-Smart Writers & Smart Content & Smart Readers-

Category archive

Contém Spoilers

Um plebiscito para Star Wars

em Coluna/Contém Spoilers por
Roberto

“Pra mim Taxi Driver é bem mais cinema”, disse um amigo meu outro dia. Se não me engano era uma discussão bilateral, na outra trincheira Quentin Tarantino apontava Pulp Fiction bem na cara de Martin Scorsese e Robert De Niro. O que significava “ser mais cinema”, confesso que até hoje não sei direito. Mas tudo bem, pra curtir esses papos a gente tem que ser meio maluco mesmo. Aliás, pra curtir cinema no geral.

Um radialista, ao palestrar na faculdade de comunicação que frequentei, disse que não gostava de filmes. Achava besteira perder duas horas da vida assistindo a situações de mentirinha sendo encenadas. Vem cá, tem coisa mais broxante que isso? Ao meu ver, tal opinião é prova cabal de que ter razão não te exime de ser um chato.

Continue lendo

Maggie’s Plan, ou “Frances Ha quer ter um filho”

em Contém Spoilers/News & Trends por
Roberto

Em 2012 Frances Ha, uma delícia de filme, estreou nos cinemas. A história: uma mulher à beira dos 30 anos que não sabe o que fazer direito da vida – a representação de uma geração. Anos depois (hoje, no caso), Frances resolve começar a tomar suas decisões, mas todas elas dão errado, iniciando por ter um filho ainda solteira.

Explico melhor: Frances não é mais Frances, mas ainda é Greta Gerwig, a atriz que virou uma espécie de “diva” do cinema indie americano. Ela é despudorada, desajeitada, engraçada e de estilo questionável, este é o arquétipo da mulher que anda fazendo sucesso nos filmes que retratam a classe média nova-iorquina intelectualizada. Bom, se voltarmos algumas décadas e observarmos Diane Keaton em Annie Hall (1977), descartaríamos apenas o “despudorada”. O resto já estava lá.

Continue lendo

Quebrando a primeira regra do Clube da Luta

em Coluna/Contém Spoilers por
Roberto

Todo mundo já viu Clube da Luta e adorou. Mas, quem já leu? Pois, sim, o filme mais cult do final dos anos 90 é originalmente um livro. As 8 regras do Clube da Luta (e me desculpem estar quebrando a primeira) nasceram na literatura, mais especificamente na cabeça de Chuck Palahniuk.

Clube da Luta (1996) foi o romance de estreia do autor, que teve a sorte de já ter sido projetado mundialmente em 1999, através do filme dirigido por ninguém menos que David Fincher e estrelado por Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter. É uma daquelas adaptações para o cinema que nos fazem repensar a máxima “O livro é sempre melhor que o filme.” O diretor compreendeu bem o clima doentio do romance e conseguiu criar um longa tão sujo quanto. Um filme, afinal, tão bom quanto o livro, senão melhor.

Mas 1999 foi especial para Chuck não apenas por ver a sua obra na telona. Foi nesse ano também que o autor lançou dois novos romances: Sobrevivente e Monstros Invisíveis. Daí pra frente foram mais 14 livros, sendo 12 romances e duas não-ficções.

Continue lendo

Desculpe o atraso, mas podemos falar de Aquarius?

em Coluna/Contém Spoilers por
Roberto

Ao leitor que encontre pontos de outros textos repetidos aqui peço perdão. Pelo barulho que fez, Aquarius deve ter sido discutido à exaustão, mas não costumo ler críticas de outros autores sobre as obras das quais eu quero falar na coluna. É uma política própria para evitar desvios de opinião antes mesmo de começar a escrever. Dito isto, vamos em frente.

Aquarius, o novo filme do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, ganhou fama antes mesmo de estrear nos cinemas, quando seu elenco subiu ao palco do Festival de Cannes segurando cartazes denunciando o golpe no Brasil.

Continue lendo

Recordar é viver

em Coluna/Contém Spoilers por
Roberto

Um dos princípios da dramaturgia diz o seguinte: não importa o que falam sobre um personagem nem o que ele fala sobre si mesmo, você só vai conhecê-lo de verdade através de suas escolhas quando ele estiver sob pressão. Por exemplo, no início do filme Aladdin é apresentado como um ladrão, as pessoas e a polícia chamam-no de ladrão. Mas após escapar de uma perseguição, Aladdin se depara com uma criança sem teto passando fome. O que ele faz? Entrega a ela o pão que a muito custo havia conseguido roubar, mostrando que, embora ladrão, ele tem um coração bom.

Este ensinamento da dramaturgia se adapta perfeitamente à vida real. Nós podemos conviver anos com uma pessoa sem saber nada sobre ela, mas no momento em que ela precisa tomar decisões, revela suas verdadeiras intenções e, portanto, sua identidade.

Continue lendo

100 ANOS DE CANUDOS

em Coluna/Contém Spoilers por
Roberto

Para um cidadão desavisado esta coluna talvez seja um choque, pois preste atenção: vamos falar de um filme brasileiro. De guerra. E bom.

O título, Guerra de Canudos, é autoexplicativo, e o ano de estreia é 1997. Embora não seja um lançamento (não chega nem perto disso), pode ser uma novidade para muita gente, uma interessante interpretação audiovisual de um dos episódios mais marcantes da história do Brasil.

Se é que é preciso relembrar, a história de Canudos se deu no final do século XIX, quando o líder religioso Antônio Conselheiro, que peregrinava pelo sertão do nordeste, revoltou-se contra a recém-decretada república e fundou em resposta a comunidade de Canudos, prometendo salvar o povo da tirania e da miséria.

Continue lendo

Policarpo Quaresma e o patriotismo de cada um

em Contém Spoilers por
Roberto

Talvez não haja melhor momento pra falar sobre Triste Fim de Policarpo Quaresma do que agora, na semana da abertura das nossas olimpíadas, evento que já começou lindo e veio resgatar um orgulho há algum tempo adormecido dentro de nós. Mas calma lá que nem tudo são flores, embora estejamos falando de coisa boa – muito boa.

É difícil sugerir alguma novidade sobre um livro tão celebrado – ele já foi apontado como obra inaugural do Modernismo no Brasil -, portanto, saiba que há aqui uma tentativa de abordá-lo sob um ponto de vista contemporâneo.

A história é dividida em três partes: na primeira somos apresentados a Policarpo Quaresma, funcionário público e patriota devotado, e passamos a conhecer também a sociedade branca, rica e família-tradicional-brasileira dos subúrbios cariocas.

Continue lendo

Curto Woody Allen, mas posso explicar

em Contém Spoilers por
Roberto

Nessa semana uma amiga comentou que, nos cursos de cinema de São Paulo afora, os professores têm o hábito de perguntar aos alunos na primeira aula quais são seus diretores favoritos. Pra quem responde Woody Allen o professor diz que já pode ir embora.

Noutra oportunidade, outra amiga disse que ouviu falar que o Woody Allen era o Didi Mocó brasileiro, ela achou isso bem pertinente. E noutro dia ainda um texto criticava pessoas que consomem cultura de forma rasa, apenas pra se gabar socialmente: tem gente que enche as prateleiras de livros bonitos, mas não conhece o conteúdo de nenhum deles, é o mesmo tipinho que diz ter ido ao cinema pra “ver o último do Woody Allen”.

Continue lendo

Voltar p/ Capa