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Caiu?

em Monocotidiano/News & Trends por

A verdade é que o menino caiu.

Bateu a cabeça.

Fez um corte profundo.

E ele teve que ir para o hospital tomar um ponto na nuca.

Falando assim parece bem tranquilo, mas na hora o desespero foi total.

A mãe, que estava com ele, não sabia o que fazer, confusa entre acalmar o filho, se acalmar, limpar o sangue da cabeça, da roupa, da bolsa, olhar o estrago, pedir ajuda, ir para o hospital.

E no fim de tudo isso, ligar pro pai. E transferir o desespero.

O que? Caiu? Mas como? Sério? Hospital? E precisa? Vou praí! Tá, não vou então. Calma, vou sim. Não, tudo bem, vou pra casa. Vai me avisando. Como assim não pega celular? Onde em São Paulo que não pega celular, meu Deus? No hospital… sei.. tá. te espero em casa. Me liga. Sai do hospital e me liga. Beijo.

 

A volta do pai para casa foi mais longa que qualquer outro dia. A espera da mãe no hospital foi mais longa do que qualquer outro dia. E o menino já tinha parado de chorar por causa da dor da queda. Agora chorava por causa do medo da injeção.

 

De volta em casa, o pai abraça o filho, que diz animado:

– Pai, tinha uma cama que subia e descia. E aí enrolaram meu braço. O doutor fez o curativo. E a cama desceu de novo. E quando eu saí, tinha um monte de água vermelhinha na cama. E a mamãe me apertou bastante. E depois ela me deu um chocolate de surpresa.

 

O pai abraçou o filho. Deu pra ele um carrinho, presente que ele comprou às pressas pra tornar o momento menos traumático para a criança.

E o menino saiu brincando, com a boca suja de chocolate, contando a aventura da cama que subia e descia para os seus bonecos.

Traumático? Só se for para os pais.

O menino já nem lembra mais do que aconteceu.

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