lobo – e aí está mais um bom motivo para assistir ao filme.

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