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Coluna

Meus quatro pés

em Cássio Zanatta/News & Trends por
Cassio01-2

Quem me olha de fora pensa que eu tenho dois pés. De fato, já me vi no espelho e contei apenas dois, como os de uma pessoa comum. No entanto, preciso confessar uma coisa: eu tenho quatro pés. O direito, o esquerdo, o do meio e o entre eles. Desde que me conheço por gente, não sei como vocês não perceberam.

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Na maternidade

em Monocotidiano por
MONO

– Amor, a gente precisa pegar as coisas pra levar pra maternidade. É bom arrumar antes, pra não esquecer de nada.

– Ué? Mas já não tá tudo com você?

– Como assim?

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Dia de Sorte

em Incontrolável por
marco

Depois de encalços incertos. Depois de buscas conscientes. Todas estas jornadas profundas mergulhada na loucura vazia de estar só.

Dentro do peito, a esperança era luz desgastada, precária e amarela. Quase morta. Incrédula.

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Por pouco

em Cássio Zanatta/News & Trends por
Cassio01-2

Ai.

Que foi?

Uma pontada. Aqui, do lado esquerdo, perto do braço, junto ao. Será o? Já para o pronto-socorro, vai que é um.

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O menino de cabelos brancos

em Cássio Zanatta/News & Trends por
Cassio01-2

O menino de cabelos brancos desaprendeu a andar rápido. Desistiu de vez de encarar a balança e tentar combinar as roupas. Prefere espiar as peladas vagabundas na praia (de futebol, necessário esclarecer) e suas discussões seríssimas, e acontece da bola às vezes escapar do jogo e vir em sua direção. Pensa consigo: a bola procura os grandes craques. Conclusão: a idade não atenua a patetice.

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Aquela música

em Cássio Zanatta/News & Trends por
Cassio01-2

Foi passando debaixo da janela que ouvi a música. Vinha de dentro da casa e em mim penetrou a melodia que nunca havia escutado, mas já tão conhecida. Quatro minutos de estátua. Capturou cada pedaço meu e dizia coisas de grande beleza com aquela brutalidade e sem-cerimônia com que a beleza nos invade.

Olhei em volta e tudo estava contagiado. Havia graça na calçada esburacada, no cachorro pulguento estirado na calçada, obrigando os pedestres a se desviarem. No hidrante abandonado e sem serventia, no céu prometendo chuva, as nuvens apostando corrida. A farmácia fechada na esquina era de um bonito estarrecedor. Não havia ninguém à janela, mas imagino que uma menina doce e que só anda descalça more ali. Boa parte do seu dia ela passa diante do espelho, arrumando os cabelos para trás, num ensaio cuidadoso para quando for a hora de lançar o feitiço.

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A dificuldade

em Monocotidiano/News & Trends por
MONO

A dificuldade de ser vegano não é deixar de comer carne, é aguentar as pessoas perguntando “por que?”.

A dificuldade de ser músico não é ter uma carreira, é aguentar as pessoas perguntando “mas não tem uma profissão de verdade?”.

A dificuldade de ser professor não é aguentar a dificuldade do trabalho, é aguentar as pessoas falando “ah, mas aula pra adolescente? Você devia dar aula em faculdade”.

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Preciso ir ao shopping

em Cássio Zanatta/News & Trends por
Cassio01-2

Preciso ir ao Shopping Bourbon. Deixei de viajar para o mato, cancelei a tomografia de tórax, o computador vai ficar mais um dia quebrado, porque eu preciso ir. Não gosto de shopping, prefiro tão mais andar na rua, onde a gente pode tomar garoa, afundar o tênis na poça, ser assaltado à luz do dia ou topar com o Exército da Salvação. Mas o que eu quero, só tem no Shopping Bourbon.

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Hoje em dia não tá fácil.

em Monocotidiano por
MONO

“Hoje em dia não tá fácil, não. O pessoal da patrulha fica de olho, comentando tudo que você faz, prestando atenção nas pessoas com quem você anda, qualquer coisinha é motivo pra falação, diz que diz, julgamentos precipitados. Tem que tomar cuidado com cada passo que você dá”, disse Pedro a Judas.

“Hoje em dia não tá fácil, não. Muita guerra. Criança sendo maltratada, gente fugindo do seu país, morte, destruição. As pessoas não respeitam mais nada, a vida não tem valor. O povo, que não tem nada a ver com isso, é quem mais sofre. E paga caro. Precisa atravessar o mar em busca de paz em um país novo, não é respeitado pela população local. Coisa triste mesmo”, disse o marinheiro inglês, escoltando a família Real para o Brasil.

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A queda

em Cássio Zanatta/News & Trends por
Cassio01-2

Mas olha. Você não morreu, não morreu! E desta vez, parecia que não tinha jeito. Como pôde sobreviver a tamanha queda? Ainda por cima, desmaiou quando sentiu as mãos atadas e o chão próximo. Deu o suspiro final, colou as pálpebras, sequer sentiu o baque ou o cheiro do formigueiro. Algum apressado estendeu o lençol e fez o sinal da cruz. Certo: tecnicamente, você se foi por alguns segundos, pena ninguém ter cronometrado.

Chegou a ver a luz de que tanto falam, assistir ao filme dos seus melhores momentos (vamos combinar que não eram tão melhores assim, muitos se levantaram e saíram no meio da seção). Durou tudo isso, uma eternidade como a fila no cartório? O infinito entre a enfermeira esfregar o álcool e enfim dar a injeção? Ou foi mais como o tempo do coito das moscas? A cochilada que a gente dá no ônibus e acorda na fisgada da cabeça, disfarçando para ninguém notar?

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Humano em descoberta

em Incontrolável por
marco

Ele era cego apesar de ter uma visão perfeita. Via, mas não enxergava.

Tomou vergonha na cara e resolveu providenciar umas lentes de contato para poder enxergar as folhas e não somente as árvores. Encaixou-as nos olhos e parou à beira da janela para admirar o baile diante da música cantada pelo vento que embalava a jabuticabeira lá fora. Distraiu-se. Chegou atrasado no trabalho. Mas no final do dia, era #gratidao por ter conseguido finalmente, enxergar.

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