A selvagem fome de punição

em Coluna por

Paulo

A selvagem fome de punição

O mundo realmente está muito louco.
Uma criança de 7 anos tem um acesso de raiva, dentro da sala dos professores de uma escola. ( a primeira pergunta que me fiz foi “mas porque ele está dentro dessa sala? Ele está “detido” nesta sala? Aos sete anos?) Em volta dele, há ao menos 5 “adultos” (desculpe, mas as aspas são inevitáveis). Nenhum deles capaz de contornar a situação. Nenhum deles demonstra a mínima sensibilidade para tratar com uma criança de 7 anos. Se isso não bastasse, uma dessas pessoas resolve gravar um vídeo da criança. Se isso também não bastasse, alguém resolve compartilhar o vídeo e expor um menor de idade num momento de crise, sem consentimento dos responsáveis, numa rede social.
Se isso também não bastasse, os “adultos” em torno dele passam o tempo todo perguntando-se “o que fazer? “, com sugestões como “chamar a polícia” ou “os bombeiros”.
A pessoa gravando o vídeo pode ser ouvida, em tom lamentoso, como se fosse a única possibilidade de solução que ela conhece:
– “mas nós não podemos bater nele…”
A seguir, outras pessoas começam a compartilhar (!!!) numa rede social o vídeo de uma criança de 7 anos passando por uma crise, como se isso não fosse um absurdo, inclusive perante a lei, porque é crime compartilhar um vídeo de um menor!
O video mostra vários minutos destes “adultos” completamente inertes, nenhum deles capaz de um ato de carinho, compreensão ou compaixão – uma só palavra que pudesse acalmar, nenhuma tentativa de aproximar-se de modo calmo, carinhoso, acolhedor, para que a criança pudesse ao menos ter alguma chance de se acalmar. Ao contrário: todos os “adultos” envolvidos apenas ameaçam e coagem e aumentam a ansiedade da criança, fazendo-a sentir ainda mais insegura e ameaçada.
Se tudo isso não bastasse, começam a surgir nas redes sociais críticas aos responsáveis pela educação no município, por ter afastado os “responsáveis” pela situação. Mas esperavam o que? Uma condecoração por bravura, porque “enfrentaram” um perigosíssimo menino de 7 anos de idade?
Sinceramente, é de dar pena das crianças submetidas a este tipo de tratamento desequilibrado e doentio, por parte de pessoas que deveriam cuidar delas e protegê-las, inclusive, E PRINCIPALMENTE nos seus mais delicados momentos de crise.
Este mundo está MUITO LOUCO.
Louco por uma fome de punição e crueldade que sem o mínimo de sensatez quer reduzir um ser humano de 7 anos de idade a ser julgado e condenado porque ele perdeu o controle. Setores adultos, vocês todos já passaram por situações nas quais perderam o controle. E bem depois de terem 7 anos.
É exatamente isso que este sistema opressor, moedor de gente, quer de vocês: que apoiem sempre a punição, o isolamento, o medo, a raiva a agressão. Porque sempre que estiverem atacando outro ser humano, quem sai ganhando são todas as instituições podres que lucram a partir da desgraça humana que é essa incapacidade de se unir e se defender amorosamente. Quanto mais divididos estejam os humanos; melhor para os outros.
Quais outros? Todos e qualquer um que aja contra é que é HUMANO: ou seja, as figuras jurídicas, os lucros individualistas, o 1% que domina e age como superior, acima e fora da raça humana, com a qual não apenas não colabora, mas apenas explora e esfola.
Quanta inocência, deixar-se manipular desta maneira a ponto de defender que PUNIÇÃO POSSA SUBSTITUIR AMOR. Quanta inocência. Que pena.
Quantos séculos ainda serão necessários para que se possa crescer e ser adulto o suficiente para de fato saber FAZER UM MUNDO DE AMOR.
Para os que chegaram até o fim do artigo, e eventualmente saibam o que significa este nome; fica a suprema ironia desta situação completamente “descabelada”: a escola na qual o menino estuda, em Macaé – RJ, chama-se, ironicamente, Escola Municipal Paulo Freire.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

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