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News & Trends - page 186

O ciclismo é a nova tendência do trânsito brasileiro

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A bicicleta é mais do que um simples modo de transporte. Não polui e ainda contribui muito para a saúde de seus condutores. Exatamente por isto, a Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587/12) a estabelece como prioritária, junto com outros tipos não motorizados, sobre os modos motorizados. Significa, portanto que o poder público deveria ser o primeiro a cumprir esta hierarquização.

De acordo com Antônio Nélson Rodrigues da Silva, do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP), o poder público pode e deve contribuir para um aumento progressivo na demanda por este modo, uma vez que ele já é uma tendência mundial – e o Brasil não deve fugir à regra nos próximos anos. No entanto, investimentos neste sentido esbarram muitas vezes na oposição de setores da sociedade, por exemplo os motoristas e comerciantes que se beneficiam dos modos motorizados, além da própria indústria automobilística. “Ao priorizar espaços para as bicicletas, invariavelmente se terá de tirar o espaço de alguém, no caso, os carros”, explica.

Além da infraestrutura necessária para a segurança dos ciclistas e do próprio tráfego em geral, fornecer a própria bike pode ser uma atribuição do Estado, especificamente na esfera municipal, de forma direta ou por meio de concessões ou permissões, o que já é uma realidade em outros países, segundo o que afirma a coordenadora de Educação no Trânsito do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Maria Cristina Hoffmann. “Muitas cidades, como Copenhague, Amsterdã, Londres e Berlim estão em fase de adaptação para promover o aumento do uso das bicicletas como meio de transporte e, mais recentemente, algumas cidades brasileiras como o Rio de Janeiro, Brasília, Sorocaba, Santos, entre outras”, conta.

Apaixonado pelo assunto, o comerciante de bicicletas José Carlos Feliciano, de Taquaritinga (SP), comenta que outras iniciativas mundo afora indicam caminhos alternativos para estimular – até financeiramente – a utilização das bikes. “A França , além de criar regras que favorecem o uso das bicicletas, está pagando R$ 0,77 por quilômetro percorrido para os franceses que decidirem ir para o trabalho por este meio.”

Dificuldades e riscos

O publicitário e empresário Tiago Benevides, de 28 anos e morador de Nova Iguaçu (RJ), conta que anda de bicicleta constantemente: além de ir trabalhar e de fazer pequenos trajetos sobre duas rodas, também treina distâncias médias durante a semana (de 15 km a 35 km) e longas aos sábados e domingos (50 km, 70 km ou mais). De acordo com ele, sua experiência permite observar certos “gargalos” na administração pública quanto a este tema. “Minha cidade não me ajuda em praticamente nada relacionado à bicicleta; meus treinos sempre são em horários que não sejam de rush, ou muito cedo ou bem tarde, já que temos apenas uma ciclovia cuja extensão não deve ser maior do que 3 km”, reclama. “Pedalar em Nova Iguaçu é para poucos: realmente é necessária muita atenção para andar em meio aos carros, ônibus e motos; é um risco que se corre, mas fazer o quê?”

Além do poder público, a iniciativa privada também pode contribuir para uma melhor condição do ciclismo diário, ou seja, aquele que não se restringe apenas ao lazer ou a pedaladas eventuais. De acordo com Lennon Lúcio Farias, de 23 anos, que é entregador em Curitiba (PR) e utiliza este meio em seu trabalho, até por falta de fiscalização do município, a empresa não o orientou – por exemplo – a utilizar itens de segurança. Ele coloca que um dos maiores riscos ocorre quando a bicicleta compartilha a via com outros veículos. “Por uma bike não ter barulho de motor, muitos não nos escutam chegando perto e facilmente podem acabar mudando de direção e passando em nossa frente”, explica, contando que costuma sempre conduzir “por si e pelos outros”, prevendo já a possível desatenção dos demais.

Até neste sentido, é muito importante a regra do “ver e ser visto”, especialmente ao se trafegar na mesma via que veículos motorizados, na opinião de Luiz Gustavo Campos, especialista em Gestão de Trânsito e Mobilidade Urbana da Perkons. “Ser visível no trânsito ajuda muito a evitar acidentes: roupas escuras dificultam a visibilidade noturna; o ideal é usar roupas claras e capacete colorido e, além dos refletores na traseira, dianteira e laterais da bicicleta – que são obrigatórios – uma lanterna com luz branca na dianteira e vermelha na traseira para passeios noturnos”, afirma. “Como a bicicleta é pequena e, por isso, pode facilmente entrar no ‘ponto cego’ dos veículos, toda atenção ajuda, e tudo o que puder auxiliar o ciclista a notar os demais e a ser notado por eles é fundamental, como o retrovisor do lado esquerdo e a campainha, que também são itens obrigatórios”, completa.

A atuação do Estado

Maria Cristina Hoffmann conta que, para um bom uso da bicicleta, são necessários cuidados especiais, como uma boa sinalização, exigência do uso de equipamentos de proteção e educação dos condutores. Para tanto, de acordo com ela, o Ministério das Cidades investe em ações de conscientização, especialmente cartilhas com regras de circulação. O órgão também apoia – além da construção de ciclovias e ciclofaixas junto à pavimentação de ruas – projetos de sistemas cicloviários e estacionamentos de bicicletas integrados aos sistemas de transporte coletivo estruturantes, como o metroferroviário e os corredores de ônibus. “O objetivo é contribuir para a construção de uma mobilidade sustentável em que a base seja a integração modal entre todos os modos de transporte motorizados e não motorizados”, esclarece.

Entretanto, como explica Antônio Nélson da Silva, especialista da EESC-USP, o investimento em uma infraestrutura que evite acidentes ao ciclista não basta. É fundamental, segundo ele, que os estudos realizados no âmbito acadêmico sejam levados ao ambiente técnico e governamental, pois – do contrário – o planejamento necessário para a execução destas iniciativas poderá ser insuficiente. “Há que se levar em conta – a exemplo do que uma pesquisa em andamento tem constatado – graus de exposição do ciclista a fatores como estresse e poluição atmosférica e sonora, isto sem contar o risco que se corre – caso não haja uma averiguação adequada – de se criar uma estrutura que ligue nada a lugar nenhum.”

O professor diz ainda que, se houver vontade política, qualquer pressão socioeconômica pode ser superada, na medida em que os governos se convençam e – com isto – levem à compreensão do povo de que um uso maior da bicicleta gera uma série de benefícios sociais importantes, como a melhora da saúde (pelo exercício físico e por uma diminuição da poluição do ar), além da redução de congestionamentos e de acidentes. “Outros países, como a Bélgica e a Holanda, tiveram vários problemas para implantar seus modelos, mas os governos compraram a briga”, completa.

Em 2015, 50% das pessoas vão escolher um smartwatch no lugar de uma pulseira inteligente

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De acordo com o Gartner, empresa mundial em pesquisa e aconselhamento sobre tecnologia, estima-se que as vendas de acessórios eletrônicos fitness deverão chegar a 68,1 milhões de unidades em 2015, abaixo dos 70 milhões de unidades em 2014. Essa queda temporária será impulsionada por uma sobreposição na funcionalidade entre as pulseiras inteligentes por outros monitores fitness e smartwatches. Porém, o mercado para pulseiras inteligentes e outros monitores fitness irá ressurgir em 2016, em virtude dos designs e modelos versáteis com displays de custo menor.

“Os equipamentos fitness são usados para monitorar a saúde, que caminha lado a lado com o condicionamento físico e o bem estar”, diz Angela McIntyre, Diretora de pesquisas do Gartner. “Os consumidores poderão integrar os dados da maioria dos dispositivos em uma única conta, em que seus dados poderão ser analisados por meio de computação cognitiva para fornecer insights úteis aos usuários. As iniciativas são financiadas pela Qualcomm, Apple (HealthKit), Google (Google Fit), Samsung (S.A.M.I.), Microsoft, Nike e Intel, entre outras empresas, que farão inovações nos equipamentos fitness e no monitoramento da saúde, criando a infraestrutura para a combinação dos dados relevantes para a saúde e o condicionamento físico”.

Os cinco principais form factors (formatos) de acessórios eletrônicos fitness são pulseiras inteligentes, relógios esportivos, monitores, cintas de monitoramento cardíaco e roupas inteligentes.

Os relógios esportivos e as cintas cardíacas estão bem estabelecidos, comparados com pulseiras inteligentes, que se tornaram populares pela primeira vez com o Jawbone Up, lançado em 2011. O Gartner afirma que a categoria de vestuário inteligente tem o maior potencial de crescimento pela frente, pois essa categoria está emergindo da fase de testes. As camisetas inteligentes já estão disponíveis para atletas e treinadores de times profissionais. A previsão é de que as vendas de vestuário inteligente deverão crescer de 0,1 milhão de unidades em 2014 para 26 milhões de unidades em 2016 (ver Tabela 1).

Tabela 1 – Worldwide Wearable Electronic Fitness Devices Shipments Forecast, 2013-2016 (Millions of Units)

Device Category

2013

2014

2015

2016

Smart Wristband

30

20

17

19

Sports Watch

14

18

21

24

Other Fitness Monitor

18

20

12

15

Chest Strap

11

12.1

8

7.3

Smart Garment

0.01

0.1

10.1

26

Total Market

73.01

70.2

68.1

91.3

Fonte: Gartner (Outubro de 2014)

Desmistificação é chave para o combate à discriminação de gênero no mundo do trabalho

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A percepção de que os custos da mão de obra feminina são superiores aos da masculina foi desmistificada pela diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Abramo, durante a 5ª Oficina do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça em Brasília no início de novembro. A iniciativa foi coordenada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, com apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da ONU Mulheres e da OIT.

Em sua apresentação, a diretora da OIT no Brasil demonstrou a importância de desconstruir imagens de gênero que constituem barreiras significativas ao acesso das mulheres a mais e melhores empregos. Uma dessas ideias é que os custos associados ao trabalho das mulheres são superiores ao dos homens, devido basicamente às medidas legais de proteção à maternidade e ao cuidado infantil.

Sem base em cifras ou estatísticas, outra alegação usada é que as mulheres recebem salários menores não por causa de discriminação, mas sim à necessidade de compensar esse maior custo de contratação. Para analisar a veracidade dessas afirmações, a OIT realizou no começo dos anos 2000 um estudo sobre os custos relacionados à contratação de homens e mulheres em cinco países da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, México e Uruguai.

A pesquisa considerou custos diretos (salários) e indiretos para os empregadores relativos à contratação de homens e mulheres, levando em conta benefícios garantidos pelas legislações nacionais, como licença e salário maternidade, creches, pausas para amamentação, ausências remuneradas para acompanhar os/as filhos/as, etc.

Os resultados mostraram que os custos monetários para o empregador relacionados à contratação de mulheres, no que diz respeito à proteção à maternidade e ao cuidado infantil, representam menos de 2% de sua remuneração bruta mensal. A principal explicação para isso é que os benefícios médicos e monetários associados à proteção da maternidade nesses cinco países não são financiados diretamente pelos empregadores que tomam a decisão de contratar uma mulher, mas sim por fundos públicos ou sistemas de seguridade social.

Tire suas dúvidas sobre os direitos na união homoafetiva

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Foto: UNAIDS
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A união estável entre homossexuais ainda não está garantida em lei. Mas já o reconhecimento pela Justiça. Mesmo assim, o assunto ainda provoca muitas dúvidas na sociedade. Para esclarecer essas dúvidas, os advogados Felipe Godinho da Silva Ragusa e Daniella de Almeida e Silva, sócios do Amaral de Andrade Advogados Associados, tradicional escritório fundado em 1992 na capital paulista especialista em Direito de Família e Direito Homoafetivo, respondem as questões abaixo.

Como é reconhecida a união homoafetiva atualmente?

O Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento conjunto da ADPF n. 132/RJ e da ADI nº 4.277/DFreconheceu ser inconstitucional qualquer distinção de tratamento às uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo. Após o julgamento, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou a Resolução 175, que permite o casamento civil de pessoas do mesmo sexo.

Assim, a união entre pessoas do mesmo sexo, fato social que não é novo no tempo e até eram ignorados pelo ordenamento jurídico pátrio, hoje é equiparada à união estável entre homem e mulher, assegurando aos parceirosdireitos previdenciários, direitos sucessórios, direito ao benefício do seguro saúde, além de outras garantias.

Dessa forma, preenchidos os requisitos, estará configurada a união estável, que poderá ser declarada através de escritura pública ou, se desfeita, reconhecida judicialmente a pedido de qualquer das partes, como ocorre entre as relações entre homem e mulher. Após a entrada em vigor da resolução 175 do CNJ, os cartórios do Brasil não podem recusar os pedidos de conversão dessas uniões em casamento.

Para que os casais tenham os seus direitos garantidos ainda é necessário recorrer à Justiça?

Não há necessidade de recorrer à Justiça. Preenchidos os requisitos previstos no Código Civil, estará configurada a união estável, assim como ocorre na união estável entre homem e mulher. Poderá ser declarada através de escritura pública, para fins de comprovação, por exemplo, junto a empresa de plano de saúde.

Caso seja desfeita essa união, qualquer das partes pode pleitear o seu reconhecimento em juízo para fins de partilha de bens, ou pedido de alimentos, exatamente da mesma formo como ocorre entre homem e mulher.

Em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo(ou a conversão da união homoafetiva em casamento), havendo recusa do cartório as partes poderão recorrer à Justiça para garantir esse direito.

Quais são as regras para que uma união homoafetiva se enquadre no conceito de União estável?

As regras para a configuração da união estável homoafetiva são as mesmas para a união estável entre homem e mulher e estão previstas no artigo 1.723 do Código Civil. São elas a convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.

Quais são os direitos desse tipo de relação no que diz respeito à comunhão de bens?

As partes poderão eleger para a união estável homoafetiva por meio de escritura pública, qualquer dos regimes de bens do casamento previstos no Código Civil, que são: a) Comunhão Parcial; b) Comunhão Universal; c) Separação de Bens (convencional ou obrigatória) e d) Participação Final nos Aquestos.

No caso de morte de um companheiro o outro tem direito a pensão do INSS?

Os companheiros da relação homoafetiva terão os mesmos diretos e deveres das famílias formadas por homens e mulheres. Assim, comprovada a dependência econômica entre as partes, no caso de morte o companheiro sobrevivo terá direito à pensão do INSS.

Parceiros já podem ser colocados como dependentes nos planosde saúde?

Os parceiros poderão ser incluídos como dependentes nos planos de saúde. Havendo a recusa, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para garantir esse direito. A comprovação da união estável, para esses casos, poderá ser feita através de Escritura Pública que declare a existência da união estável homoafetiva.

E no caso do Imposto de Renda? Os companheiros podem ser declarados como dependentes?

A Receita Federal já admitia a inclusão de parceiros homossexuais como companheiros dependentes. As decisões dos Tribunais Superiores que reconheceram as uniões homoafetivas como entidade familiar dão maior respaldo à essa posição.

Como é vista a adoção por homossexuais atualmente? Oprocesso se tornou mais fácil de alguma maneira?

Nossa legislação não permite expressamente a adoção em conjunto por pares homossexuais mas, por outro lado, não impede os homossexuais de adotarem. Há no Brasil reiteradas decisões favoráveis à adoção por casais homoafetivos, levando-se sempre em consideração a idoneidade dos adotantes e, precipuamente, o melhor interesse dos adotandos.

Mais comuns são os casos onde juízes concedem a adoção para um ou outro indivíduo homossexual. Tal situação deixa de atentar no prevalente interesse do menor pois uma das partes estaria fora dessa relação, alijado de direitos inerentes à paternidade. É evidente que a adoção não pode estar condicionada à preferência sexual, sob pena de infringir o respeito à dignidade humana. Está em trâmite na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2285/2007, de autoria do deputado Sérgio Barradas Carneiro do PT/BA, que cria o chamado “Estatuto das Famílias”.

Referido projeto de lei tem como objetivo alterar os institutos do Direito de Família, dentre eles as questões relativas àguarda, convivência com filhos e também a adoção, assegurando tais direitos também às entidades familiares formadas por pessoas do mesmo sexo.

Inovação pode promover mudanças para crianças menos favorecidas

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Foto: UNICEF/UNI161865/HOLT
Foto: UNICEF/UNI161865/HOLT

Medidas urgentes são necessárias para evitar que milhões de crianças sejam privadas dos benefícios gerados por inovações, afirma o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em relatório global lançado no 25oaniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança. De acordo com a agência da ONU, conectividade e colaboração podem impulsionar novas redes globais, com o objetivo de alavancar inovações para alcançar todas as crianças.

O relatório “Situação Mundial da Infância 2015 – Reimagine o futuro: Inovação para cada criança” conclama governos, profissionais do desenvolvimento, empresas, ativistas e comunidades a trabalhar em conjunto para estimular novas ideias que possam solucionar alguns dos problemas mais prementes enfrentados pelas crianças – e encontrar novas formas de dimensionar as melhores inovações, e as mais promissoras em termos locais.

O relatório “Situação Mundial da Infância 2015”, totalmente digital, inclui conteúdo interativo multimídia que convida os leitores a compartilhar suas próprias ideias e inovações, destacando inovações notáveis que já vêm melhorando a vida das pessoas em grande número de países.

“A desigualdade é tão antiga quanto a humanidade, mas a inovação também é – e é a inovação que vem sempre impulsionando os progressos da humanidade”, afirma Anthony Lake, diretor executivo do UNICEF. “Em nosso mundo cada vez mais conectado, soluções locais podem causar impacto global – beneficiando crianças em todos os países que ainda enfrentam diariamente desigualdade e injustiça.”

“Para que inovações beneficiem todas as crianças, precisamos ser mais inovadores – repensando como fomentar e estimular novas ideias para solucionar nossos problemas mais antigos”, diz Lake. “As melhores soluções para nossos desafios mais difíceis não virão exclusivamente de cima para baixo. Virão de novas redes de resolução de problemas e de comunidades de inovação, atravessando fronteiras e setores para chegar aos mais difíceis de alcançar – e virão de jovens, de adolescentes e das próprias crianças.”

Em 1989, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Convenção sobre os Direitos da Criança. Desde então, grandes progressos têm sido realizados na promoção dos direitos da criança – reduzindo drasticamente o número de crianças que morrem antes de completar 5 anos de idade e ampliando o acesso a educação e a água limpa.

Direitos de milhões de crianças são violados todos os dias

Segundo alertou o UNICEF, as crianças pertencentes à parcela dos 20% mais pobres do mundo têm probabilidade duas vezes maior de morrer antes de seu quinto aniversário do que as crianças que fazem parte dos 20% mais ricos.

Nos países menos desenvolvidos, cerca de uma em cada quatro crianças está engajada em trabalho infantil. Milhões de crianças sofrem regularmente discriminação, violência física e sexual, assim como abusos e negligência.

Esta edição do principal relatório do UNICEF argumenta que inovações – como sais de reidratação oral ou alimentos terapêuticos prontos para consumo – ajudaram a impulsionar mudanças radicais na vida de milhões de crianças ao longo dos últimos 25 anos, e que outros produtos, processos e parcerias inovadores são essenciais para a concretização dos direitos das crianças mais difíceis de alcançar.

Exemplos brasileiros

O UNICEF vem priorizando inovações por meio de sua rede composta por mais de 190 países, criando centros de interesse em todas as partes do mundo, incluindo Afeganistão, Chile, Kosovo, Uganda e Zâmbia, para fomentar novas formas de pensar, trabalhar e colaborar com parceiros e para estimulando talentos locais.

Em seu artigo no relatório “Situação Mundial da Infância”, a vice-diretora executiva do UNICEF, Yoka Brandt, cita o aplicativo para smartphones e tablets “Proteja Brasil” como um bom exemplo das inovações que vêm aumentando a conscientização da sociedade em relação ao enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes.

Outra inovação do Brasil apresentada no relatório do UNICEF é o trabalho com a plataforma Vojo, que vem beneficiando comunidades mais vulneráveis, como os quilombolas da Ilha da Maré, na Bahia.

O cofundador do Instituto Mídia Étnica, Paulo Rogério Nunes, explica em seu artigo como essa plataforma de código aberto está ajudando muito adolescentes e jovens que não têm acesso a computadores, smartphones ou tablets a atuar como jornalistas cidadãos, aumentando sua visibilidade e ampliando sua voz.

Além do aplicativo Proteja Brasil e da plataforma Vojo – apresentados no relatório Situação Mundial da Infância 2015 –, outras iniciativas inovadoras vêm ajudando a transformar a vida de crianças e adolescentes no País.

Desde 2011, o Mapeamento Digital de Riscos Socioambientais Liderado por Adolescentes e Jovens oferece uma oportunidade para que meninas e meninos conheçam melhor o ambiente em que vivem.

A tecnologia, desenvolvida pelo PublicLab em parceria com o UNICEF, consiste em utilizar um aplicativo de celular que permite registrar fotos georreferenciadas. Para registrar fotos aéreas do bairro, os adolescentes e jovens usam câmeras fotográficas acopladas em uma pipa criada para essa finalidade.

Thainara Ribeiro, de 15 anos, participou da oficina do Mapeamento Digital em Manaus, em outubro deste ano, e se empolgou com a ideia de poder mudar muitas coisas em sua comunidade. “Aprendi que, sim, nós os adolescentes podemos ser a grande diferença na nossa sociedade com ideias inovadoras podemos construir um mundo melhor”, disse a jovem.

O resumo executivo do relatório Situação Mundial da Infância 2015 está disponível em português na biblioteca virtual do UNICEF no Brasil.

Para acessar o relatório na íntegra (disponível em inglês): http://sowc2015.unicef.org

Fonte: onu.org.br

Mais de um terço dos adultos norte-americanos utilizam smartphones para chamadas de vídeo

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Foto: Reprodução
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As chamadas de vídeo se tornam uma atividade cada vez mais usual dos smartphones, com um alto índice de adoção em alguns mercados, de acordo com pesquisa do Gartner Inc., líder mundial em pesquisa e aconselhamento sobre tecnologia. A pesquisa entrevistou mais de 6.500 consumidores norte-americanos e alemães sobre como empregam a tecnologia e quais atitudes tomam para ter uma melhor imagem na utilização dos dispositivos para o trabalho e o lazer.

Mais de 50 milhões de adultos norte-americanos utilizam os smartphones para chamadas de vídeo. Esse número pode ultrapassar os 60 milhões de pessoas quando se inclui jovens de 17 anos ou menos. Na Alemanha, mais de oito milhões de adultos usuários de smartphones (cerca de 20 por cento) utilizam seus dispositivos para chamadas de vídeo, um número que pode ultrapassar os 10 milhões quando se inclui jovens de 17 anos ou menos. O Gartner define a chamada de vídeo como uma comunicação interpessoal que usa um aplicativo de vídeo, como o FaceTime da Apple, Skype ou Google Hangouts.

Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse: http://www.gartner.com/newsroom/id/2921317

120 mil pessoas receberão vales-alimentação da ONU na Ucrânia

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Foto: ACNUR/Iva Zimova
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Objetivo é ajudar as famílias que vivem na região e que encontram dificuldades crescentes para se alimentar devido à elevada taxa de desemprego, à desvalorização da moeda, à inflação crescente e ao aumento dos preços dos alimentos.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU acaba de anunciar que 10 mil pessoas deslocadas internamente na região de Donetsk, na Ucrânia, serão as primeiras beneficiadas de um novo projeto que prevê, nos próximos seis meses, alimentar mais de 120 mil através de vales-alimentação.

O objetivo é ajudar as famílias que vivem na região e que encontram dificuldades crescentes de manter uma alimentação suficiente e nutritiva devido à elevada taxa de desemprego, à desvalorização da moeda, à inflação crescente e ao aumento dos preços dos alimentos.

Lembrando que a situação dos civis no leste da Ucrânia continua sendo uma “preocupação prioritária”, a porta-voz do PMA, Elizabeth Byrs, afirmou que “a distribuição de vales-alimentação injetou cerca de meio milhão de dólares nas comunidades locais” já que as famílias, deslocadas por causa dos combates em curso, resgatam os vales de 45 dólares nas lojas locais.

Até o momento, o governo da Ucrânia registrou mais de 450 mil pessoas deslocadas, porém a ONU estima que mais famílias deixaram suas casas devido aos conflitos que afetam o país.

Fonte: onu.org.br

Vaidades que geram progresso

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Em uma antiga propaganda de relógios, uma pergunta aparecia abaixo da foto de um menino ouvindo com atenção e curiosidade o tic-tac de um relógio: What makes it tick? (em tradução livre: O que é que faz esse tic-tac dele?). Não vou tratar de relógios antigos nesta época em que quase desapareceu o tic-tac, e competições acirradas são decididas por milésimos de segundo. Revelarei apenas algumas elucubrações sobre uma pergunta similar: O que é que faz o mundo girar?

Para tranquilidade da maioria dos leitores, não são objeto desta crônica a engenharia espacial, a astrofísica e outras ciências, que admiro mas procuro manter tão distantes quanto possível. Quero apenas indicar, mais do que desenvolver, certas forças psicológicas que influenciam a vida humana. O assunto é vasto, mas aqui eu o limito a um aspecto pequeno, embora importante. O fato é que progressos reais da humanidade podem resultar de alguns vícios ou comportamentos censuráveis. Direi algo sobre isso, avaliando a influência da vaidade humana.

Minha atenção, ao tratar deste assunto, não está voltada para os aspectos morais, mesmo sabendo-os muito importantes. Os moralistas condenam vícios como a vaidade e elogiam as virtudes opostas, como o refinamento e a elegância. O precário equilíbrio entre as virtudes e os vícios opostos resulta em verdadeiro progresso. Estilistas da moda, por exemplo, mesmo não tendo a intenção de incentivar a vaidade feminina, conseguem resultados esplêndidos com a simples combinação de cores. Isso é bom, é belo e gera progresso. Mas a moda atual leva à decadência até quando mistura cores.

Na História há inúmeros exemplos de vaidades que geraram progressos para a sociedade. Luís XIV gostava de ser chamado Rei-sol, indicando não pequeno grau de vaidade. Mas isso contribuiu para ele desenvolver distinção, elegância e bom gosto que ainda hoje influenciam o comportamento humano. Maravilhas que hoje os turistas admiram no palácio de Versalhes foram realizadas por jardineiros, arquitetos, pintores, artistas e artífices diversos, mas a inspiração e orientação foram dele. Fez isso por pura vaidade? Duvido que o mais canhestro crítico desse monarca chegue até lá.

Uma pequena marca da sua genialidade foram os sapatos de salto alto, tão úteis hoje para a elegância feminina. Para realçar seu aspecto majestático, prejudicado por sua baixa estatura (1,63m), surgiu a ideia de acrescentar a ela alguns centímetros, e o conseguiram aumentando a altura do salto dos sapatos. Alguém poderia perguntar se não seria melhor e mais barato encomendar um par de tamancos na Holanda; mas você imagina o Rei-sol usando tamancos?! Quem se arriscaria a sugerir tal decadência a um rei tão empenhado no progresso? As mulheres devem entoar loas ao Rei-sol, de cuja inspiração resultou esse artifício que tanto lhes agrada.

A rainha Maria Antonieta consumiu rios de dinheiro com roupas e joias. Foi caluniada de modo implacável pelos revolucionários, embora fosse dela o direito de usar assim todo esse dinheiro que lhe pertencia. Ao ser introduzida aos 15 anos na corte francesa, uma preceptora despertou sua atenção para o grande papel que poderia exercer em todo o reino por meio da moda. Realçou a perspectiva, comentando que cada novo modelo de chapéu, cada novo tipo de renda, geraria meios de vida e condições de trabalho para milhares de artesãos. Muitos que se dedicavam à tecelagem e à costura progrediram, criando tecidos e trabalhos maravilhosos voltados para essa “vaidade” da rainha e das inúmeras damas que a emulavam. Pode-se afirmar com segurança que o bom gosto, a elegância e vários tipos de artesanato regrediram ou pararam de progredir quando ela foi caluniada, perseguida e guilhotinada.

Havia só vaidade culpável no comportamento dela? Seria uma afirmação muito tacanha, não lhe parece?

O comportamento social de outro personagem, que se impôs nos anos seguintes ao martírio de Luís XVI e Maria Antonieta, deprimiu os bons modos antigos do casal real e dos nobres. Obras de ficção histórica de Conan Doyle descrevem a vulgaridade e grosseria de Napoleão em salões onde antes reinavam distinção e elegância. Tentava comandá-los em ritmo autoritário de caserna e de desfile militar.

Historiadores adeptos da Revolução Francesa elogiam o gesto dele quando seria coroado imperador na catedral de Notre Dame. O cerimonial exigia, por tradição e por motivos simbólicos, que a coroa lhe fosse colocada na cabeça pelo representante do poder espiritual. No momento em que isso seria feito, ele tomou a coroa e “se coroou”. Arrogância? Vaidade? Orgulho? Tudo isso e ainda outros vícios se podem ver nesse e em incontáveis outros gestos desse déspota.

Com a ascensão dele ao comando da França e de quase toda a Europa, subiu também toda a sua família, cujos membros foram enfeitados com cargos e títulos em profusão. Durante um encontro dos irmãos autopromovidos, um deles comentou: “Quem diria, hein! Ah, se papai nos visse!”. Simples manifestação de vaidade? Não, esse comentário denota muitas outras más tendências descontroladas.

Na grande feira mundial das vaidades, ou vanity fair, líderes exponenciais como Luís XIV e Maria Antonieta impulsionam o progresso verdadeiro, atraem para cima, para o que é bom e belo. Para estimular decadências como a que o imperador corso praticou e inspirou, não faltam hoje degenerados, artificialmente engrandecidos como reis do rock, da arte moderna e de tantos outros desvarios. Também proliferam os seus admiradores, e ambos se multiplicam num círculo literalmente vicioso. Enquanto isso o mundo gira, numa competição desenfreada pelo maior grau de decadência.

Por Jacinto Flecha, médico e colaborador da Abim.

ONU pede que cessar-fogo seja respeitado para permitir entrega de ajuda humanitária no Sudão do Sul

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Foto: IRIN/Hannah McNeish
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“Por mais que ampliemos nossas operações, nunca seremos capazes de fazer o suficiente se o conflito continuar destruindo vidas e meios de subsistência”, lembrou a vice-secretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários.

Em missão de três dias no Sudão do Sul, a vice-secretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Kyung-wha Kang, pediu nesta sexta-feira (21) que todas as partes envolvidas no conflito respeitem o cessar-fogo, enquanto a comunidade internacional deve continuar oferecendo apoio para que as operações humanitárias sejam expandidas.

Apesar de a comunidade humanitária ter provido assistência a mais de 3,5 milhões de pessoas, a situação no Sudão do Sul continua grave e o número de pessoas que sofrem de severa insegurança alimentar deve aumentar para 2,5 milhões até o início de 2015.

Kyung-wha Kang ressaltou as consequências do conflito, que já dura um ano no país e levou mais de 1,9 milhão de pessoas a deixar suas casas – enquanto mais de 100 mil pessoas já procuraram abrigo nas bases das Nações Unidas.

Além disso, casas foram incendiadas, conflitos destruíram comunidades, famílias foram separadas e civis foram mortos, estuprados e feridos.

“Por mais que ampliemos nossas operações, nunca seremos capazes de fazer o suficiente se o conflito continuar destruindo vidas e meios de subsistência. Todas as partes envolvidas no conflito devem mostrar liderança e trazer a paz para este país”, disse a vice-secretária-geral.

Fonte: onu.org.br

Requalificar o centro das cidades brasileiras: um sonho impossível?

em Brasil/News & Trends/São Paulo/The São Paulo Times por
Foto: Wikimedia
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Não foi a primeira vez, não será a última. Um amigo, que cresceu e constituiu família em uma metrópole brasileira, desabafou comigo. Jurou que vai fazer as malas para a Europa, não suporta mais sua vida caótica: trânsito, sujeira, falta de respeito, violência… Ele viveu algum tempo em uma capital europeia e lá conseguia ser uma pessoa mais ativa e menos ansiosa. Acha que uma nova rotina fará bem à sua saúde, mas não acredita que a cidade em que vive possa também “mudar de ares”. Será?

Em uma palestra recente, o renomado arquiteto polonês Daniel Libeskind, responsável pelo projeto de reconstrução da área onde caíram as antigas torres do World Trade Center, em Nova York, comparou as cidades em que trabalhou a “corpos vivos” com alma e variações de humor. Vendo dessa maneira, não há dúvidas de que os grandes municípios brasileiros estão doentes, abatidos e resignados a uma condição que não lhes é confortável. A boa notícia é que algo, lentamente, está mudando, mesmo que com um gigantesco atraso.

Cidades mal planejadas não são uma exclusividade brasileira. Londres, Roma e Chicago, por exemplo, conviveram com períodos de crescimento populacional desenfreado que se refletiram na ocupação desorganizada e a consequente degradação de áreas urbanas importantes, sobretudo nos centros históricos. O crescimento econômico gerou decadência social, à medida que foram subtraídas áreas verdes, opções de lazer e espaços para pedestres. Morar em bairros valorizados, a princípio uma opção de comodidade para se aproximar de serviços e empregos, ao longo do tempo se transformava em um castigo.

Foram necessárias décadas de intervenções para que esses lugares ganhassem nova vida. Projetos do poder público e da iniciativa privada provaram que é possível revitalizar metrópoles seguindo alguns preceitos fundamentais: reconhecer os problemas urbanos, valorizar o espaço público, negociar contratos imobiliários e pensar a longo prazo. Todas missões igualmente difíceis, mas não impossíveis.

Pode parecer um discurso romântico, porém, acredite, é técnico e sensato. Conhecemos casos bem-sucedidos do tipo no Brasil, como a revitalização do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, e a construção do Corredor Central, no Rio de Janeiro. Realizados na década de 80, ambos os projetos tiveram êxito em requalificar áreas decadentes de suas regiões, com soluções urbanísticas que restauraram prédios históricos e criaram áreas simbólicas para a população, utilizadas até hoje em grandes eventos públicos, como a Virada Cultural paulistana.

Em alguns momentos podemos questionar o estado de conservação atual dessas obras, mas é notório que elas são “oásis” de convívio em meio a entornos problemáticos. Os benefícios de um espaço reabilitado são permanentes e é com grande entusiasmo que observamos projetos do tipo se espalhando pelo Brasil.

Exemplos não faltam: no Rio de Janeiro, as obras para os Jogos Olímpicos buscam inspiração na experiência de Barcelona-1992 para revitalizar a zona portuária. Em São Paulo, o plano diretor recentemente aprovado prioriza a diminuição da densidade habitacional, com a urgência de se amenizar os sérios problemas de mobilidade. Projetos como a construção do Parque Temático de Entretenimento Educacional Cidade da Criança, em Fortaleza, preveem recuperação das áreas públicas existentes, com proposição de novas áreas verdes. Também merecem destaque as propostas de requalificação da orla do Guaíba e do Cais Mauá, em Porto Alegre, que buscam incentivar o convívio entre os moradores e aproximá-los da natureza.

Essas são apenas algumas iniciativas interessantes, dentre várias em execução pelo país. A tendência é que duvidemos da nossa capacidade de promover modificações desse porte, é até natural, conhecemos tantas histórias de obras que nunca saíram do papel… Isso é o que diria o meu amigo, que deve mesmo partir sem ver nenhuma mudança acontecer. Mas aos que ficarem por aqui, vale acreditar: com o interesse de todos, nossas cidades podem sim ganhar nova cara e autoestima – e isso se refletirá em moradores também mais saudáveis e felizes.

Por Leonardo Fontenele. Arquiteto e presidente da IMAGIC!, empresa sediada em São Paulo com escritórios na Europa e nos Estados Unidos.

Pirelli apresenta em Milão o calendário 2015 de Steven Meisel

em News & Trends por

O Calendário Pirelli 2015 foi apresentado hoje à imprensa, aos convidados e aos colecionadores do mundo inteiro no “Pirelli Hangar Bicocca”, o espaço de arte contemporânea da Pirelli em Milão. Milão foi escolhida por causa da vontade de associar este objeto de culto “Made in Italy” à cidade que em 2015 será a porta-bandeira da Itália ao mundo por ocasião da grande exposição universal da EXPO Milano 2015.

O autor da quadragésima segunda edição de ‘The Cal™’ é Steven Meisel, um dos fotógrafos de maior sucesso do mundo no campo da moda, conhecido pela sua personalidade eclética apesar de retraída. O trabalho de Steven Meisel, que se concentrou em cinco dias de fotos tiradas em maio passado em um estúdio de Nova York, devolve ao Calendário Pirelli 2015 a absoluta centralidade da imagem da mulher no mais clássico dos formatos dos calendários: 12 fotos (mais a capa) para 12 meses.

Nas suas imagens, Meisel propõe alguns dos modelos estéticos de referência dos nossos tempos – os ícones publicitários, as heroínas do cinema, a transgressão explícita da moda – e, mais uma vez, demonstra a sua grande capacidade de transformar as protagonistas das imagens que realiza. Um trabalho de transformação em que o fotógrafo foi apoiado pelo styling comandado por Carine Roitfeld – ex-diretora da revista Vogue França e há muito tempo uma das protagonistas do sistema da moda – e por Pat McGrath, uma das mais conhecidas artistas da maquiagem do mundo.

Com seus grandes dotes criativos e a sua interpretação das tendências da moda, com as suas imagens coloridíssimas, Meisel sintetizou alguns dos ícones mais representados na sociedade atual: “No meu modo de ver – explicou Meisel – são estes os modelos estéticos de referência do mundo atual. Representam os estereótipos que a moda e o sistema de estrelas impõem-nos neste momento. Eu não queria fazer um calendário conceitual, nem limitado a um lugar específico, mas sim 12 retratos em que a mulher, com a sua sensualidade, é a protagonista absoluta de 12 imagens muito diferentes umas das outras. Querendo limitar a utilização de roupas e acessórios, e dispondo da máxima liberdade criativa, revelou-se muito estimulante poder ‘jogar’ com as cores, com a maquiagem, com os materiais. Foi uma experiência muito gratificante”.

O Calendário deste ano denomina-se “Calendar Girls 2015“, e são 12 as girls protagonistas, entre modelos realizadas e emergentes: as americanas Gigi Hadid, Candice Huffine, Carolyn Murphy (já incluída por Herb Ritts no calendário de 1999) e Cameron Russel, as brasileiras Isabeli Fontana (que já apareceu no Calendário Pirelli 2003 de Bruce Weber, em 2005 de Patrick Demarchelier, em 2009 de Peter Beard, em 2011 de Karl Lagerfeld, em 2012 de Mario Sorrenti e em 2013 de Steve McCurry), Adriana Lima (presente no Calendário Pirelli 2005 de Patrick Demarchelier, e em 2013 de Steve McCurry) e Raquel Zimmermann, a inglesa Karen Elson (clicada em 2006 por Mert e Marcus), a porto-riquenha Joan Small (apareceu no Calendário Pirelli 2012 de Mario Sorrenti), as russas Natalia Vodianova (protagonista também do Calendário Pirelli 2003 de Bruce Weber, no de 2004 de Nick Knight, e no de 2006 de Mert e Marcus) e Sasha Luss, e a alemã Anna Ewers.

O lançamento do Calendário 2015 acontece poucos dias antes da abertura da Exposição “Forma e Desejo – The Cal™ Coleção Pirelli”, que será realizada noPalazzo Reale de Milão desde 21 de novembro de 2014 até 19 de fevereiro de 2015. Promovida pela Prefeitura de Milão – Cultura com o patrocínio da EXPO Milano 2015, e organizada e produzida pelo Palazzo Reale e pela GAmm Giunti; esta exposição surgirá graças à contribuição fundamental da Pirelli, que, para a seleção da exposição, colocou à disposição os próprios arquivos de cinqüenta anos de ‘The Cal™’.

Publicado pela primeira vez em 1964, com a edição 2015 de Steven Meisel são 42 no total os Calendários Pirelli realizados até agora por 33 fotógrafos; entre os quais, 9 produziram 2 edições: Harri Peccinotti (1968 e 1969), Brian Duffy (1965 e 1973), Francis Giacobetti (1970 e 1971), Clive Arrowsmith (1991 e 1992), Herb Ritts (1994 e 1999), Richard Avedon (1995 e 1997), Peter Lindbergh (1996 e 2002), Bruce Weber (1998 e 2003), e Patrick Demarchelier (2005 e 2008). Quatro mulheres assinaram um Pirelli Cal: a francesa Sarah Moon (1972), e as americanas Joyce Tennyson (1989) e Annie Leibovitz (2000) e Inez (2007, no dueto Inez and Vinoodh).

No que se refere aos lugares, foram realizados na Europa 17 Calendários (6 no Reino Unido, 6 na França, 3 na Espanha e 2 na Itália); 11 nos Estados Unidos, 4 no Caribe, 5 na África, 3 no Brasil e 1 na China. Foram 26 as edições a cores, 9 em preto e branco (1990, 1996, 1998, 1999, 2000, 2005, 2007, 2011 e 2012), e 6 mistas (1997, 2001, 2002, 2003, 2006 e 2009).

 

O repatriamento de capitais estrangeiros

em Brasil/Mundo/News & Trends/São Paulo/The São Paulo Times por
Foto: Reprodução
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Desde 2003 está em andamento perante a Câmara de Deputados, o Projeto de Lei nº 113, de iniciativa do deputado José Mentor, que dispõe sobre o repatriamento de recursos financeiros depositados no exterior. Este Projeto de Lei tramita em conjunto com o de nº 5.228, de 2005, por meio do qual é proposta a anistia fiscal sobre a legalização ou repatriamento de recursos mantidos no exterior não declarados e extingue a punibilidade dos delitos relativos a tal capital não declarada e mantido no exterior.

Ambos os Projetos de Lei já passaram pelo estudo de Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e também por outras comissões da Câmara de Deputados, tendo sido objeto de audiências públicas e de intensos debates, tendo em vista a sua importância, envolvendo grande volume de recursos financeiros titulados por pessoas físicas e pessoas jurídica brasileiras, o qual se encontra em outros países.

Na Câmara de Deputados fala-se que está envolvida nestes Projetos de Lei a repatriação de 70 (setenta) e 150 (cento e cinquenta) bilhões de dólares, valores estes que receberiam anistia fiscal penal quando de sua legalização e retorno para o Brasil.

O tema, contudo, vem gerando acirrados debates, de um lado estão aqueles que entendem que os Projetos de Lei são patrióticos, posto que sempre devem existir meios legais para a repatriação de recursos financeiros que estão no exterior, os quais lá se encontram pelos mais diversos motivos, inclusive proteção do próprio patrimônio. De outro lado estão aqueles que os entendem como premiação de delitos e de sonegação tributária, destruidores do esforço brasileiro de mais de dez anos no combate da lavagem de dinheiro e à corrupção.

É claro que nos Projetos de Lei em tela o repatriamento de bens não declarados no exterior somente poderá ocorrer mediante o pagamento de tributos federais. Está previsto também um prazo de quarentena, durante o qual os recursos financeiros repatriados terão que ser aplicados ou em Letras do Tesouro Nacional ou em um fundo de investimento em moeda estrangeira no Brasil.

Na verdade estes Projetos de Lei vão na direção recomendada pela OCDE – Organização para a Cooperação de Desenvolvimento Econômico de que as legislações dos países membros deve avançar para permitir o repatriamento de capitais, como ocorreu na Itália e no México com grande sucesso e também nos EUA, Inglaterra, Alemanha, Bélgica e Argentina.

Os Projetos de Lei estão prontos para ingressar na pauta de deliberação da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara de Deputados, havendo possibilidade de que sejam ali aprovados.

Por Ana Paula Oriola de Raeffray. Mestre e doutora em Direito das Relações Sociais pela PUC de SP, sócia do escritório Raeffray Brugioni Advogados.

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