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News & Trends - page 172

Você acha que é só no Brasil? Entenda as diferenças salariais entre homens e mulheres nos EUA

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Foto: Reprodução
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Já fazem muitas décadas que as disparidades salariais entre homens e mulheres têm sido debatido nos Estados Unidos. Será que a diferença realmente existe ou pode ser explicada pelas escolhas que as mulheres fazem em sua educação, carreiras e estilos de vida?

A diferença de remuneração é igual a diferença entre o salário e o tempo médio de trabalho dos homens e mulheres, de acordo com dados coletados a cada ano pelo Census Bureau. No ano passado, a diferença era de 22%, o que significa que uma mulher com 15 anos trabalhando em tempo integral ganhou 22% menos do que um homem com o mesmo tempo de trabalho. Mas existem grandes diferenças regionais, a menor diferença de remuneração encontrada foi em Washington, DC, de aproximadamente 9%, e a maior em Louisiana, ficando em 34%. A diferença de remuneração atual é um recorde, pois é bem abaixo dos 40% – medida em 1960, mas desde 2000 o ritmo dessa redução diminuiu.

A última pesquisa apontou que, embora algumas das lacunas podem ser explicadas, nem tudo dá para entender. E isso pode apontar para outros fatores no trabalho, tais como a discriminação de gênero ou educação infantil. De acordo com um estudo publicado pela Associação Americana de Mulheres Universitárias, tendo em conta a faculdade principal, ocupação, setor econômico, as horas trabalhadas, meses desempregado desde a graduação, ponto de classe média, tipo de instituição de graduação, seleção da instituição, idade, região geográfica e estado civil, os pesquisadores ainda encontraram uma diferença de 7% nos lucros de graduados universitários do sexo masculino e do sexo feminino um ano após a formatura. Eles também descobriram que a diferença aumentou com a idade, indo para 12% após 10 anos de formatura.

Em outro estudo recente, Nicole Kreisberg, analista sênior de pesquisa no Instituto Americano de Pesquisa Econômica, em comparação ao tamanho da diferença salarial no setor financeiro com a indústria de tecnologia. Depois de controlar as diferenças educacionais, diferenças geográficas, situação de emprego, ocupação, raça, etnia e outras características, ela descobriu que a diferença de remuneração equivalia a 14,067 dólares anuais em finanças e 6.358 dólares anuais em tecnologia. Quando ela examinou o efeito do casamento e da criação dos filhos, ela não encontrou nenhum efeito sobre a remuneração no setor de tecnologia, mas o efeito no setor financeiro aumentou a diferença da remuneração em US$ 2.500. O campo da tecnologia apresenta outras questões: as mulheres com pelo menos um filho em relação aos homens e mulheres sem filhos, as disparidades salariais em tecnologia quase dobrou para US$ 11.000.

A mensagem para as mulheres americanas é: “Você percorreu um longo caminho, baby.” Mas ainda há um longo caminho a percorrer.

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Podemos contar com o setor privado para deter a malária na África?

em Mundo/News & Trends por
Foto:Reprodução
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Duka la Dawa é como são chamadas as farmácias comuns na Tanzânia. Ao lado do estabelecimento, encontrei um homem em uma oficina mecânica consertando um motor de motocicleta, com suas peças manchadas de óleo colocadas sobre um pedaço de papelão.

Uma mulher passava vendendo mandioca equilibrando uma bandeja em sua cabeça. Entrei no Duka e perguntei o que o farmacêutico atrás do balcão tinha para malária, a doença transmitida por um mosquito que mata cerca de 1.700 pessoas todos os dias na África Subsaariana e no Sudeste Asiático.

Ele me ofereceu cinco tipos de medicamentos de diferentes marcas, qualidade e preço. Alguns eram terapias até tinham a qualidade assegurada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), porém outros eram bem menos eficazes, incapazes de combater os parasitas da malária resistentes a medicamentos que surgiram nos últimos anos.

Em alguns casos, esses remédios podem até acelerar a resistência contra a malária. Tragicamente, nessa parte do mundo menos favorecida, muitas pessoas vão escolher comprar medicamentos mais baratos com suas moedas.

Nos EUA, se você quiser um antimalárico, terá  que ir ao médico para obter uma receita. Esse procedimento garante que os norte-americanos são tratados apenas com os melhores medicamentos contra a malária.

Mas não é o que acontece na maioria dos países africanos, onde médicos particulares são raros e os hospitais públicos ficam a quilômetros de distância, além de não atenderem a necessidade de suprimentos e funcionários. Na Tanzânia, os pais levam os filhos doentes até a Duka mais próxima e compram o que podem.

Isso contribui para um mercado não regulamentado em que os donos das farmácias vendem produtos de origem duvidosa, pois sabem que seus clientes doentes vão comprar, ainda que não seja a melhor escolha.

As organizações de ajuda estão tentando mudar isso: entre 2010 e 2013, 450 milhões de dólares foram destinados aos medicamentos de alta qualidade contra a malária, para que os proprietários de farmácias na Tanzânia e outros seis países africanos possam comprar e vender os melhores comprimidos a um preço baixo. Cerca de 130 milhões de dólares serão gastos em subsídios para os remédios ainda este ano.

Originalmente chamado de Mecanismo para Medicamentos Contra a Malária a Preços Acessíveis (AMFm), a estratégia de subsídio possibilitou uma mudança radical em relação aos tradicionais esforços globais de saúde. Pela primeira vez, os medicamentos passaram a ser vendidos diretamente para o setor privado informal, ao invés de serem doados aos hospitais públicos.

Quando o economista ganhador do Prêmio Nobel, Kenneth Arrow, concebeu o AMFm em 2004, ele e outros economistas descreveram a estratégia do tratamento da malária como a mesma usada pela Coca-Cola. “A Coca-Cola se baseia em preços baixos e o mercado rejeita a competição em aldeias africanas remotas. Então por que nós não podemos fazer a mesma coisa com medicamentos de alta qualidade?”, pergunta Ramanan Laxminarayan, um economista que auxiliou a comissão do autor da proposta AMFm.

Dois anos após o AMFm ser lançado em 2010, o preço dos melhores medicamentos contra droga malária, os que contêm artemisinina – um ingrediente doce derivado do absinto chinês -, caiu em cinco dos sete países com subsídios AMFm.

Custando pouco mais de um dólar, os remédios ficavam um pouco acima do valor dos medicamentos de qualidade inferior. Como resultado, esses produtos de qualidade foram vendidos rapidamente a um ritmo sem precedentes.

Mas um grande problema permanece: ninguém sabe se as pessoas que compraram todos os medicamentos contra a malária tiveram malária.

A malária tem apresentado uma intensa oscilação na África, entretanto, as pessoas muitas vezes acreditam que quaisquer dores são sintomas da doença. Mas isso é cada vez mais escasso, à medida que as taxas de malária diminuem em todo o continente. Por outro lado, quando as pessoas têm a suspeita de que a malária está por trás da maioria das febres, elas compram medicamentos que tratam a malária.

“Como os remédios são baratos, as pessoas tendem a abusar do uso, pois pensam que se não forem curados da malária, eles gastarão muito pouco com o medicamento”, diz Chacha Mangu, um médico e epidemiologista do Instituto Nacional de Pesquisa Médica em Mbeya, na Tanzânia.

O problema com essa estratégia é que a medicação abaixa a febre, mas podem mascarar a verdadeira causa do sintoma. O remédio não vai, por exemplo, matar as bactérias que causam pneumonia, infecções do trato urinário, muito menos vão ser eficazes contra as doenças virais, como a dengue.

O paciente com dengue vai até a farmácia, compra um antimalárico e vai para casa. Com o tempo ele descobre que a medicação não está funcionando e aí já pode ser tarde demais. Através do uso indevido de antimalárico, o medicamento que pode salvar vidas é desperdiçado.

Em resposta ao pedido da OMS, o governo dos Estados Unidos e de outros países, além da grande organização internacional que sediou o AMFm – o Fundo Global de Luta contra o HIV, a Malária e a Tuberculose – reformulou a abordagem neste ano.

Os cinco países – Tanzânia, Uganda, Gana, Quênia e Nigéria – que ainda recebem subsídios agora estão experimentando maneiras de incorporar testes de diagnóstico para o mercado livre. Qualquer um poderá aprender a diagnosticar a malária.

Os testes de diagnóstico rápido de hoje parecem com os testes de gravidez: coloca-se uma gota de sangue em uma fita branca e se espera 15 minutos para ver se uma linha vermelha que indica a malária aparece. Mas o objetivo das farmácias é obter um lucro. A questão é, por que vendem a medicação sem que o teste seja feito?

Naquela mesma Duka, em Mlowo, o farmacêutico me disse que ficaria feliz em fazer o teste da malária nos clientes se cobrasse uma taxa. Perguntado o que faria caso o teste desse negativo, ele respondeu que se eu estivesse sofrendo de febre e dores que normalmente acompanham a doença, ele me venderia o medicamento da mesma forma.

Nos últimos anos, os economistas da área da saúde têm alertado os lojistas a respeitarem os resultados do teste. Uma das medidas possíveis é que eles cobrem um valor único para o teste e o tratamento, de modo que não haja nenhum lucro com a venda de um medicamento desnecessário. Essa conscientização, todavia, exige força regulamentar que a maioria dos países da África Subsariana não tem. Por esse motivo, inclusive, é que a mudança agora está sendo estimulada a partir do consumidor.
O objetivo é convencer os farmacêuticos que eles podem obter um impulso em sua reputação com a venda de testes. Se os resultados forem negativos, o recomendado é que eles indiquem aos clientes que procurem um hospital.

Na teoria, tudo isso soa bom e direito. Mas aconteceu o contrário em muitas clínicas particulares após um mês desta implementação piloto. Mesmo quando os testes eram negativos, mães com crianças doentes geralmente eram vistas transportando remédios contra a malária.

Sobre essa questão, Chacha Mangu diz: “É preciso haver médicos competentes para assegurar de forma convincente que uma mãe leve a criança para casa e espere alguns dias, recomendando apenas que ela beba água e descanse um pouco”.

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Ameaça da guerra civil Síria: velhos tempos em que as Colinas de Golã eram um lugar calmo

em Mundo/News & Trends por

Uma batalha bem longe daquela liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico (ISIS) está se formando ao separar israelenses de sírios, jihadistas, rebeldes sírios e observadores da ONU de agricultores israelenses e soldados que se reúnem como vizinhos improváveis, os quais enfrentam um futuro volátil.

warO exército sírio, que controlou o seu lado da fronteira, não pode continuar mais a fazê-lo. A presença da ONU é cada vez mais perigosa. Como os recentes sequestros têm mostrado, a calma pode acabar a qualquer momento e pode até mesmo arrastar Israel para a guerra civil síria.

A Travessia de Quneitra – situada no sudoeste da Síria – costumava ser uma área pacífica. Os soldados israelenses e sírios, assim como tropas da UNDOF (The United Nations Disengagement Observer Force) estavam encarregadas de fiscalizar um acordo de cessar-fogo de 1974.

Homens, mulheres e crianças cruzaram a fronteira até a fronteira quatro décadas atrás. Eles passaram por uma verificação de rotina em ambos os lados, assistiram a reuniões de família e casamentos do outro lado da fronteira e, em seguida, retornaram alguns dias depois.

Hoje, porém, ninguém passa pela Travessia de Quneitra. A maioria das tropas da UNDOF que estava no lado sírio de Golã foi para o lado israelense.

Estilhaços e parte da interminável barragem de artilharia entre as facções em guerra no lado sírio atravessaram a fronteira recentemente, ferindo um oficial israelense das Forças de Defesa (IDF).

“Às vezes é assustador, mas a maioria das vezes eu fico bem”, diz o morador de Tel Aviv, Dvir Ben Simchon, 22 anos. O jovem passou o verão colhendo maçãs em um pomar pertencente a um kibutz israelense. “A luta começou aqui. Eu estava no pomar próximo à fronteira”, diz ele.

Isso foi em 30 de agosto deste ano, quando homens armados de Jabhat al-Nusra e outros grupos islâmicos afiliados à Al-Qaeda invadiram Quneitra para cruzar para a zona neutra, onde os observadores da ONU se instalam.

Peacekeepers das Filipinas conseguiram escapar ilesos da batalha por pouco, encontrando segurança no Camp Ziouani no lado israelense, onde a UNDOF transferiu sua sede desde que a guerra civil na Síria tornou Damasco, capital da Síria, muito perigosa.

Alguns dias antes, em 28 de agosto, os jihadistas tomaram como reféns 45 observadores de Fiji da ONU, que acabaram por ser libertados somente no dia 11 de setembro.

A presença da ONU não é mais considerada imparcial na região. Funcionários dos dois maiores contribuintes de tropas para as Forças de Defesa, Filipinas e Irlanda, já manifestaram dúvidas sobre continuar a enviar tropas para esta zona de perigo.

Se a ONU tivesse que abandonar sua missão aqui, faria alguma diferença? “Nós não contamos com a UNDOF para a nossa segurança”, disse um porta-voz das Forças de Defesa, Peter Lerner.

A UNDOF foi enviada para Golan em 1974, depois da guerra que o presidente Hafez Assad, pai do ditador sírio atual, Bashar Assad, lançou contra Israel no ano anterior.

Sofrendo com sua derrota nesse conflito, Assad manteve o cessar-fogo até sua morte em 2000. A ONU apresentou relatórios de rotina sobre violações dos termos do cessar-fogo. Bashar Assad também manteve a calma, até que a rebelião contra seu governo começou há três anos.

O primeiro sinal de perigo foi uma tentativa de cruzar a fronteira em maio de 2011. Na ocasião, Assad disse que era uma manifestação espontânea de cidadãos enfurecidos em solidariedade com os palestinos em Israel. Mas as autoridades israelenses viram doze aspirantes serem mortos, como uma manobra para desviar a opinião árabe e mundial da agitação generalizada que acontecia em Damasco, na época contra o regime.

Desde que a revolta anti-Assad se transformou em uma guerra armada, atraindo adeptos do Oriente Médio e de outros luagres, Damasco perdeu o controle sobre a fronteira de 20 quilômetros que separa Israel e a Síria de Golã, que desde 1974 tem sido conhecida como a “linha roxa”.

“O exército sírio tem duas divisões em seu lado de Golã – a Divisão 61 sul de Quneitra e Divisão 90 norte de Quneitra”, diz Idan Avni, correspondente da Rádio Israel.

“Mas Assad tem batalhas mais urgentes, em Aleppo, Damasco. Esses caras por aqui não recebem nada dele há meses. Nenhum material ou armas, nada mesmo. Então ou eles atacam ou se rendem ao lado dos rebeldes; há ainda a terceira opção: simplesmente largar o combate e ir para casa”, diz Idan.

No lado sírio da fronteira, a imagem do que está acontecendo é confusa e está em constante mudança. Durante meses, o lado sírio da fronteira tem sido controlado não pelo exército, mas por vários grupos rebeldes. “Veja esta bandeira verde?”, diz Idan Avni, apontando para a bandeira através da Kunetra Crossing (Travessia Quneitra, em português).

“Eu nem tenho certeza a qual grupo islâmico esta bandeira pertence, há tantos. Algumas semanas atrás, havia uma bandeira verde diferente lá”, explica o correspondente.

Quneitra e as áreas de fronteira ao sul dela são controlados por jihadistas que são dominados por Jabhat al-Nusra. Mais ao norte, os grupos anti-Assad mais moderados, como o Exército Sírio Livre (FSA), mantém o território, assim como os membros da seita drusa.

“Eu nasci sírio, então sou sírio”, diz Ahmad Farhat, 63 anos, um dos membros da seita drusa da vila de Boukata, local que foi controlado por Israel desde que Ahmad tinha 20 anos. Esse senhor passou a maior parte de sua vida trabalhando como professor de matemática no sistema educacional israelense. “Minha avó está no Líbano e minha tia está na Daliyat el-Carmel” em Israel, diz ele.

Mas Golã já não é mais uma fronteira calma de Israel, com pomares pitorescos, adegas e criadores de gado. As rochas de granito espalhadas pelo planalto, que sobraram de erupções de lava de eras passadas, são um lembrete oportuno que os vulcões podem ficar adormecidos, mas as erupções podem ocorrer quando você menos espera.

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Ópio poderá ser criado em tanques de fermentação de cerveja

em News & Trends/Tecnologia e Ciência por
Foto: Wikimedia
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Dizer aos seus amigos que você está preparando algo em uma cuba de fermentação,  provavelmente vão pensar que você está nos toques finais de um novo lote de cerveja. Mas um grupo de cientistas, liderados por Christina Smolke, professora assistente de bioengenharia na Universidade de Stanford, faz algo a mais que cerveja: analgésicos.

Colocando as leveduras para agir como analgésicos opióides, Smolke e sua equipe estão enfrentando diversos problemas pela indústria farmacêutica como a etapa da prescrição, por exemplo, e os baixos rendimentos das plantas de papoula por causa de métodos de produção inseguros (papoula é cultivada legalmente em apenas alguns países, como a Austrália, Hungria , Índia e Espanha, e se há uma época muito ruim em uma única parte do mundo, a oferta mundial é severamente impactada). Mas talvez, o mais importante, o seu método de produção irá deixar a droga incapaz de ser refinada em heroína, o que eles esperam com isso reduzir o uso ilegal e mortes por overdose.

A equipe vem trabalhando há quase uma década para modificar geneticamente uma variante do fermento, onde pode concluir o processo químico em 17 passos, o que transforma papoula em um analgésico opióide. Alguns destes passos são processos que ocorrem naturalmente na planta de papoula, que conduz à produção de opiáceos em morfina e codeína. Outros passos são processos sintéticos que são realizados em fábricas de produtos farmacêuticos que produzem medicamentos de maior valor, como oxicodona e hidrocodona.

Ao adicionar a levedura três genes da planta papoula e dois genes de uma bactéria que se alimenta de resíduos de papoula, a equipe de Smolke foi capaz de convertê-la para medicamentos de maior valor. “Com o processo, haverá um maior controle sobre o que está sendo produzido”, diz Smolke. “Ela permite a produção de opióides que não podem ser convertidos em heroína.”

Dr. Howard L. Forman, um psiquiatra especialista em dependência do Centro Médico Montefiore, em Nova York, no Bronx, se preocupa com a ideia e diz que ela poderia sair pela culatra. “Algumas considerações devem ser feitas para o lado potencialmente escuros desses desenvolvimentos”, diz ele. “Esta ciência poderá acabar levando a criarem laboratórios em casa e para produzirem opióides para uso ou venda?” Apontando para o abuso onde 1.900.000 americanos eram viciados em opiáceos em 2010, ele acrescenta que a ciência poderia permitir um “fácil e barato método para produzir essas drogas”, exacerbando os nossos problemas atuais.

Embora Smolke diga que existe potencial para uso indevido, a “perspectiva de longo prazo é aproveitar a tecnologia para criar produtos finais modificados que apresentam melhores propriedades”, como sendo menos viciante. Vai levar algum tempo para a conclusão da pesquisa, porém, a equipe de Smolke ainda está tentando descobrir como concluir esse processo de 17 passos com apenas fermento, para que os opiáceos possam ser feitas sem depender de campos de papoula.

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Enquanto no Brasil cresce, o voluntariado nos EUA está em declínio

em Educação e Comportamento/Mundo/News & Trends por
Foto: Wikimedia
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Os Estados Unidos têm uma longa história de voluntariado. Consagrado na Constituição dos Estados Unidos, o direito de formar associações voluntárias tem sido um aspecto precioso da vida americana desde o nascimento da nação. Alexis de Tocqueville notou a propensão dos americanos para participar de organizações cívicas, quando ele viajou pelo país antes da Guerra Civil.  Mas nos últimos anos, a percentagem de americanos voluntariados diminuiu em uma década e agora está em seu nível mais baixo.

No ano passado, a taxa foi de 25,4 %, ou 62,6 milhões de pessoas, em comparação com 29% da população em 2003, de acordo com o Bureau of Labor Statistics. O BLS conta o voluntariado como qualquer trabalho voluntário não remunerado feito nos últimos 12 meses, de levar um vizinho para o hospital, até servir refeições para os sem-teto. A atividade de voluntariado mais comum no país é a angariação de fundos, seguido de distribuição de alimentos e de trabalho.

O total de horas como voluntários variam muito em diferentes partes do país. Utah está no topo das paradas, tanto em número de voluntários em relação à sua população, quanto as horas gastas, cerca de 78 horas por ano, em média, para todos os moradores. É provável que a forte ênfase da Igreja Mórmon em trabalho voluntário tem muito a ver com as taxas de voluntários de Utah.

No outro extremo é o estado de Arkansas, onde a média de horas é apenas um terço do tempo comparado com os moradores de Utah. As razões para as discrepâncias regionais não pode ser resumida a uma única explicação, mas, em geral, o voluntariado é mais prevalente no Centro-Oeste do que em outras regiões. Um fator que parece influenciar as taxas de voluntários é o estresse financeiro. Famílias monoparentais (ocorre quando apenas um dos pais de uma criança arca com as responsabilidades de criar o filho ou os filhos) e as famílias onde ambos os pais trabalham em tempo integral, têm um pouco mais de tempo para o voluntariado.

O impacto global do voluntariado é significativo. Segundo uma estimativa, todas as horas de trabalho voluntário geram cerca de 175 bilhões de dólares em serviços, um importante benefício para a sociedade como um todo para que ninguém tenha que pagar. Com o voluntariado em declínio, talvez seja hora de prestar atenção a uma área da economia que geralmente se beneficiam.

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O gato siamês de Karl Lagerfeld lança uma linha de cosméticos

em Negócios/News & Trends por
Foto: Reprodução
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Como as icônicas super-estrelas Madonna e Cher, o adorado gato siamês branco do designer da Chanel, Karl Lagerfeld, tem também um nome apenas: Choupette. E, tal como muitas das estrelas, vai estender a sua marca. Em adição ao seu negócio de livros, uma loja de referência no conhecido bairro de Paris Marais (com figuras de Choupette e Langerfeld para venda), Choupette vai lançar a sua coleção de maquilhagem, noticiou a Yahoo, com a respeitável marca Shu Uemura.

A marca – chamada Shupette (escrita de forma diferente, mas pronunciada da mesma forma) – oferece tanto produtos cosméticos como de cuidados de pele, e as embalagens estão adornadas com ilustrações adoráveis do siamês de olhos azuis de Langerfeld. Entre os produtos disponíveis na linha Shupette, constam: rímel com um amuleto do Choupette, sombra da cor dos olhos azuis-centáureo de Choupette, e quatro “olhos de gato” para imitar. Shupette vai ser lançado em shuuemura-usa.com em outubro, e vai promover um concurso em que os fãs de Choupette e de cosméticos vão poder ganhar um pack de maquilhagem assinado e cheio de produtos Shupette, postando selfies e fotografias de gatos no Instagram.

Com a ajuda do seu famoso dono, Choupette tornou-se uma celebridade. Karl Langerfeld é conhecido por seu comportamento frio e julgador, mas adora bajular o seu fofo amigo felino, que parece ser o seu único ponto fraco.

A história de amor começou em 2011, quando o modelo francês Baptiste Giabiconi deu a Lagerfeld Choupette como presente de Natal. O gato rapidamente virou sensação nas redes sociais através dos amigos bem relacionados de Langerfeld, que não conseguiam evitar compartilhar fotografias do fotogênico gato. Enquanto que o Grumpycat talvez seja ligeiramente mais famoso que Choupette, este é certamente o felino afamado mais glamoroso.

Com todo o burburinho à volta da nova linha e com a quantidade de seguidores de Choupette (mais de 40.000 seguidores no Twitter e mais de 21.000 no Instagram), é difícil pensar que Shupette não será um sucesso. A devoção de Langerfeld – ele falou, literalmente, em casar com ela – irá sem dúvida ajudar. “As pessoas são deslumbradas por ela”, disse ele a Grazia Daily numa entrevista em 2012. “Em breve as pessoas vão falar mais de Choupette do que de mim”

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Putin e a sua “melhor e última arma contra Europa”: o gás

em Mundo/News & Trends por
Foto: Wikimedia
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Nos milharais de Donbass, a guerra entre o exército e os rebeldes ucranianos apoiados por Moscou chegou a um impasse desconfortável. Mas, como o inverno se aproxima, uma nova frente de batalha está se abrindo – e apesar de não ser tão sangrenta, poderia ser menos politicamente dramática do que a recente guerra com tiros.

Por conta disso, as linhas de batalha são suficientemente claras. A Rússia precisa do Ocidente para empréstimos, serviços financeiros, alimentos e conhecimentos técnicos – todos os quais estão sendo sufocados pelas sanções econômicas sobre a intervenção do Kremlin na Ucrânia. A Europa, por sua vez, conta com até um terço do seu gás – cerca da metade do que é canalizada, é através da Ucrânia. Se o Kremlin decidir usar seu fornecimento de gás para revidar contra as sanções europeias, o palco está montado para uma guerra.

O Kremlin “acredita firmemente que [o gás] é a nossa melhor arma”, diz uma repórter, citando conversas privadas que ela teve nas últimas semanas com funcionários de alto escalão. “Eles dizem: é só esperar até que as primeiras neves caiam e vamos ver o que a Europa diz sobre as sanções em seguida.”

Superficialmente, a Rússia parece ser a realização de todos os trunfos. Apoio ao presidente Vladimir Putin ainda voa alto em mais de 80%, apesar das sanções ocidentais, a inflação em alta, e o corte de financiamentos para muitas das principais indústrias e bancos da Rússia. Mesmo com as sanções do lado russo, que proíbem a importação de todos os produtos alimentares europeus e norte-americanos, não abalaram fervor patriótico russo.

Um corte de gás na Europa teria um efeito imediato e dramático. “Eles não vão tolerar cortes de energia. Claramente, [ocidentais] os políticos têm que se dar conta disso”, diz um diplomata ocidental com o conhecimento dos debates internos da União Europeia em matéria de sanções. Enquanto quase todas as empresas estatais de petróleo da Rússia e os grandes bancos proibidos de pedir dinheiro emprestado nos mercados de capitais internacionais, a Gazprom tem sido, até agora, isentos as sanções.

Enquanto isso o Kremlin pode considerar deixar a Europa com medo – o trunfo do cartão estratégico nas negociações com a Europa – é uma arma que poderia danificar a Rússia tanto quanto seus adversários da União Europeia.

A primeira razão é de ordem técnica. Um poço de gás é como uma bolha sob pressão no fundo da superfície da terra, geralmente preso sob uma cúpula de rocha impermeável e sob enorme pressão. Na verdade um dos principais desafios da abertura de novos campos de gás está no controle da enorme pressão para que não escape. Em outras palavras, diz o ex-consultor da Gazprom, Lev Smirnov, “você não pode simplesmente desligar um campo de gás sem causar sérios danos.” Você pode se livrar apenas queimando-o na fonte. “Mas, mesmo desconsiderando as consequências ambientais, até os menores poços ainda produzem gás o suficiente para incendiar tudo”, diz Smirnov. Também não pode armazenar facilmente volumes significativos de gás. Nos últimos anos, a Gazprom tem construído uma variedade de instalações de armazenamento subterrâneo de cavernas de sal, nas chamadas “estruturas de rolamento de água” que aprisionam o gás em cúpulas naturais de pedras, e em poços de gás esgotados.

Mas a maior vulnerabilidade da Gazprom é a financeira. Em teoria, a empresa ainda é uma das poucas grandes empresas russas com acesso ao financiamento internacional. Na prática, diz Bruce James, “os credores estão muito nervoso sobre Nível Três” – a próxima rodada de sanções – “Isso importa muito, porque as despesas gerais da Gazprom são muito altas por ano, incluindo os investimentos necessários para manter os níveis atuais de produção dos campos de sinalização. A empresa também precisa liquidar US$50 bilhões da dívida atual, bem como o pagamento para o desenvolvimento de novos campos do Ártico, construir novos gasodutos e plantas de liquefação de gás no Pacífico e no Mar Báltico, além de construir um novo gasoduto gigante na China que deve entrar em operação em 2019. Sem empréstimos bancários internacionais, a empresa só tem o seu fluxo de caixa do dia-a-dia para confiar – dos quais 60%, ou US $ 65 bilhões, vem de vendas para a Europa. Putin assinou um importante acordo com Pequim em maio para fornecer US$ 400 bilhões de dólares de gás ao longo dos próximos 30 anos. Mas um pré-pagamento acordado da China de US$25 bilhões ainda não se concretizou. Para o futuro próximo, diz o diplomata ocidental, “Gazprom precisa de seus clientes europeus, tanto quanto, se não mais do que, precisamos de Gazprom”.

Todos os cortes de gás russo anteriores – e houve quatro desde 1995 – têm-se centrado em uma disputa sobre os preços do gás e taxas de trânsito pagas. Agora, depois da guerra deste ano, que deixou mais de 3.000 mortos e viu Criméia anexada pela Rússia, a aritmética eleitoral da Ucrânia mudou para sempre. Sem a população de língua russa da Crimeia, uma administração pró-Moscou nunca será eleita em Kiev.

Como resultado, a Gazprom já tecnicamente suspendeu os embarques de gás à Ucrânia em junho – mas continuou o bombeamento de gás através de tubos ucraniano para os consumidores europeus. Apesar dos protestos na Rússia que milhões de dólares estão sendo desviados ilegalmente para dentro do sistema ucraniano. A situação é complicada, ainda mais pelo fato de que alguns clientes da Gazprom simpatizam com a Ucrânia – como Polônia e Eslováquia.

Esse arranjo deixa Gazprom em um refém de políticos sem escrúpulos em Kiev. Como as temperaturas caem, a Ucrânia poderia optar por desviar ainda mais gás – privando assim a Europa Central – mas Gazprom vai levar a culpa.  A península da Criméia, tem 80% de sua eletricidade e maior parte da água vinda da Ucrânia.

Gazprom, por sua vez, investiu pelo menos US$ 20 bilhões nos últimos cinco anos, em uma tentativa de contornar o problema da Ucrânia. Ao norte, o gasoduto Nord Stream, colocado ao longo do leito do mar do Báltico em 2011, agora fornece a Alemanha e para Dinamarca. Mas um projeto semelhante que poderia colocar um tubo gigante na parte inferior do Mar Negro que ligando a Rússia diretamente a Bulgária, Europa Central, Grécia e Itália – conhecida como South Stream – foi interrompida, pelo menos temporariamente, pela Comissão Europeia  preocupada com o aumento da dependência da Europa do gás russo. A Rússia e a União Europeia estão agora discutindo o assunto na Organização Mundial do Comércio.

Mas, independentemente do veredito sobre South Stream, as ações da Rússia na Criméia e apoio encoberto para os rebeldes no leste da Ucrânia tem transformado o apoio da UE para a Ucrânia em um firme compromisso de parceria e assistência.

E se a Europa mudou. Uma vez dividido entre falcões anti-Putin como o Reino Unido e que os alemães chamam “Putin-understanders” (que eram em sua maioria também grandes parceiros de negócios Putin, principalmente na Alemanha e na Itália), a guerra e, particularmente, a tragédia da derrubada de MH17 por Russo- rebeldes apoiados uniram a Europa contra a Rússia de uma forma sem precedentes. Em outras palavras, um abrandamento dos fornecimentos de gás prolongada -, seja como resultado de um encerramento do Gazprom deliberada ou por causa de exoneração da Ucrânia – agora torna-se imediatamente um confronto sério com toda a Europa, arriscando até mesmo sanções mais incapacitantes.

A UE espera convencer o Kremlin para cessar e desistir de usar o fornecimento de gás como um instrumento de geopolítica. Durante anos, Moscou tem recompensado aliados com energia barata e punindo rebeldes com preços elevados. “O abastecimento de energia são importantes na preparação para o inverno”, disse o vice-primeiro ministro da Rússia, Dmitry Rogozin ao presidente da Moldávia em setembro do ano passado. “Eu espero que você não congele.”

Era um aviso velado para impedir Moldávia de assinar uma parceria com a União Europeia. Moscou também recompensou o ex-presidente ucraniano, Viktor Yanukoyvch por se recusar a se inscrever para Bruxelas “propondo um acordo comercial com a promessa de gás barato em dezembro. Porém ambas as manobras falharam. Moldávia finalmente assinou documento de cooperação com a Europa, em junho, e a Ucrânia no início de setembro.

A estranha verdade do bicho-papão Gazprom é que tanto o produtor quanto o comprador estão trancados em uma relação de dependência mútua. Uma guerra do gás entre a Europa e a Rússia seria economicamente equivalente. Bruxelas está apostando que Putin pode ser perigoso – mas não suicida.

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O Apple Watch carrega sem fios, mas e o iPhone 6?

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Os críticos concordam que a entrada da Apple no mercado da tecnologia “vestível”, com o anúncio do aguardado smartwatch, simplesmente chamado Apple Watch, marca um momento importante no carregamento sem fios. Só não especificaram se é um momento marcante ou desapontante na história do poder da tecnologia. Sim, a Apple está usando carregamento sem fios no Apple Watch. Mas não estão fazendo grande caso disso. A empresa californiana de Cupertino está dando a impressão de que a possibilidade de carregar o Watch sem fios não é uma característica tão “mágica” como a nova tela, que distingue toques rápidos de toques mais prolongados. Ao invés disso, é só uma característica conveniente do design do relógio.

A adoção da Apple pela indução magnética para o Watch, que está previsto para “inicio de 2015”, a partir de 349 dólares, poderia esclarecer anos de “confusão dos consumidores” causados por “padrões competitivos”, à medida que 3 grupos industriais diferentes entram numa batalha pela capacidade de carregar dispositivos sem usar fios, disse a Reuters. Mas críticos como Jessica Lipsky, editora associada na EE Times, que cobre a área da indústria tecnológica, diz que, para a Apple, o carregamento sem fios foi uma ideia tardia.

Lipsky pergunta porque é que a Apple escolheu introduzir a tecnologia de carregamento sem fios (que requer contato próximo) em vez da tecnologia de ressonância magnética, que permite aos aparelhos carregarem mais rapidamente e a distâncias maiores. Chamar “sem fios” ao carregador o Watch é desviar as atenções, e a razão de não ser utilizado no iPhone 6 é muito provavelmente porque vai aumentar em muito o tempo de carregamento, disse. Outro mistério que envolve o Apple Watch é a duração da bateria. A Apple não fez qualquer referência ao tempo de vida da bateria, dizendo apenas aos jornalistas que o Watch iria carregar durante a noite. Os engenheiros da Apple ainda estão trabalhando para aumentar a longevidade da bateria antes do lançamento do Watch em 2015, noticiou a Re/code.

A colaboradora da Forbes, Elise Ackerman, disse que a utilização do carregamento sem fios, à semelhança da longevidade da bateria, é pequeno. “No caso do Apple Watch, o transmissor, que está posto em posição por um ímã, ligado a um cabo, não é exatamente como ligar o Macbook Air ou o Macbook Pro à tomada”, disse. O carregador sem fios do Apple Watch é muito semelhante a um MagSafe, o cabo de carregamento magnético que a Apple utiliza nos seus portáteis, que facilmente se solta se alguém tropeçar no fio. Não é impressionante, e qualquer pessoa à espera de uma revolução no sistema de carregamento sem fios, diz Akerman, ficou “desapontado”. Mas os métodos de carregamento sem fios existentes são imperfeitos: geram muito calor e requerem uma colocação cuidadosa. Se o telefone (ou relógio) não estiver colocado no ponto exato, poderá carregar mais devagar, ou não carregar totalmente. Assim, a inclusão do ímã pode ser visto por parte da Apple como um método simples (e familiar) de contornar essas limitações.

O carregamento sem fios do carro da Witricity é um exemplo da utilização da tecnologia de ressonância magnética, desenvolvida pelos engenheiros do Massachusets Institute of Technology. Jessica Lipsky, editora associada do EE Times, diz que é superior ao método de indução da Apple.

A Apple pode estar entrando no campo do carregamento sem fios propositadamente devagar, para poder mudar de rumo rapidamente, se necessário. Novos métodos continuam aparecendo, cada vez com maior frequência: há agora um que usa ondas de rádio para carregar dispositivos em qualquer lugar dentro de uma sala, e outro método que utiliza ultrassons.

Lispky, da EE Times, diz que a “necessidade de alguma grande entidade potencializar a omnipresença dos carregamentos sem fios na atmosfera dos celulares” ainda não foi satisfeita. A Apple deveria ter optado pela tecnologia de carregamento por ressonância magnética, que requer menos precisão na colocação do dispositivo, e conseguem-se carregamentos a maiores distâncias (pense na distância entre a base do carro e um carregador montado no chão), mas em vez disso “escolheu o carregador por indução, menos móvel e de menor alcance para o seu relógio. Porque Apple? Porquê?” pergunta. A Apple continua evitando incorporar carregamentos sem fios na sua linha iPhone, e a utilização deste método no Watch irá inevitavelmente desapontar algumas pessoas. Contudo, a tecnologia sem fios da Apple pode não acompanhar a de outras empresas, permanecendo então com ligações proprietárias como a Thunderbolt.

O “momento” do carregamentos sem fios ainda está por vir.

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O Apple Pay pode mudar a maneira como as pessoas enxergam o comércio

em News & Trends/Tecnologia e Ciência por
Foto: apple.com
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A carteira-móvel da Apple, o Apple Pay, foi lançado com uma série de parcerias com os maiores serviços de cartões, bancos e revendedores. E espera-se que o produto mude a maneira como as pessoas pagam e administram o seu dinheiro, de acordo com a Infosys, a segunda maior fornecedora de serviços tecnológicos da Índia.

O Apple Pay é baseado na tecnologia de campo de comunicações curto (NFC), a qual permite que dispositivos sem fios comuniquem entre si a curtas distâncias. A tecnologia já existe há anos, mas nunca foi utilizada. Contudo, o Apple Pay pode mudar isto, uma vez que a sua chegada aponta para o futuro do comércio, de acordo com Rajashekara V. Maiya, responsável pela estratégia de produtos na Finacle, a unidade de software de comércio da Infosys. Há uma carteira-móvel da Bharti Airtel, empresa sediada em Bangalore, disponível para todos os seus clientes da Bharti Airtel, mas a adesão a este serviço foi modesta. Abaixo, uma entrevista via e-mail com Maiya.

Qual vai ser o impacto global da Apple Pay na indústria dos pagamentos?

Os pagamentos, especialmente na indústria dos pagamentos online, estão passando por várias mudanças, e a entrada da Apple na área dos pagamentos reitera a nossa ideia de que o futuro do comércio vai ser gerido por um grupo de quatro – bancos, fornecedores de telecomunicações, grandes retalhistas e fornecedores de tecnologia. A entrada da Apple nesta área demonstra como o poder está progressivamente se mexendo para essas extremidades. Com acessibilidade, comportabilidade, velocidade e aceitação por parte do ecossistema, vemos mais e mais empresas que oferecem estes serviços seguindo em frente.

Parece que esta é uma área onde até os mercados emergentes estão prontos para a inovação. Será que o Apple Pay vai potenciar a evolução do ecossistema de pagamentos na Índia?

Na verdade, esta mudança foi desencadeada pelos mercados emergentes, liderados pela África. É um caso de renovação inversa. Com o apoio de entidades reguladoras estabelecido, esta tendência vai ganhar mais terreno nos próximos anos. Na Índia, tais serviços já são oferecidos por empresas líder das telecomunicações, tais como a Bharti Airtel, através da Airtel Money, em parceria com a Infosys.

Nos fale sobre a carteira-móvel da Infosys: comparações, funções semelhantes, o estado das infraestruturas da tecnologia NFC na Índia.

No contexto indiano, a carteira-móvel está ganhando terreno com mais retalhistas a aderir ao serviço. Um ecossistema forte e complementar vai levar a tecnologia para o próximo nível nos próximo anos. Tendo em conta o uso limitado da NFC, em conjunto com o seu ainda imaturo ecossistema, a tecnologia vai atingir o seu pico antes de estar totalmente instaurada na Índia, quando comparando com países como a Coreia do Sul ou o Japão. A Infosys’ Finacle atribui ao dinheiro digital o poder de desbloquear novas fontes de receitas, aumentar o alcance de distribuição e fomentar a fidelidade dos clientes para com instituições financeiras, fornecedores de serviços de telecomunicações e retalhistas. A sua capacidade de gerir agentes utilizando canais digitais proporciona uma maneira eficiente em termos de custo-benefício de chegar até clientes mais remotos. Promove ainda a fidelização dos clientes proporcionando serviços como telefonia celular, internet e quiosque com a conveniência de não ser necessária qualquer transação em dinheiro.

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Grand Old Party é visto como mais forte no combate ao terrorismo depois da gafe de Obama

em Mundo/News & Trends/Política por

ObamaO Partido Republicano (GOP) está em vantagem relativamente aos Democratas no que diz respeito à capacidade de defesa do país contra o terrorismo, de acordo com uma sondagem feita pela Gallup. Esta crescente vantagem Republicana atribui-se parcialmente ao passo em falso dado pelo presidente Barack Obama no que diz respeito ao ISIS, dizendo, no fim do último mês, que “ainda não temos uma estratégia”. O GOP tem uma vantagem percentual de 23 pontos em relação aos democratas no que toca ao terrorismo.

Cerca de 55% dos inquiridos afirma que os Republicanos fariam melhor no que diz respeito à proteção dos EUA contra terrorismo internacional e ameaças militares, enquanto que apenas 32% disse que os Democratas são o melhor partido para tratar deste assunto. O inquérito com 1017 adultos foi realizado entre 4 e 7 de Setembro, dias antes de Obama revelar a sua estratégia para “degradar e destruir o ISIS”. O inquérito tem uma margem de erro de 4%. Antes de o inquérito ser realizado, a maior vantagem que os Republicanos tiveram sobre os Democratas no capítulo do terrorismo, havia sido em 2002, quando a Gallup levantou a questão pela primeira vez. Na altura, o GOP gozava de uma vantagem de 19 pontos percentuais sobre os Democratas. Durante 12 anos, a questão foi colocada, e em apenas uma vez, em 2007, os Democratas foram vistos como um partido mais forte para o combate ao terrorismo, sendo preferência de 47% dos inquiridos, e apenas 42% preferia o GOP. Em 2012, ambos os partidos empataram nos 45%.

O crescimento do ISIS, agora conhecido como Estado Islâmico, e as recentes decapitações dos jornalistas James Foley e Steven Sotloff podem ser parte da razão pela qual os republicanos são vistos como um melhor partido para o combate ao terrorismo, de acordo com a Gallup. “A maior vantagem Republicana deste ano está provavelmente relacionada com o aumento da cobertura noticiosa do ISIS e as decapitações de dois jornalistas americanos”, refere-se no inquérito. “Apesar de a administração de Obama ter começado ataques aéreos contra posições terroristas no Iraque, o fato de ter dito estar “sem estratégia” para lidar com este assunto pode explicar o porque de os americanos dizerem que os Democratas poderão proteger melhor os EUA de terrorismo e ameaças militares.

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Alerta no creme dental: encontradas possíveis relações entre o triclosan e câncer

em Educação e Comportamento/News & Trends/Saúde & Bem-estar por

Como o câncer parece ser um inimigo sempre presente, saudamos a aparência de seus emissários letais em objetos prosaicos com uma mórbida falta de surpresa: substâncias cancerígenas se escondem no café, hambúrgueres, tapetes, panos de limpeza e até mesmo na manteiga de amendoim.

Foto: Reprodução
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E pode, aparentemente, estar em um dos cremes dentais mais populares do mercado, um creme dental que você provavelmente jogou em seu próprio carrinho de compras em apenas um segundo.

O possível culpado é o germicida triclosan, encontrado no Colgate Total, um produto amplamente usado que é fabricado pela Colgate-Palmolive. Introduzido em 1997, o fabricante afirma que ele é o “único creme dental aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) para ajudar a combater a placa bacteriana e gengivite”, explodindo os dentes e gengivas com triclosan.

A reivindicação é, pelo menos, parcialmente verdadeira: nenhum outro creme dental nos Estados Unidos contém triclosan, embora muitos sabonetes antibacterianos e cosméticos usem este germicida como um ingrediente. É essa capacidade de combate a bactérias que levantou dúvidas recentemente sobre a segurança do Colgate Total, bem como se a FDA abaixou a cabeça e não deu ouvidos às advertências sobre o composto.

O triclosan é um composto aromático clorado: muito basicamente são dois anéis de benzeno (um hidrocarboneto resistente, com seis átomos de carbono e hidrogênio em cada um), ligado por um átomo de oxigênio, com três átomos de cloro saliente como raios, bem como um grupo hidroxilo solitário (oxigênio mais hidrogênio).

Utilizado pela primeira vez na década de 1970 em hospitais, desde então se tornou um agente antimicrobiano generalizado. O triclosan não só está presente no Colgate Total, como em muitos sabões domésticos, mas também pode ser encontrado em coolers, sapatos e maquiagem, de acordo com a Mae Wu, advogada do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.

Ela diz que o triclosan está em “todo o lugar”, ainda que, como diz ela, vivêssemos “muito bem sem ele” durante vários séculos de convivência humana-microbial no planeta.

“O triclosan é 110 por cento de marketing”, diz Michael Osterholm, que dirige o Centro de Pesquisa de Doenças Infecciosas na Universidade de Minnesota. Michael, que ajudou Minnesota a se tornar o primeiro estado a proibir a maioria dos usos do triclosan.

Ele afirma que o composto foi substituído por agentes antimicrobianos mais seguros e que a Procter and Gamble começou a anunciar a sua pasta de dente Crest como sendo “100% isenta de triclosan”. Isso também pode ser um triunfo do marketing, mas que poder levar mais pessoas a questionar a presença do triclosan em utensílios domésticos.

“O triclosan não é um ingrediente essencial em muitos produtos”, escreve o Dr. James M. Steckelberg da Clínica Mayo. “A adição do triclosan à pasta de dentes se mostrou útil para ajudar a prevenir a gengivite, mas não há nenhuma evidência de que sabonetes antibacterianos e sabonetes líquidos contendo triclosan forneçam quaisquer benefícios extras, de acordo com a FDA”, explica o Dr. James.

Em seu site, a FDA diz que os sabões que contêm compostos antibacterianos, como o triclosan, não se mostraram “mais eficazes na prevenção da doença do que a lavagem com água e sabão comum”. A FDA, no entanto, ainda não considera o triclosan um perigo, mas sugere que os consumidores pensem duas vezes antes de comprar produtos que o contenham.

No início de junho deste ano, a Sociedade de Cuidados de Saúde e Epidemiologia dos Estados Unidos, cuja missão é a prevenção de infecções hospitalares, fez uma recomendação contundente aos médicos em suas orientações para a higiene hospitalar: “Não use sabonetes contendo triclosan”.

Essas diretrizes também citam “preocupações sobre os potenciais impactos ambientais e humanos deste produto químico “e sugere, em vez disso, o uso de produtos à base de álcool para higiene das mãos.

Em 1974, a FDA prometeu, pela primeira vez, estudar o triclosan em sabonetes. Quatro décadas depois, o estudo continua incompleto, embora seja esperado que ele saia em 2016.

O triclosan facilmente entra no corpo através da ingestão ou através da pele. Os Centros de Controle de Prevenção de Doenças testou 2.517 pessoas em 2003 e descobriu que quase três quartos tinham triclosan em sua urina.

A pasta de dentes é um veículo potente que leva o triclosan. “As pessoas que escovaram os dentes com Colgate Total tinham cinco vezes mais triclosan na urina que aquelas que não usaram este creme dental”, escreveu Wu em um post no blog NRDC.

Muito menos claro é o que o triclosan faz (ou não faz) no organismo humano. Por exemplo, uma pesquisa feita por cientistas da Universidade da Califórnia, em Davis, concluiu que quando se trata de triclosan e triclocarban, um agente antibacteriano quimicamente relacionado, “os benefícios podem não valer a pena considerando o risco”.

Os pesquisadores escreveram que o triclosan e triclocarban podem causar doenças neurais e cardíacas, embora eles também tenham admitido que “o estudo está em seus estágios iniciais”.

Outra pesquisa recente sugere que o triclosan possa causar câncer de mama, embora os resultados tenham sido colhidos em camundongos.

O efeitos do triclosan no sistema endócrino – responsável por levar os hormônios para todo o corpo – também são considerados cada vez mais prejudiciais.

Um estudo feito em 2006 com sapos e girinos expostos ao triclosan em ambientes aquáticos descobriu que “a exposição a baixos níveis de triclosan interrompe o desenvolvimento do gene associado ao hormônio da tiróide e pode alterar a taxa desse hormônio no processo pós-embrionário”.

Se o triclosan pode se comportar como um agente que altera o sistema endócrino, ele pode tornar as crianças, bebês e mulheres grávidas especialmente vulneráveis.

Há também uma preocupação com o acúmulo de triclosan em ambientes aquáticos, onde o seu acúmulo poderia “perturbar a vida aquática, alterando comunidades bacterianas nativas”, segundo a ecologista aquática Emma Rosi-Marshall.

Embora a FDA esteja alertando os norte-americanos sobre o consumo de triclosan, a agência não parecia tão preocupada com a questão há 17 anos, quando autorizou o Colgate Total pronto para servir as prateleiras dos supermercados.

Em 2010, o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais processou a FDA por aprovar a documentação do Colgate Total; os documentos, totalizando 35 páginas, nunca tinham sido vistos pelo público antes.

Alguns não estão à espera de uma resolução que pode vir em um futuro distante. No início deste ano, Minnesota se tornou o primeiro estado a proibir o uso de triclosan, apesar dos produtos aprovados pela FDA, como o Colgate Total, estarem fora do alcance da proibição, que não terá efeito até 2017.

A Colgate-Palmolive diz que seu produto é seguro. Patricia Verduin, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Colgate-Palmolive, enviou à Newsweek uma extensa refutação de vários estudos que parecem mostrar os potenciais perigos de triclosan.

Muitas grandes corporações têm removido o triclosan dos sabonetes e cosméticos. Outros provavelmente vão seguir este caminho, se por nenhuma outra razão que não seja uma imagem de vida saudável.

Errata: uma versão anterior deste artigo erroneamente caracterizou as conclusões dos pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Davis. Esse estudo não apontou implicitamente uma ligação entre triclosan e câncer.

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Terapia de cura gay: conheça o tratamento ministrado na China

em Educação e Comportamento/Mundo/News & Trends por

Xiao Jun, um homem de 30 anos, trabalha para uma empresa de treinamento de negócios em Pequim e levava uma boa vida. Ele havia se mudado no ano passado de sua cidade natal, Guangzhou, na província de Guangdong, a capital do sudeste da China.

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Como é costume na China, durante a celebração do ano novo lunar, o filho obediente havia voltado para casa em janeiro para visitar a família e amigos durante o feriado mais importante do calendário chinês. Xiao, no entanto, não estava preparado para o que lhe esperava.

Seus parentes estavam muito interessados em “arranjar” namoradas para ele, já que ele era solteiro.  Havia, por outro lado, um único problema: Xiao é gay e seus pais sabiam disso.

Alguns meses antes, ele havia postado informações sobre um evento gay em Pequim, em sua conta no WeChat – o aplicativo mais popular de mídia social na China – e adicionou os pais como contatos. Logo depois, sua mãe o chamou e perguntou se ele era gay. “Eu não consegui descobrir uma maneira de dizer a ela, então contei a verdade. Ela ficou em silêncio por um longo tempo e depois desligou o telefone”, conta Xiao.

Após os encontros sociais constrangedores, Xiao confrontou seus pais. Por que seus pais permitiram que outros parentes marcassem encontros às cegas sem sentido? Eles responderam que qualquer homem que não se casa “seria ridicularizado”. Xiao respondeu que não iria se casar com nenhuma garota porque era gay. Os pais dele lhe disseram que tinham “descoberto na internet” que “a homossexualidade era curável”.

“Eu não conseguia convencê-los de nenhuma forma, então tive que acatar a ideia deles. Eles são meus pais, afinal”, diz Xiao ao explicar que concordou em procurar terapia para “curar” o que seus pais viam como “sua condição”.

A pressão para se portar de acordo às expectativas da sociedade obviamente não ocorre somente entre as lésbicas, gays, bissexuais e transexuais da China, mas há uma grande diferença. Na China, uma sociedade culturalmente conservadora, a família exerce uma forte pressão sobre as crianças, principalmente as do sexo masculino.

Essa pressão só é intensificada pela controversa política do filho único do país, em vigor desde 1979. Embora tenha sido alterada desde então, a política ainda se aplica a cerca de 40 por cento das famílias chinesas e levou a enormes distorções populacionais, incluindo o desequilíbrio na proporção entre nascimentos de meninas e meninos nascidas desde que a política está em vigor.

O motivo que explica essa enorme pressão é que a grande maioria dos homens gays e bissexuais na China ainda esconde sua sexualidade. De acordo com a primeira pesquisa da comunidade LGBT na China, realizada recentemente pela Community Marketing & Insights, um grupo de pesquisa com sede em San Francisco, apenas 3 por cento dos homens homossexuais se assumem perante a família e amigos. Para muitas famílias chinesas, se o filho é gay, “eles o encaram como um grande problema”, diz Xiao. “Isso é simplesmente a realidade.”

É essa realidade que levou Xiao a embarcar em um avião no dia 10 de fevereiro deste ano para Chongqing, uma enorme cidade no centro da China. Ele procurou na Internet e encontrou uma clínica “especializada” em “cura da homossexualidade”.

A primeira de muitas surpresas foi o preço: a sessão de uma hora custa o equivalente a 80 dólares. O tratamento completo, segundo um conselheiro, incluiu hipnose, terapia de eletrólise e terapia de desvio emocional por cerca de 5 mil dólares.

Ele foi escoltado para um quarto com um treinador, que disse-lhe para tirar os sapatos, deitar-se e “relaxar.” Eles começaram, então, com a “terapia de eletrólise”. Um eletrodo foi preso ao seu braço esquerdo e o conselheiro o instruiu a imaginar que ele estava fazendo sexo com o seu namorado. “E então, quando eu estava imaginando, era para eu mover meu dedo esquerdo”, conta Xiao.

Xiao seguiu as instruções e, imediatamente, sentiu um forte e doloroso choque no braço esquerdo. Atordoado, ele perguntou ao técnico o que estava acontecendo. A resposta, segundo Xiao, foi que eles queriam que ele tivesse um sentimento de horror sempre que pensasse em outro homem.

Ele rapidamente decidiu que tinha acabado com o “tratamento”. “Isso vai me transformar em um psicopata”, diz Xiao. Na manhã seguinte, ele voou de volta para Pequim, encontrou-se com um grupo de amigos e descreveu o calvário. Eles ficaram “chocados, muito irritados”, diz ele.

“É totalmente uma farsa”, disse um amigo de Xiao. “Devemos parar com isso. Muitos pais forçam seus filhos a passar por esse tipo de coisa. Se um médico diz que existe essa tal cura, os pais vão acreditar. Devemos evitar que outras pessoas caiam neste tipo de coisa”, explica Xiao.

A única questão era como. Foi quando um outro amigo do grupo sugeriu que Xiao movesse uma ação judicial. Seria para “chamar a atenção e ajudar a colocar um fim a essas clínicas”, afirmou o amigo.

Antes de contratar um advogado, Xiao e seus amigos fizeram uma série de pesquisas. Eles encontraram um homem chamado Cheng Kai, o conselheiro sênior do centro de Chongqing. O grupo de amigos descobriu que ele tinha a certificação do governo para ser um psicológico “conselheiro”, mas que não tem autoridade para fornecer tratamento físico do tipo dado a Xiao naquela clínica.

Em março, Xiao entrou com uma ação contra Cheng e o centro “de tratamento” por violar suas licenças profissionais, bem como contra o Baidu, o motor de busca chinês – por aceitar publicidade desta clínica.

Um tribunal distrital em Pequim ouviu o caso em agosto e como Xiao e seus partidários esperavam, ele recebeu ampla cobertura da mídia na China. A atmosfera de circo cercou o tribunal, com artistas gays performáticos entretendo os veículos de comunicação ali presentes.

Dentro do tribunal, Cheng negou que tivesse dado a Xiao o tratamento de choque. Mas Xiao tinha gravado clandestinamente toda a sessão e foi capaz de reproduzir a gravação. Quando saiu da sala do tribunal, Xiao declarou que “estava tremendo”.

Um veredito é esperado em breve. De qualquer forma, o montante da indenização que Xiao procura gira em torno de 1.700 dólares de cada réu.

“Estes são os primeiros dias aqui – referindo-se à opressão que a comunidade LGBT sofre -, não se pode comparar o que está acontecendo aqui com o que está acontecendo nos Estados Unidos ou na Europa. Mas esse foi um grande avanço”, finaliza Xiao

 

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