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Coluna - page 127

Quem protesta sempre alcança

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Se você juntar uma multidão formada apenas por pessoas do nível de Einstein, Gandhi, Miles Davis, Stephen Hawking, Pitágoras, Van Gogh, Isaac Newton, Shakespeare, Mandela, Da Vinci e Edgar Allan Poe, o Q.I. total não vai ser maior que o de uma centopéia. Por isso que eu não costumo acreditar em manifestações populares.

Interprete como manifestação popular qualquer tipo de ação que uma multidão é capaz de fazer quando está reunida: de passeatas a linchamentos. Aliás passeata, seja de direita ou de esquerda, costuma ser uma espécie de linchamento – do bom senso. E ser de esquerda ou de direita é como gostar de Bon Jovi. Depois dos 20 anos de idade, começa a pegar mal.

Em junho, tivemos protestos com vários setores da sociedade tomando as ruas e pedindo um país melhor. Mas como eram vários setores, não havia um objetivo em comum: para uns, um país melhor é mais comunista; para outros, mais consumista – e o resultado final ficou mais parecido mesmo é com a Família Tufão. Nada contra, mas se você sai para a rua com o time do Real Madrid, não espere defender os interesses do Barcelona. E vice-versa.

Confesso que ver toda aquela gente reunida sem saber bem pelo que protestava, mas em busca de um ideal, me provocou uma sensação única: a de vomitar meu pâncreas pela orelha.
Eu vivi a época das Diretas Já e dos Caras Pintadas. Em ambos os casos, o objetivo foi alcançado: o fim da ditadura e o fim dos presidentes que cheiravam pelo orifício errado. Mas ver patricinhas do Iguatemi indo para a rua de mãos dadas com barbudos do MST me faz pensar apenas uma coisa: tá cheio de corno nas mansões por aí.

Manifestantes costumam dizer que estão melhorando o país e que nada vai detê-los em sua luta. Sei lá, eu parei de acreditar em super-herói desde que o Superman foi parar numa cadeira de rodas. Mas tudo bem: se o protesto é pacífico, respeita a liberdade de ir e vir do cidadão e, principalmente, não aumenta o volume do meu saco, eu apóio.

Só que agora surgiu um elemento novo: a violência. Tem gente que justifica que um manifestante possa usar da violência, porque é violentado pela sociedade desde que nasceu. Pois então o Tiririca pode sair esfolando a cara das pessoas, porque ele já é feio desde que nasceu?

Piadas à parte, acho legítimo e importante para a democracia um povo protestar. Mas se não tomarmos cuidados, vamos sair para as ruas toda vez que tivermos uma unha encravada, vamos quebrar vitrines toda vez que brigarmos com nossos parceiros e vamos incendiar pneus toda vez que nossas mamadeiras esfriarem.

O que quero dizer é que um povo pode optar entre formar uma nação de realizadores ou de reinvindicadores. E parece que estamos fazendo a segunda escolha. Aliás, se o Steve Jobs fosse brasileiro, nunca teria criado a Apple. Ele teria ido para as ruas, reivindicando mais design e mais tecnologia.

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 José Luiz Martins. Humorista, publicitário e roteirista. Sócio da empresa Pé da Letra, de criação e produção de conteúdo. © 2014.

Tem muito “fazedor de propaganda” se achando criativo

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Por Agnelo Pacheco

A mesmice na propaganda é resultado de que, de repente, todo mundo se acha criativo em publicidade. E nos últimos anos, nosso mundo publicitário ficou dividido em dois: os “fazedores de propaganda” e os criativos.
Lamentavelmente, os “fazedores de propaganda” já ocupam a maior parte do negócio da propaganda.
O “fazedor de propaganda” acha que aquela primeira ideia que aparece, que muita gente já fez, está excelente. Faz para tirar da frente.
Grande parte da publicidade de revenda de automóveis, com alguma exceção, deve ter sido criada por “fazedores”. Estabeleceram uma regra de que deve ter uma piadinha no comercial de TV de revendedoras automobilísticas e fazem aquela piada sem graça, sem sentido que deve provocar riso apenas em quem escreveu e em quem aprovou.

O cliente paga aqueles 30 segundos caros da TV e, minutos depois, você pode até se lembrar daquela bobagem do comercial, mas não consegue se lembrar da marca de carro anunciada.
Mas não é só nos clientes revendedores de automóveis que os “fazedores” deitam e rolam. Tem fazedor de propaganda em diversas marcas de cerveja e bancos… Já chegaram até a algumas empresas de telefonia. Por que isto vem acontecendo?
Porque o valor de uma ideia ficou de lado.

A chegada da informática e toda a evolução da tecnologia são mais do que bem-vindas. Mas elas trouxeram junto aquilo que eu costumo chamar de “preguicite criativa”: o cara tem que buscar uma ideia, vai ao Image do seu Mac e busca aquilo que chamam de referência. Uma grande maioria não se debruça mais, saindo de uma tela em branco e exercitando a imaginação. Mas eu repito há anos que a imaginação é amiga e amante da criação! E esta história de que falta tempo é a maior besteira que existe.

Quem cria – e ainda existe muita gente fazendo isto –, sabe que aquele calor gostoso da ideia nova, diferente que nasce não leva o tempo imenso que muita gente pensa. Pelo contrário, acho que quanto maior o tempo e mais relaxado o criativo fica, mais difícil fica nascer uma ideia original.

Eu era um criativo começando na Norton, uma agência que tinha 10 filiais, 95 clientes, sem computação gráfica, sem tecnologia, com apenas três profissionais comandados pelo Duílio La Motta e que davam conta de tudo. E era assim nas outras grandes agências. O que aconteceu para que estes departamentos de produção tenham hoje, com todo o avanço tecnológico, dez, quinze e até vinte profissionais? A tecnologia não veio para facilitar? Veio. Mas eu penso que trouxe, junto, a acomodação.

Hoje, são necessários três profissionais para fazer o trabalho de um no passado. Será que no passado aqueles malucos que enfiavam a cara no trabalho eram fanáticos? Penso que não: penso que eles amavam mais o que faziam do que a maioria que faz hoje.
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Agnelo Pacheco é publicitário, começou a carreira no início da década de 1970, montou a própria agência em 1985 e conquistou, entre outros, os prêmios Clio Awards de New York , Leão de Ouro do Festival de Cannes e foi eleito o Publicitário do Ano pelo Prêmio Colunistas. Ao longo de sua carreira,  construiu inúmeros conceitos para seus clientes que fizeram e fazem história na propaganda brasileira, dentre eles: “Banespa. O Banco de um novo tempo”; “Tomou Doril. A dor sumiu”; “É Mash que eu gosto”; “Banco para quem gosta de banco” e “Caixa para quem gosta de Caixa”, entre outros. Também desenvolve diversos trabalhos voltados ao terceiro setor, como: “Vacinação infantil – Zé

João Coca – O zagueiro artilheiro

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Gui

João Coca – O zagueiro artilheiro

João Coca, como foi dito na coluna passada, era um zagueiro viril, desses que limpa a área com um carrinho só. Mas o seu porte físico não era a única que arma que tinha. Dono de um chute forte que fazia mais estrago que os mísseis Scuds.

Sua fama corria pelos campos do interior. Em todas preleções, os treinadores adversários suplicavam aos jogadores do meio de campo para não cometerem faltas na intermediária. Diziam que com o João em campo, era melhor cometer um pênalti, do que fazer uma falta.

Certa vez, o Nacional enfrentou um time que estava muito feliz com o 0x0. Jogava numa retranca de dar inveja ao Celso Roth. Os zagueiros jogavam na linha da pequena área, os volantes não passavam da marca da meia lua da grande área. O time jogava tão fechado, que o centroavante entrou em depressão por causa de solidão.

Desesperado com a dificuldade de entrar na defesa do time adversário, o treinador do Nacional colocou em campo Saci, um ponta rápido, driblador e atrevido e deu a ordem:

– Parte pra cima e arruma uma falta na intermediária pro Coca bater.

Ao ver a substituição, o colega do time adversário gritou para o seu time:

– Marca no olho, não faz falta, não faz falta.

Mas não teve jeito, aos 46 da etapa complementar, último lance do jogo, Saci parte pra cima com a bola dominada e é derrubado. A torcida da casa comemora como se fosse gol e com entusiasmo, solta o grito: Eu sei que ele pipoca! Solta a bomba João Coca! Eu sei que ele pipoca! Solta a bomba João Coca!

João sorria de orelha a orelha e com o caminhar de um urubu malandro, ia em direção a bola.

O ritual era o mesmo: pisava na grama, mirava o gol com o olho bom, beijava a bola e a colocava com o bico virado para a meta, afastava dez passos largos e esperava o apitador de latinha autorizar a batida.

Prííííííí.

João corre e solta a perna.

A bola passa raspando a gaveta esquerda do goleiro adversário, que nem se mexe. De tão rente que passou a bola, chegou a balançar a rede pelo lado de fora. Mas o homem de preto, já cansado de apitar jogos do João, nem espera pra ver onde a bola vai, corre para o meio de campo e, precipitadamente, dá o gol.

Ao ouvir o apito de confirmação do gol, todo mundo corre.

Os jogadores do Nacional, em direção ao Coca, que corre em direção à torcida, pra onde aponta para uma de suas 3 namoradas fazendo o sinal de coração.

Os adversários, correm em direção ao polêmico árbitro, conhecido pela sua teimosia e soberba. Ameaçam agressão, levantam o dedo, xingam com as mãos para trás, se viram para a torcida, incrédulos do que está acontecendo.

Até que, com os ânimos mais calmos, ele chama o goleiro no meio do bolo de jogadores e pergunta:

– Se fosse no gol, você chegava?

– Não. Respondeu o goleiro, com toda a sinceridade.

– Então é gol.

 Prííí, prííí, prííííííí!!!

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Guilherme Lemos. Mineiro, marido, dono da Berê, cruzeirense, publicitário e fã de futebol. Mais ou menos nessa ordem. Estudante do 2º período da UFSH – Universidade Federal dos Surfistas do Havaí.

Fim do casamento

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Alex

Fim do casamento

Porque um casamento de muitos anos chega ao fim?

Conheço vários “casamentos fachadas”, onde o casal vive dentro da mesma casa, porém não exercem mais o papel de marido e mulher.

Nos últimos tempos, fui convidado duas vezes para ser testemunha do laço matrimonial. Vi o amor pairar sobre a cabeça dos noivos. Sim, naquele momento solene tinha muito amor, os olhos brilhavam, sorriso de ponta a ponta das orelhas. Realmente uma coisa linda de se ver e admirar. Hoje estão felizes, juram amor eterno, fidelidade até o fim da vida, e depois das bodas de prata, será a mesma coisa?

Numa dessas festas de casamento tive a oportunidade de conhecer um homem de 51 anos, casado há 27 e que hoje vive um casamento de fachada. Há 2 anos ele e a mulher nem se falam direito.

Me interessei e quis entender o por que de tudo isso.

Tudo começou pela falta de parceria da parte dela durante os longos anos. Ela nunca foi a nenhum lugar que ele gosta, sempre criticou e desconfiou quando ele saia com os amigos. E mesmo ele convidando, ela nunca quis ir.

Ele contou que até hoje ama a sua esposa, mas ela não sente o mesmo por ele, pois há mais de 3 anos eles não fazem sexo, até dormem na mesma cama, mas não trocam nenhuma carícia. Ele tentou várias vezes e ela sempre fugia, dizendo que não tem mais idade para isso, que é melhor ele ficar com os amigos, etc…

Ele me revelou uma coisa que até me deixou chocado: os dois estavam assistindo a um filme de luta e durante o filme tinha uma cena de sexo, ela se irritou por ele ver a cena e reclamou muito disso. Ele alegou que fazia parte do roteiro, que não sentia nada vendo aquilo, mas ela simplesmente saiu da sala e foi dormir #magoada.

Com o tempo, o seu desejo de homem aumentou, ele não queria trair a esposa, pois que jurou fidelidade no altar. Ele me disse que quando se casou queria viver com muito amor, paz e sexo, mas isso acabou, já tentou muitas vezes reconquistar a esposa, mas foi em vão.

Não aguentando mais o tesão acumulado, caiu na tentação e hoje vive um relacionamento fora do casamento.

Faz menos de um ano que ele tem relações com outra mulher e contou que a atual já fez mais coisas na cama do que a própria esposa fez em 27 anos de casamento. E ainda me disse que muitas vezes pediu para a esposa usar uma roupa mais sensual, porém ela achava vulgar e nunca fez uma surpresa ou algo mais ousado na cama, sempre era a mesma coisa.

O mais triste de tudo é que conheço muitos casos iguais a esse, onde ambos estão insatisfeitos com a relação, mas não querem a separação por medo da polêmica que causará na família ou por acharem que os filhos irão sofrer com a situação, enfim, só acho que manter um casamento de fachada é desperdiçar o seu próprio tempo.

A minha dica é bem simples: continue seduzindo o seu parceiro, procure novas formas de prazer na cama, novos tipos de lazer e um novo jeito de provar todos os dias seu amor. É claro que tudo isso precisa ser correspondido, se não for, procure sua felicidade em outro lugar, mas sem trair a pessoa que você construiu uma família.

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Alexsander Brunello. Editor-chefe do The São Paulo Times. É redator publicitário e atualiza a sua coluna Dicas & Pepitas todas as quintas-feiras. © 2014.

COMO PÉROLAS

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Camila

COMO PÉROLAS

Hoje acordei completamente sem voz. E isso me remeteu ao início da década de 80, quando eu tinha uns quatro ou cinco anos. Lembro que um dia eu acordei e fiquei muda. Minha mãe me perguntava algo e eu só fazia que sim ou não com a cabeça. Até que ela perguntou o porquê daquilo e eu respondi, rapidinho: “É pra não acabar a minha pilha”! Lembro de tentar adivinhar onde trocava a minha pilha, e não achar o lugar, de pensar que tinha que durar a vida toda. Aí minha mãe comentou: “Você não é de pilha como a boneca, pode falar à vontade”!

Danou-se! Falo demais até hoje. Meus parentes e amigos que o digam! Tive a manha de conhecer uma grande amiga na fila do check-in, indo para Santiago, por isso. Bem, porque ela, como eu, fala pouco também!

Mas me pus a refletir sobre isso: como pensamos realmente apenas de acordo com o que temos conhecimento, como restringimos nossa visão desde cedo e sempre se não nos treinarmos a nos abrirmos para o mundo. Na minha visão infantil, se a minha boneca precisava de pilha para falar, a “boneca” da minha mãe também. E se ela, como fator externo, não tivesse me dito, teria vivido sei lá quanto tempo – de horas a dias, angustiada (certamente), medindo palavras, emudecida.

Por isso é tão importante sairmos de dentro da concha e nos tornarmos pérolas. Por isso também, é bom não acreditarmos nas nossas verdades como sendo únicas. Conhecer o mundo lá fora nos dá um valor interno e externo imensurável. Nos mostra, mais do que somos, em quem podemos nos tornar. Nos amplia, nos cresce, nos enobrece. E o ideal é não nos envaidecermos pela gama de informações que temos ou adquirimos, nem as transformá-las em grandes tesouros ou cartas na manga para parecermos superiores aos outros. O ideal, na verdade, é internalizá-las, digeri-las, realmente consumi-las e fazer com que nos tornemos pessoas melhores, não só para o mundo, mas, principalmente, para nós mesmos.

Ainda estou sem voz, e hoje o ensinamento para mim, que “falo pouco”, é grande: o convívio com o silêncio forçado, não aquele que se deseja, mas o que se impõe. E as palavras vêm, são escritas, emolduradas em textos sobre a ausência do meu próprio som. E ouço assim o mundo de outra forma, sem pilhas, sem estar pilhada. Um ensinamento discreto como a pérola, que depois de sair da concha e ser tratada, dá seu toque e adorna com elegância, pessoas e mentes brilhantes nas melhores ocasiões.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

Crômicas: Uma aventura no Rio

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CarlosCastelo

Uma aventura no Rio.

A ideia surgiu numa recente viagem à Cidade Maravilhosa. Eu estava num táxi, de frente para a orla carioca, numa linda manhã de verão. O mar calmo e o trânsito nervoso de Copacabana eram muito propícios a divagações.

Foi quando vi, numa rua lateral, a agência de turismo.

Com uma placa escrita no idioma bretão, a empresa prometia trekking na Mata Atlântica, expedições à praia de Grumari, sobrevoos de asa delta saindo da Pedra da Gávea e outras “aventuras”.

Acho que agora, com a Copa, o Rio será o destino turístico mais procurado do mundo. Por isso mesmo deve repensar seus programas na área do entretenimento de massa. Especialmente o turismo de aventura. Imagino que o gringo ficaria bem mais excitado se recebesse, em seu país de origem, um prospecto assim:

RIO ADVENTURE TRAVEL

Dia 1: Chegada no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim. Alojamento na favela do Complexo do Alemão em barracos duplos. Welcome drink (cachaça Pitu e caldinho de mocotó). Noite livre.

Dia 2: Café da manhã na boca-de-fumo. Em seguida, briefing sobre o uso de rifles militares com o Dono do Morro. Sessão de tiro em alvos móveis vivos. Almoço numa tendinha. Tarde livre. Opcional noturno: participação de um pequeno grupo no assalto de um automóvel, à mão armada, na Barra da Tijuca.

Opção para a madrugada: ida a um baile funk e entrada num “trenzinho” (preservativos e KY Gel não incluídos).

Dia 3: Haja emoção! Pela manhã aula de artesanato com o professor Cramulhão: aprenderemos as técnicas de embalar papelote e dobrar trouxinha. Almoço em aberto. Ao anoitecer tomaremos parte de um tiroteio com o BOPE.

Algumas horas depois, os sobreviventes serão presos pelos soldados. Haverá então colheita de impressões digitais num autêntico distrito carioca, humilhações e sessão de pancadas com listas telefônicas nos participantes. Após o aceite da propina, nosso grupo será liberado.

Dias 4, 5 e 6: O grande momento do tour! Na manhã do primeiro dia, seremos surpreendidos em nossos aposentos na favela. Amordaçados e vendados, teremos o privilégio de conhecer toda a adrenalina do sequestro à brasileira.

Durante duas noites ficaremos em cativeiro, somente a pão e água.

Para os mais aventureiros, ofereceremos uma opção radical. Sequestro Extended, com três noites extra de cativeiro e espancamentos de hora em hora.

Dia 7: Em nosso último dia em solo carioca, com apoio de uma Facção (a combinar), roubaremos um bimotor na pista do Aeroclube da Gávea e voaremos até Assunción. No Paraguai, embarque e conexão para os destinos de cada um na Europa e Estados Unidos.

Fim dos nossos serviços.

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Carlos Castelo. Escritor, letrista, redator de propaganda e um dos criadores do grupo de humor musical Língua de Trapo. © 2014.

Stand Up Crônicas: Bate a bunda no vapor

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ze

Stand Up Crônicas: Bate a bunda no vapor

São Paulo já foi conhecido como terra da garoa. Mas com o calor que tem feito nas últimas semanas, só cai garoa em cima da gente quando alguém chacoalha o cabelo suado.

O mais insuportável desse verão extremo não é o calor em si, mas as reclamações do pessoal no Facebook. Até então, eu achava que as indiretinhas para amigas e namorados eram o pior estágio que um post poderia atingir. Mas é impressionante o nível de chatice que um ser humano pode chegar quando a temperatura passa dos 30o C.

E pode anotar o nome das pessoas: são exatamente as mesmas que vão reclamar do inverno daqui uns meses. Aliás, o paulistano sempre reclamou que São Paulo tinha 4 estações no mesmo dia. Agora que tem só uma, continua reclamando.

Eu até entendo o pessoal reclamar tanto do calor. Está demais mesmo. Dia desses, vi uma baiana vendendo acarajé na rua, só de biquini. Algumas horas depois, soltei um peido numa reunião. Todos na sala agradeceram, porque deu uma refrescada.

Eu ouvi dizer que este é o verão mais quente dos últimos 71 anos. Ou seja, não faz tanto calor desde quando a Dercy Gonçalves tinha 36 anos. PQP, como faz tempo. Ouvi também que a culpa é do aquecimento global. Pode ser, mas acho que o aumento do número de cachimbos acesos na cracolândia também deu sua contribuição para elevar a temperatura da cidade.

Por outro lado, tem gente que adora o verão. Vá lá, tem mais decotes, mais coxas, mais pernas à mostra. Mas também tem mais axé music, mais pernilongos e mais cecê. Aliás, o verão é a estação mais democrática do ano, em que a Gisele Bundchen fica tão cecezuda quanto uma tia gorda cuidando da churrasqueira.

Outra vantagem da estação dos infernos é o horário de verão. Durante três meses, temos sol até quase oito da noite. É uma hora a mais para curtir o dia, fazer uma caminhada no parque ou tomar uma cervejinha. Mas nós, paulistanos, acabamos usando esse tempo para trabalhar mesmo.

Agora, quem ganha com o calor são os papos de elevador. Com esse clima, as viagens entre o 1o e o 20o andar nunca são silenciosas. Completos desconhecidos comentam que passaram a madrugada virando para lá e para cá na cama, sem roupa e ensopados de suor. Depois saem com caras de sérios, como se merecessem algum respeito depois de falarem todas essas coisas.

Mas o que fica mesmo aquecido nesse calor é o mercado de piadas ruins. Até cachorro na bunda sua. As galinhas já estão botando ovo cozido. Fui beber água no bebedouro e saiu vapor. Parece que o mundo, de uma hora para a outra, se transformou num enorme Zorra Total. Só há uma explicação: todo esse calor acabou derretendo alguns cérebros.

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 José Luiz Martins. Humorista, publicitário e roteirista. Sócio da empresa Pé da Letra, de criação e produção de conteúdo.
© 2014.

Dias melhores virão

em Coluna por

Camila

Dias melhores virão

Já assistiu a um vídeo em que a Coca-Cola, sem dizer que era a marca de refrigerante, lançou uma campanha sobre as pílulas mágicas para emagrecer? A companhia fez um anúncio no jornal dizendo que daria o remédio para as 50 primeiras pessoas que ligassem. Selecionou três, entrou em contato com os familiares deles e, no dia de buscarem a encomenda, claro que também “por encomenda”, tudo deu errado. O carro não pegou, o cachorro correu atrás, uma velhinha pediu ajuda para subir num prédio sem elevador, uma moça bonita derrubou suas compras e obrigou o gordinho a fazer agachamento. A vontade era tanta, que, ainda assim, todos chegaram ao destino e receberam, na caixinha, um iPod com as imagens do seu dia, mostrando que mais atividade física e menos sedentarismo os faria chegar ao objetivo.

Aposto que no meio do caminho, algum deles chegou a pensar na palavra “boicote”, em azar, em “hoje eu não devia ter levantado da cama”, ou, “que diazinho”, tomara que acabe logo. Aí, no final, percebendo que realmente o “boicote” existia e que, na verdade, não era um boicote, mas um incentivo, passaram a enxergar, pelo menos naquele dia, as coisas diferentes.

Lembrei de uma vez em que estava insatisfeita, querendo vida nova e ia emendar, no fim do dia, uma entrevista de emprego. Saí correndo, agitada, um pouco tensa com as perspectivas de mudança. Na época, parava meu carro na rua, próximo a uma praça. Claro que, no meio da correria, no último passo antes de entrar no carro eu pisei onde? Num cocô de cachorro, por que não? Lembro que o primeiro pensamento, aquele do piloto automático foi: “Não acredito!” Como vou com o sapato sujo e fedido para uma entrevista? Limpei na grama como deu, entrei no carro e fui.

No trânsito, a caminho, lembrei da época em que fazia teatro, na adolescência. Foi lá que eu aprendi o porquê os atores desejam “muita merda” antes de começarem uma peça. Diz a lenda que, antes do surgimento dos automóveis, as pessoas iam de charrete para os teatros. Seus cocheiros continuavam do lado de fora, esperando o espetáculo acabar. Ao término, quando todos iam embora, o que sobrava na rua, onde os cavalos ficavam era o cocô deles, que ficaram por horas ali. Assim, quanto mais se tinha, maior o público e mais sucesso o espetáculo tinha feito. Pensei naquilo como um sinal de sorte. E, sendo ou não, a confiança que me deu, naquele momento, (depois do nervosismo), rendeu a vaga de emprego.

Tem também a história de um casal de primos que se conheceu quando bateu o carro um no do outro (não me perguntem se foi a mulher ou homem que bateu, que eu não sei responder). Tem a da filha que, com a mãe doente, foi levá-la ao médico e na recepção conheceu o marido, que também estava acompanhando a mama ao consultório. Tem a menina que foi ao bar pra conversar com a amiga sobre a triste história do fim de seu namoro e conheceu o noivo na mesa ao lado.

Estão aí situações e formas diferentes de se olhar para o mundo. Quando tudo parece estar errado, pode ser que, na verdade, esteja se encaminhando para o rumo certo. Por isso, vale a pena respirar fundo e, a cada vez que se perceber irritado com isso ou aquilo, lembrar que, pode ser só um mau momento, mas pode também ser o melhor dia para a grande mudança da sua vida.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

O dono da área – João Coca

em Coluna por

Gui

O dono da área – João Coca

Este é mais um causo venéreo, me contado por um dos protagonistas. Mais um artista do futebol.

Pela primeira vez em muitos anos, o Nacional não tinha um começo de torneio tão promissor. 4 vitórias e 1 empate. 15 gols a favor e 4 contra. Melhor defesa, melhor ataque e o artilheiro do campeonato.

Os jogadores andavam pela cidade como verdadeiras celebridades, eram recebidos com palmas, abraços e fotos. Estavam dando mais autógrafos que atores de Hollywood em dia de premier.

Chegou o sexto e mais uma vitória tranquila, 4×1 e mais dois gols do camisa 9, Dé. Agora, mais artilheiro do que nunca.

Animado com a fase, o jogador saiu para comemorar moderadamente à noite, até porque a grana não era lá essas coisas. Sentou em um bar na praça principal da cidade, escolheu uma mesa discreta e pediu uma cerveja.

Logo depois, por coincidência (mais ou menos, porque a cidade também não tem tantos lugares assim, né?), chegou o companheiro de time e zagueiro, João Coca.

João Coca é um zagueiro, 1,88 m, 90kg, joga pelo lado direito do campo, forte no jogo aéreo e no chão, mais precisamente em deixar os atacantes no chão. Mas a sua especialidade, como ele mesmo diz, é marcar os atacantes no olho. Basta um olhar que o atacante resolve cair pelo outro lado. Vigoroso e intimidador em campo, o Coca é um lorde fora dele.

O zagueiro avista o centroavante, quase que escondido no lado esquerdo do bar, abre um grande sorriso, que mais parece um teclado de piano, se aproxima e junta-se ao colega.

O papo corre animado e as 3 cervejas que Dé pretendia tomar, viraram 6, depois 9 e sem perspectiva de parar em 12. João se animou mais ainda e começou a pedir tira-gostos. Primeiro um torresmo com linguiça, depois uma carne de panela com pão. O centroavante, sempre comedido, ainda mais com o seu dinheiro, começou a ficar preocupado com a conta e ao ver que o camisa 4 não iria parar de pedir, chamou-lhe a atenção:

– João, essa conta vai sair cara, não tô com grana pra isso. Ainda não recebi o bicho da vitória e tenho que pagar a prestação do carro novo, que é usado, mas é que novo pra mim.

– Calma Dé, pode deixar que essa eu resolvo – batendo a mão no peito, com a autoridade de um camisa 10 – vamos sair sem pagar nada.

O zagueiro levanta os braços, como se tivesse apontando um impedimento, e chama o dono do bar.

– Seu Carlos, é o seguinte, quero fazer uma aposta com o senhor.

Resistente e sabendo que lá vinha fria, o dono do bar logo foi recusando…

– João, quero saber de aposta não, vocês querem mais alguma coisa ou querem pagar a conta?

– Pera, Seu Carlos, escuta pelo menos… o negócio é o seguinte, o dobro ou nada. Se a gente perder a gente paga o dobro da conta, se ganhar, não paga nada.

Nessa hora João sofreu uma falta debaixo da mesa, com medo de ter que pagar mais do que tinha, Dé acertou lhe um chute na canela, como se quisesse parar a jogada.

E João continuou:

–  O negócio é o seguinte, eu aposto que consigo morder o meu olho.

Intrigado com cena que tentava imaginar, o dono do bar não resistiu e apostou.

O bar inteiro se reuniu em volta da mesa, todo mundo querendo ver a mágica do Coca.

–  Com um sorriso maroto, João surpreende a todos, até ao seu companheiro de time, quando tira o olho esquerdo, que era de vidro, e dá uma dentada nele.

Incrédulo, o dono do bar primeiro se revolta, fala que não pode aceitar, que vai cobrar a conta, que isso foi enganado… mas leva uma vaia maior do que juiz ladrão e acaba aceitando.

Dé se levanta e abraça o zagueiro como se estivesse comemorando um gol. Aproveita que está em pé e no lucro, junta as suas coisas (chaves, carteiras e celulares – todo jogador tem mais de um) e se despede do amigo. Mas João ainda não pediu a saideira e convence o centroavante a ficar para tomar mais uma, por sua conta.

Essa uma, viram duas, três e quando se assusta, Dé já está com mais 6 garrafas de cerveja e duas porções na mesa novamente.

– João, vamos embora, está ficando caro de novo, não vou ter dinheiro pra isso não.

– Calma Jogador, vou ganhar essas também.

Após beber e comer tudo que tinha direito, João Coca novamente acena para o dono do bar que, com raiva, já chega neles com a nova conta em mãos.

– Seu Carlos, vou te dar uma nova chance de recuperar o que perdeu. Vamos apostar de novo. Se eu ganhar não pago essa conta de novo, se eu perder, pago as duas.

Seu Carlos, mais vacinado que gato escaldado, não queria nem saber. Mas antes que saísse de perto, escutou a nova proposta de João.

– Eu aposto que mordo o meu outro olho.

O dono do bar parou na mesma hora e pensou: impossível esse cara ter dois olhos de vidro. Como que ele joga bola? Ele voltou, encarou o Coca nos olhos, o bom e o de vidro, como se o examinasse. E mais certo que oftalmologista que o olho direito era verdadeiro e perfeito, aceitou a proposta.

O bar inteiro se reuniu novamente, seu Carlos pediu silêncio. Dé, o centroavante, não sabia o que estava por vir, mas confiou no amigo tão quanto confiava nele em campo.

João Coca se prepara, coça o olho bom. Olha para o Seu Carlos e aponta como se quisesse falar: é nesse, né? E sorri mostrando todos os seus dentes, brancos como um teclado.

Ele coloca a mão na boca, tira os dentes, ou melhor a dentadura de cima e embaixo, e a leva até o olho, fazendo o movimento de mordida.

– Tá mordido, Seu Carlos. Agora a saideira, por favor.

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Guilherme Lemos. Mineiro, marido, dono da Berê, cruzeirense, publicitário e fã de futebol. Mais ou menos nessa ordem. Ah, eu ainda aprendo a surfar. © 2014.

Quem paga a conta?

em Coluna por

Alex

Quem paga a conta? 

Quem senta na ponta, paga a conta!

Até hoje esse ditado popular é muito usado entre os amigos que se encontram nos bares. Mas  e quando você sai em casal? E senta de frente para o outro ou do lado? Quem deve pagar a conta?

Algumas mulheres responderiam: o homem, é claro!

Concordo…até a página dois.

Já que essa coluna é direcionada aos casais, vou pular a primeira página, que o homem deve ser cavalheiro nos primeiros encontros e não deixar a mulher abrir a carteira.

Indo direto para segunda página do relacionamento, onde a mulher já está saindo um tempo com o cara, ou topou encarar um namoro sério, continue achando que é obrigação do homem pagar todas as contas.

Sim! Ainda existem mulheres que mesmo sendo independentes financeiramente, acham um absurdo e até se sentem ofendidas se precisarem dividir a conta, ou pagá-la por inteiro.

Conversei com alguns homens e infelizmente muitos já tiveram relacionamentos em que só ele pagava a conta. Um dos casos era tão ridículo que quando eles precisavam comprar algo, a mulher dava uns passos para o lado, disfarçava e nem cogitava a ideia de dividir ou pagar o valor do produto/serviço que seria de uso próprio dos dois.

Abaixo a opinião de alguns homens sobre o assunto.

F.F – 29 anos – 3 ano e meio de namoro. “Na maioria das vezes eu não deixo ela pagar. Porém quando ela toma atitude e divide, ganha muitos pontos comigo”.

A.D – 31 anos – 4 anos de namoro. “Acho que esse negócio do homem sempre pagar tudo é coisa do passado, quem ama mesmo ajuda em todos os momentos. Eu não posso reclamar, a minha namorada é parceira”.

M.C – 32 anos – 4 anos e 8 meses de namoro. “Nunca tive a sorte de encontrar uma namorada que pagasse ou ajudasse nas contas, mas adoraria um dia não tirar a carteira do bolso”.

P.R – 27 anos – 2 anos de namoro. “Minha namorada divide e paga tudo sem reclamar, mas na hora do motel, ela acha que é obrigação do homem”.

B.W – 38 anos –  7 anos de casado. “Minha esposa colabora bastante, tanto em casa, quanto nos lugares que vamos, mas sempre pago mais do que 60% das contas. Detalhe: ela ganha o mesmo que eu”.

Muitos homens sabem que a mulher tem um gasto mensal com lingeries (nem todas), unha, cabelo, kit de maquiagem, vestidos, sapatos, entre outros acessórios. Mas os homens também gastam com novas tecnologias, futebol, bebidas, roupas, entre outras coisas que parecem fúteis para o mundo feminino.

Se você ainda faz parte das mulheres que sentem seus princípios desvalorizados por ter que pagar a conta, lembre-se: numa relação, os passeios, jantares, motéis (inclusive motel), entre outros entretenimentos devem ser dividido por igual. Afinal, os dois estão se divertindo e aproveitando o momento juntos.

Dica:

Dividir ou pagar a conta pode fazer o dinheiro economizado por ele se transformar num presentinho para você.

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Alexsander Brunello. Editor-chefe do The São Paulo Times. É redator publicitário e atualiza a sua coluna Dicas & Pepitas todas as quintas-feiras. © 2014.

Número 37

em Coluna por

Camila

Número 37

Embora pequeno, um fato cotidiano marcou minha adolescência: lembro de quando ganhei meu primeiro tênis de marca. Na época, isso significava muito. Se eu não me engano, era um Nike Air Max branco, rosa e roxo com amortecedor e outras firulas.

Nessa época, mais do que um tênis, aquilo era status. Fazia me sentir bem por onde andava. E por isso mesmo, não queria, de forma alguma, que ele acabasse. Ainda tinha a memória infantil de ganhar roupas e sapatos e perdê-los logo porque crescemos. Por isso, arrumei uma solução: quando estava na loja, insisti em comprar um tênis dois números maior que o meu: um 37.

“Sim, ele me serve, mãe, fica superconfortável assim!”. Consegui. Levei! Foi a única vez que calcei 37. Meu número continua sendo 35 desde então. Eu devia parecer um “L”, mas acreditava que estava ótimo!

Aí, pensando nisso, parei pra refletir como a gente, às vezes, se esforça pra calçar 37 quando o nosso número é 35. Seja na relação de amizade com uma pessoa que nos traz boas lembranças de quando éramos pequenos, em um emprego ou em um relacionamento amoroso. Meu Deus, pensando assim, quantas vezes na vida calçamos 37!

Você já deve ter passado por uma situação parecida. Quando se depara, já uma pessoa adulta, com amigos, que antes eram tão próximos, e agora já não tem mais a ver. A gente se esforça, quer manter aquela sensação boa da infância, mas não rola.

No trabalho, quantas pessoas insistem, por anos a fio, em se manter numa empresa em que não se sintam bem, que não se realizem e até não sejam bem remunerados, em nome do status da companhia no seu currículo. Quando passar, sim, o nome estará lá, talvez trazendo uma oportunidade melhor de carreira, talvez, não. A única certeza é a do tempo gasto ali, sem ser feliz.

E no amor, ai no amor… quantas histórias já foram contadas a respeito! Quantas vezes insistimos em situações e relacionamentos que, no fundo, sabemos que não irão para frente! A gente assume aquilo, vai adiante, às vezes passa por cima de valores, sonhos e realizações, acreditando que estamos fazendo o melhor pelo outro e por nós. Mais um número 37 – desta vez, compartilhado com outra pessoa que acreditávamos tanto amar.

Todo mundo já teve um número 37. E eles chegam com promessas maravilhosas, por isso os deixamos entrar em nossas vidas. Ok, isso acontece, portanto, relaxe! O que é preciso entender é a hora de reconhecer que este não é o seu número e buscar o que foi feito sob medida para você. Abra sua sapateira, vá a outras lojas, busque novos lugares e pessoas. Certamente, um dia, o seu número estará à sua espera!

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

Crômicas: Zana se foi

em Coluna por
CarlosCastelo

ZANA SE FOI

A rata Zana morreu. Meu filho foi o contemplado num sorteio da escola e a trouxe para casa numa caixinha de papelão. No começo se encantou por ela. O tempo foi passando, a paixão cedeu e sobrou pra mim e pra esposa.Semanas depois a esposa ficou grávida, não era recomendável tocar nesse tipo de animal em estado interessante, e sobrou pra mim.

Confesso não ter gostado de, todo dia, ter de lhe dar comida, trocar a água e colocar objetos que ela pudesse roer. Além disso era preciso trocar a palha da gaiola e colocar um pozinho-banho regularmente.

Inicialmente fazia as tarefas sem se sequer olhar pra ela. Mas depois comecei a perceber que, quando eu entrava em seu ambiente, Zana ficava de pé e esfregava as patinhas. Parecia feliz ao me ver.

Depois de alguns meses reagia do mesmo modo, mas só ouvindo minha voz. Começamos a conversar. Ela sempre muito calada, mas eu comecei até a fazer desabafos. Os vizinhos deviam achar que eu era catatônico. Era entrar na área de serviço e já começava a parlamentar com a roedora em voz alta.

Zana acabou tornando-se uma espécie de Carlos Castelo em forma de esquilo da Mongólia. E eu, uma espécie de Zana humano.

Espero que não me tomem por um abjeto zoófilo, mas não tenho vergonha de dizer que ela me conquistou.

Neste fim de semana deixei-a agonizante na gaiola e viajei pro Nordeste. Ficava toda hora no whatsapp perguntando à minha mulher se ela tinha apresentado alguma melhora. Mas ela não se recuperou.

Hoje vi a gaiola vazia e tive de pensar no ministro Mantega pelado pra não me emocionar na frente de minha filha.

É a prova de que o amor é tudo. Até quando você se afeiçoa por uma rata qualquer.

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Carlos Castelo. Escritor, letrista, redator de propaganda e um dos criadores do grupo de humor musical Língua de Trapo. © 2013.
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