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A Vaquejada e o Êxodo Rural

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Há algumas semanas perguntei a uma amiga para quem ela iria votar para vereador aqui na Capital. Ela me disse que votaria naquele candidato que tivesse propostas de amparo de defesa aos animais: “Me simpatizo com este tipo de gente…” Não foi nenhuma coincidência. Tive então conhecimento de uma pesquisa que dizia que o maior influenciador na decisão de voto do paulistano para o legislativo não era o orçamento da saúde, a precariedade da educação pública ou as incertezas da segurança nas ruas, era mesmo melhoria da vida dos animais abandonados.

Talvez esteja aí uma amostra da carência por parte da maioria dos cidadãos que moram na cidade grande: o distanciamento do campo. Antes, todos eram do campo. Depois apenas a maior parte estava lá. Por último, os do campo acabaram sendo minoria. E minoria sempre sofre – é alvo de preconceitos, de certezas irrevogáveis vindas de outros lados. Normalmente o poder do capital e do consumo ditando as regras. Abrem-se a polêmicas e revive-se o velho conflito campo versus cidade. As provas de vaquejada são a bola da vez agora.

A tradição nordestina foi proibida por um ministro Supremo Tribunal Federal no final do mês passado alegando maus tratos aos animais que participam do evento. A discussão é bastante válida quanto a forma como os animais (cavalos e bois) são utilizados nestas competições. A regulamentação realmente precisa existir. Entretanto, a simples proibição arbitrária sem as devidas análises e discussões pelos maior número de pessoas que obrigatoriamente conheçam do esporte e que biologicamente entendam dos animais, não é razoável. Fora a questão cultural existe também o mercado de trabalho, gerador de emprego e renda por traz do evento da vaquejada. A polêmica está a todo vapor.

O ser humano não surgiu nas cidades. Ele as construiu para dar conforto. Entretanto, como um cônjuge traidor mas que ainda o ama, segue flertando, opinando ou criticando as coisas do campo. Daí criam-se parques, planta-se árvores, ornamentam as casas com plantas – reais ou não, pouco importa. Coloca-se animais domesticalizados para fazerem companhia. Cresci ouvindo que lugar de cachorro era fora de casa porque eles são mais felizes desta maneira – eu me lembro que a primeira vez que vi um cachorro dentro de um apartamento, morri de pena do bicho. Há pouco tempo proibiram as mutilações – orelhas e rabos não podem mais serem amputados dos filhotes que tinham esta estética como “padrão racial”.

A gente sabe que a relação com a terra, responsável pelos recursos que fazem nossa vida na cidade viável, segue em constante mudança. Entretanto não podemos esquecer que o diálogo provou-se, pela história da humanidade, como a melhor maneira de minimizarmos a dor das decisões demandadas pelas encruzilhadas que aparecem pelo caminho – que possamos exercitá-la contemplando opiniões de quem entende do que fala e não pela maioria urbana carente de ideais ligados a terra, que possam estar vivendo em um conflito de distanciamento ou até mesmo negação das raízes naturais humanas.

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