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Coluna - page 127

Quem paga a conta?

em Coluna por

Alex

Quem paga a conta? 

Quem senta na ponta, paga a conta!

Até hoje esse ditado popular é muito usado entre os amigos que se encontram nos bares. Mas  e quando você sai em casal? E senta de frente para o outro ou do lado? Quem deve pagar a conta?

Algumas mulheres responderiam: o homem, é claro!

Concordo…até a página dois.

Já que essa coluna é direcionada aos casais, vou pular a primeira página, que o homem deve ser cavalheiro nos primeiros encontros e não deixar a mulher abrir a carteira.

Indo direto para segunda página do relacionamento, onde a mulher já está saindo um tempo com o cara, ou topou encarar um namoro sério, continue achando que é obrigação do homem pagar todas as contas.

Sim! Ainda existem mulheres que mesmo sendo independentes financeiramente, acham um absurdo e até se sentem ofendidas se precisarem dividir a conta, ou pagá-la por inteiro.

Conversei com alguns homens e infelizmente muitos já tiveram relacionamentos em que só ele pagava a conta. Um dos casos era tão ridículo que quando eles precisavam comprar algo, a mulher dava uns passos para o lado, disfarçava e nem cogitava a ideia de dividir ou pagar o valor do produto/serviço que seria de uso próprio dos dois.

Abaixo a opinião de alguns homens sobre o assunto.

F.F – 29 anos – 3 ano e meio de namoro. “Na maioria das vezes eu não deixo ela pagar. Porém quando ela toma atitude e divide, ganha muitos pontos comigo”.

A.D – 31 anos – 4 anos de namoro. “Acho que esse negócio do homem sempre pagar tudo é coisa do passado, quem ama mesmo ajuda em todos os momentos. Eu não posso reclamar, a minha namorada é parceira”.

M.C – 32 anos – 4 anos e 8 meses de namoro. “Nunca tive a sorte de encontrar uma namorada que pagasse ou ajudasse nas contas, mas adoraria um dia não tirar a carteira do bolso”.

P.R – 27 anos – 2 anos de namoro. “Minha namorada divide e paga tudo sem reclamar, mas na hora do motel, ela acha que é obrigação do homem”.

B.W – 38 anos –  7 anos de casado. “Minha esposa colabora bastante, tanto em casa, quanto nos lugares que vamos, mas sempre pago mais do que 60% das contas. Detalhe: ela ganha o mesmo que eu”.

Muitos homens sabem que a mulher tem um gasto mensal com lingeries (nem todas), unha, cabelo, kit de maquiagem, vestidos, sapatos, entre outros acessórios. Mas os homens também gastam com novas tecnologias, futebol, bebidas, roupas, entre outras coisas que parecem fúteis para o mundo feminino.

Se você ainda faz parte das mulheres que sentem seus princípios desvalorizados por ter que pagar a conta, lembre-se: numa relação, os passeios, jantares, motéis (inclusive motel), entre outros entretenimentos devem ser dividido por igual. Afinal, os dois estão se divertindo e aproveitando o momento juntos.

Dica:

Dividir ou pagar a conta pode fazer o dinheiro economizado por ele se transformar num presentinho para você.

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Alexsander Brunello. Editor-chefe do The São Paulo Times. É redator publicitário e atualiza a sua coluna Dicas & Pepitas todas as quintas-feiras. © 2014.

Número 37

em Coluna por

Camila

Número 37

Embora pequeno, um fato cotidiano marcou minha adolescência: lembro de quando ganhei meu primeiro tênis de marca. Na época, isso significava muito. Se eu não me engano, era um Nike Air Max branco, rosa e roxo com amortecedor e outras firulas.

Nessa época, mais do que um tênis, aquilo era status. Fazia me sentir bem por onde andava. E por isso mesmo, não queria, de forma alguma, que ele acabasse. Ainda tinha a memória infantil de ganhar roupas e sapatos e perdê-los logo porque crescemos. Por isso, arrumei uma solução: quando estava na loja, insisti em comprar um tênis dois números maior que o meu: um 37.

“Sim, ele me serve, mãe, fica superconfortável assim!”. Consegui. Levei! Foi a única vez que calcei 37. Meu número continua sendo 35 desde então. Eu devia parecer um “L”, mas acreditava que estava ótimo!

Aí, pensando nisso, parei pra refletir como a gente, às vezes, se esforça pra calçar 37 quando o nosso número é 35. Seja na relação de amizade com uma pessoa que nos traz boas lembranças de quando éramos pequenos, em um emprego ou em um relacionamento amoroso. Meu Deus, pensando assim, quantas vezes na vida calçamos 37!

Você já deve ter passado por uma situação parecida. Quando se depara, já uma pessoa adulta, com amigos, que antes eram tão próximos, e agora já não tem mais a ver. A gente se esforça, quer manter aquela sensação boa da infância, mas não rola.

No trabalho, quantas pessoas insistem, por anos a fio, em se manter numa empresa em que não se sintam bem, que não se realizem e até não sejam bem remunerados, em nome do status da companhia no seu currículo. Quando passar, sim, o nome estará lá, talvez trazendo uma oportunidade melhor de carreira, talvez, não. A única certeza é a do tempo gasto ali, sem ser feliz.

E no amor, ai no amor… quantas histórias já foram contadas a respeito! Quantas vezes insistimos em situações e relacionamentos que, no fundo, sabemos que não irão para frente! A gente assume aquilo, vai adiante, às vezes passa por cima de valores, sonhos e realizações, acreditando que estamos fazendo o melhor pelo outro e por nós. Mais um número 37 – desta vez, compartilhado com outra pessoa que acreditávamos tanto amar.

Todo mundo já teve um número 37. E eles chegam com promessas maravilhosas, por isso os deixamos entrar em nossas vidas. Ok, isso acontece, portanto, relaxe! O que é preciso entender é a hora de reconhecer que este não é o seu número e buscar o que foi feito sob medida para você. Abra sua sapateira, vá a outras lojas, busque novos lugares e pessoas. Certamente, um dia, o seu número estará à sua espera!

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

Crômicas: Zana se foi

em Coluna por
CarlosCastelo

ZANA SE FOI

A rata Zana morreu. Meu filho foi o contemplado num sorteio da escola e a trouxe para casa numa caixinha de papelão. No começo se encantou por ela. O tempo foi passando, a paixão cedeu e sobrou pra mim e pra esposa.Semanas depois a esposa ficou grávida, não era recomendável tocar nesse tipo de animal em estado interessante, e sobrou pra mim.

Confesso não ter gostado de, todo dia, ter de lhe dar comida, trocar a água e colocar objetos que ela pudesse roer. Além disso era preciso trocar a palha da gaiola e colocar um pozinho-banho regularmente.

Inicialmente fazia as tarefas sem se sequer olhar pra ela. Mas depois comecei a perceber que, quando eu entrava em seu ambiente, Zana ficava de pé e esfregava as patinhas. Parecia feliz ao me ver.

Depois de alguns meses reagia do mesmo modo, mas só ouvindo minha voz. Começamos a conversar. Ela sempre muito calada, mas eu comecei até a fazer desabafos. Os vizinhos deviam achar que eu era catatônico. Era entrar na área de serviço e já começava a parlamentar com a roedora em voz alta.

Zana acabou tornando-se uma espécie de Carlos Castelo em forma de esquilo da Mongólia. E eu, uma espécie de Zana humano.

Espero que não me tomem por um abjeto zoófilo, mas não tenho vergonha de dizer que ela me conquistou.

Neste fim de semana deixei-a agonizante na gaiola e viajei pro Nordeste. Ficava toda hora no whatsapp perguntando à minha mulher se ela tinha apresentado alguma melhora. Mas ela não se recuperou.

Hoje vi a gaiola vazia e tive de pensar no ministro Mantega pelado pra não me emocionar na frente de minha filha.

É a prova de que o amor é tudo. Até quando você se afeiçoa por uma rata qualquer.

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Carlos Castelo. Escritor, letrista, redator de propaganda e um dos criadores do grupo de humor musical Língua de Trapo. © 2013.

Stand Up Crônicas: Este texto tem revelações bombásticas, leiam antes que tirem do ar

em Coluna por

ze

ESTE TEXTO TEM REVELAÇÕES BOMBÁSTICAS, LEIAM ANTES QUE TIREM DO AR.

Todos vimos, no ano passado, que o presidente Obama espiona cada pessoa do mundo, pelas redes sociais, telefones, etc. E espionando a todos, ele teve acesso a informações que você não vai acreditar. Muitos vão dizer que é teoria da conspiração, mas é exatamente isso que querem que você pense.

O Bob Esponja é gay e, agora que o casamento entre homossexuais foi liberado nos EUA, ele casou com o Telettubie Roxo numa cerimônia secreta.

Na cerimônia estavam presentes diversas celebridades, como o sósia do Paul McCartney – já que o original morreu num acidente ainda durante o auge dos Beatles. O evento também contou com as presenças de Elvis Presley e Michael Jackson – que não morreram, foi tudo encanação para virarem mitos da indústria da música e venderem mais discos. Ambos, alías, foram vistos jogando uma partida de peteca com Ulisses Guimarães numa pequena ilha do Atlântico.

Repito: continuem lendo este texto até o final, antes que o Facebook se torne pago e utilize todas as suas fotos. Foi confirmado também que a AIDS foi criada em laboratório, como forma de impulsionar financeiramente a indústria de remédios. O vírus original foi trazido da Lua – quer dizer, de um estúdio de televisão onde foi criada a farsa, pois o homem nunca esteve de fato na Lua. Já a gripe suína veio do Parque Antártica mesmo.

Apesar de o homem nunca ter visitado a Lua, a Terra já foi visitada por seres extra-terrestres. O governo dos Estados Unidos inclusive detém os cadáveres de alguns ETs em segredo – que estavam indo para Varginha, mas erraram o caminho das Índias e foram parar bem nas instalações do Pentágono, onde foram capturados e torturados até a morte. Além de ruins de caminho, esses ETs eram bastante azarados.

Falando em seres de outro planeta, o Neymar é um extra-terrestre infiltrado. Sua aparência insólita e seus dribles desconcertantes são impossíveis de serem criados por um mero ser humano. Assim que chegou à Terra, Neymar foi contratado pela NASA para ser usado como arma para acabar com o comunismo no mundo. Enquanto a gente fica comentando sobre seus dribles, seus penteados e sua fortuna, os americanos exercem sua dominação em nossas cabeças com mensagens subliminares nas caixinhas de Sucrilhos Kellogs.

Outra coisa que você tinha como certa era que o Titanic naufragou, certo? Errado. O Titanic nunca afundou. Na verdade, os americanos afundaram uma réplica barata, de olho na grana do seguro. Da mesma maneira que a seleção brasileira não naufragou em terras francesas em 1998. Houve sim um acordo de cavalheiros no qual o Brasil entregava a Copa de 98 em troca da Copa de 2002 e mais alguns cookies com gotas de chocolate – que mais tarde se revelaram o pontapé inicial para o excesso de peso do craque Ronaldo.

Mas o mais absurdo mesmo vem agora. Se você tiver problemas cardíacos ou não suportar fortes emoções, pare de ler aqui. O que vou revelar é muito surpreendente: não foi à toa que o Anderson Silva perdeu duas lutas para o Chris Weidman. Ele só perdeu porque é negro e o chefe do MMA é o Dana White.

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 José Luiz Martins. Humorista, publicitário e roteirista. Sócio da empresa Pé da Letra, de criação e produção de conteúdo. © 2013.

Onde a bola quica – Pirraça

em Coluna por

Gui

Onde a bola quica – Pirraça

Em época de Copa do Mundo, surgem muitas histórias de personalidades do futebol. Casos de jogadores que saíram dos cantos mais improváveis do planeta e chegaram ao status de ídolos mundiais. Mas e os verdadeiros artistas da bolas, onde ficam?

Essa história quem me contou foi mais um desses artistas. Artistas mesmo, estilo circense, que rodam pelos campos do interior, onde a bola mais quica do que rola. Onde o cara do escanteio sente até a respiração do torcedor do seu time, ou seja lá o que for, quando o corner é no canto da torcida adversária.

Era a final do campeonato regional semiprofissional de futebol. Depois de 32 anos de fila, o glorioso Nacional de Birigui chegava à decisão. Pela frente, a forte e bem armada equipe Sociedade Atlética de Guararapes, defensora do título e, nos balcões dos bares da região, grande favorita ao título.

Vem o primeiro jogo da decisão e mesmo segurando heroicamente o 0x0 na casa do adversário, os torcedores do Nacional saem do jogo com o sentimento de quem sofrera uma goleada. O seu craque, um talentoso e rabiscador meia canhoto, se contundiu durante o jogo e sua ausência na finalíssima foi confirmada ainda em campo, por Clésio Mãos de Fada – massagista/preparador físico/auxiliar técnico e motorista de ônibus do time.

De volta à Birigui, uma reunião para encontrar uma solução milagrosa, foi convocada pelo presidente Aurélio “Pé de Moça” (apelido que ganhou por ser um grande empresário do setor de calçados femininos).  Na tensa reunião se ouvia mais o silêncio do que as vozes. Todos só falavam da falta que  o camisa 10 faria no último jogo, até que Clésio (que também era um perspicaz estudioso dos estatutos dos campeonatos) gritou: Raí.

Todos olharam para ele, e as perguntas se sucederam: como assim Raí? Raí, irmão do Sócrates? O tricolor? Quer chamar o Raí para o lugar do Meiinha?

– Não!  – Respondeu o Clésio

– Campeonato Paulista de 1998 (Clésio também tinha uma memória colossal sobre dados e estatísticas de futebol, parecia até um comentarista alto, magro, da tv a cabo, cujo nome me escapa agora) e continuou o seu raciocínio – o São Paulo conseguiu inscrever o Raí para jogar só a final do campeonato, achou uma brecha no estatuto e pronto. Deu tão certo que o Raí não só jogou, como ainda marcou um gol e deu uma assistência. Vamos fazer isso, vamos buscar o nosso craque e inscrevê-lo para final.

Sim, até nos campeonatos semiprofissionais, existem profissionais em burlar o regulamento.

Passada a euforia, todos começaram a buscar “o nome” capaz de levantar a taça para o Nacional de Birigui. O nome que seria o responsável pela inauguração da sala de troféus do centenário clube do oeste paulista.

Willian, Patrício, Leleco Roque Brita, Galego e mais algumas dezenas de nomes foram sendo falados, até que alguém citou um, capaz de novamente silenciar a sala: Pirraça.

Pirraça: veterano no futebol de várzea, tido por todos como o novo Pelé, quanto atuava na base de um grande time paulista. Durante e a sua juventude, fora apelidado de Mara, Roma, Fenômeno e muitos outros apelidos devido ao seu talento, mas ficou marcado pela alcunha que descrevia o seu temperamento: Pirraça.

Após outras horas gastas discutindo a opção, foi decidido. Iriam atrás do Pirraça.

No dia seguinte o presidente do Nacional e o treinador viajaram 125km para contratar o craque. Chegaram na porta de sua casa, respiraram fundo e bateram.

De regata, boné, óculos escuros na testa e cordões dourados no pescoço o jogador os recebe.

Pirraça, estamos aqui pra te chamar pra disputar a final do regional pelo Nacional. Um jogo e a chance de ser campeão. – Falou firme o presidente do clube, mas que por dentro tremia diante da fama do boleiro.

Surpreendendo a todos, ele respondeu: onde assino.

Presidente – Então vamos pra cidade, pra vc já se integrar ao elenco.

Pirraça – O que, nesse carro? Vou não, só chego na cidade se for de importado.

Presidente – Mas Pirraça, o jogo é amanhã, tá todo mundo te esperando pro treino e a concentração hoje.

Pirraça – Traz o importado ou pode rasgar o contrato.

Começando a entender o porquê do apelido, o dirigente solicita um carro importado.  E ironicamente pergunta: mais alguma coisa.

Pirraça – Apresentação no estádio, com pelo menos 5 mil pessoas me esperando.

Presidente – Pirraça, 5 mil pessoas é o que conseguimos colocar no estádio em jogo importante. A nossa média é de 1.200 torcedores.

Pirraça – Então não vou.

O Presidente já desesperado fala para o assessor: liga para a organizada e veja quantas pessoas conseguem levar.

Presidente: Pronto, Pirraça, vamos então.

Eles chegam na cidade, todo mundo de bandeira na mão e faixas de incentivo, entrando no estádio, Pirraça é ovacionado pelo público: Pir-ra-ça, Pir-ra-ça…

O presidente pede pra ele falar e lhe entrega o microfone, todo mundo esperando as suas palavras e as primeiras foram:

–  Só falo hora que todo mundo estiver escutando.

Acaba a apresentação à torcida e o “diferenciado” é apresentado aos colegas, cumprimenta todo mundo, pega as suas coisas e sai.

O presidente e o treinador, logo o questionam, pra onde você vai?

– Vou me concentrar no puteiro.

Como assim no Puteiro? Questionou o presidente.

– Ou é lá, ou em casa. Pode escolher. E se for em casa, eu não jogo.

Já cansado das vontades do jogador, o presidente nem rende assunto e aceita.

No dia seguinte o Pirraça vai direto para o estádio e encontra os seus companheiros no vestiário. O treinador volta a se animar e começa a preleção.

De cara, escala Pirraça na armação, jogando solto e sem obrigação de voltar. Acreditando estar agradando a sua estrela, ele é surpreendido com o balançar negativo da cabeça do jogador.

Treinador: O que foi Pirraça, não gostou do esquema?

Pirraça: Gostei, mas só entro no segundo tempo.

O treinador chama o presidente, todos argumentam, ameaçam cancelar o contrato, mas o jogador está irredutível, ou é no segundo tempo ou não joga.

E assim foi.

Os times entram em campo, se perfilam, estádio lotado, hino nacional tocando e a cidade inteira esperando a esperança entrar em campo. Logo que notam a ausência dele começam a gritar: Pir-ra-ça! Pir-ra-ça!

Começa o jogo, e favorito Guararape pressiona o time da casa. Bola na trave, bola raspando, bola tirando tinta… A torcida desesperada, percebe Pirraça no banco e em coro solta o grito: Pir-ra-ça! Pir-ra-ça!

O treinador, que desesperadamente acompanha o jogo da beira do campo, olha para o banco como que suplicando para o seu craque, que calmamente o responde com gesto de mão dizendo “calma”.

A torcida não entende e não perdoa o treinador: bur-rô! Bur-rô! Mostrando solidariedade com o comandante, Pirraça se levanta do campo e repete o gesto para com as mãos para a torcida “calma”.

Segue o primeiro tempo, o placar não se altera e, para o desespero de todos os biriguenses, nem a pressão do time visitante.

Finalmente os times vão para o intervalo, saem os times, o apitador, os bandeiras e para o delírio da galera, ele: Pir-ra-ça! Pir-ra-ça! Que agradece o carinho da torcida com o seu gesto de “calma”.

O treinador, nervoso e ansioso por contar com o craque, praticamente repete a preleção do início. E praticamente tem a mesma surpresa. Pirraça avisa que só vai entrar aos 40 da etapa complementar. Com os olhos cheios d`água, o treinador nem discute, nem chama o presidente, nem o papa.

Os times voltam, a torcida empolgada: Pir-ra-ça! Pir-ra-ça!…

E o Pirraça: “calma”.

O segundo tempo começa como o primeiro, aos 10’ o treineiro olha para o banco, meio que pedindo um favor ao jogador e ele: “calma”. Aos 20” a 7ª bola na trave, o 10º olhar do treinador e mais uma vez as mãos do boleiro: “calma”.

A torcida não se cala, a cada perigo solta o grito de Pir-ra-ça! Pir-ra-ça! e a cada grito era “acalmada” pelos gestos do jogador.

Aos 37 ele se levanta, o primeiro que vê grita: é agora! Em delírio a galera, o estádio, a cidade, região grita em uma só voz: Pir-ra-ça! Pir-ra-ça!

Repetindo o irritante grito ele começa a se aquecer e aos 40 em ponto, ele está pronto na linha de lado, ao centro do campo, esperando apenas o companheiro que sai para cumprimentar.

Aos 43 recebe a primeira bola no círculo central, sem tocar na pelota leva os dois volantes num jogo de corpo.

Corre com a bola colada aos pés (lembrando um argentino que joga na Espanha, até pela sua altura) atravessando a intermediária, o primeiro zagueiro vai pro bote e leva uma meia lua, a sobra cai sentado depois da caneta.

Agora é ele, o goleiro e o gol. Com a mesma velocidade, invade a área, a torcida se levanta e o goleiro desesperado não sabe se sai do gol ou se defende as metas.

Não tem mais jeito, o Pirraça chegou.

O goleiro sem ter o que fazer, nem tempo pra pensar, se joga nas pernas do craque e leva um drible desconcertante. Está lá estirado no chão.

O quase herói da cidade está pronto para entra com bola e tudo no gol, sem a menor humildade, quando para em cima da linha.

Todo mundo para junto com ele, os colegas, os adversários, a torcida e até um quero-quero que corria atrás do gol.

O goleiro por reflexo ameaça se mexer em direção a bola e escuta do jogador com o dedo em riste: se mexer eu faço.

Um torcedor não se contém e solta o grito: faz logo essa merda de gol. Pirraça o procura na arquibancada e responde com o mesmo dedo apontando: se pedir eu não faço.

O goleiro tenta tirar a bola com os olhos e escuta: se mexer eu faço.

E para os gritos da torcida ele respondia: se pedir eu não faço.

Quanto terminou o jogo?

Se perguntar eu não falo.

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Guilherme Lemos. Mineiro, marido, dono da Berê, cruzeirense, publicitário e fã de futebol. Mais ou menos nessa ordem. Ah, eu ainda aprendo a surfar. © 2014.

Respeito é bom e conserva o amor

em Coluna por
Alex

Respeito é bom e conserva o amor

“Se educação vem de berço, muitas pessoas precisam nascer de novo”.

Começo o texto citando a frase acima por acreditar que ser educado e respeitar o próximo deixa o mundo bem melhor.

O respeito no relacionamento é tão importante quanto o sexo.

Pesquisas apontam que o sexo no relacionamento é muito importante, chegando a passar dos 60%. Concordo, mas tem gente que confunde as coisas. O sexo é o único momento em que “xingar” o parceiro não ofende, machuca ou humilha. É claro que precisa existir um consenso entre as partes, principalmente da mulher, pois a maioria dos homens gostam de transar chamando a parceira de “puta”, “vagabunda, “safada”, entre outros nomes. Mas é bom deixar bem claro que esses xingamentos são bem vindos só na hora do sexo.

Outras pesquisas apontam que 16% dos homens já agrediram suas parceiras (se você sofrer alguma agressão, denuncie na delegacia da mulher). As agressões mais comuns são os xingamentos (53%), seguidos por empurrões (19%), agressões com socos e tapas (12%) e ameaças (9%).

Isso constata que as agressões físicas são uma evolução natural das agressões verbais.

Geralmente a falta de respeito no relacionamento começa com o esquecimento dos princípios básicos da educação. Por exemplo: pedir por favor e dizer obrigado.

Se o seu relacionamento já começou sem respeito, tente corrigir os erros. Converse com o seu parceiro e mostre que o respeito no relacionamento conserva o amor.

É normal falarmos palavrões para extravasar a raiva, só que uma coisa é xingar ao vento, outra coisa é direcionar os palavrões ao seu companheiro.

Dicas para manter o respeito no relacionamento:

Não seja e nem trate seu parceiro como empregado.

Evite dizer aos outros quais são os pontos negativos, defeitos e manias do seu parceiro.

Deixe para lavar a roupa suja em casa.

Faça suas críticas construtivas quando estiver sozinha com o seu parceiro.

Não fique tirando sarro e constrangendo seu parceiro na frente dos amigos.

Para quem tá de fora é muito chato presenciar a falta de respeito de um casal.

Mas se você acha normal ter um relacionamento sem respeito, precisa arcar com as consequências, que geralmente são bem dolorosas.

Obrigado por ler 🙂

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Alexsander Brunello. Editor-chefe do The São Paulo Times. É redator publicitário e atualiza a sua coluna Dicas & Pepitas todas as quintas-feiras. © 2014.

Portrait: Jogo da Vida

em Coluna por

Camila

Jogo da Vida

“Sou guardião de um anjo”. Assim se definiu Marcos Mion ao falar sobre Romeo, seu filho especial de oito anos, diagnosticado com distúrbio de desenvolvimento. Em sua página no Facebook, escreveu sobre a criança, contou sobre o esforço da família em procurar um tratamento eficiente para sua adaptação (sem tom de lamúria), mesmo que em outro país e declarou-se apaixonado pelo menino. Mais que isso: grato por ter sido escolhido por ele para ser seu pai.

Como preparar esta criança para viver uma infância feliz e ser um adulto satisfeito? Como prover bem-estar à pessoa? Como construir isso diariamente com a menor possibilidade de se cometer erros? Este é o grande desafio da vida de Mion e de sua esposa. Talvez o que possamos chamar de “a grande lição, o grande aprendizado”.

E sem desmerecê-lo – reconheço e admiro seu mérito e dedicação – quantos de nós não passamos por percalços tão grandes quanto este? Se não for com ou por alguém a quem amamos, por nós mesmos? Quantas situações delicadas você já vivenciou ou presenciou junto a parentes e amigos próximos?

Há quem perdeu um grande amor, há quem teve que se virar sozinho desde cedo. Tem o menino que perdeu a mãe com AIDS e, apesar de pular de casa em casa quando ainda era criança, batalhou e conseguiu ganhar seu próprio pão. Tem o cara que quando pré-adolescente fugiu de casa, conheceu o melhor e o pior da vida, se meteu com bebidas e drogas, mas deu a volta por cima e criou uma família linda e equilibrada.

Tem também os que precisam aprender a conviver com uma doença e os que perderam filhos, mas que mantém o sorriso no rosto. Os que para cuidar dos pais velhinhos deixam de viver a própria vida, às vezes por opção, outras não, mas seguem em frente. Tem os que correm atrás do grande amor e deixam a carreira de lado. Tem os que deixam o país por isso.  Também tem os que largam o amor pela carreira. E tem os que deixam tudo pra trás e focam no futuro.

Os que foram traídos e deixaram de acreditar no amor, os que deixaram de confiar nas pessoas a sua volta porque nem sempre estas (ou outras) foram boas com eles. Há os que confiam desconfiando.

E para todos eles, o que deve importar, realmente, não é o que lhes aconteceu, mas como reagiram a isso. É esta a diferença. É assim a vida: a gente passa a ser “dono” dela à medida que aceitamos as curvas de seu caminho. A vida não é como um jogo, em que ganha quem chegar primeiro ao fim do tabuleiro. Ela é o contrário disso: é sobre manter-se no tabuleiro. É jogar os dados, quando ela te dá a chance de escolher, torcendo para sempre tirar o número “um”, para que possa ser lentamente saboreada.

Para as melhores conquistas, às vezes é necessário ter paciência. Um bom trabalho, uma promoção, um bom salário não vêm depois do estágio, mas após anos de ralação. Tem gente que dá sorte e encontra o grande amor logo de cara, ainda na escola, e se casa com ele assim que se forma na faculdade. Tem os que vão conhecer muita gente bacana, mas que não os completam. Os que vão se machucar, insistir e quase desistir até quem sabe, encontrá-lo, ou, quem sabe, esperar o jogo do tabuleiro mandar voltar três casas e reencontrar o carinha da adolescência na hora certa.

Por isso insisto: o que mais importa na vida não é o que acontece, mas como reagimos às situações que se impõem. É isso, inclusive, que nos faz crescer, amadurecer, evoluir. É isso que transforma o que muitos diriam serem “pais de garotos problemas” em “guardiões de um anjo”.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

Crômicas: Lá onde Judas perdeu as botas

em Coluna por

CarlosCastelo

Lá onde Judas perdeu as botas

O tão esperado feriadão chegara. Mas sempre era assim: confusão no pré-check-in.

Ainda mais com criança pequena. É dar aquela última olhada se a papinha está na bolsa térmica laranja, se os lenços umedecidos estão na mochila à esquerda da valise de patinhos.

Já estávamos quinze minutos atrasados pra pegar o carro e sair rumo ao aeroporto, a garagem agendada, os bilhetes confirmados. E não conseguíamos partir. A bebê chorando, a Noêmia tropeçando em mamadeiras, eu emburrado.

Finalmente demos a largada. Todos em silêncio no veículo quando, já em plena Marginal, a Nôemia soca o painel e berra: “cacete, esquecemos o GPS!”.

Tínhamos trazido o aparelhinho de Foz do Iguaçu e pegado o vício de carregá-lo até quando íamos à esquina.

Estressado retruquei usando apenas o canto da boca:

“Já foi, vamos sem GPS, seja o que Deus quiser”.

Começou a escurecer e veio aquela fechada do treminhão. Eu não perco essa mania de ir pela pista de direita, devo ser um reacionário enrustido. Tive que dar uma meia esterçada pra não bater na ambulância que vinha, a toda, pela esquerda e cai numa vicinal paralela à via expressa.

Julguei que sairia logo mais à frente novamente na Marginal.

Lêdo engano. Começou a aparecer uma paisagem completamente diferente. Barracos, vendinhas de pinga, e outras coisas que me recuso a comentar. Noêmia implorava, entredentes, num mantra: “acelera, acelera, acelera!”.

Obedeci.

A bebê  e ela acabaram caindo no sono. Quando vi estava, pelos meus cálculos, a uns 150 quilômetros do aeroporto. Um breu enorme e, pior, um dos pneus tinha estourado.

Deixei-as dormindo pra evitar maiores sobressaltos. Depois de uns 20 minutos, em completo isolamento, finalmente dei sinal a uma van e despertei-as. Entramos os três na condução e pedimos ao motorista que nos deixasse num local mais central, onde houvesse um ponto de táxi.

O ensimesmado homem sequer nos olhou. Seguiu acelerando o sacolejante coletivo. A vibração na carroceria era ainda maior pois só estávamos nós quatro ali dentro.

Foi quando sobreveio a tempestade. Tivemos de nos abrigar na parte de trás, todo o resto da estrutura estava furado e o toró entrava sem dó, nem piedade. Havíamos esquecido de tudo, só nos interessava proteger a bebê daquele ambiente hostil e encharcado.

Não sei dizer quantas horas passamos sob a intempérie. Muito menos onde estávamos. Pelo tempo que havíamos saído de casa, o aeroporto devia estar muito longe daquela zona desconhecida até do Google Maps.

A chuva acabou cedendo. O motorista, exaurido, parou  a van na frente de uma casa abandonada em meio à bruma da madrugada. Resolvi descer, estirar as pernas, fumar um cigarro e ver se havia sinal de celular.

Fui andando pela estrada de terra batida e parei em frente à velha residência. Depois de alguns instantes, a porta deu um grande rangido e se abriu.

Aí lá de dentro saiu o Belchior.

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Carlos Castelo. Escritor, letrista, redator de propaganda e um dos criadores do grupo de humor musical Língua de Trapo. © 2013.

Stand Up Crônicas: EU OSTENTO, TU OSTENTAS, ELES OSTENTAM

em Coluna por

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EU OSTENTO, TU OSTENTAS, ELES OSTENTAM

A palavra da moda hoje em dia é ostentação. Até há pouco tempo, ostentar era uma estupidez exclusiva dos mais ricos. Mas agora, com a ascenção da classe C, a galerinha resolveu comprar roupa de marca, boné de marca, óculos de marca e mostrar que podem ser pessoas tão admiráveis quanto a Val Marchiori.

Para simbolizar essa subida na escada-rolante do consumo, esses mesmos jovens criaram o rolezinho. Rolezinho nada mais é que ir ao shopping de turma. Mas não uma turma de meia-duzia e sim em seiscentas, setecentas pessoas. Assim, com tantas compras, eles conseguem negociar e parcelar em mais vezes.

Dizem que quem é contra os rolezinhos tem um “pré-conceito” contra as camadas mais pobres da população. De jeito nenhum. Na verdade, eu só tenho preconceito contra um tipo de pessoa: aquelas que pronunciam “pré-conceito”.

Outro dia, vi um rolezeiro na televisão perguntando:

– Qual o “pobrema” de pobre frequentar o shopping?

O “pobrema”, meu filho, não é frequentar o shopping. É não frequentar a escola. Aliás, se fosse possível vender cérebros como se vendem fígados e rins no mercado negro, o anúncio desse rapaz provavelmente seria: Vendo cérebro semi-novo. Pouquíssimo uso.

Ah, você acha que estou pegando pesado com a parcela menos favorecida da população? Então, que atire a primeira pedra quem nunca riu, curtiu ou compartilhou no Facebook aqueles postezinhos com a cara do Miguel Falabella e uma piadoca esculachando pobre.

Mas como ostentação de verdade é coisa de rico, vamos a eles. Os ricos também adoram aparecer. Aliás, a maioria ds ricos é mais aparecida que teta de manifestante ucraniana.

Uma categoria de rico muito interessante é a das peruas. Eu não tenho nada contra elas. Muito pelo contrário: tenho certeza que elas governariam o mundo se não vivessem tão ocupadas com coisas mais importantes, como escolher sapatos ou a cor do esmalte.

As mulheres de classes mais abastadas também costumam exagerar nas vogais das palavras. Aliás, cada “o” que uma mulher coloca na palavra “adoro” deveria ser punido com dez anos lavando louça de manhã, à tarde e à noite.

Outra coisa que rico também faz para ostentar é degustar vinhos. Semana passada, vi um sommelier na televisão dar uma bela golada numa taça, bochechar e dizer:

– Este vinho tem um retrogosto de grama molhada.

Numa boa, amigo. Se eu quisesse sentir gosto de grama molhada, eu iria pastar com as vacas. Aliás, com quem você aprendeu qual o gosto da grama molhada: com a sua mãe?

No fim das contas, ricos e pobres não têm muitas diferenças. Afinal, ninguém percebe mas rico também faz rolezinho, mas chama de flash mob. Rico também tem móveis velhos em casa, mas chama de vintage. Rico também lambe a tampa de iogurte, mas só dos importados. Rico também mostra a casa para qualquer visita que chega, mas chama de open house. Rico também usa garrafa pet na decoração de casa, mas chama de reciclagem. Rico também assiste Faustão, mas na TV de 58 polegadas.

Portanto: seja você rico ou pobre, ostentação é o mal de nosso século. Por isso, mesmo não sendo religioso, eu rezo toda noite: “não nos deixei cair em ostentação, amém”.

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 José Luiz Martins. Humorista, publicitário e roteirista. Sócio da empresa Pé da Letra, de criação e produção de conteúdo. © 2013.

Dicas & Pepitas: Mãe Solteira

em Coluna por

Alex

Mãe Solteira

Recebi um e-mail que dizia: “Por favor, escreva sobre o preconceito que os homens têm em namorar com mulheres que já são mães. Eu tenho 32 anos, meu filho 8 e sofro muito com isso”.

Por coincidência, eu vivi boa parte da minha vida com padrasto e sei mais ou menos do que se trata o assunto. Fiz uma pesquisa e o resultado é esse:

A idade é o fator principal. Homens de até 25 anos sonham em conhecer uma mulher sem filhos para não carregar o famoso “chaveirinho” nos lugares que frequenta e, porque nessa idade, o homem quer sair com a sua companheira para diversos lugares ao mesmo tempo, que geralmente são impróprios para crianças.

Outro motivo que faz um homem não se relacionar com mães solteiras é a presença do pai na vida deles, como já disse no tema ciúme, a presença do ex provoca insegurança. E alguns homens ficam com medo de se apegar a criança e sofrer caso o relacionamento termine.

Muitos homens querem seguir o mandamento do casamento: lua de mel de 4 anos e depois ter o primeiro filho homem, com as suas características e todo esse machismo que já conhecemos. E se a mulher já tem um filho, essa etapa é pulada.

Alguns ainda ligam para a parte financeira, acham que vão ter que contribuir com a educação, brinquedos, entre outras coisas que uma criança precisa.

Mas se você é mãe solteira e pensa que tudo está perdido, eu tenho uma boa notícia.

Homens acima dos 30 anos não ligam para isso e até assumiram o filho da sua namorada, além disso, são homens estruturados financeiramente e que estão com o lado paterno no auge.

As dicas para as mães solteiras são:

Procure homens e não garotos para se relacionar.

Mostre que você procura um amor verdadeiro e não um pai para o seu filho.

Demonstre que você é uma excelente mãe, assim seu namorado também vai querer ter outros filhos com você.

Saiba separar os momentos: tem hora para o filho e hora para o namoro, conciliar os dois no começo do relacionamento pode ser constrangedor, principalmente para o seu filho.

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Alexsander Brunello. Editor-chefe do The São Paulo Times. É redator publicitário e atualiza a sua coluna Dicas & Pepitas todas as quintas-feiras. © 2014.

Portrait: Como Barbies, só que não

em Coluna por

Camila

Como Barbies, só que não

Se na semana passada falei sobre o nigeriano que achava que ao comprar o creme dental estava levando para casa a mulher dos seus sonhos, hoje vou inverter o processo. Vamos falar sobre as mulheres que ele achou que compraria. Sinto lhe informar, mas elas compram até hoje a construção de si mesmas, mas não existem.

Quem viveu sua infância a partir de 1960, quando as Barbies foram criadas, sabe do que estou falando. Se você é mulher e sua família teve condição financeira de bancar isso, provavelmente você teve uma Barbie, seu carro, sua casa, suas roupas, e, claro, seu Bob ou Ken. Sendo a boneca a representação da mulher perfeita e infalível, o óbvio aconteceria: seu homem seria o reflexo de si, a tampa da sua panela: lindo, bem vestido, com cara de bem sucedido, tão perfeito tal qual ela.

E se na infância se brincava de mamãe e filhinha e na vida adulta se tornou mãe, se brincava de lojinha e se tornou empresária, a busca por se tornar a Barbie é eterna. Que mulher a partir dos vinte e poucos anos não comprou um creminho antirrugas, não fez ao menos uma drenagem linfática para eliminar gordurinhas, não investe pesado em roupas, sapato e cabeleireiro? Quem nunca fez uma dieta, ou se matriculou na academia em busca de um corpo esbelto e definido, atrás da cinturinha irreal da boneca? Tem as que foram mais longe e recorreram ao botox, ao silicone, à lipoaspiração e à rinoplastia.

Todas, raras exceções, e às vezes sem total consciência sobre isso, buscam ser Barbies: o ícone da mulher perfeita. Campanhas publicitárias endossam o perfil. Raramente uma foto não passa por Photoshop tirando gordurinhas, eliminado manchas, papas nos olhos e espinhas, afinando coxas. Isso quando, à base de maçãs, alface e, certas vezes, bulimia, as modelos não tentam chegar por si mesmas (e algumas, infelizmente, até morrem de anorexia) no resultado que o editor de imagem consegue.

Em qualquer editorial de moda, a plasticidade das imagens, sem defeito algum, inspira o ideal, o glamour, a beleza incessante e irreal. E mais uma vez, se paga caro pelas roupas e se leva para casa a felicidade em sacolas que logo mais viram a frustração na frente do espelho. A roupa, caríssima, não ficou tão boa em você como na modelo. Claro, a vida, em movimento, não é feita de photoshop e nem de alfinetes.

Mulheres reais tem TPM, choram, ficam ansiosas por uma barra de chocolate ao mês, frequentam bares e inflam suas barrigas com chopp, caipirinha e uma porção de pastéis, enquanto discutem com as amigas suas imperfeições angustiantes e as soluções que viram na coluna de beleza da revista ou o novo tratamento que a dermatologista recomendou. Mulheres reais se decepcionam sim por não terem encontrado seus Bobs ou Kens, porque um dia, quando pequenas, sonharam em tê-los como as Barbies.

Ao perceber que nunca seremos como a boneca, passamos a aceitar também as imperfeições masculinas, quem sabe a barriguinha de chopp, algumas uma carequinha, um dente torto, um cara que ainda esteja correndo atrás de sua carreira e está em busca de ser bem-sucedido, o marido que demora a trocar a lâmpada e a arrumar o chuveiro, o que sai naquele dia para jogar bola quando você queria ir ao cinema.

Mulheres reais acordam cedo e vão à batalha. Colocam saia e salto alto, mas o blazer também. Elas estudam, são pós-graduadas, doutoras, tem Ph.D. São mães e assumem todas as tarefas que isso lhes compete. Cozinham, lavam, passam e trabalham fora. Quando não tem tempo para tudo isso, dividem a conta da empregada com o marido ou moram sozinhas e assumem a própria casa.

Mulheres reais são tantas em uma só que dificilmente caberiam no corpo esbelto da Barbie. Só conseguiriam manter a maquiagem como a da revista se não fossem tão ativas. Teriam cabelos perfeitos se não precisassem, rapidamente, amarrá-los em um rabo de cavalo que lhes desse agilidade de vez em quando.

Mas no mundo atual, em que assumimos papéis tão importantes nas corporações contribuindo para o desenvolvimento e a economia do país, ter a Barbie e as lindas e perfeitas modelos como referência, ainda é um alento para nós, mesmo que distantes de nossa realidade. São elas quem nos lembram de nossa delicadeza e feminilidade.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

Portrait: Como Barbies, só que não

em Coluna por

Camila

Como Barbies, só que não

Se na semana passada falei sobre o nigeriano que achava que ao comprar o creme dental estava levando para casa a mulher dos seus sonhos, hoje vou inverter o processo. Vamos falar sobre as mulheres que ele achou que compraria. Sinto lhe informar, mas elas compram até hoje a construção de si mesmas, mas não existem.

Quem viveu sua infância a partir de 1960, quando as Barbies foram criadas, sabe do que estou falando. Se você é mulher e sua família teve condição financeira de bancar isso, provavelmente você teve uma Barbie, seu carro, sua casa, suas roupas, e, claro, seu Bob ou Ken. Sendo a boneca a representação da mulher perfeita e infalível, o óbvio aconteceria: seu homem seria o reflexo de si, a tampa da sua panela: lindo, bem vestido, com cara de bem sucedido, tão perfeito tal qual ela.

E se na infância se brincava de mamãe e filhinha e na vida adulta se tornou mãe, se brincava de lojinha e se tornou empresária, a busca por se tornar a Barbie é eterna. Que mulher a partir dos vinte e poucos anos não comprou um creminho antirrugas, não fez ao menos uma drenagem linfática para eliminar gordurinhas, não investe pesado em roupas, sapato e cabeleireiro? Quem nunca fez uma dieta, ou se matriculou na academia em busca de um corpo esbelto e definido, atrás da cinturinha irreal da boneca? Tem as que foram mais longe e recorreram ao botox, ao silicone, à lipoaspiração e à rinoplastia.

Todas, raras exceções, e às vezes sem total consciência sobre isso, buscam ser Barbies: o ícone da mulher perfeita. Campanhas publicitárias endossam o perfil. Raramente uma foto não passa por Photoshop tirando gordurinhas, eliminado manchas, papas nos olhos e espinhas, afinando coxas. Isso quando, à base de maçãs, alface e, certas vezes, bulimia, as modelos não tentam chegar por si mesmas (e algumas, infelizmente, até morrem de anorexia) no resultado que o editor de imagem consegue.

Em qualquer editorial de moda, a plasticidade das imagens, sem defeito algum, inspira o ideal, o glamour, a beleza incessante e irreal. E mais uma vez, se paga caro pelas roupas e se leva para casa a felicidade em sacolas que logo mais viram a frustração na frente do espelho. A roupa, caríssima, não ficou tão boa em você como na modelo. Claro, a vida, em movimento, não é feita de photoshop e nem de alfinetes.

Mulheres reais tem TPM, choram, ficam ansiosas por uma barra de chocolate ao mês, frequentam bares e inflam suas barrigas com chopp, caipirinha e uma porção de pastéis, enquanto discutem com as amigas suas imperfeições angustiantes e as soluções que viram na coluna de beleza da revista ou o novo tratamento que a dermatologista recomendou. Mulheres reais se decepcionam sim por não terem encontrado seus Bobs ou Kens, porque um dia, quando pequenas, sonharam em tê-los como as Barbies.

Ao perceber que nunca seremos como a boneca, passamos a aceitar também as imperfeições masculinas, quem sabe a barriguinha de chopp, algumas uma carequinha, um dente torto, um cara que ainda esteja correndo atrás de sua carreira e está em busca de ser bem-sucedido, o marido que demora a trocar a lâmpada e a arrumar o chuveiro, o que sai naquele dia para jogar bola quando você queria ir ao cinema.

Mulheres reais acordam cedo e vão à batalha. Colocam saia e salto alto, mas o blazer também. Elas estudam, são pós-graduadas, doutoras, tem Ph.D. São mães e assumem todas as tarefas que isso lhes compete. Cozinham, lavam, passam e trabalham fora. Quando não tem tempo para tudo isso, dividem a conta da empregada com o marido ou moram sozinhas e assumem a própria casa.

Mulheres reais são tantas em uma só que dificilmente caberiam no corpo esbelto da Barbie. Só conseguiriam manter a maquiagem como a da revista se não fossem tão ativas. Teriam cabelos perfeitos se não precisassem, rapidamente, amarrá-los em um rabo de cavalo que lhes desse agilidade de vez em quando.

Mas no mundo atual, em que assumimos papéis tão importantes nas corporações contribuindo para o desenvolvimento e a economia do país, ter a Barbie e as lindas e perfeitas modelos como referência, ainda é um alento para nós, mesmo que distantes de nossa realidade. São elas quem nos lembram de nossa delicadeza e feminilidade.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

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