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Paulo Roberto Ramos Ferreira

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TEDXSãoPaulo: Mulheres que Inspiram

em Coluna/News & Trends por

Paulo

TEDXSãoPaulo: Mulheres que Inspiram

00-CAPA-materiaO TEDxSãoPaulo do mês de março, aconteceu no auditório Eva Hertz, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos. Com capacidade para 120 pessoas, o espaço foi pequeno para a escala que o evento tem hoje. Havia cadeiras extras, gente sentada no chão, transmissão simultânea gratuita para o hall de entrada do shopping e mais de 1400 nomes registrados numa lista de espera por ingressos.

O local menor e mais intimista de certo modo contrastou com as edições anteriores, realizadas no MASP e na imponente Sala São Paulo. Mas levou a efervescência de idéias do TEDx para um Shopping Center. Alguns podem até torcer o nariz para a ideia, mas certamente esta escolha se reflete na massificação de uma mensagem inclusiva, de inovação e idéias fora da caixa. Afinal, se o Slogan do TED é “ideas worth spreading” (idéias que valem a pena espalhar); as idéias devem ir onde o povo está. De certo modo, o TEDxSãoPaulo não ficou restrito ao auditório e transbordou para a Livraria Cultura e o charmoso espaço montado no grande Hall de entrada do shopping, com pufes confortáveis, almofadas, dois enormes telões e o impressionante Trio Titanium fazendo sua peculiar mistura de pop/dance music e DJcom violino, viola e violoncelo de musica clássica ao final da noite.

Quem acompanha a Coluna Novo Mundo já leu por aqui que a força feminina é a mola propulsora do TEDxSãoPaulo (no artigo A Conexão da Força Feminina, de nov. 2015) , a começar pela talentosíssima curadora Elena Crescia, de uma sensibilidade única para identificar histórias relevantes e uni-las numa agenda impressionante. Na edição em homenagem ao mês da mulher a agenda foi exclusivamente ocupada pelas mulheres, e o nível de inspiração foi altíssimo.

O principal resumo que percebi foi que há uma nova atitude feminina em gestação, por assim dizer. Em gestação, sim, porque o TED é um palco de antecipação de tendências, no mundo todo, desde que foi criado. Se nas ruas e nas redes sociais ainda vemos um grande conflito polarizado entre visões de um feminismo às vezes quase “separatista” e um machismo cultural arraigado; no caldeirão sensível de tendências do TEDxSãoPaulo pudemos vislumbrar, para além dos maniqueísmos ultrapassados, uma visão nova e muito mais saudável da força e do papel da mulher no mundo. Mais que as questões femininas tratadas com seriedade e ousadia; a abordagem geral foi a de incluir. Incluir o homem no debate, como participante, como companheiro de jornada. Incluir a família (em todas as configurações possíveis e imagináveis) no mundo do trabalho, incluir uma visão de parceria e de apoio entre os seres humanos de qualquer gênero.

Soraia Schutel, consultora e colaboradora da Escola de Você, abriu as talks falando de intuição e dos sonhos, da importância de voltar nosso olhar para dentro, para aquilo que nos inspira interiormente, e buscar uma vida mais plena partindo da pergunta “Quem eu sou? ” – ao invés de desenhar uma vida que simplesmente atenda as demandas do super estresse produtivo contemporâneo.

Carol Ruhman Sandler trouxe o debate para o aspecto das finanças, sem deixar de lado uma visão engajada: lembrou que o espaço das brasileiras no mundo das finanças começou apenas em 1962; quando as mulheres passaram e ter direito a requisitar um CPF. Naturalmente, antes disso, todos os negócios no Brasil necessitavam da presença masculina. Ao mesmo tempo em que é tão recente; é simples perceber que a participação feminina no mundo financeiro mudou tudo – e exatamente por isso é importante a atenção para o tratamento que o mercado vem dando à mulher, utilizando-a como alvo e alavanca, para o acesso às famílias e o estímulo ao consumo desenfreado. Carol recomenda educar-se financeiramente, e com este objetivo fundou seu site Finanças Femininas.

Ghazal Al-Tinawi trouxe seu emocionante testemunho de refugiada da guerra da Síria, de onde emigrou para o Brasil com o marido e os filhos, contando a linda história de superação e união familiar: de uma situação estável com diversos negócios na Síria ao recomeço no Brasil, com um restaurante de comida Síria; lembrou a imensa importância do apoio dos amigos e da indispensável força de união de um casal e sua família para enfrentar desafios tão grandes.

Patricia Quadri Coelho falou sobre a importância da economia e aproveitamento de alimentos, num momento em que o cuidado com a reintegração humana ao ecossistema planetário é um tema urgente e fundamental, lembrando o valor das pequenas atitudes cotidianas para corrigir o desperdício de alimentos no planeta, que perde atualmente cerca de um terço de sua produção no caminho do campo até a cozinha, onde mais cerca de 45% do que chega ainda é desperdiçado.

A especialista em novas mídias e blogueira Jessica Tauane fez uma palestra divertidíssima, focada em diversidade, bullying e movimentos LGBT; com um humor e uma leveza raras ao tratar de temas que normalmente costumam ser polêmicos. Se houve uma constatação clara é que simpatia, autenticidade e bom humor fazem toda a diferença para facilitar a inclusão de todos em qualquer debate.

Ana Luiza Trajano estava visivelmente emocionada ao contar sua história que tem origens numa família marcada por mulheres fortes e empreendedoras. Tocou no delicado (para um evento que fala da força e independência da mulher) tema da cozinha; defendendo o fazer com amor, o empreendedorismo com humanidade e acima de tudo, o orgulho por suas raízes. Ana Luiza esbanjava brasilidade pelos poros, pelo sotaque interiorano que carrega com gosto, lembrando com razão que há muitos outros níveis de preconceito a serem vencidos na sociedade.

Em seguida, Karinna Forlenza, coach e autora do livro “Onde está sua Essência? ” fez uma das mais ousadas e desafiadoras palestras que vi nos últimos tempos. Com uma abordagem profunda sobre a essência das mulheres e dos homens, mostrou com profundidade caminhos para o entendimento e a evolução do papel feminino no mundo – para isso recomendando a inclusão do homem como parceiro real e participativo no processo. Segundo Karinna, ignorar a importância de uma parceria autêntica e verdadeira entre os gêneros na construção dessas conquistas é hoje, na prática, levantar barreiras contra a mudança. Através de resumos e gráficos absolutamente claros, mostrou um caminho para harmonizar as relações e aumentar a colaboração entre homens e mulheres, numa das Talks mais claras, relevantes e lúcidas que já assisti na minha vida.

Abaixo a galeria de foto:

Luana Génot, da ONG Instituto Identidade do Brasil, falou em seguida com o foco na promoção dos direitos humanos e na luta pela igualdade racial – identificando muitos pontos onde a luta feminina soma-se à questão racial, multiplicando desafios; mas também indicando rumos e soluções compartilhadas para uma sociedade que seja verdadeiramente igualitária, com o fim de todo tipo de discriminação.

Mari Almeida ocupou o palco para contar sua história de superação até se tornar uma atleta medalhista que representar o Brasil nos Jogos Paraolímpicos Rio 2016. Além de uma história de vida absolutamente empolgante, deixou muito claro que uma condição física especial nada tem a ver com auto-estima, segurança, bem-estar e força de vontade para empurrar as conquistas na vida.

A promotora Gabriela Manssur, Coordenadora do Núcleo de Combate à Violência contra a Mulher da Grande SP lotou o palco do TEDxSãoPaulo com exemplos vivos de mulheres que superaram crises e violência através do empoderamento promovido pelo apoio social e judicial; somado às atividades físicas – no caso, a corrida. Em cada um dos exemplos de vida que trouxe ao palco – da freira à menina portadora de síndrome de Down, das jovens estudantes à septuagenária que descobriu uma nova motivação e qualidade de vida através do esporte, esteve presente um sentimento de conquista, força e celebração, oferecendo um fechamento emocionante para a temática “Mulheres que Inspiram”.

O final do evento aconteceu com o show do impressionante Trio Titanium no Hall do Shopping Villa-lobos, onde foram instalados telões para que o público pudesse acompanhar as palestras, uma vez que os ingressos estavam esgotados muito antes da data do evento e a lista de espera tinha mais de mil nomes. No hall do shopping, uma cena doce e delicada resumia com perfeição a harmonia do evento “Mulheres que Inspiram”: ao som de uma suave musica clássica, um casal dançava lentamente, alheio a todo o movimento em volta deles. Ela com a cabeça encostada ao peito dele. Ele com os olhos marejados de emoção.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

TEDxSãoPaulo: Idéias Empreendedoras

em Negócios/News & Trends/São Paulo por

Paulo

TEDxSãoPaulo: Idéias Empreendedoras

São Paulo teve dois eventos do TEDx em novembro; com apenas dez dias separando as duas datas e ambos lotados; provando que a fome de novas idéias e visões é cada vez maior. O primeiro evento, acontecido na Sala São Paulo no dia dezesseis teve cobertura do The São Paulo Times e o grande destaque foi a expressão da força feminina. O segundo aconteceu no dia 26, no auditório do MASP na Avenida Paulista. O tema “idéias empreendedoras” poderia sugerir falas mais frias; mas o que se viu foi uma abordagem completamente transformadora sobre o que é entendido como empreendedorismo nos dias de hoje.

O ponto central, permeando todas as falas, é que empreendedorismo hoje é sobre pessoas, sobre seres humanos. Primeiro, no sentido de quem empreende e busca um meio de realizar-se não apenas como profissional ou no sentido financeiro; mas, indo além, compartilhar idéias, riquezas diversas e desenvolvimento pessoal e social. Se há um sinal claro emitido pelas palestras do TEDx é que a visão do empresário ganancioso e egoísta, que pensa apenas em si mesmo e em seus lucros, é arcaica e não tem futuro nos negócios do século XXI. Segundo, no sentido de que os negócios, sejam quais forem, só fazem sentido quando orientados para atender as demandas e necessidades das pessoas, colaborar para uma sociedade menos doente e mais abundante.

Toda esta visão do empreendedorismo como uma via de expressão da compaixão, da empatia e da paixão humana pela realização é algo que está fortemente inserido na visão de mundo da curadora e organizadora do TEDxSãoPaulo: Elena Crescia tem um talento impressionante para enxergar além do óbvio e criar conexões absolutamente inusitadas. Se cada palestra tem um universo próprio, observar a dança de todos esses universos sucedendo-se sobre o palco dá uma ideia clara do alcance da visão de Elena: quando você acaba de ver um jovem empreendedor do morro carioca como Kayo Silvestre deixar o palco; que em seguida é ocupado pela tradicionalíssima Lúcia Whitaker Vidigal, (87 anos!), se percebe que muito além das diferenças representadas pelos dois extremos; há a visão de uma curadoria atenta à força da soma destes contrastes; sublinhando e destacando o que existe de mais verdadeiro no empreendedorismo, a autêntica vontade de deixar uma marca no mundo, independente de qual o ponto de partida.

O palco do TEDx, no auditório embaixo das colunas vermelhas que são o símbolo da cidade mais cinza ao sul do equador; recebeu uma decoração que era praticamente uma declaração de princípios: um jardim vertical criado pela paisagista e artista plástica Gica Mesiara fazia um fundo verde e vivo para as famosas letras sobre o palco, falando da necessidade de trazer o natural para o espaço urbano.

O primeiro bloco iniciou-se com os ótimos apresentadores Marcela Leal e Fabio Lins chamando um número de malabares; e já começa aí o dialogo do TEDxSãoPaulo com a realidade da cidade, trazendo para o auditório uma cena que vemos todos os dias, ali em frente, na Paulista e em outras tantas esquinas. A primeira apresentação ficou a cargo da compositora Sandra Melo, que talvez mais do que uma fala, fez uma performance. Primeiro, porque colocou a respiração da sala toda em outro nível, falando com uma calma e uma deliberada lentidão em flagrante contraste com o ritmo paulistano. Depois do estranhamento inicial; era visível a mudança de clima na platéia; e quando Sandra fez a parte seguinte de sua fala, sobre a diferença entre ouvir e escutar; realmente, estavam todos verdadeiramente escutando cada palavra; mergulhados num tempo diferente; mais amplo e mais largo, aquele tempo em que a atenção é mais inteira e plena, e onde a mensagem-síntese veio na forma de uma frase de Beethoven, o grande compositor que perdeu a audição; mas continuou compondo magistralmente: “A escuta verdadeira exige um silêncio interno”.

E assim o público estava pronto para escutar Alexandre Pellaes, fundador do 99jobs, explicar a transição entre os negócios centrados nas “coisas e processos”, do antigo cenário do trabalho; e um paradigma centrado nas pessoas, que segundo Pellaes começou a surgir nos anos 80, mas que ganha formas concretas de expressão a partir do final do século XX; com modelos de gestão que buscam integrar uma atitude produtiva com uma liderança humana, que estimula indivíduos alinhados aos propósitos do empreendimento a usar o trabalho como uma expressão da sua “relação com o mundo”. Em seguida, Taciana Abreu, intraempreendedora e voluntária do Yunus Negócios Sociais Brasil falou sobre a relação de amor e ódio para com as marcas e as corporações, indicando caminhos para realizar valores humanos e sociais como uma forma para transformar as empresas estando dentro delas; usando o potencial das organizações para mudar, de um paradigma negativo onde “a vida sustenta a economia”, para sua inversão positiva; onde a “economia sustenta a vida”; destacando inclusive a importância de realizar estas ações “de dentro” das empresas, num mundo onde menos de quatrocentas empresas controlam 70% dos recursos do planeta.

Taciana foi sucedida no palco por Loreley Fox, uma Drag Queen criada pelo publicitário Danilo Dabague. “Meu papel como Drag Queen neste palco é ser julgada, e assim acessar o outro.” Com esta postura de coragem, discorreu sobre os hipotéticos pensamentos de diversos integrantes da platéia em reação à sua presença, evidenciando preconceitos e visões por vezes tão profundamente arraigadas que as próprias pessoas não se dão conta do que pensam. Por fim; passando uma mensagem profunda sobre inclusão e aceitação das diferenças nos espaços de trabalho; nas empresas; no mundo empreendedor. Pelo carinho demonstrado pelo público ao aplaudi-la de pé; parece que a mensagem de Loreley atingiu em cheio os corações.

O primeiro bloco foi fechado por Natalia Leite, jornalista e criadora da Escola de Você, uma plataforma de educação internacionalmente premiada por levar autoconhecimento de forma simples, direta e efetiva para pessoas que muitas vezes sequer saberiam por onde começar esta jornada. Um trabalho verdadeiramente relevante, que atinge milhares de pessoas em todo o Brasil com sua mensagem positiva na qual “ativar virtudes faz muito mais pelo mundo do que apontar defeitos”.

O segundo bloco foi aberto por Kayo Silvestre, empreendedor da comunidade carioca de Manguinhos, que realizou uma completa mudança de vida a partir da decisão de largar um emprego fixo e empreender criando um carrinho de venda de yakissoba nos bailes funks da sua comunidade; tendo como diferencial um atendimento exclusivo, criado a partir da própria personalidade vibrante e performática do seu fundador. Kayo terminou sua fala atendendo aos pedidos do público para que dançasse no palco do TEDx. E ele dançou, complementando com sua expressão corporal a verdade de sua personalidade: dançou com a autoridade e leveza que fez lembrar James Brown, realizando a própria expressão de alguém que, contra todas as probabilidades do meio, sabe da extensão do espaço que pode ocupar no mundo quando ignora ideias encaixotadas e pré-concebidas para viver a sua verdade com vontade e dedicação.

A transição para a fala seguinte, de Lúcia Whitaker Vidigal, de tradicionalíssima família paulistana, foi um dos pontos onde o contraste destacou ambas as falas. Antes da fala, o público assistiu um vídeo que mostrava Lúcia fazendo esqui aquático com uma desenvoltura sensacional. Como as imagens não mostravam sua figura de perto, Lúcia chocou o público ao dizer: estas imagens foram gravadas no mês passado. O que se seguiu foi uma aula de vida e vontade de fazer a diferença no mundo, independente do papel que cada um tenha; colocando em questão; inclusive; o quanto ainda existe de preconceito na sociedade para com escolhas como criar dez filhos e uma família com 20 bisnetos; o que não impediu que Lúcia trabalhasse por décadas na TV Cultura e capitaneasse diversas iniciativas de solidariedade social. E a diversidade teve outro momento de glória, ao ver aplaudidas de pé no mesmo auditório a ex-presidente da liga das senhoras católicas e o representante da cultura do morro carioca.

A psicóloga Débora Noal trouxe ao TEDxSãoPaulo a experiência de conhecer dores e realidades diversas através da Organização Médicos Sem Fronteiras; e emocionou com os relatos da luta por um sistema de saúde mais digno e da humanidade de cada um sendo desafiada em seus limites pelas guerras, desastres e violências étnicas.

Em seguida, o fenômeno de viralização recente, o empreendedor e escritor Gustavo Tanaka, cujo texto “Há algo de grandioso acontecendo no mundo” (um texto de quase 6 páginas) alcançou mais de meio milhão de leitores no mundo, semanas antes do lançamento do seu livro “11 Dias de Despertar”. Gustavo compartilhou sua vivência desde um ponto dramático onde sentia que toda sua vida havia “dado errado”; a jornada interior que fez durante os “11 dias”; e os novos rumos tomados depois deste despertar, que o levaram a criar um empresa livre e horizontal, onde todos trabalham com absoluta liberdade de decisão individual e não existe hierarquia, mas colaboração e compartilhamento dos resultados, onde todos ganham igual e tudo acontece com base na palavra e na confiança; na talvez mais explícita palestra que se pode fazer sobre o que é uma ideia empreendedora absolutamente disruptiva; especialmente no destaque que deu à ideia de que precisamos nos desvencilhar do condicionamento à competição; tão forçado desde muito cedo, para aprender verdadeiramente a colaborar.

A visão de colaboração e entendimento permeou também a fala do argentino Jonathna Berezovsky; fundador da Megaflix, uma empresa social que auxilia imigrantes estrangeiros a encontrarem ou criarem no Brasil atividades remuneradas e geração de renda com base nas suas características e diferenciais culturais. Ele próprio um imigrante, viveu experiências diversas fora de seu pais e defendeu a ideia de que, de um modo ou de outro, somos todos imigrantes, o que torna completamente inadequada a visão do imigrante como “ameaça”; quando na verdade há oportunidades de crescimento e desenvolvimento trazidas e geradas exatamente pelas diferenças.

Em seguida, a imigrante Sírio Talal Al-Tinawi voltou ao palco do TEDxSãoPaulo (ele já havia falado no evento do dia 16) como que para mostrar na prática as idéias de Berezovsky: tendo deixado Damasco, na Síria, em função da guerra que destrói seu país, Talal, que era um comerciante com uma rede de lojas naquela cidade, trouxe sua família para longe da sombra da guerra; e começou tudo de novo, utilizando justamente a riqueza das diferenças culturais: a partir dos elogios à culinária Síria criada por sua esposa para a festa de aniversário de sua filha mais nova (nascida no Brasil), a família criou um restaurante especializado em cozinha síria. Num dos momentos mais tocantes do evento, Talal levou ao palco seus filhos e sua esposa. Indo alem dos aplausos emocionados e de todo o público em pé; a história de dor e reconstrução de Talal e sua família levou às lágrimas o público, criando uma rara ocasião onde as pessoas simplesmente não se importam de serem vistas com lágrimas nos olhos; quando até o mestre de cerimônias começa sua fala visivelmente emocionado, logo após a frase de encerramento de Talal: “que os seus filhos e os meus filhos possam crescer juntos e em paz.”

Depois da emoção profunda para onde foi levado o público ao final do segundo bloco, a abertura do terceiro não poderia ser mais contrastante: o Trio Titanium, composto de violino, violoncelo e viola; instrumentos associados à musica erudita, tomou o palco para releituras inspiradíssimas de clássicos e musica pop; com uma atitude rock’n’roll e uma irreverência e bom humor absolutamente incríveis. Ao final do primeiro número, a platéia simplesmente não permitiu que saíssem. Aos gritos de “mais um”, atacaram, generosamente mais duas canções, transformando o auditório comportado numa grande balada pop.

E foi nesse clima tão solto e descontraído quanto agitado, que subiu ao palco Sri Prem Baba, o brasileiro que é o líder espiritual mundial da tradição Sacha; uma das mais antigas da Índia e que costuma, em seus encontros, ter ao menos uma hora de musicas e mantras sendo executados para levar as pessoas a um estado de calma e relaxamento, como preparação para ouvir. Mas assim que o Baba, como é chamado pelos seguidores (Baba significa “pai”, e Prem; amor, ou seja, “Pai do Amor”) ocupou o espaço e as luzes baixaram, a força de sua presença trouxe ao auditório um silencio de uma profundidade e atenção que raríssimas vezes se percebe num grande evento (não-meditativo). A sensação replicou o silêncio devocional que se percebe nos Satsangs do Baba (nos quais já estive por diversas vezes). E o brasileiro que mais alto chegou como líder de uma religião tradicional mundial, (a Sacha tem centenas de milhares de seguidores em todo o planeta) falou sobre a necessidade de fazer nascer em cada um de nós a honestidade e os princípios que desejamos ver no mundo, o compromisso fundamental com a transparência para realizar vidas verdadeiras, autênticas, que produzem o bem-estar e a felicidade; plantando as sementes de um mundo mais amoroso e pacífico. E no silêncio da sala, era fácil perceber o quanto esses conceitos, quando colocados como Idéias Empreendedoras, mexeram profundamente com a visão passada do que já foi chamado “empreender”.

Sandra Boccia recebeu um público atento e tranqüilo, para o qual falou da importância de reconhecer que o papel da mulher nos negócios e no empreendedorismo já não pode mais ser visto como nicho; e que hoje é absolutamente sem sentido que permaneça existindo uma diferença tão grande na remuneração das mulheres; que siga havendo tantos pontos em que as empresas ainda não tenham um real entendimento das realidades da mulher. Dá o que pensar quando ela cita que “até 1962, as mulheres neste pais não podiam ter CPF – ou seja, não podiam ter uma existência econômica formalmente reconhecida” – e esta observação coloca em perspectiva, ao mesmo tempo; o quanto se caminhou, e a imensa jornada que ainda temos pela frente na construção de uma verdadeira igualdade de tratamento e remuneração.

Como que para chacoalhar todas as visões sobre a “mulher empreendedora” estilo executiva- terninho, a explosiva paraibana Regina Tchelly, toda vestida de verde, de touca e avental; fez uma apresentação para desafiar todas as certezas e caminhos tradicionais para o empreendedorismo. Começando com a irreverência com a qual zombou de um concurso de gastronomia que a eliminou por “falta de diploma” ou formação clássica – ela que, alguns anos depois, tornou-se a primeira brasileira convidada a dar aulas na maior escola de gastronomia da Itália, uma das mais famosas do mundo; e terminando com a expressão máxima da síntese da genial culinária de aproveitamento total dos alimentos, criada por ela: “usar tudo até o talo!”. Regina aproveitou para ensinar que a grande arte de alimentar começa por alimentar a si mesmo de amor e; antes de tudo, amor próprio. Arrancou gargalhadas como se fizesse um show de stand-up comedy; saiu aplaudida de pé e com algumas centenas de novos fãs convertidos à sua “irreverência até o talo”.

A penúltima fala pertenceu à Gica Mesiara, criadora do lindo jardim vertical do palco do TEDx, que apresentou uma visão tremendamente diferenciada sobre a interação entre as pessoas, o meio e as leis da natureza; falou da importância da beleza e do natural como aspectos essenciais do bem estar, a presença da vegetação como elemento transformador do espaço urbano. A certa altura da palestra, fica inevitável a gente se perguntar “mas porque é mesmo que todas essas laterais de edifícios cinzentos na cidade ainda não estão cobertas por imensos, saudáveis e lindos jardins verticais?” Sinceramente, qualquer candidato que tivesse essa ideia em sua plataforma teria uma chance enorme de ter o meu voto.

O evento foi fechado por Eduardo Seidenthal, fundador da Rede Ubuntu e autor do livro “As Raízes do EUpreendedorismo”, explicando que toda transformação nasce do autoconhecimento, que possibilita entender o seu papel no mundo, assim como ter um foco claro daquilo que deseja realizar; e que a grande transformação é a visão de colaboração coletiva, representada pelo termo africano Ubuntu, que segundo Seidenthal significa “eu sou porque você é e você é porque nós somos”.

Ao final do evento, o TEDxSãoPaulo é o próprio jardim vertical colocado em seu palco: imensamente inspirador, apontando para o valor do novo e da vida que vence os velhos paradigmas vencidos. O jardim que pinta de verde e enche de flores as caixas cinzentas do passado.

Confira algumas fotos:

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

TEDx São Paulo: a conexão da força feminina

em Cultura e Entretenimento/News & Trends/The São Paulo Times por

Paulo

TEDx São Paulo: a conexão da força feminina

Foto: Katia Alves
Foto: Katia Alves

É muito significativo que o TEDxSão Paulo que aconteceu na última segunda-feira, dia 16 de novembro, na Sala São Paulo, tenha refletido com tamanha clareza a força feminina tão presente neste momento; onde o questionamento sobre a presença e, porque não dizer, o domínio feminino de certos espaços e questões mostra-se tão importante. Vivemos um tempo de profundo questionamento do papel e do espaço da mulher no mundo; estimulado por campanhas como #primeiroassedio; pela ocupação temporária de espaços editoriais de seus colegas em diversos veículos; pela renovada discussão sobre o direito ao aborto e as liberdades femininas numa sociedade ainda tão dominada por um renitente machismo, consciente ou inconsciente.
Pois o TEDxSão Paulo foi um espaço dominado pelo feminino. Bastou um breve olhar para os créditos no programa para perceber que a equipe que organizou o evento era composta principalmente de mulheres. Entre os nomes nos programa, apenas 3 nomes de homens num total de 33 nomes nos créditos. E mesmo entre os palestrantes, a maioria era feminina.
E o que isto disse sobre o clima do evento? Muitíssimo. O tema oficial era “Conexões”, um tema convenientemente aberto e inclusivo. Mas, extra-oficialmente, o tema do TEDx parecia ser compaixão, amor, respeito pela diferença. Reconhecimento da importância das narrativas positivas e construtivas, numa sociedade ainda no seu todo tão violenta e agressiva.
Já de início, a primeira apresentadora, a escritora Gisela Cochrane Rao, trocou o minuto de silencio em honra de todas as vítimas das catástrofes recentes de Minas Gerais, Paris e todos os conflitos do mundo por um minuto de abraços. E assim começou um evento desenhado para aproximar, conectar, tocar. Em seguida, a pianista Juliana D’Agostini, numa linda imagem de uma mulher grávida e gestando outra vida, arrebatou a sala com uma abertura de musica clássica em piano solo que valorizou a escolha da sala famosa como a melhor Acústica de concerto no país; seguida por Beto Pandiani e suas histórias de um universo que um dia foi quase exclusivamente masculino, o das viagens de aventura, navegando o mundo num barquinho. Hoje, mesmo os relatos de marinheiros tem uma sensibilidade e uma narrativa sensíveis. Mais que o tempo a bordo e as durezas das travessias, Beto colocou seu foco nas experiências e conexões vividas em terra, com os ianomâmis na Amazônia, trazendo uma visão de comunidade e um senso de descoberta renovado por um olhar muito mais “família” que o que se esperaria de um aventureiro pelos mares do mundo.
Ele foi sucedido no palco por Roberta Estrela D’Alva, trazendo poemas numa leitura apaixonante e emocionada, com uma carga de emoção e força de mover paredes, a “força da luta em tempos sombrios – e a busca por uma luta que não apenas endureça, mas, também, sensibilize; deixando o palco com o punho erguido e a conclamação “Poder ao povo preto”. O palco navegou entre extremos na troca entre Roberta e a força da lírica contra a opressão e a presença da empresária e filantropa Alcione Albanesi, que há décadas capitaneia uma iniciativa que leva alimentos e donativos para as regiões mais pobres do Nordeste brasileiro. As fotos de sua apresentação mostravam, sobretudo, crianças e famílias na sua luta pela sobrevivência num pedaço da nação que é praticamente esquecido pelos programas sociais oficiais; lembrando dolorosamente que ainda vivemos num mundo em que 1 em cada 8 seres humanos padecem de fome e desnutrição.
Christian Westphal, um jovem de apenas 20 anos, trouxe o espaço, a ciência e a astronomia ao TED, assim como leva a sua paixão pela divulgação científica às praças e espaços públicos do sul do Brasil, lembrando que podemos ser mais curiosos; questionadores e manter viva a chama da juventude por perseguir respostas.
Fechando o primeiro bloco de palestras, a cardiologista Luciana Fornari colocou a compaixão e a empatia num lugar de honra na prática médica; elevando o amor pelo outro a condição essencial para a cura, inclusive de nós mesmos. Um fechamento emocionante e aplaudido de pé.

Segundo bloco
O apresentador do segundo bloco foi aberto com a frase “Sejam todas muito bem-vindas!” – e a provocação de gênero na frase fazia completo sentido; especialmente quando completa: “Sejam todas muito bem-vindas, pessoas lindas!”. Edgard Gouveia Júnior estabeleceu uma incrível descontração na sóbria sala de concertos, apresentando a surpreendente cantora Bibba Chuqui; que literalmente derrubou os queixos da sala toda numa performance arrebatadora; mais uma vez explorando a Acústica perfeita da sala ao deixar de lado o microfone na abertura e no final de seu número, cantar no meio do público e até tomar a câmera de uma das fotografas para fazer um “selfie” no meio do público.
Gil Giardelli trouxe um robô e um desfile de inovação e novos paradigmas saídos diretamente do Vale do silício e das grandes universidades e instituições de pesquisa do mundo, fazendo talvez a única palestra onde a conexão emocional não dominou o tom. Ainda assim, em meio a toda a inclinação tecnológica, permaneceu evidente o centro no valor da transformação do mundo: a tecnologia, que um dia pareceu “um valor em si mesma”; é hoje percebida antes de mais nada como veículo para o enriquecimento da experiência humana.
Experiência humana que ganhou contornos históricos através do Gandhi que o ator João Signorelli trouxe ao palco do TED. Curiosa sensação ver neste palco do século 21 um personagem tão importante do início do século passado; com sua mensagem tão atual de compaixão e não-violência como grande caminho para a transformação do mundo; adicionando ainda mais a presença do feminino ao interpretar, entre outros trechos, a leitura da carta enviada a Gandhi por sua esposa.

Foto: Katia Alves
Foto: Katia Alves

Depois da presença viva do grande mentor da libertação indiana; foi a vez da jovem Vivian Hanai falar, justamente, da importância de escolher bons mentores.
O médico Fabio Atui abriu sua fala com uma constatação cada vez mais clara: “a medicina está doente. E está doente pela falta de empatia e proximidade na relação médico-paciente.” Mais uma vez, o destaque para a conexão humana, o resgate do sensível: “o exame não fala pelo paciente!” Mais uma vez um homem trazia ao palco uma temática tradicionalmente associada ao universo feminino e relacional.
Do universo da pessoa; passamos à visão social de Rogério Chequer, do movimento vem pra rua; que falou exatamente da importância do relacional nos movimentos; ao descrever como a transição da “rede social virtual” para a “rede de pessoas reais engajadas” vem mudando os rumos de movimentos e protestos na cidade de São Paulo: mesmo no grande movimento de massas, permanecem as relações individuais na base da motivação para o engajamento e a participação.
O segundo bloco foi fechado por uma apresentação forte e dramática, do tipo que não se espera de uma promotora de justiça: Gabriela Manssur não apenas compartilhou histórias: ela viveu no palco alguns dos personagens dos dramas domésticos de violência contra a mulher de um modo intenso e interpretativo. Muito mais que ouvir uma promotora sobre casos judiciais, ouvimos uma mulher dando voz à dor de muitas mulheres.

Terceiro Bloco
O terceiro bloco foi marcado pela presença e a figura absolutamente contagiante de Wellington Nogueira, criador do Doutores da Alegria. Um mestre de cerimônias absolutamente impecável, que tomou o pulso do público e simplesmente levou-o pela mão. Há muito tempo eu não via um apresentador conduzir com tamanha maestria, leveza e perfeição a dinâmica de um evento.
Renato Braz e um duo de violões trouxe o tom latino americano com belíssimas canções em espanhol, embalando uma performance de um casal argentino que foi a própria imagem da conexão entre dois seres humanos, parecendo levitar sobre o palco, completamente absortos na profundidade da conexão de seus movimentos.
Adriana Carranca falou do poder da narrativa, inclusive do poder a escolha entre as muitas narrativas Possíveis, ao trazer uma visão completamente fora da caixa em relação à sua convivência pessoal com mulheres do Egito, Irã, e Emirados Árabes; tanto quanto a sua visão critica de jornalista presente a grandes guerras e cenários de conflito, que tão frequentemente trazem à tona, não apenas o pior, mas tantas vezes o melhor e o mis nobre dos seres humanos em momentos extremos de empatia; solidariedade e entendimento. Aberto pela perspectiva da narrativa de Adriana, o público recebeu a seguir Talal al-Tinawi, imigrante Sírio que deixou toda uma vida para trás e trouxe sua família para São Paulo, em busca de colocar meio mundo de distância entre a guerra e aqueles a quem ama. O relato de Talal; feito num português de poucos meses, simples e direto, atingiu em cheio a conexão da empatia; e não foram poucos os olhos marejados na sala São Paulo.
Renato de Paiva Guimarães seguiu aprofundando o tema da escolha das narrativas; denunciando o papel tantas vezes tenebroso das mídias sociais em propagar medo; discursos de ódio e negatividade, ao mesmo tempo instigando as pessoas a respirar fundo e avaliar com calma antes de abraçar debates vazios de compaixão e entendimento; e ressaltando o papel do indivíduo na construção de uma visão mais positiva e equilibrada de mundo.
Esse momento reflexivo foi estendido e aprofundado pela Lama Tsering Everest; responsável pelo Templo Odsal-ling de uma das linhagens do Budismo Tibetano. Estendido pelos minutos iniciais em silencio, olhando nos olhos da platéia com uma calma e equilíbrio que pareceu colocar toda a audiência em sua própria vibração. Falando em inglês, sem tradução simultânea, para um público que pareceu compreendê-la completamente, falou sobre a profundidade e simplicidade das conexões reais e verdadeiras que podemos estabelecer com o mundo, uma vez que tenhamos estabelecido essas conexão com nós mesmos, lembrando que o mundo é um mero reflexo daquilo que trazemos em nosso interior.
Natalia Leite fechou o programa com leveza e alegria, trazendo as histórias de transformação pessoal criadas através do seu projeto Escola de Você. Amizade e simplicidade; modificando vidas e despertando pessoas comuns, com vidas comuns, através de atitudes extraordinárias, a conexão com o poder de cada indivíduo, por menor e mais comum que pareça; uma vez que se determina a fazer a diferença na sua vida, e por conseqüência, no seu mundo.
Há que se reconhecer que Elena Crescia fez uma curadoria nada menos que brilhante para o TEDxSão Paulo. Conseguiu permear todo o evento com o seu olhar sensível e transformador, unindo falas tão diversas quanto uníssonas, em seus reconhecimentos do poder das narrativas positivas, das escolhas; da compaixão e da empatia entre os seres humanos. O tema “Conexões”, ao final do evento, me parecia resumir a própria personalidade da curadora; um ser humano com uma capacidade impressionante para conectar outros seres humanos, suas histórias e vivências, colocando o melhor da experiência humana no centro de um evento positivamente transformador.

Confira algumas fotos do evento:

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

[TEDxSP] Show da Educação na Arena do Esporte

em Brasil/Coluna/News & Trends/São Paulo/The São Paulo Times por

Paulo

Show da Educação na Arena do Esporte

Esta semana aconteceu o TEDXSãoPaulo em torno do tema Educação – um evento em tudo diferente dos anteriores no gênero. Primeiro, porque aconteceu no Allianz Parque, um estádio de futebol. Normalmente associado a espaços do tipo auditório, ou à luxuosa Sala São Paulo; a última edição foi um show de tamanho, diversidade e inclusão. Segundo os organizadores, é provavelmente o segundo maior evento TEDx já produzido no mundo (o x indica um evento organizado independentemente da organização central do TED; funcionando como uma espécie de franquia).

A primeira coisa que vem à mente é o inusitado comentário que ouvi de um dos voluntários: “milhares de pessoas, numa segunda-feira, reunidas num estádio de futebol, no Brasil, para assistir palestras sobre educação?! Eu devo estar sonhando!” De fato, no Brasil, onde vivemos um quadro de educação tão complicado, parece um sonho reunir milhares de pessoas em torno do tema. Mas isso é uma impressão criada pela completa inépcia e incapacidade de tantos governos, pela CRÔNICA falta de investimento, o currículo e os métodos arcaicos da maioria das instituições de ensino: se do ponto de vista público e governamental vamos muito mal há séculos; do ponto de vista dos inovadores, dos apaixonados, dos educadores de vanguarda, dos questionadores que promovem um debate incansável para fazer evoluir este quadro tão precário; vamos extremamente bem.

Em breve, como em todos os eventos TEDx, as palestras estarão no ar, na íntegra, com excelente qualidade de áudio e vídeo – e para vê-las completamente de graça, basta inscrever-se nas páginas do TEDxSãoPaulo nas mídias sociais ou procurar no YouTube pelo canal TEDxSãoPaulo. Por isso, não vou me estender nas resenhas das palestras, preferindo destacar a impressionante qualidade geral e as mais apaixonantes idéias e “talks” apresentadas.

Já de cara, na abertura, impossível não citar a emocionante talk de Estela Renner, contando a história do seu envolvimento com a educação – e as crianças – como causa. É exatamente desta paixão que precisamos para fazer a diferença. Era palpável a emoção de Estela sobre o palco; e não é para menos: seu mais recente filme “O Começo da Vida” (já disponível no Netflix) foi recentemente exibido; e aplaudido de pé, num grande evento na sede da ONU. É impressionante onde podem chegar idéias importantes quando recebem o devido apoio e respaldo; neste caso, graças ao Instituto Alana e sua produtora, a Maria Farinha Filmes. O filme; um primor de sensibilidade, dedica-se a explorar a enorme, e tantas vezes ignorada; importância dos primeiros dias, meses e anos de vida na formação do indivíduo. O público foi arrebatado de cara pela emoção do tema; e correspondeu generosamente, com muitos já aplaudindo de pé a primeira palestra do dia.

O nível das talks seguiu elevado, sempre privilegiando a inovação e as novas idéias; algo tão necessário e que ainda recebe tão pouco espaço na maioria das nossas salas de aula. Como que para provar que, de dentro do sistema educacional se pode fazer diferente e fazer a diferença, Clóvis de Barros Filho, doutor e livre-docente da ECA-USP, sempre explosivo e genial, ocupou cada espaço do gigantesco palco com uma presença de uma intensidade absoluta; defendendo com expressão, gestos, a voz e o corpo toda a indispensável ligação entre felicidade e competência. Clovis, sobre o palco; à vontade como se estivesse em qualquer sala, desfilou razões e diferenciais que apenas estão acessíveis a quem ama o que faz, de todo coração. “A felicidade é quando você vive uma coisa, e mal ela acabou, você já quer que aconteça novamente”; “A felicidade é agora, está neste momento, ou não está em lugar nenhum” foram algumas das frases deste professor que deixa tão claro a cada instante o quanto ama o que faz, de modo inquieto, questionador; trazendo para o evento aquilo que pode existir de mais precioso em alguém que escolhe dedicar-se a educar.

No espectro amplo do TEDxSãoPaulo, educação é um tema que passa pela imensa importância da inclusão digital, brilhantemente defendida por Drica Guzzi, da Escola do Futuro da USP; pela relevância da inclusão dos jogos e recursos digitais, tema do excelente Fernando Tsukomo; e o empreendedorismo em educação, que foi o centro da fala de Bel Pesce, cujo jeito de menina esconde um currículo de peso com passagem pelo MIT e destaque em diversas empresas do Vale do Silício. Camila Achutti, consultora de inovação e tecnologia, falou sobre o uso da tecnologia e da programação como ponte para unir as pessoas.

Se o mundo digital e online esteve muito bem representado; foi emocionante ver a ligação do público com o palestrante Luis Junqueira, que de estudante de economia tornou-se professor de português e, apaixonando-se pela redação, criou o projeto Primeiro Livro, que incentiva crianças e jovens a publicarem seus primeiros livros. Igualmente inspiradora foi a Talk de Camila Agone, que já no ensino médio e aluna da rede pública, teve seu projeto sobre o valor medicinal da embaúba premiado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Com toda a seriedade da temática, o evento teve inúmeros momentos de humor, leveza, festa e descontração, especialmente com os apresentadores – com grande destaque para o divertidíssimo e engajado Cazé Peccini – e também pela diversidade das atrações musicais – do excelente e informal Kick Bucket, de Bruno Kioshi; que usa baldes como bateria para produzir um jazz-fusion sensacional, passando pela atitude forte do Dream Team do Passinho, que faz funk com letras questionadoras e temas ligados à auto-estima e valorização do papel do indivíduo como protagonista de suas escolhas; desembocando na incrível mistura de intrumentos clássicos com DJ e música eletrônica que é o Trio Titanium. Todos eles colocaram, literalmente, o estádio inteiro para dançar, lembrando que diversão e alegria são parte de qualquer processo de aprendizado realmente marcante.

Essa visão esteve destacada também na talk de Renata Meirelles, que há anos viaja o Brasil criando um grande registro audiovisual sobre as brincadeiras infantis, que deu origem ao seu projeto Território do Brincar, tema de livros, exposições, um curta e um longa-metragem. Os aspectos lúdicos e o papel da colaboração em substituição ao velho paradigma competitivo foi o tema de Rodolpho Martins, que com seus Jogos Cooperativos empolgou a platéia. O documentarista Túlio Schargel, trouxe incríveis imagens subaquáticas e contou como teve sua vida tocada ao encantar-se pela educação quando transformou um de seus filmes no Projeto educativo Mega-Fauna, que destaca grandes espécies extintas da fauna brasileira, como preguiças-gigantes, mamutes e tigres de bengala – que muitos sequer sabiam que habitaram o Brasil na pré-história. Ainda entre as palestras que inspiram pelos caminhos da ciência, Duília de Mello, mestre em astronomia pelo INPE e pesquisadora da NASA falou de sua paixão pelas estrelas e até sobre colisões de galáxias.

O questionamento dos valores envelhecidos que ainda habitam a educação no Brasil foi muito bem representado por Jameson Mancio, que começa sua Talk contando porque foi expulso de TREs escolas durante a adolescência, mesmo com excelentes notas acadêmicas. Ainda no tom questionador das velhas estruturas, Angélica Dass trouxe ao TEDx seu lindo projeto Humanae; que fotografa pessoas do mundo todo para mostrar as verdadeiras cores da humanidade, relacionando seus tons de pele às múltiplas possibilidades de cor através das milhares de possibilidades de uma escala cromática, mostrando claramente a infinita diversidade na qual estamos todos inseridos.

Por fim, num evento tão dedicado à idéias e falas, uma das mais empolgantes apresentações foi feita quase sem palavras: David Arzel, professor especializado em ioga para crianças e fundador do Yoga for Kids encantou o TEDx com a leveza e flexibilidade de seus pequenos alunos e os movimentos inspirados na natureza e nos bichos, resgatando a importância do movimento ao lembrar que somos seres integrais, compostos de pensamentos e emoções; mas também de um corpo que merece dedicação e atenção.

No final, creio que o público todo saiu com a sensação de um verdadeiro clássico, uma goleada destes inovadores; que promete um futuro muito mais vivo e interessante para a educação no país do futebol.

Confira algumas fotos do evento:

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Competição x Empatia: como fica essa equação?

em Coluna por

Paulo

Competição x Empatia: como fica essa equação?

Semana passada fui convidado pela querida Cristiane Anselmo, do Instituto Alana, para o evento “A Empatia na Educação de Crianças e Jovens”, promovido pela iniciativa Escolas Transformadoras (do Instituto Ashoka) em parceria com o Alana. O evento aconteceu na ótima Sala Crisantempo, na Vila Madalena, em São Paulo. Despretensiosamente chamado de “roda de conversa”; o evento tinha participantes de uma relevância e conhecimento que valeram por muitas aulas.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Mas, primeiro, vamos ao próprio tema em si: EMPATIA. Dependendo da fonte, pode ser definida como “a capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias” ou ainda segundo Hoffman (1981), “uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa.” Naturalmente as definições reduzem o sentimento; mas de todo modo tem-se a noção da importância da empatia; e da falta que ela faz em na sociedade hoje; tempos de acirradas divisões e intolerância às opiniões divergentes. Não apenas o tema é fundamental, mas é também fundamental que se fale dele na educação dos jovens e das crianças: a capacidade de se “sentir” na pele do outro é indispensável para que escolhas humanas sejam éticas, respeitosas e construtivas. Independentemente do quanto se possa discordar nas teses, a empatia deveria manter saudáveis as relações entre os seres.

Já na abertura do evento, Ana Lúcia Vilela, educadora que fundou o Instituto Alana, começou com uma pergunta inquietante: será que empatia é algo que perdemos na vida adulta; ao nos “apaixonarmos pela razão”? Alguns especialistas presentes ao encontro garantem que a empatia é algo “construído” pelo meio, aprendido pela via do exemplo. Crianças no início da vida seriam (ainda que tenham a centelha humana da capacidade empática) incapazes de real empatia porque para elas “o outro” ainda não existiria; existe apenas o reconhecimento de “si mesmo e suas necessidades e vontades”. Curioso notar como essa frase parece perfeita, infelizmente, também para definir o comportamento de indivíduos de a uma faixa ETÁRIA bem superior aos 0-5 anos.

Independente de inata ou aprendida, a empatia encontra hoje um desafio muito grande para sua real promoção na maioria dos ambientes educacionais; como identificaram vários debatedores, entre eles a diretora da Escola Amigos do Verde Silvia Carneiro e a psicóloga e consultora educacional Rosely Sayão: “ao educar para a competição e o mercado, como muitas escolas fazem hoje, que espécie de empatia poderia ser ensinada?” “Que tipo de empatia pode ser promovida por uma escola que estimula que se veja o outro como “seu oponente, seu antagonista, aquele que vai disputar o mesmo espaço? ”

Apesar disso, o ex-ministro da educação Renato Janine Ribeiro mostrou o quanto a empatia cresceu na sociedade atual, quando comparada a outros momentos históricos que ilustram com extrema clareza o quanto havia uma absoluta falta de empatia num passado relativamente recente: a execução de criminosos condenados à pena de morte só deixou de ser evento público em 1930; e bem sabemos que no passado, e por milhares de anos, o oposto da empatia foi a própria essência do espetáculo que acontecia “no coliseu e em outros palcos menos famosos, pelo mundo todo”.

Se esta visão de competição e de alienação em relação ao outro parece ser a precisa identificação do que mais dificulta o estímulo à empatia; o fundador da ONG Doutores da Alegria, Wellington Nogueira, foi a própria empatia no encontro (penso que a capacidade de alegrar crianças doentes em leitos hospitalares seja talvez a maior credencial de empatia que alguém possa ter). Ao contar histórias sobre os desafios que ele mesmo viveu na jornada de desenvolver seu talento, deu uma importante indicação: “Antes que possa haver empatia, é preciso aprender a ouvir, a ver, a dar atenção. Para ver e sentir o outro, a gente precisa ser capaz de ver a si mesmo. E antes que alguém fale que eu estou sugerindo algum tipo de disciplina: não é disciplina, nem esforço! É pausa. É respirar! É se dar o tempo de olhar para dentro e para perceber o que você sente…”

Saí do evento com a sensação de que algo de importante acontece cada vez que educadores se reúnem para discutir um tema humano, real e importante como a empatia. Quanto mais cresce esse debate, mais próximo torna-se o dia em que os meus filhos e os seus filhos deixarão de ir a uma sala criada para “escolarizar” num paradigma do século dezessete, inspirado em regras militares para formar guerreiros com objetivo de derrotar, conquistar ou aniquilar o outro.

Como perfeitamente definiu Anamaria Schindler, presidente emérita do Instituto Ashoka, como um dos aspectos mais relevantes do evento: mobilizar os transformadores, para que sejamos cada vez mais, em número e em princípios; indivíduos transformadores.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

“Autoconhecimento tem de ser política pública”

em Coluna por

Paulo

“Autoconhecimento tem de ser política pública”

Sri Prem Baba, líder mundial de uma das maiores e mais antigas tradições espirituais da Índia, foi entrevistado com exclusividade para o The São Paulo Times pelo colunista Paulo R. Ferreira. Prem Baba falou no último TEDxSãoPaulo.
Sri Prem Baba, líder mundial de uma das maiores e mais antigas tradições espirituais da Índia, foi entrevistado com exclusividade para o The São Paulo Times pelo colunista Paulo R. Ferreira. Prem Baba falou no último TEDxSãoPaulo.

Prem Baba chegou ao auditório do MASP no intervalo para o terceiro bloco de palestras do TEDx; no qual estava agendado para falar. Sentou-se na primeira fila; pareceu extremamente à vontade e concordou imediatamente em conceder a entrevista exclusiva após o evento, numa sala reservada. Assistiu todas as palestras e participou de todas as atividades com uma simplicidade e simpatia cativantes. O público em São Paulo não parecia particularmente consciente do fato de que estava na presença do brasileiro que mais alto chegou numa tradição religiosa milenar que tem centenas de milhares de adeptos em todo o planeta e movimenta mais de dez mil seguidores diretos.

Sri Prem Baba (Sri é um título equivalente a “senhor”; Prem significa amor e Baba significa “pai” ou seja, numa tradução livre, seu nome ou título na tradição Sacha seria algo como “Senhor Pai do Amor”) ou simplesmente  o Baba, como é chamado pelos seus seguidores, falou no último TEDx de 2015 na cidade de São Paulo, sendo precedido no palco por um trio que mistura música clássica com pop eletrônico, criando um clima tão solto e descontraído quanto agitado, muito diferente do que costuma acontecer em seus encontros (chamados Satsangs); onde costuma ter ao menos uma hora de mantras e músicas relaxantes para levar as pessoas a um estado de calma e atenção para ouvir.

De todo modo, assim que o Baba ocupou o palco e as luzes baixaram, a força de sua presença trouxe ao auditório um silêncio de uma profundidade e atenção que raras vezes se percebe num grande evento (não-meditativo). A sensação replicou o silêncio devocional que se percebe nos Satsangs do Baba (nos quais este colunista já esteve por diversas vezes).

O Baba falou sobre a necessidade de fazer nascer em cada um a honestidade e os princípios que desejamos ver no mundo, o compromisso fundamental com a transparência para realizar vidas verdadeiras, autênticas, que produzem o bem-estar e a felicidade; plantando as sementes de um mundo mais amoroso e pacífico. No silêncio da sala, era fácil perceber o quanto esses conceitos, quando colocados como Idéias Empreendedoras, mexeram profundamente com a visão tradicional do que já foi definido como “empreender”.

A seguir, a transcrição da entrevista exclusiva:

Paulo Roberto Ferreira: Baba, falar no TED, num evento com um clima tão diferente da tranqüilidade dos seus Satsangs, como é isso?

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Sri Prem Baba: É uma experiência nova, e eu decidi me abrir para essa experiência nova. É um momento que se faz necessário democratizar a comunicação e fazer com que o conhecimento chegue através de diferentes canais e de diferentes mídias. Sinto que é o meu sacrifício para o mundo, é o meu amor é a minha compaixão que faz com que a gente tente estar em todos os lugares , independentemente da forma; mesmo que seja diferente da minha forma de trabalhar natural…

PRF: Quem acompanha especificamente o seu trabalho, ou as tradições indianas de um modo geral, nota que ultimamente há muitos conceitos e idéias de autoconhecimento e cultura de paz que estão se incorporando ao discurso de diversos empreendedores; ideias que fazem parte da sua tradição, por exemplo, há muito tempo. Como você vê isso?

SPB: Eu fico muito feliz. Eu sinto que isso é já um florescimento da semente que eu venho plantando; eu e muitos outros mestres espirituais ao longo de tanto tempo. Eu sinto que é já um resultado desses esforços e isso me deixa muito satisfeito e muito feliz.

PRF: Estamos no TEDxSãoPaulo e você viveu na cidade de São Paulo vários anos. Como é a sua relação com São Paulo hoje?

SPB: Hoje em dia em fico muito pouco tempo aqui em São Paulo, mas eu sinto que é um lugar muito especial; porque ao mesmo tempo em que acontecem tantas oportunidades de crescimento e de fomentação e de todo tipo de sabedoria, é um lugar que carece também de muita luz; devido exatamente a essa intensidade de emoções. A mente coletiva é muito carregada devido à própria densidade demográfica. A organização da cidade carece de amor… ela carece de suavidade; então eu tenho dado meu melhor por São Paulo. Eu gostaria até de dar mais por São Paulo, mesmo nos poucos momentos que eu passo nesta cidade.

PRF: Falando então de um lugar bastante diferente de São Paulo: como está o trabalho em Alto Paraíso; e a criação do Ashram lá? (Desde 2014 Prem Baba tem feito temporadas na cidade de Alto Paraíso de Goiás, 260km ao Nordeste de Brasília. Muito comentou-se sobre a possibilidade do Brasil tornar-se a sede mundial da Tradição Sacha. Nesta entrevista, o Baba afirma publicamente que Alto Paraíso se tornará sua sede mundial)

SPB: Nós temos um Ashram (local para retiros), em Nazaré Paulista, a 1 hora de SP aproximadamente; mas ficou pequeno; então estamos nos movendo para Alto Paraíso de Goiás, onde eu sinto que acabará sendo a sede mundial do nosso trabalho. Tem sido maravilhoso, é um lugar realmente muito especial; muito mágico. As águas, as cachoeiras, aquele cerrado, aqueles cristais… é um lugar que está realmente recebendo muito bem a minha proposta de trabalho , eu me sinto encaixado lá, me sinto totalmente em casa. Então quando estou lá eu não tenho vontade de ir para canto nenhum… (risos)… por isso que eu tenho vindo muito pouco a São Paulo e a outros lugares também. Está chegando um tempo que eu vou tentar diminuir um pouquinho as viagens e ficar um pouco mais lá em Alto Paraíso.

PRF: eu acompanhei vários Satsangs seus lá e senti muito isso, esse aspecto de sentir-se em casa

SPB: Na verdade o mundo é a minha casa, eu me sinto bem em todo lugar. Mas tem ali um lugar onde eu me sinto completamente encaixado. Eu tenho a Índia, onde eu passo de 4 a 5 meses do ano em Rishikesh; e agora, Alto Paraíso; que eu espero que seja o meu segundo lar, um dos lugares onde eu me sinto realmente completo.

PRF: Isto é bem entendido em Rishikesh, que é a sede da tradição?

SPB: Tão bem entendido que eles têm vindo me visitar, passar temporadas comigo, não é? Eles estão amando o Brasil, estão amando Alto Paraíso e tem já uma fila de pessoas querendo vir para cá passar uma temporada. Eu sinto que é natural, até mesmo em respeito à tradição. Isso foi uma transmissão passada pelo meu mestre espiritual; ele disse para eu ficar um temporada na Índia e uma temporada no Brasil; e isso está realmente se configurando

PRF: Você falou dessa transformação e no nosso papel de plantar sementes de autoconhecimento; e que este evento é um florescimento dessa transformação. Você é otimista em ver o jardim num tempo não tão longo?

SPB: Eu sou extremamente otimista (risos) … eu tenho uma fé muito grande no ser humano, uma fé inquebrantável no amor, então eu sinto que tanto quanto é possível ver esse florescimento aqui no TED; também tenho visto em muitos lugares. Ao mesmo tempo em que nós temos vivido ameaças reais de destruição e isso é um fato, estamos passando por um momento crítico da nossa jornada evolutiva, ao mesmo tempo temos oportunidades raríssimas de evolução. Oportunidades de um salto quântico na nossa jornada. Essas duas coisas estão acontecendo simultaneamente, então, eu prefiro enxergar o copo meio cheio… (risos)

PRF: Num certo sentido é uma polarização, uma parte cada vez melhor e uma parte não necessariamente tão bem?

SPB: É assim que eu estou vendo esse ciclo do tempo. Os contrastes estão mais nítidos e mais visíveis. O preto mais preto e o branco mais branco

PRF: Isso é de se esperar?

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

SPB: sim, isso era esperado. Nossa tradição espiritual, chamada Sacha, vem evocando esse momento há milênios. Nós o chamamos de Parivarta. Parivarta é a grande transição planetária onde a gente procura criar uma Era de luz e de amor dentro dessa era de trevas e ignorância. Então nós forjamos os alicerces dessa era já há muito tempo; isso está completamente dentro dos planos; pelo menos dentro dos planos da nossa linhagem. Nós já esperávamos por isso.

PRF: Então apesar do sentimento de crise, você observa nisso algo a ser, praticamente, celebrado?

SPB: com certeza esperado. Porque nós entendemos a crise como sintoma da transformação. Algo velho está morrendo. Essa morte, ela é desafiadora; estamos falando de desapego de crenças e hábitos profundamente enraizados. Nós temos de dar passagem para um novo capitalismo; para uma nova economia; uma nova política; um novo sistema educacional, com base na consciência amorosa; com base em valores humanos. Se faz necessária uma profunda transformação, porque nossa mente está muito condicionada ao egoísmo; ao ódio; ao medo. Então, realmente estamos celebrando essa oportunidade de crescimento; entendemos essa crise como sintoma da transformação e ao mesmo tempo como oportunidade de um salto quântico na jornada evolutiva.

PRF: Um dos pontos citados na sua fala e também de outros palestrantes é a questão do medo; o medo como gerador e produto de um condicionamento cultural que não nos preparou para a colaboração; nos preparou apenas para a visão competitiva. Como é que se conserta isso?

SPB: Exatamente. Nós estamos falando de pelo menos 10 mil anos de história. A nossa humanidade tem sido conduzida pelo medo e conseqüentemente pelo ódio, porque onde existe medo existe ódio também; eles sempre caminham juntos. Ainda somos conduzidos pelo medo.
Se formos observar; nossa economia é conduzida pelo medo da escassez e isso gera competição, gera disputa e necessidade de acúmulo; consumo irresponsável e todos os desdobramentos disto que estamos vendo aí. Essa crise ambiental; essa crise em todos os segmentos da nossa sociedade. Eu tenho ensinado que esse medo precisa primeiramente ser conhecido. Precisa ser acolhido e compreendido, para que ele possa ser transformado. Assim como o ódio e todas as outras matrizes da natureza inferior. O mal precisa deixar de ser temido. Precisa ser olhado de frente; precisa ser compreendido. E na medida em que nos permitimos olhar e compreender; nós vamos entender que é um mecanismo de defesa criado para nos proteger de choques de dor; choques do próprio desamor; choques de humilhação; choques de exclusão; de abandono e de rejeição. Por conta disto, acabamos desenvolvendo esses mecanismos que só tem gerado destruição da nossa vida e do próprio planeta. O processo de transformação do medo em confiança; do ódio em compaixão, do estado de isolamento para a experiência da unidade; vem exatamente olhando de frente para essa sombra. Até agora nós não tivemos maturidade suficiente para realizar esse processo de transformação. Não tivemos maturidade de aceitar as nossas imperfeições, olhar para elas, encontrar de onde elas vêm e transformá-las.
Hoje eu sinto que nós estamos começando… começando a estar preparados para iniciar este processo de transformação do medo em consciência.

PRF: e nesse processo é que entra a jornada de autoconhecimento que pode transformar o que fazemos no mundo, seria isso?

SPB: exatamente. Eu compreendo que o autoconhecimento é a única possibilidade para realizar esta transformação que queremos ver no mundo. Porque a gente fala muito a respeito daquilo que queremos ver no mundo; fala muito a respeito do que pode ser feito. Nós temos até visto alguns exemplos, algumas possibilidades, algumas direções estão sendo apontadas. Porém o processo de transformação é intrincado, nem todos conseguem explicar como ele se dá. E ele se dá através de uma metodologia de autotransformação; onde o autoconhecimento é a base. Então eu tenho insistido no ponto que autoconhecimento tem de se tornar política pública! Tem de fazer parte do currículo do MEC! Precisa estar presente em todas as instituições. É meu sonho que um político passe por um processo de autoconhecimento, nem que seja fazer terapia, antes de se candidatar. Um empresário que está realmente tendo a sabedoria de empreender e prosperar, seria fabuloso se ele pudesse se conhecer para poder transformar esses valores dentro dele, para que essa prosperidade possa chegar a todos; ser um instrumento de riqueza para todos.

PRF: Esse caminho do autoconhecimento é múltiplo? Naturalmente, a sua tradição é um caminho de autoconhecimento extremamente profundo; mas existem outros caminhos e outros meios para realizar isso, para alguém que não esteja necessariamente interessado numa tradição espiritual? Como você vê isso?

SPB: Eu acho maravilhoso! Todas as formas são válidas. Eu não estou dizendo que o meu caminho é o único; não, muito pelo contrário! Eu estou apenas incentivando o autoconhecimento, independente de qual escola ou qual caminho. Independentemente de qualquer tradição; religião; classe social ou etnia, o que importa é que essa busca por aquilo que é real, por aquilo que nunca morre, possa realmente acontecer. Onde quer que você esteja, comece.
E comece da forma mais básica, mais simples que independe de qualquer tradição ou de qualquer coisa que venha de fora; que é você dedicar, nem que seja um único minuto do seu dia para o cultivo do silêncio. O silêncio é a ponte; o silêncio é completamente puro, assim como o amor, que é completamente puro. Eu realmente faço parte de uma tradição espiritual, represento uma linhagem espiritual … mas o amor não. O silêncio não! (Risos) Então, comece a se mover em direção ao amor, através do cultivo do silêncio. Nem que seja por um único minuto no seu dia; pare tudo, pare tudo; deixe o seu celular de lado, feche os olhos e fique quietinho, em silêncio, se observando. Esse é o início da jornada.

PRF: você tem tido muitos contatos com lideranças de comunidades, cidades, estados e acredito que até de países… este aspecto que você ressaltou, que o autoconhecimento tem de se tornar política pública… você enxerga isso “a caminho”?

SPB: veja bem, eu tenho até me surpreendido com a receptividade de algumas lideranças. Eu tenho sido muito bem recebido em algumas cidades pelas quais eu tenho passado e eu vou lhe dizer que eu tenho sido ouvido, eu tenho sido ouvido. Então, com isso eu tenho alimentado uma esperança que eu acredito que seja uma esperança real, com base nessa minha percepção, nessa minha intuição, com base no que eu tenho percebido nesses encontros. Pode demorar um tempo que eu não posso precisar quanto, mas eu vejo que realmente nos próximos dez ou vinte anos muita mudança vai acontecer no mundo e especialmente no Brasil.

PRF: Falando especificamente do Brasil: esse mar de lama; tanto real, quanto moral, que a gente atravessa hoje, é expressão também dessa polarização? São a escuridão e a luz nos seus extremos?

SPB: Realmente, a escuridão está vindo para fora, a lama está vindo para a superfície. É impressionante, e a cada dia nós nos chocamos mais e mais com a miséria, com o horror, com tanta mentira e tanta desonestidade, com tanta corrupção. É lamentável, é triste e ao mesmo tempo é maravilhoso, porque faz parte desse processo de cura! Como é que nós vamos iluminar uma sala, se não temos consciência de que ela está no escuro? Como é que vamos acender o interruptor para acender a luz da sala, se nós não temos consciência de que ela está escura? Essa conscientização é fundamental para o processo de cura. Ao mesmo tempo em que é horrível; é maravilhoso, é maravilhoso, é uma grande bênção.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

As Novas Fronteiras da Ciência da Cura

em Coluna por

Paulo

As Novas Fronteiras da Ciência da Cura

Dr. Konstantin Korotkov, cientista russo criador do GDV
Dr. Konstantin Korotkov, cientista russo criador do GDV

Há algumas semanas cobri para o The São Paulo Times o evento Fronteiras da Saúde Quântica, realizado em São Paulo pela Quantum Bio; que apresentou um painel internacional de conferencistas incluindo especialistas da Rússia e Alemanha, alem de diversos médicos e cientistas brasileiros. Esta semana, pesquisando o assunto para escrever este artigo, encontrei um texto de Deepak Chopra, medico e PhD, para o Huffington Post, descrevendo exatamente um evento semelhante (embora restrito ao público profissional) ocorrido na Califórnia em setembro do ano passado, e cujos resultados foram publicados num trabalho especial intitulado “Biocampo Ciência e Cura: Uma Fronteira Emergente na Medicina”, publicado em “Avanços globais em Saúde e Medicina “da Edição Especial em Biofield Ciência e Cura, lançado em novembro de 2015.
É interessante verificar que o Dr. Chopra, mundialmente famoso por muitos livros não necessariamente ligados à “ciência oficial” é não apenas parte desse grupo dedicado a debater a ciência do Biocampo, mas aparentemente seu maior porta-voz nos Estados Unidos. Por trás da figura pública e famosa de Chopra, há um corpo de especialistas de diversas áreas, incluindo pesquisadores médicos, físicos, psicólogos. Sua própria “Fundação Chopra” é um dos organizadores e patrocinadores do trabalho – e se não surpreende que ele mais uma vez esteja à frente de um trabalho que visa integrar medicina com uma visão mais holística do ser humano; é interessante ver que a própria classe medica e os cientistas envolvidos no projeto escolham colaborar com essa visão e serem, de certa forma, representados por ele. Percebemos que vai um longo caminho desde que as afirmações e visões de Deepak Chopra eram apenas “curiosidades estranhas” apresentadas em suas famosas entrevistas no programa da Oprah, até este ponto na história onde oficialmente se reúnem médicos e cientistas em torno desta visão mais ampla, debatendo seriamente, com validade acadêmica, uma nova fronteira e paradigma da ciência e da cura; que é marcada pela ideia do Biocampo (Biofield).
O Biocampo é um velho conhecido; embora tenha ficado de fora da agenda da medicina convencional por muitas décadas. É de certa forma um desenvolvimento mais completo daquilo que começou a ficar conhecidos nos anos 70 como “fotografia Kirlian”: um método de fotografar as energias sutis que compõem o ser humano. Se na época a ideia ficou restrita a uma mera “curiosidade” sem uma aplicação direta efetiva na saúde, hoje o desenvolvimento de novas tecnologias permite trabalhar de modo muito objetivo e direto com essa forma de disgnóstico.
Ainda no ano passado assisti uma apresentação de um dos principais equipamentos de diagnóstico utilizando o biocampo; um invento do Dr. Korotkov, convidado do evento fronteiras da Saúde Quântica de São Paulo. Na ocasião, a terapeuta Patrícia Líbano, então vice-presidente do Instituto Nikola Tesla (fundado por outro dos nomes internacionais do evento da Quantum Bio; Boris Petrovic) utilizou o equipamento para um diagnóstico rápido de uma das pessoas presentes na platéia; e em cerca de 20 minutos, sem fazer uma só pergunta prévia, apontou todos os pontos de atenção que a pessoa deveria ter com sua saúde, inclusive referindo questões hormonais e psico-emocionais que absolutamente não poderiam ser “deduzidas” pela mera observação da pessoa pelos minutos sobre o palco. Um dos momentos mais interessantes do diagnóstico foi aquele em que o equipamento identificou um problema que foi traduzido pela especialista como “há algum problema com um dente seu; especificamente o segundo molar inferior direito”. De fato, a pessoa havia realizado um tratamento de canal naquele dente há alguns meses, mas o procedimento parecia não ter sido plenamente bem-sucedido, porque a paciente ainda sentia incomodo. Vale lembrar que a especialista jamais chegou perto o suficiente da paciente para poder sequer observar algo mais de perto sobre ela, que dirá olhar os seus dentes.
O criador desta tecnologia de análise das imagens do biocampo humano é um medico e pesquisador de grande renome na Rússia e no mundo todo; e foi a estrela do evento sobre saúde quântica em São Paulo, realizando um workshop para médicos e profissionais da Saúde e uma palestra aberta ao público leigo. Naturalmente que a explicação científica do funcionamento da tecnologia demandaria muito mais espaço do que é viável neste artigo; mas o importante é a verificação de que a nova fronteira da medicina e da ciência da cura é, sem dúvida, o conceito de biocampo. Alem do Dr. Korotkov, diversos outros médicos e cientistas apresentaram suas visões integrativas sobre saúde humana, e inclusive uma medica veterinária falou sobre a aplicação destas ferramentas também ao tratamento dos animais.
O essencial a ser compreendido sobre esta forma de entender a saúde é que ela percebe o ser vivo como um composto não apenas de matéria orgânica, mas de energias que podem ser medidas, observadas e utilizadas para o diagnóstico e o entendimento do problema – integrando idéias milenares e em uso na medicina oriental, especialmente chinesa, indiana e tibetana, há séculos. A visão dos campos energéticos em atuação na saúde é a própria base da acupuntura, dos meridianos energéticos utilizados na reflexologia e no shiatzu, por exemplo.

Palestra de Boris Petrovic, do Nikola Tesla Institute
Palestra de Boris Petrovic, do Nikola Tesla Institute

Isso nos leva a considerar, porque, exatamente, a medicina ocidental levou décadas de negação da existência dessas energias, para hoje, finalmente, reconhecer sua existência de forma tão simples e natural. Há um grande incomodo por parte de muitos dos mais tradicionalistas neste reconhecimento – e ficamos com a impressão de que esse incomodo nasce exatamente do erro do passado: como um dia foi negado, admitir hoje que essas energias existem e são ferramentas de diagnóstico extremamente válidas e eficazes é uma admissão de um erro de avaliação. Ou a admissão da ausência de interesse anterior nesses estudos, o que vai frontalmente contra o interesse da saúde dos seres e contra uma atitude verdadeiramente científica, de pesquisar e investigar. Alguns diriam talvez que a falta de incentivo poderia ser explicada pela grande máquina da indústria químico-farmacêutica, muito mais interessada em vender remédios de uso (e lucro) contínuo do que em efetivamente promover a saúde dos seres.
Seja como for, tanto o evento de São Paulo quanto o relatório do evento da Califórnia mostram que as novas fronteiras da ciência da saúde estão abertas e começam a ser pesquisadas por um grande número de profissionais de saúde interessados num novo paradigma de saúde, baseado na prevenção, na qualidade de vida e numa visão integrada dos seres como um todo, composto de energias, psique, emoções; e que neste todo integrado residem respostas melhores e muito mais eficazes e completas do que na análise exclusiva dos aspectos físicos e orgânicos.
Ao longo das próximas semanas, publicarei textos específicos sobre as principais palestras do evento Fronteiras da Saúde Quântica, inclusive indicando os livros e contatos dos profissionais de saúde que se apresentaram no evento.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

A selvagem fome de punição

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Paulo

A selvagem fome de punição

O mundo realmente está muito louco.
Uma criança de 7 anos tem um acesso de raiva, dentro da sala dos professores de uma escola. ( a primeira pergunta que me fiz foi “mas porque ele está dentro dessa sala? Ele está “detido” nesta sala? Aos sete anos?) Em volta dele, há ao menos 5 “adultos” (desculpe, mas as aspas são inevitáveis). Nenhum deles capaz de contornar a situação. Nenhum deles demonstra a mínima sensibilidade para tratar com uma criança de 7 anos. Se isso não bastasse, uma dessas pessoas resolve gravar um vídeo da criança. Se isso também não bastasse, alguém resolve compartilhar o vídeo e expor um menor de idade num momento de crise, sem consentimento dos responsáveis, numa rede social.
Se isso também não bastasse, os “adultos” em torno dele passam o tempo todo perguntando-se “o que fazer? “, com sugestões como “chamar a polícia” ou “os bombeiros”.
A pessoa gravando o vídeo pode ser ouvida, em tom lamentoso, como se fosse a única possibilidade de solução que ela conhece:
– “mas nós não podemos bater nele…”
A seguir, outras pessoas começam a compartilhar (!!!) numa rede social o vídeo de uma criança de 7 anos passando por uma crise, como se isso não fosse um absurdo, inclusive perante a lei, porque é crime compartilhar um vídeo de um menor!
O video mostra vários minutos destes “adultos” completamente inertes, nenhum deles capaz de um ato de carinho, compreensão ou compaixão – uma só palavra que pudesse acalmar, nenhuma tentativa de aproximar-se de modo calmo, carinhoso, acolhedor, para que a criança pudesse ao menos ter alguma chance de se acalmar. Ao contrário: todos os “adultos” envolvidos apenas ameaçam e coagem e aumentam a ansiedade da criança, fazendo-a sentir ainda mais insegura e ameaçada.
Se tudo isso não bastasse, começam a surgir nas redes sociais críticas aos responsáveis pela educação no município, por ter afastado os “responsáveis” pela situação. Mas esperavam o que? Uma condecoração por bravura, porque “enfrentaram” um perigosíssimo menino de 7 anos de idade?
Sinceramente, é de dar pena das crianças submetidas a este tipo de tratamento desequilibrado e doentio, por parte de pessoas que deveriam cuidar delas e protegê-las, inclusive, E PRINCIPALMENTE nos seus mais delicados momentos de crise.
Este mundo está MUITO LOUCO.
Louco por uma fome de punição e crueldade que sem o mínimo de sensatez quer reduzir um ser humano de 7 anos de idade a ser julgado e condenado porque ele perdeu o controle. Setores adultos, vocês todos já passaram por situações nas quais perderam o controle. E bem depois de terem 7 anos.
É exatamente isso que este sistema opressor, moedor de gente, quer de vocês: que apoiem sempre a punição, o isolamento, o medo, a raiva a agressão. Porque sempre que estiverem atacando outro ser humano, quem sai ganhando são todas as instituições podres que lucram a partir da desgraça humana que é essa incapacidade de se unir e se defender amorosamente. Quanto mais divididos estejam os humanos; melhor para os outros.
Quais outros? Todos e qualquer um que aja contra é que é HUMANO: ou seja, as figuras jurídicas, os lucros individualistas, o 1% que domina e age como superior, acima e fora da raça humana, com a qual não apenas não colabora, mas apenas explora e esfola.
Quanta inocência, deixar-se manipular desta maneira a ponto de defender que PUNIÇÃO POSSA SUBSTITUIR AMOR. Quanta inocência. Que pena.
Quantos séculos ainda serão necessários para que se possa crescer e ser adulto o suficiente para de fato saber FAZER UM MUNDO DE AMOR.
Para os que chegaram até o fim do artigo, e eventualmente saibam o que significa este nome; fica a suprema ironia desta situação completamente “descabelada”: a escola na qual o menino estuda, em Macaé – RJ, chama-se, ironicamente, Escola Municipal Paulo Freire.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

De Maya ao Devachan: vivemos numa simulação?

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Paulo

De Maya ao Devachan: vivemos numa simulação?

Agora são os cientistas que argumentam a possível ilusão de realidade

XmatrixA trilogia Matrix, A Viagem, Vanilla Sky, Truman Show, A Origem (Inception). Esses são apenas alguns dos títulos Hollywoodianos de maior sucesso que lidam com a hipótese da “realidade ilusória”. Sem contar diversos contos de Phillip K. Dick, assim como os filmes baseados neles, como O Vingador do Futuro (Total Recall) ou Minority Report. O autor de Blade Runner (O Caçador de Andróides) foi especialmente fascinado pela idéia de que vivemos numa ilusão de realidade; e escreveu sobre isso a vida toda, chegando ao ponto de conceder uma coletiva de imprensa em 1977 onde deixava claro que, acreditava não ser apenas ficção a ideia de vivermos numa “ilusão” (uma simulação de realidade) mas, em seu ponto de vista, um fato consumado. Isso custou a ele ser taxado de louco ou demente por grande parte da imprensa.
Hoje, parece haver um novo grupo altamente interessado em debater essa hipótese, e curiosamente ele é composto de cientistas, físicos, especialistas em simulação e realidades virtuais. A ideia é tão antiga quanto a humanidade; faz parte dos ensinamentos básicos do hinduísmo e do budismo, por exemplo. No hinduísmo, todo o universo que vivemos faz parte do Reino de Maya – ou seja, não é real – é uma ilusão que experimentamos como real – exatamente porque seríamos feitos do mesmo “material” que compõe o sonho. A visão budista tem diversas correntes para este assunto, mas como grande parte da filosofia do Buda vem do hinduísmo, é natural que a ideia da ilusão de realidade esteja fortemente presente. Como num sonho no qual não se sabe que está sonhando; todos os problemas parecem reais, todas as dores parecem fatos; todas as alegrias são sentidas como existentes.
Isso corresponderia a uma simulação extremamente perfeita; de um tipo muito mais avançado do que somos capazes atualmente; do mesmo tipo que aparece, por exemplo, nos já citados filmes “Matrix” e “Vanilla Sky”. Se por um lado sabemos que não somos capazes, no momento, de criar uma simulação tão perfeita, o que poderia garantir que não seríamos, nós mesmos, “criações dentro de uma simulação”? Naturalmente, os criadores desta simulação na qual vivemos seriam seres muito mais avançados nesta capacidade. Esta é a hipótese apresentada, por exemplo, por George Smoot, cuja palestra no TEDx Salford tem o provocante título “Você vive numa realidade gerada por computador e a física pode provar isso”. George Smoot é astrofísico, cosmólogo e ganhou o prêmio Nobel; e ao menos até agora não foi chamado de louco ou demente. Outro que apresentou um argumento interessante é Nick Bostrom, filósofo que coloca em sua Hipótese da Simulação, o seguinte Trilema:
“Uma civilização “pós-humana” tecnologicamente madura teria enorme poder de computação. Baseado nesse fato empírico, o argumento da simulação mostra que ao menos uma das seguintes proposições é verdadeira:
1. A fração de civilizações de nível humano que alcançam um estágio pós-humano é bem próxima de zero;
2. A fração de civilizações pós-humanas que estão interessadas em executar simulações ancestrais é bem próxima de zero;
3. A fração de todas as pessoas com nosso tipo de experiências que estão vivendo em uma simulação é bem próxima de um.
Se (1) é verdadeira, então iremos quase certamente ser extintos antes de alcançar a pós-humanidade. Se (2) é verdadeira, então deve haver uma forte convergência pelos cursos de civilizações avançadas, de forma que virtualmente nenhuma contenha indivíduos relativamente ricos que desejam executar simulações ancestrais e têm a liberdade de o fazer. Se (3) é verdadeira, então nós quase certamente vivemos em uma simulação. Na escura floresta de nossa atual ignorância, parece razoável dividir a crença igualmente entre (1), (2) e (3).” A não ser que estejamos vivendo agora em uma simulação, nossos descendentes quase certamente nunca executarão simulações ancestrais.” [fonte: Wikipédia]
Como sabemos, por experiência própria, que dificilmente a hipótese 2 faria sentido, uma vez que nós mesmos criamos simulações todos os dias (dentro dos nossos limites de capacidade tecnológica), restam as hipóteses, 1 e 3, quase que igualmente inquietantes.
Eu gostaria de adicionar a este debate o termo ocultista Devachan; que foi apresentado no século dezenove por Helena P. Blavatsky em suas obras; entre elas “A Doutrina Secreta”, o livro de cabeceira de ninguém menos que Albert Einstein. Segundo Blavatsky em seu “Glossário de Teosofia”, o Devachan seria um estado de consciência de plenitude e felicidade, no qual alguns seres passariam os intervalos entre o final de uma encarnação e o início da seguinte. Para que haja um estado de plenitude e felicidade, o Devachan seria uma experiência baseada nas próprias crenças do indivíduo; ou seja, aquele que acredita que a felicidade é um céu com anjos tocando harpas, viveria exatamente isso; enquanto que outro indivíduo que acredite que a felicidade seria apenas estar com todos os seus familiares que partiram antes dele, viveria exataemnte essa outra experiência – e nada haveria de contraditório nisto; uma vez que não há um “lugar”; mas apenas um “estado subjetivo de consciência”. Embora seja claro que a nossa realidade presente; simulação ou não, está muito longe de ser um estado de “plenitude e felicidade”; permanece uma pergunta interessante: o que impediria o universo de proporcionar outros estados de simulação; talvez não “individuais” como o Devachan, mas “compartilhados”, como esta realidade presente? Neste caso, em sendo uma realidade compartilhada e experimentada por milhões de consciências simultaneamente, faria sentido que houvesse tremenda divergência de visões e um grande potencial de “dissonância” entre os participantes deste “estado de consciência coletivamente concebido”. Esta possibilidade, inclsuive, corresponde a um princípio da natureza, que é o da economia de recursos: na natureza, tudo é criado sempre utilizando o mínimo de recursos necessários; e é óbvio que criar diversos “estados de consciência” parece muito mais “econômico” do que criar inúmeros universos paralelos inteiros.
Interessante notar que, certa vez, Blavatsky foi assim questionada por um de seus estudantes:
– “A natureza completamente subjetiva da nossa experiência do mundo poderia fazer com que ele fosse, na verdade, um outro estado de consciência, diferente do Devachan, mas com muitas características semelhantes. Como poderíamos, como saberíamos distinguir entre a “realidade” e tal “estado subjetivo de consciência”?
A resposta de Blavatsky é clara e imediata: “Não poderíamos. Não saberíamos distinguir”.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

11 Dias de despertar

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11 Dias de despertar

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Na coluna Novo Mundo da semana passada, falei sobre o texto de um autor brasileiro que está viralizando na web (“Há algo de extraordinário acontecendo com o texto do Gustavo Tanaka”). Esta semana, vou falar sobre o livro do Tanaka; que acaba de ser lançado em formato e-book na Amazon e em breve estará nas livrarias, na versão impressa. O livro do Tanaka, “11 dias de Despertar – Uma Jornada de Libertação do Medo” é uma pérola de simplicidade e concisão. É intenso, curto, rápido, exatamente como foi o processo que ele viveu nos 11 dias (12, na verdade…) que o livro acompanha. É exatamente o livro que as pessoas que buscam novos caminhos para a vida, o trabalho e os relacionamentos precisam neste momento; especialmente pelo tremendo poder de síntese; por fazer compreender rapidamente; com uma linguagem muito simples, conceitos essenciais do despertar para este novo momento do mundo.
De um modo leve, e sob medida para uma geração que acostumou-se a ler mais posts que livros, Tanaka compartilha uma visão importante desse momento de transformação social, de um ponto de vista absolutamente pessoal – o que só adiciona ao contexto; porque, como já se disse antes, “cante a sua aldeia e cantarás o mundo”. Porque todos vivemos os mesmos questionamentos, todos vivemos o mesmo momento intenso e as mesmas “dores de parto” de criar um novo modelo, mais livre, mais dinâmico, mais justo e , sobretudo, mais humano. Um modelo para fazer felizes e realizados os seres humanos, e com eles, também os outros seres.
O livro não é um manual, até porque o despertar não tem manual, tanto quanto a vida de infinitas possibilidades não tem. Mas é um guia, na medida em que, acompanhando os diálogos que acontecem ali, é possível encontrar chaves e sínteses verdadeiramente efetivas e práticas. É bem verdade que, como está dito no próprio livro, há pessoas que talvez não consigam conectar-se com o conteúdo, caso permaneçam com o pensamento fixo nos seus medos. O ponto crucial aqui é exatamente esse: vivemos ainda os ecos de uma sociedade criada para estimular o medo e a falta; e através destes instrumentos, criar o extremo consumismo e a desconexão da pressa e do desespero. Esta freqüência dominou por muito tempo, praticamente um monopólio da consciência humana no planeta, onde as exceções eram sempre considerados “os loucos”.
Pois bem, o monopólio do medo acabou, o tempo do compartilhamento é agora, e “11 dias de Despertar” é uma excelente porta de entrada, uma introdução para aqueles que identificam-se com aquele inesquecível e hoje famoso parágrafo que talvez um dia esteja colocado num monumento em homenagem a este momento de transição no mundo:
“Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados. Os que vêem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou difamá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles empurram a raça humana para frente. Enquanto alguns os vêem como loucos, nós vemos gênios. Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são as que, de fato, mudam.”

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Há algo de extraordinário acontecendo com o texto do Gustavo Tanaka

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Há algo de extraordinário acontecendo com o texto do Gustavo Tanaka

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Esta semana um texto do autor brasileiro Gustavo Tanaka, publicado no site Medium.com viralizou com uma velocidade e alcance surpreendentes. Surpreendentes para o próprio autor, como ele mesmo confessa em sua página no Facebook. O texto resume com uma precisão muito grande todo o contexto de empreendedorismo social, despertar da consciência e todo o “espírito do nosso tempo”; que tem sido a tônica e o tema desta coluna Novo Mundo. Lendo outros textos do Tanaka, fica claro o entendimento e clareza com a qual ele sintetiza esses movimentos que vivemos. E se o texto começou a espalhar-se pela web no Brasil, logo uma versão em inglês começou a tomar o mesmo caminho fora do país, demonstrando claramente a sintonia global deste momento e deste movimento, a ressonância de milhares (e, afirmo, em breve, milhões de pessoas) com o momento de transformação que vivemos.

O que é extraordinário e está acontecendo neste momento; e com este texto; é a ampliação de uma nova visão de mundo; exatamente como muitos afirmaram que aconteceria, inclusive este autor. Principalmente desde 2012, vem se intensificando essa afirmação positiva de uma nova atitude de compartilhamento, colaboração, a morte do materialismo e o definhar do consumismo desenfreado. Autores brasileiros como Carlos Torres, que em 2011 publicou A Lei do Compartilhamento; como Ale Barello, que publicou pela Amazon a Trilogia do Sonho, sobre o Despertar; e o livro do autor desta coluna, O Despertar para um Novo Mundo; primeiro volume da série O Mensageiro; são exemplos nacionais. Jacques Attali; Domenico DeMasi e Zigmunt Bauman são alguns dos nomes internacionais que defendem essas idéias há ainda mais tempo.

Como todos esses autores afirmaram, chegaria este momento; no qual esta nova visão de mundo se tornaria uma realidade para muita gente; atingindo uma massa crítica que tornaria o movimento visível de um modo inequívoco. Pois bem, coube ao texto do Gustavo Tanaka catalisar e acelerar esta evidência. Que ele seja muito bem-vindo ao time dos que agitam esta bandeira; e que sejamos todos; muito bem-vindos ao extraordinário Novo Mundo que hoje é visto e começa a ser compreendido por milhões.

Naturalmente, segue o link para o texto “Há algo de grandioso acontecendo no mundo”, por Gustavo Tanaka: https://medium.com/@gutanaka/h%C3%A1-algo-de-grandioso-acontecendo-db8120e49c9f

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Pessoas não são patrimônio

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Pessoas não são patrimônio

Aí eu leio um texto que começa com a infame frase “as pessoas são o maior patrimônio de uma empresa”. NÃO. Pessoas são MUITO MAIS que isso. As pessoas são pessoas. SERES HUMANOS. Elas não são patrimônio de nenhuma empresa. Assim como elas não são “Recursos Humanos”. Tudo isso é reflexo de uma visão do ser humano como propriedade corporativa; um reflexo absolutamente doentio de uma sociedade “coisificada” onde o humano não tem valor intrínseco, e apenas o valor que lhe é atribuído circunstancialmente por aquilo que ele é capaz de produzir num determinado “recorte” da agenda corporativa.
É por isso que milhares de crianças podem morrer de fome todos os dias no planeta: porque elas não fazem parte daquilo que as corporações podem usar para obter lucro. Sociedade profundamente doente. Essa doença está expressa exatamente por essa via que se permite dizer o que um ser humano é “em função” de sua relação de trabalho com uma corporação. Isso é doentio. Um ser humano é um valor em si. Ele É o que é, e tem valor por sua existência. Com ela, pode, inclusive, enriquecer a existência dessa figura jurídica chamada empresa. Mas as empresas foram criadas para SERVIR aos seres humanos. E se isso foi perdido nas névoas do tempo, não é por essa razão que o errado se torna certo: nenhum ser humano nasceu para servir uma corporação – antes, muito pelo contrário – e já é mais do que tempo dos seres humanos criarem leis impedindo a operação de empresas que destroem os valores reais para os seres. Uma empresa que destrói o ambiente não serve! Não importa o que ela faz, ela deve mudar de comportamento, abster-se de destruir o patrimônio da humanidade que é o nosso planeta; ou, caso se recuse a fazer isso, deveria ser fechada, encerrada – e ter seus bens e ativos usados para reparar os danos ambientais que causou.
Esse planeta é dos seres, das pessoas, dos animais – não das corporações! A primeira lealdade que cada ser deveria ter é para com os demais seres VIVOS! Não para com ficções jurídicas que entregam papel pintado ou dígitos nas contas bancárias. É exatamente por isso que vivemos este estado de coisas: porque cada humano que serve uma corporação que destrói a vida humana, os animais ou o ambiente, está traindo a confiança de sua própria espécie! Uma espécie que não cuida de si mesma, que prefere dinheiro à vida, uma espécie que é egoísta a ponto de deixar morrer crianças porque elas não significam lucro.
Desculpe, mas esta espécie merece o mundo em que vive.
Espero que sejamos cada vez mais, em número, a assumir verdadeiramente seu papel como espécie: eu faço parte de uma espécie que considera que a VIDA é sagrada. E que a VIDA é dos SERES; e não das ficções jurídicas que se dão o direito de chamar os SERES de “recursos” ou “patrimônio”. Um mundo feito pelos seres e para os seres não tem quase NADA a ver com essa sociedade doente na qual ainda vivemos hoje.
Há tempos, o centro do meu trabalho girou para contemplar primeiro, e acima do resto, aquilo que interessa aos seres humanos. Já desde 2013, meu foco, mesmo quando atuando NAS empresas, são os SERES HUMANOS dentro delas. Esse foi o foco de um trabalho que realizei por algum tempo numa grande universidade particular em São Paulo, por exemplo; onde desde o início eu claramente informava: meu trabalho aqui é para AS PESSOAS; e se levado a sério, vai resultar positivo TAMBÉM para a organização.
Mas qualquer coisa que considere a empresa acima ou antes do ser humano não me toca, nem me importa. As empresas já são, na prática, entidades “sociopatas”, porque agem só em interesse próprio e em detrimento dos interesses dos seres. Elas não precisam de ninguém que as defenda, elas já são os grandes predadores atuais dos seres humanos, pelo modo como agem. Meu foco é descobrir, desenvolver e implantar caminhos para que nesta sociedade, os seres humanos e suas necessidades sejam prioridade, em TODO e QUALQUER local ou circunstância onde eles estejam presentes. Já há gente demais sendo paga para cuidar do que interessa às empresas. Ainda que raramente eu seja devidamente pago para isso, coloco minha dedicação em defender e abrir espaço para os seres humanos, onde quer que eles estejam sendo, na prática, “predados” como tem acontecido.
Se você tem muita dúvida, assista este filme ANTES e deixe para debater DEPOIS de conhecer o que defendo. O filme é A Corporação; neste link, em versão de divulgação disponibilizada legal e gratuitamente pelo próprio diretor do filme: https://youtu.be/Zx0f_8FKMrY
Como disse um dia John Lennon: “você talvez diga que sou um sonhador. Mas eu não sou o único. Espero que um dia você se junte a nós. E o mundo viva como sendo um só.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

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