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Aqui se faz

em Cássio Zanatta/News & Trends por

O preço a pagar pelas coisas anda alto demais. Dizem os entendidos que é a inflação. Mas nossa carência também sofre de carestia?

Alguns dias de férias custam 11 meses de sangue. O coração pode ter que pagar pelo excesso de sustos, cigarro e torresmo. O preço de se apaixonar pode ser um desasossego sem fim. A vergonha onerou o desatino.

Tenho a impressão de estar pagando excesso de culpa, não era para tanto. Caro demais pelos pecados, mereço um desconto por certa gagazice. Mas quando já acho muito, vem alguém e ainda remarca na calada da noite.

Não posso parcelar em 10 vezes? Aceitam cartão? – mas com que crédito? Os avalistas estão envergonhados e nos negariam garantia, até para para um pingado financiado no balcão no boteco com poster do Papa na parede. O que era impossível nos tornou inadimplentes.

Um caro amigo nunca custou tanto. Os ombros capazes de ouvir, só ouvir, com sabedoria e paciência, estão pela hora da morte. Será que aceitam pechinchar um descontinho para se confessar, se abrir? Isso nos enriquece, tão pobre a vida sem amigo. E como as pessoas andam gastando em desencontros, perdulárias.

A senhora reclama do preço do alface na feira. Mal sabe o quanto sai para o produtor pagar o pato. E o silêncio, que não tem preço, quanto o senhor quer para transformar essa britadeira no raio que o parta? Dizem que o silêncio é de ouro. Pois ninguém parece lá muito interessado em investir em ouro.

Pensei em abrir um crediário, com carnê e tudo, mas como a gente faz? E onde já se viu cobrar mora pelo não acontecido? Imposto sobre tão pouca esperança? E o que a gente fica devendo nessa vida? A pessoas, a certos lugares, às ajudas sem interesse.

Você já quitou com vergonha eterna o vexame na festa. Doeu com juros a declaração ignorada. Raspou a poupança por ter multiplicado os erros. Acumulou um maço de cabelos brancos por não ter feito o que deu vontade. E veio a liquidação do sonho que não tinha preço. Nove foras, zero. Agora saia para mendigar a migalha do pouco.

Aqui se faz, aqui se paga. Mas convenhamos: não está demais?

Quero falar com o gerente. Isso não vai ficar assim. Me chama o gerente. Agora. Senão rodo a baiana e quebro tudo. Como assim, não tem gerente?

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