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Esporte - page 10

Celulares de estrangeiros podem não funcionar na Copa do Mundo

em Brasil/Esporte/Mundo/Tecnologia e Ciência por

O leilão da faixa de 2,5 GHZ ocorrido em 2012, que inaugurou a era 4G no Brasil, teve como principal objetivo cumprir uma exigência da Fifa para a Copa do Mundo. Tal cobrança, bastante razoável assevere-se, tem como fundamento garantir que os torcedores pudessem compartilhar os melhores lances do evento com seus amigos mundo afora.

Dizer que o Brasil não cumpriu a exigência não podemos, pois há 4G nos estádios, só que não disponível aos torcedores – de muitos países do mundo – conforme era a intenção da Fifa. Explico. A faixa de frequências de 2,5 Ghz não é utilizada pela maioria dos países da Europa, nem por países como os EUA, por exemplo. Não bastasse esse fato, agora o bloqueio de celulares pode atingir inclusive consumidores daqui que adquiriram equipamentos nos EUA e Europa, compatíveis com o 3G brasileiro.

Toda tecnologia tem uma faixa de frequência que melhor se adequa em termos técnicos e de viabilidade financeira. No caso do 4G essa faixa é de 700 MHZ, cujo leilão deve ocorrer somente em 12 de agosto desse ano. Resultado: o governo vendeu primeiro o osso (2,5 ghz) e guardou o filé mignon (700 mhz) pra vender depois com o fito de assegurar a melhor cifra possível e ganhar duas arrecadações.

Ocorre que essa otimização de ganhos, fruto do processo de concessão do espectro radioelétrico, bem público cuja administração compete a União, foi prejudicial para as operadoras que tiveram que pagar por uma faixa inadequada para a propagação do sinal com muita dificuldade de penetração em ambientes indoor, e ainda por cima, empurrou uma faixa que não era de interesse das operadoras (por não haver equipamento disponível no Brasil). Refiro-me à faixa de 450 MHZ, utilizada por clientes corporativos para tráfego de voz e dados.

Com isso, no afã de maximizar receitas, o Governo Federal prejudicou a indústria brasileira, usuária da faixa de 450 mhz e criou uma hipervalorização das frequências do 4G, encareceu a conta do consumidor e inviabilizou que muitos dos celulares de estrangeiros funcionem na Copa do Mundo. Outro detalhe: a faixa de 450 mhz não será usada pelas operadoras que se obrigaram a cumprir as metas de disponibilização de internet rural para 30% dos municípios brasileiros. Vão fazê-lo em 850 mhz, segundo informações das operadoras.

Tantos desencontros me lembram a “Quadrilha”, de Carlos Drumond de Andrade. João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili, que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história. Vai saber o fim dessa novela por aqui…

Adriano Fachini é empresário do setor de telecomunicações e presidente da Aerbras – Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil.

Ingresso de Copa para ver jogadores sem divisão

em Brasil/Esporte/The São Paulo Times por

Finalizou-se no último dia 12 de Março os ingressos para a maioria dos jogos da Copa do Mundo FIFA 2014 que será realizada no Brasil. Os brasileiros que queriam assistir as partidas realizaram uma verdadeira guerra virtual devido a pouca quantidade de ingressos e a grande quantidade de interessados. Partidas decisivas foram as que se esgotaram primeiro, junto com as partidas na qual o Brasil já confirmava presença. Nada de novidade até aí!

Mas temos uma triste constatação quando analisamos o valor cobrado para assistir os jogos da Copa do Mundo FIFA 2014. O público brasileiro que comprou o ingresso mais barato da primeira fase do torneio pagou apenas R$ 60,00. O valor do ingresso cobrado pela FIFA é igual ou menor que o valor cobrado por clubes de grande expressão do futebol brasileiro como Palmeiras, Flamengo e Botafogo. Incrível mas é verdade.

Imagine você precisando escolher entre assistir um jogo do Palmeiras e Ituano, válido pelo campeonato paulista em plena quarta feira às 22h, ou pelo clássico entre Inglaterra e Itália em um sábado às 19h. Não se esqueça de que o valor é o mesmo nos dois jogos, R$ 60,00!

No jogo do campeonato paulista você vai para o Estádio do Pacaembu, inaugurado em 1940, o qual seu ingresso dá direito a assistir ao jogo na arquibancada com refeições caras e de baixa qualidade. E no jogo da Copa do Mundo FIFA você irá para Arena Amazonas com excelente estrutura, recém inaugurada para o torneio, e que obviamente também terá refeições caras, mas de boa qualidade.

No torneio regional você verá no máximo Valdivia, Wesley, Lucio e Fernando Prass como destaque, contra uma legião de craques mundiais como Pirlo, Balotelli, Buffon, Wayne Rooney, Joe Hart, Gerrard, Sterling, Sturridge, além dos demais coadjuvantes sem tanta expressão no futebol mundial. Acrescente a tudo isso que no ano de 2013 o Ituano não disputou nenhuma divisão do campeonato Brasileiro e, que neste ano de 2014, a equipe ainda corre o risco de ficar de fora do torneio nacional.

Então, você pagaria os R$ 60,00 para assistir o jogo de um torneio que é disputado apenas uma vez a cada quatro anos, com os melhores jogadores do mundo, ou você escolheria aquele jogo de um torneio regional disputado todo ano e que diversos jogadores ficam sem emprego no fim do torneio?

Outra comparação que pode ser feita é no jogo válido pela Libertadores da América 2014 entre o Botafogo e o Indenpendiente del Valle com custo de R$ 80,00, a entrada mais barata, contra os R$ 60,00 pagos para assistir a repetição da última final de Copa do Mundo FIFA, Espanha x Holanda, na abertura do grupo B.

Há pouca diferença entre os estádios dos dois jogos, um será no Novo Maracanã e o outro na Itaipava Arena Fonte Nova, ambos reformulados para o torneio mundial. Mas no quesito craques, goleada para a partida entre seleções européias. Do lado sul-americano o selecionável Jefersson e o promissor Dória são os destaques do duelo junto com o equatoriano Somoza. No duelo entre Espanha e Holanda um plantel de craques, na equipe da fúria Iniesta, Xavi, Fabregas, Xabi Alonso, Casillas, Pedro e Pique são alguns dos destaques. Do outro lado Robben, Sneijder, Van Persie, Strootman e Mathijsen se destacam.

A escolha parece obvia para os torcedores que preferem o bom futebol.

Nos últimos anos o futebol brasileiro vê seus clubes com dívidas cada vez mais altas e seus estádios cada vez mais vazios. A média de publico do futebol brasileiro não supera os torneios nacionais do México e do Japão. Passamos vergonha também diante da segunda divisão inglesa e alemã que estão à frente do futebol tupiniquim em média de público.

Na matéria divulgada pelo site ESPN.com.br “Barato, bom e lotado: Borussia Dortmund, o maior sucesso de público da Europa” aponta que os valores pago pelo torcedor do Borussia Dortmund ficam muito abaixo dos valores pagos por torcedores brasileiros, mesmo quando convertemos o euro para o real. Para assistir um jogo no SignalIduna Park, o custo fica entre € 9,30 e € 50,00 ou aproximadamente R$ 30,00 e R$ 160,00. A mesma matéria aponta que os torcedores bávaros do Bayer de Munique precisam pagar um pouco mais para assistir Ribéry e Cia, os ingressos para assistir o poderoso Bayer variam entre €1 5,00 e € 70,00, ou na conversão atual algo entre R$ 49,00 e R$ 229,00.

Outro exemplo foi dado no campeonato brasileiro de 2013, onde o São Paulo Futebol Clube, em má fase no torneio, decidiu realizar uma grande promoção no custo dos ingressos, baixando de R$ 30,00 o preço do ingresso mais barato para R$ 2,00. A promoção tinha como objetivo aumentar a média de público e obter um ganho técnico com o apoio da massa que não comparecia ao estádio. Mas não foi apenas nesse ponto que o São Paulo faturou, além de se afastar da zona de rebaixamento a equipe do Morumbi faturou muito em reais. Quando o São Paulo decidiu por tal ação, a equipe já tinha disputado seis partidas no torneio nacional e faturado apenas R$ 1,37 milhão com média de 8.553 torcedores por partida. Nos seis jogos subsequentes da promoção, tanto o faturamento quanto o público tiveram aumento significativos, a equipe tricolor viu sua receita aumentar para R$ 2,43 milhões e a média de publica chegar a 35.335.

Alguns clubes brasileiros precisam repensar a maneira que irá saldar suas dívidas. Não é só o valor pago nos ingressos que irá zerar as contas. Se Palmeirenses pagam R$ 60,00 por jogo para assistir partidas do campeonato paulista no estádio do Pacaembu, imagine quando o clube inaugurar seu novo estádio no padrão das grandes arenas e disputar a Copa Libertadores da América. Podemos esperar ingressos na casa dos R$ 150,00? Se os Botafoguenses e os Flamenguistas pagam R$ 100,00 para assistir times sem grandes estrelas na primeira fase da libertadores, imagine se os clubes chegarem na final da mesma competição, passaremos dos R$ 200,00?

Os grandes gestores do futebol moderno precisam voltar à realidade do povo brasileiro.

Por Allan Moran

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