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Coluna - page 3

Aparece lá em casa

em Monocotidiano/News & Trends por

Quando abriu o WhatsApp viu a mensagem: “E aí? Vão fazer alguma coisa no sábado? Vamos comer alguma coisa em casa?”

Era a quarta ou quinta vez que eles eram convidados para encontrar com os amigos.

E a quarta ou quinta vez que não dava certo.

Pior que agora o amigo já sabia que ele tinha visto a mensagem por causa do maldito tique azul.

Não tinha como fugir.

O mínimo que uma pessoa bem educada faria era responder.

Tomou coragem e decidiu aceitar o convite.

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Quando se deixa de ser criança

em Cássio Zanatta/News & Trends por

A gente deixa de ser criança quando não acha mais espirro engraçado. Nem homem careca (às vezes até vira um). Quando pensa que é a coisa mais normal do mundo a estátua do Cristo estar lá em cima da montanha e que passear no Bondinho é programa de turista. Deixa-se de ser criança por muito pouco.

A criança desaparece – plim – quando os olhos espiam um gramado e não sentem uma vontade incontrolável de procurar tatu bolinha. Quando passa a classificar hamburguer como comida, e não algo divertidíssimo que, se a gente apertar aqui, sai um molho ali, uma alface acolá, até saciar o desejo de sujar todos os dedos das mãos e o redor da boca num tanto que não há guardanapo que dê jeito.

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Debate

em Monocotidiano/News & Trends por

O menino chegou na sala louco pra assistir um desenho antes de dormir. Mas a televisão estava ocupada por senhores de gravata e o sofá ocupado por um senhor de pijamas. Nada feito.

    • Pai, o que você tá assistindo?
    • Chama debate, filho.
    • O que é?
    • São várias pessoas que querem ser presidente.
    • O que é presidente?

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25

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Foi num 12 de outubro. Como era Dia das Crianças, fomos ao cinema ver Pinóquio. Prometemos encher o que um dia seria nossa casa de relógios cuco, nunca deixar o nariz crescer e evitar o estômago de baleias. Dois anos depois estávamos juntos, num dia 2 como hoje. Bodas da cor que vão tomando os cabelos. Muita gente dizendo “nossa, coisa rara, hoje em dia” e o tom não parece muito ser de aprovação. Por isso, todos os buquês e olhares e cuidados parecem pouco. Jantar marcado no restaurante, estamos nos arrumando, dividindo o espelho do banheiro.

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Preciso

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Preciso ir a São José. O tempo aqui é muito apressado. Se eu tivesse ido mais vezes, teria agora 42 anos, no máximo. Longe de São José a vida é atropelo.

Preciso ir porque o céu daqui quase não tem estrela e, quando a Lua cheia nasce, não acorda os galos que cantam, pensando estar nascendo o dia. Porque foi aniversário da madrinha Rosa e eu não pude ir. Porque preciso deixar flores para os meus pais e contar a eles como vão os netos e que aprendi a passar café.

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Sobre a ponte

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Oi, ponte. Olha eu aqui de volta.

Pronto. Agora o sujeito deu para falar com pontes. Não bastasse inventar conversa com passarinho, como se falasse com o pai, agora essa.

Deve ser a emoção de estar aqui de novo. Em 91, bati o recorde mundial de ficar olhando o mundo por esta ponte. Era de noite e fazia um frio do capeta, o que é uma péssima e inadequada imagem. Mesmo assim, encontrei um canto protegido do vento e fiquei horas espiando, pensando na vida.

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No céu não tem facebook

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Certo, é um pensamento besta. Se a gente for mais besta e se embrenhar no assunto, imagina que essas modernidades não devem impressionar muito o povo de lá. Para quem tem a eternidade pela frente, algo de novo é assunto por 300, 500 anos e todos ainda estão maravilhados com a descoberta do avião. E como será que o pessoal faz para aproveitar o tempo? Se para a gente alguns domingos de chuva demoram a passar, imagina ter todo o tempo do mundo. Se ficam a conversar, que tanto assunto eles têm? Há livros no céu? Baralho? Cinema, a obra completa de Victor Hugo, Programa Silvio Santos, War?

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Mas, pai…

em Monocotidiano/News & Trends por

O menino já estava pra dormir. Deitou na cama, tomou o leite quentinho, se cobriu com o cobertor e ficou assistindo a um desenho.

O pai alertou da porta.

– Fecha os olhos, fica ouvindo o desenho pra dormir.

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Bem que vocês tentaram

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Dó que eu tenho do ônibus que se esforça em ser desagradável. Faz o possível, se esmera no barulho, na cadeira quebrada, no solavanco em cada troca de marcha, até faz entrar um cidadão que vende aos berros umas capinhas para celular bem mixurucas . Passa no vermelho e quase atropela o cidadão ali que cometia (o sonso) a imprudência de atravessar na faixa de pedestre.

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No bar

em Monocotidiano/News & Trends por

Fazia tempo que não ia naquele bar.

Aproveitou a sexta-feira sem a mulher os filhos e parou.

A entrada estava diferente, era necessário pegar uma comanda, o tapete foi trocado, mas de resto era o mesmo bar de sempre.

Sentou no balcão, onde gostava e ficar pra beber alguma coisa e ouvir a conversa do lado.

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A Terra do Se

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Fica lá, logo depois de Patos de Minas, e agora estou na dúvida se segue pelo Estreito de Magalhães ou pelo Canal de Suez. Uns dizem ficar na Austrália, outros, na única praia de água quentinha na Islândia, mas há muita interferência e propaganda dos Ministérios de Turismo pelo mundo, o que dificulta a localização com exata latitude e longitude. Mas que existe, ô se existe:

A Terra do Se. O lugar onde todos os “ses” que ficaram na promessa se realizam.

Eta, se aquela bola na trave tivesse entrado. Aqui, neste mundo que insiste em ser ranzinza e econômico em realizar devaneios, não entrou: foi pra fora, nem escanteio o juiz marcou, e a torcida saiu do estádio muda, olhando para o chão e ruminando amendoim. Pois na Terra do Se não só a bola entrou como estufou a rede e a galera fez uma festa de doido, que teria durado uma semana se o pessoal tivesse saúde, mas como estava na Terra do Se e tinha saúde, pique e fígado à beça, a comemoração já entrou no segundo mês.

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O arroto

em Monocotidiano/News & Trends por

Ah, o filho tinha deixado ele assustado, ô se tinha. Não dava pra disfarçar. Desde a primeira vez que ouviu a notícia de que seria pai. E com o passar do tempo as coisas só tinham piorado. Eita moleque que ia dar trabalho. Mas se antes tinha medo do futuro, da criança ser mal educada, crescer mimada, não saber se comportar, ou outras culpas que os pais jogam sobre os pequenos, agora era um medo real e imediato.

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