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News & Trends - page 194

Síria: o país onde a população morre de fome

em Mundo/News & Trends/Política/Saúde & Bem-estar por

A ONU tenta entrar na região que sofre com a guerra.

Uma tentativa de cessar-fogo provisório entre as forças governamentais e os rebeldes nos bairros sitiados da Cidade Velha de Homs foi anunciada no final da tarde da última quinta-feira, o que só permitiria que as equipes da ONU evacuassem as mulheres e crianças que desejam deixar o local neste sábado.

De acordo com fontes da oposição síria em Istambul: “As pessoas têm receio de que o cessar-fogo aconteça de verdade. Houve tantas promessas que já se quebraram. Eles também prometem que os alimentos serão entregues até sábado, mas as pessoas estão morrendo de fome”.

Dima Moussa, a porta-voz da Homs Quarters Union, um grupo ativista na cidade, diz que a ajuda humanitária não atingiu a Cidade Velha desde dezembro de 2012.

“Tem sido mais de 600 dias de cerco. Há alguns limitados grupos de ajuda humanitária em volta, depois de muita negociação. Foi uma situação humanitária absolutamente terrível. As pessoas estão literalmente ficando sem comida. Seus suprimentos esgotaram-se e agora elas comem as folhas das árvores”, declara Moussa.

Moussa diz que sete pessoas morreram de fome na Cidade Velha nas últimas semanas, e, “infelizmente, esperamos mais”, comenta.

Alega-se que centenas de milhares de civis alemães morreram de fome e doenças causadas pelo bloqueio comercial da aliada Alemanha, entre 1914 e 1919. Hitler – em vão – tentou sitiar Leningrado, bloqueando os mantimentos de sua população; ele também matou milhares de judeus assim – deixando-os sem comida. Stalin usou a inanição para matar os camponeses ucranianos.

Homs, a terceira maior cidade da Síria tornou-se um símbolo para o sofrimento do povo sírio.

Enquanto o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas tem sido o principal fornecedor da distribuição de alimentos para as áreas de Homs, “há partes de Homs – incluindo a Cidade Velha – que não conseguimos atingir”, diz Abeer Etefa, diretor sênior de informação pública regional do programa.

Acredita-se que cerca de 3 mil a 5 mil estão dentro da Cidade Velha, embora o número exato de civis, ao contrário de combatentes, não é claro.

De acordo com Juliette Touma da UNICEF “o que sabemos é que há pelo menos mil crianças presas na Cidade Velha de Homs”.

A UNICEF apresentou na semana passada uma lista de suprimentos urgentemente necessários para o governo sírio, incluindo vacinas contra a poliomielite, roupas de inverno e pastilhas para purificação de água.

O governo sírio disse que está preocupado que a ajuda ao chegar a Homs, caia nas mãos erradas. Ou seja, os combatentes rebeldes.

De acordo com Reem Haddad, o porta-voz do Ministério da Informação em Damasco “a Síria sempre foi um país produtor de trigo, com um excedente armazenado. Infelizmente, em locais onde os militantes estão presentes, os agricultores não foram autorizados a plantar ou colher seu trigo”.

“O trigo foi roubado e vendido através da fronteira”, disse Haddad. “Além disso, em locais onde os militantes estão presentes, eles não permitem que os civis saiam, pois precisam deles como escudos humanos. Sempre que os alimentos são permitidos, os militantes nunca os levam para dar ao povo”.

“Toda vez que os rebeldes são retratados, eles nunca estão magros, pelo contrário, se apresentam musculosos. Só a comida para a população civil que não é permitida pelos militantes”, finaliza Haddad.

É uma acusação que, naturalmente, os rebeldes negam.

Qualquer que seja a razão dos alimentos e outros auxílios terem sido bloqueados, a vida está difícil para os civis. Há também bombardeios diários, a cidade está sem eletricidade e com pouca comunicação com alguém fora de Homs.

Há uma constante sensação de isolamento e trauma. No início da guerra, os túneis eram usados ​​para contrabandear comida dentro de Homs. Mas, desde que os combates mais pesados ​​começaram a atacar, “os túneis têm diminuído”, disse um ativista. “A área controlada pelos rebeldes fica cada vez menor”, explica.

Mesmo as recentes conversas em Genebra II (realizada em Genebra e Montreux) foram vistas por militantes da oposição como uma tentativa cínica dos diplomatas “dizerem que eles estavam fazendo algo de concreto sobre o sofrimento sírio, quando na verdade, no chão, pouco está sendo feito para parar a matança ou mesmo apenas para alimentar as pessoas”, disse um morador de Homs desiludido.

“Quando estou com muita fome, eu saio quando não há bombardeios. Tento encontrar casas abandonadas onde as famílias que fugiram deixaram alimentos na despensa. É tudo que posso fazer”, diz Rami , que vive dentro da Cidade Velha. “Na esperança de se deparar com uma recompensa de alimentos enlatados, tudo o que consegui encontrar foi uma erva usada para fazer sopa”, conta.

Na quarta-feira, no entanto, a Rússia se opôs a uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação humanitária na Síria, o que irritou os líderes da oposição e fez os presos dentro de Homs sentirem-se ainda mais desesperados.

O que sabemos a partir de avaliações é que quase metade da população da Síria – cerca de 9 milhões de pessoas – estão em insegurança alimentar. Isso Significa que eles precisam de “ajuda alimentar”.

“É um bom começo para o governo se eles permitirem que os comboios entrem com os mantimentos”, disse um ativista de Homs. “Mas eles precisam pensar em outras áreas também. Yarmouk – um subúrbio de Damasco – também está morrendo de fome”, finaliza.

© 2014, Newsweek.

Economia compartilhada

em Mundo/Negócios/News & Trends/Tecnologia e Ciência por

Agora que a indústria automobilística contratou Bob Dylan para fazer um comercial de TV, a era do carro está passando.

A tecnologia se dirige rumo à uma mudança fundamental na natureza do trabalho e do consumismo, e essas tendências devem significar um declínio de longo prazo na posse de automóveis em países desenvolvidos.

Na década antes de 2008, as vendas de automóveis dos EUA era em média de 17 milhões de veículos por ano. No ano passado, foi a melhor indústria desde então, e as vendas atingiram cerca de 15,6 milhões. Mas, as vendas em janeiro de 2014 caíram em  3,1 por cento.

Se cada vez mais pessoas estão sem emprego, menos dinheiro sobra para comprar carros. E nesse cenário, em que a economia se recupera, as vendas de automóveis estão caindo.

Quando o presidente Obama falou sobre o crescimento do emprego em seu discurso do Estado da União, todos, é claro, aplaudiram. O crescimento do emprego é como um prêmio do Oscar – algo que todos nós queremos, mesmo que não seja real.

O que isso significa para os carros? As pessoas talentosas não estão dirigindo na hora do rush para uma dura semana dentro do escritório. Eles estão se reunindo ao estilo home-office ou no escritório de bairro das cooperativas, e pulando para fora de eventuais encontros olho-no-olho.

A tecnologia está mudando a nova forma de trabalho das pessoas que não querem perder tempo dirigindo tanto. As pessoas vão trabalhar e ganhar dinheiro, como sempre, mas estão fazendo isso utilizando cada vez menos o carro, assim, podem gastar seu dinheiro em outras coisas que vão agregar e melhorar o trabalho à distância.

Uma maneira perceptível que a tecnologia está impactando no comportamento do consumidor, é o aumento da “economia compartilhada”.

A economia compartilhada é o início da tercerização dos consumidores ativos. É uma maneira de gastar de maneira inteligente e ter mais opções de serviços.

Começar pelos carros é perfeito, pois são muito caros e o motorista americano fica atrás do volante, em média 55 minutos por dia.

Jeff Miller, fundador da empresa de compartilhamento de carro Wheelz, gosta de dizer, “Será que realmente faz sentido que os carros fiquem estacionados 23 horas por dia?”

O compartilhamento de carros permite que os clientes aluguem carros por hora. A empresa estima que para cada carro compartilhado, 15 carros a menos estão na estrada.

Se menos pessoas se deslocam todos os dias para um trabalho corporativo, menos pessoas terão de possuir um carro apenas para conduzir a algum lugar e depois estacionar durante oito horas. E se mais pessoas estão dirigindo menos e estacionamento menos, eles terão ainda menos incentivo para comprar um carro se podem compartilhar um.

O que, entre outros benefícios, vai ser bom para o planeta – e a causa Bob Dylan em ajudar a vender carros pode ficar para trás.

© 2014, Newsweek.

Nada de conto de fadas

em Cultura e Entretenimento/Mundo/Negócios/News & Trends/Política por

O que aconteceu com a famosa expressão: “e viveram felizes para sempre”? Em nenhum conto de fadas, a princesa explica se participou da decisão de casar-se. Na Espanha, no entanto, a família real se encontra em uma confusão jurídica que pode alterar a forma como a monarquia constitucional é vista tanto em casa como no exterior.

Como não existe um precedente legal que diga onde os mundos da realeza e o da criminalidade colidem, o inquérito da filha do rei da Espanha, Cristina de Borbón, 48 anos – conhecida oficialmente como Infanta Cristina, duquesa de Palma de Mallorca – levará um bom tempo para terminar.

Em 8 de fevereiro, um juiz espanhol vai interrogar a princesa, a filha mais nova do rei Juan Carlos, como suspeita em um esquema de desfalque alegado. O Ministério Público diz que o marido da princesa e seu sócio canalizaram aproximadamente 11 milhões de dólares dos cofres públicos para suas respectivas contas bancárias.

No sábado, 11 de janeiro de 2014, os advogados da princesa disseram que Cristina compareceria à audiência, intimada pelo juiz da investigação, José Castro, para que ela, pessoalmente, respondesse às perguntas da investigação sobre as possíveis acusações de fraude fiscal e lavagem de dinheiro.

O marido de Cristina, o ex- jogador de handebol olímpico, Iñaki Urdangarin, que completou 46 anos há algumas semanas, e seu sócio, Diego Torres, são acusados ​​de peculato, fraude, lavagem de dinheiro, evasão fiscal e falsificação de documentos. Os promotores do caso afirmam que entre maio de 2003 e dezembro de 2008, a sua organização sem fins lucrativos, chamada Nóos Foundation, em parceira com políticos locais, superfaturou os governos regionais de Valência e das Ilhas Baleares, assim como a prefeitura de Valencia, em trabalhos de consultoria e organização de várias conferências de turismo e esportes.

O juiz Castro intimou a princesa na última primavera, mas o Ministério Público, o gabinete da defensoria pública e os advogados de Cristina apelaram alegando que não havia evidências que ligassem a princesa aos dois envolvidos nos crimes. Um tribunal provincial cancelou a convocação, mas sugeriu que Castro investigasse mais.

O casal real também era acionista conjunto na Aizoon, uma das empresas de fachada utilizadas para desviar o dinheiro da ONG para as contas bancárias dos criminosos. Uma testemunha afirmou que o advogado de Urdangarian se refere à presença da princesa como um “escudo contra a administração fiscal”.

Depois de vasculhar os registros contábeis da Aizoon e o histórico financeiro da princesa, o juiz concluiu que muitas das despesas operacionais da empresa foram realmente gastos pessoais e familiares de Cristina. Urdangarin e Cristina têm quatro filhos, com idades entre 8 a 14.

Castro citou recibos de hotéis em Roma, Washington, Nova Iorque e Detroit. Além de restaurantes em Barcelona, viagens em família para o Rio de Janeiro, África do Sul e Moçambique. A viagem ao continente africano parece ter sido uma mistura de férias, safári e visita aos centros de saúde e laboratórios como parte do trabalho de caridade da princesa.

Outras despesas da empresa Aizoon incluiu a compra de uma pintura avaliada em 6.000 dólares, artigos de loja de móveis para crianças no valor de 2.470 dólares, quatro livros de Harry Potter, aulas de dança e festas para crianças.

A empressa Aizoon logo mudou de endereço para a mansão do casal em Barcelona, ​​aparentemente para que pagassem o aluguel de casa para o uso de um escritório. Mas, mesmo antes de mudar o endereço, a Aizoon pagou cerca de 243 mil dólares para reforma na mansão e 12,6 mil dólares para cortinas. Castro chamou a empresa “de um escritório fantasma sem clientes ou funcionários”.

A investigação sobre a ONG Nóos começou em setembro de 2010 como parte da suspeita de fraude em torno da construção do complexo desportivo Palma Arena, na ilha de Mallorca. O ex-presidente regional das Ilhas Baleares, Jaume Matas, foi condenado no ano passado a seis anos de prisão pela participação na corrupção.

Essas dívidas de honra, no entanto, têm perdido a sua potência à luz dos recentes acontecimentos. Em 2012, por exemplo, os espanhóis e a imprensa não esconderam o descontentamento quando descobriram que Juan Carlos, em um momento em que o país estava mergulhado em uma recessão econômica, estava caçando elefantes em Botsuana.

Uma pesquisa recente diz que 62 por cento dos espanhóis quer que o rei, agora com 76 anos, abdique em favor de seu filho Felipe. O índice de aprovação do rei caiu de 76 % para 41% nos dois últimos anos.

Antes do escândalo, Cristina e Urdangarin eram bem-vistos na Espanha. Cristina é diplomada em Ciência Políticas e em Relações Internacionais, pela Universidade de Nova Iorque. Trabalhou para as Nações Unidas e ajudou várias instituições de caridade relacionadas com a saúde. Ela conheceu Urdangarin nos Jogos Olímpicos de 1996 em Atlanta, onde ele ganhou uma medalha de bronze no handebol. Cristina e Urdangarin casaram-se em 1997.

Por que a princesa decidiu obedecer à convocação desta vez? Com as suspeitas do juiz e seus registros financeiros no domínio público, um apelo iria fazê-la parecer culpada.

A questão agora é saber se ela vai responder às perguntas do juiz ou usar o seu direito de permanecer em silêncio. E se ela falar, continuará a estratégia de seus advogados e colocar a culpa em seu marido?

A longa saga da princesa na justiça está apenas começando.

© 2014, Newsweek.

Foot Binding: a moda agora é encurtar os dedos do pé

em News & Trends/Saúde & Bem-estar por

O Billy Joel pode te amar “do jeito que você é”, mas muitos americanos têm dúvidas sobre suas aparências. Mais de 1,5 milhões de pessoas fizeram procedimentos cosméticos em 2012 e quase 15 milhões a mais aplicaram injeções de Botox.

Mas um procedimento cirúrgico pouco conhecido promete perfeição até nos pés: os cosméticos chamados toe-shortening. Nunca ouviu falar? Isso é provável porque o toe-shortening envolve a remoção de uma junta que, em seguida, prende o dedo de volta para a calcificação dos ossos. Esse tratamento é relativamente novo como um procedimento estético e é realizado exclusivamente por pedicuros.

“Ao longo dos últimos dois anos tem surgido mais interesse em cirurgia estética de pé em geral”, diz o Dr. Neal Blitz, cirurgião de pé do Hospital Monte Sinai e o criador do Bunionplasty (cirurgia plástica para joanetes). “Muitas mulheres que já fizeram algum procedimento padrão – seja rinoplastia ou Botox – querem mesmo que haja uma melhora na aparência de seus pés”, declara.

“E, claro, para as mulheres que adoram sapatos, cirurgias como esta lhes permitirão usar estilos que elas gostam, sem sentir dor”, finaliza Blitz.

Embora a ideia de pés “bonitos” posa parecer estranha para alguns, a noção já vem de muitos séculos. A técnica conhecida como foot-binding – a qual amarra os pés – começou na China no século 10 e continuou até o século 20 (a prática foi oficialmente proibida em 1912, mas algumas famílias, secretamente, persistiram por muito tempo). Para os chineses, amarrar os pés tinha relação com o status e com a criação do perfeito: os pés pequenos.

Liv Lewis, dona de uma empresa de relações públicas em Teaneck, NJ, está entusiasmada com a novidade. Lewis queria uma cirurgia no pé para corrigir os joanetes, mas optou por passar pelo toe-shortening (encurtamento dos dedos) e toe-lengthening (alongamento dos dedos), como parte do mesmo processo.

Mas ela adverte que a cirurgia não é para todos. Enquanto ela revela que a dor não foi tão ruim quanto esperava, ela compara a “dar à luz”. Sua recuperação levou cerca de 12 semanas. Embora ela precisasse de uma cirurgia no joanete em ambos os pés, ela fez em apenas um até agora, uma vez que operar os dois ao mesmo tempo teria deixado Liv praticamente imóvel. “Eu diria que você não deve considerar a cirurgia a menos que você tenha problemas mais sérios, por causa da recuperação. Eu amei meus resultados, mas não foi fácil”, diz.

Alguns pedicuros são céticos. A Dra. Mary Ann Bilotti, chefe de podologia no Hospital Franklin em Valley Stream, NY, diz que recomenda o toe-shortening “quando há dor significativa ou complicações mais sérias, como úlceras diabéticas”, mas não sugere o procedimento por razões puramente estéticas.

“Qualquer cirurgia pode ter complicações e elas podem ser graves como infecção, cicatrizes, dormência, inchaço e hipersensibilidade. Essas são apenas algumas. Se o procedimento é apenas estético, eu recomendo que os pacientes considerem tais riscos seriamente”, explica a Dra. Mary Ann.

O custo também é uma preocupação, alguns planos de saúde cobrem os procedimentos cosméticos. Os custos da cirurgia de encurtamento do dedo do pé são, em média, 2.500 dólares por dedo.

Blitz reconhece que o procedimento é controverso: “há uma escola de pensamento que diz: “por que mudar algo que não precisa ser alterado?” Eu entendo isso, e além das preocupações normais de saúde, há muitas razões pelas quais eu poderia dizer a um paciente para não fazer a cirurgia. Quando você está removendo uma junta inteira, a função desse dedo vai diminuir, especialmente para atividades como yoga, onde você precisa de seus pés para dobrar e para fixar.”, completa o cirurgião de pé.

É duvidoso que a maioria das mulheres (e alguns homens também) estão conscientes da divergência de opinião entre os próprios cirurgiões.

Em uma indústria famosa por inventar dificuldades, promover a cirurgia do dedo do pé pode parecer apenas outra maneira de ganhar dinheiro. Mas em uma cultura obcecada com o aperfeiçoamento do corpo, os dedos são a última fronteira.

© 2014, Newsweek.

Inflação galopante? Moeda desvalorizada? Que tal resolver isso depois do almoço?

em News & Trends/Política por

Em um tribunal no centro de Nova York, o comerciante de Buenos Aires, Miguel Catella, sobe a escada suando sob o sol de inverno, perdido em pensamentos sobre o sofrimento de seu país natal.

“As coisas estão fora de controle na Argentina”, ele suspira. “Estamos em um estado de pânico constante. Estamos perdendo uma grande quantidade de dinheiro. O governo não ouve o seu próprio povo”.

Dentro do tribunal, o ministro da economia da Argentina, o vice-presidente e um bando de advogados poderosos argumentam contra uma liminar da Segunda Corte de Apelações que forçaria o país a fazer o pagamento integral de bilhões de dólares em títulos a um grupo de fundos de hedge, de Nova Iorque. Se o tribunal obrigar, a Argentina vai simplesmente se recusar a pagar.

Como a Argentina precisou assumir seus problemas à Suprema Corte dos EUA, suas dívidas se transformaram em uma  completa crise financeira. Da mesma forma que a equipe jurídica da Argentina ameaçou suspender os pagamentos em seus títulos do governo, o banco central do país simplesmente decidiu deixar de fazer compras em apoio à moeda do país: o peso.

“A desvalorização não é uma motivação clara para o governo”, disse o analista Tony Volpon, provedor de pesquisa global da Nomura Group de Nova York. “Também não está claro se isso representa uma desvalorização” – ou que vai causar  problemas ainda maiores à Argentina.

Até agora, tem sido um pesadelo. A desvalorização levou o país a um colapso, e a moeda argentina caiu repentinamente em uma década, diminuindo o poder de compra do seu povo, provocando uma corrida para comprar dólares e objetos domésticos, tais como eletrodomésticos e alimentos antes que os preços fiquem muito além do alcance (embora os acordos de preços atingiram o início deste mês na Argentina, onde determinados itens alimentares essenciais, vinho e outros bens foram comprados on-line por toda a capital. Alguns varejistas não vão vender quaisquer bens até que os níveis de volatilidade dos preços baixem).

Para ajudar, a presidenta da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, precisou se afastar do cargo por alguns meses para se recuperar da cirurgia de emergência no ano passado da remoção de um coágulo de sangue perto de seu cérebro.

“Eu estava lendo os jornais da manhã e as manchetes diziam: “Cristina reaparece. “E eu pensei: O que é o oposto de reaparece? Desaparece”, disse ela.

Relatórios informam que a desvalorização da Argentina derrubou o preço de uma geladeira em até 30 por cento. Em contra partida, Kirchner viajou para uma conferência em Cuba, onde ela generosamente almoçou com o comunista aposentado, Fidel Castro.

“Fidel me convidou para almoçar”, disse ela em um comunicado no domingo. “A comida estava muito boa”. Nas circunstâncias de crise econômica de seu país, muitos argentinos acharam a observação da presidenta superficial em relação ao fantasma da fome que assombra o país.

A reunião de duas horas com Fidel foi um sucesso, pelo menos de acordo com a agência oficial de notícias cubana, Prensa Latina. “Depois de trocar saudações afetuosas, o presidente sul-americano e o líder cubano discutiram questões e problemas regionais que a humanidade enfrenta, como a segurança alimentar e conflitos armados em todo o mundo”, disse. (as “questões regionais” incluído dificuldades da Argentina sob a administração de Kirchner ainda não estão claras).

É uma estranha reviravolta dos acontecimentos para um presidente re-eleito em 2011 num momento de crise e executado sob ideais “peronistas” que consideram sagrados os três princípios fundamentais de justiça social, soberania política e independência econômica.

“A situação é muito grave”, disse Steve Hanke, professor de Economia Aplicada da Universidade Johns Hopkins, que assessorou a Argentina no passado em seu regime cambial.

“Com o atual governo, eu acho que é impossível”, disse ele . “Eu acho que eles estão indo para o buraco. Eles irão manter até o fim o apego às suas políticas econômicas fracassadas”.

Hanke disse que o peso da Argentina qualifica como uma incomodada moeda com “hiperinflação (definido por ele como qualquer coisa acima de 50 por cento ao ano). “É muito pior do que o que está sendo divulgado pela imprensa”, disse ele.

Dante Sica, diretor da empresa de consultoria financeira de Buenos Aires, a Abeceb, disse que a atual situação econômica é calamitosa – O ministro da Economia, Axel Kicillof da Argentina, é o quarto ministro em cinco anos – essa mudança, é em parte, devido à resistência do governo argentino para mudar certas políticas macroeconômicas e de sua má gestão da política econômica.

Não ajudou em nada a Argentina ser econômica com a verdade sobre os números da inflação e outros dados econômicos, o que levou um tapa sem precedentes no ano passado pelo Fundo Monetário Internacional. “Ninguém acredita mais no sistema de informação oficial”, disse Sica. “O governo tem apresentado uma série de idas e vindas que não conseguiram gerar um ambiente mais seguro e confiante.”

A dor também é evidente quase sempre que você olha para a situação da Argentina. Uma mulher de 35 anos de idade, em Buenos Aires disse à Newsweek que encarou uma fila de uma hora para poder comprar uma geladeira – e precisou se contentar com o que estava em exposição, porque a loja já tinha vendido muita coisa por fora.

Por causa da instabilidade financeira do país, ela está lutando para decidir sobre o que cobrar por um apartamento de dois quartos que precisa alugar. “O que eu peço hoje pode não ser rentável amanhã”, disse a mulher, que trabalha para uma empresa de telecomunicações estrangeiras. “Hoje eu estou pedindo 3.500 pesos para alugar, mas talvez até o final do ano eu tenha que pedir duas vezes mais”.

O fim do kirchnerismo pode estar mais perto do que se pensa. Mesmo antes do colapso da moeda, uma pesquisa da empresa Management & Fit feita em Buenos Aires mostrou que mais de 66 por cento desaprovam o manuseio de Kirchner sobre a economia, enquanto cerca de 75 por cento acreditam que a economia da Argentina está indo na direção errada.

A turbulência da Argentina já começou a repercutir em toda a América do Sul, principalmente no Brasil – que tem a Argentina como seu terceiro maior parceiro de negociação após a China e EUA.

Considerado o longo celeiro da América do Sul , as exportações altamente desejáveis de soja, milho, trigo, petróleo e gás da Argentina também estão sendo prejudicados, o que constata que a crise se agrava cada vez mais.

“O regime de Kirchner teve como orientação política ideológica um tipo de autarquia financeira”, de acordo com Volpon da Nomura. Isso é porque ela escolheu “ganho de independência” dos mercados financeiros, causado pela crise financeira da Argentina em 2002, marcada pela última grande desvalorização da moeda do país e do padrão da nação em sua dívida pública (que ainda está lutando contra os detentores de bônus ao longo de tribunais dos Estados Unidos) .

“O número mais importante em qualquer economia é a taxa de câmbio”, disse Hanke. “E o governo da Argentina está tentando controlar as coisas, o mercado negro do país é o único mercado livre oferecendo dados reais. “Em tal ambiente, os argentinos estão reunidos para trocar a sua moeda não para algo mais estável, como dólares ou ativos tangíveis .

O tempo se esgotou a Argentina encontrar uma solução “a curto prazo”, observou o analista Mauro Roca. Ele estimou que a Argentina este ano vai queimar cerca de 9.200 milhões dólares de reservas – que tinha utilizado para sustentar a sinalização da sua moeda até a semana passada – deixando 21.600 milhões dólar até o final de 2014.

Embora a imposição de medidas de austeridade percorram um longo caminho em direção a cura dos problemas econômicos da Argentina, Volpon do Nomura não tem muitas esperanças de que o país saia dessa.

“Dado o estado de alerta, muitos analistas duvidam que o governo seja forte o suficiente para aplicar as regras de austeridade impopulares”, escreveu em seu relatório recente. “Ao mesmo tempo, muitos acreditam que, confrontados com problemas de montagem, o presidente Kirchner, que tem sido afetada por problemas de saúde, pode decidir deixar o cargo no início (algo incomum na Argentina) e assim começar a acelerar a transição política”. Talvez seja melhor esperar por uma próxima administração para saber se a Argentina vai conseguir sobreviver ao declínio.

 © Newsweek, 2014.

“ObamaCar”

em Mundo/Negócios/News & Trends por

O presidente Obama apostou sua reputação no ObamaCar. Mas para a geração de hoje, ele vai ser mais lembrado por salvar a indústria automobilística americana.

Há cinco anos, a General Motors estava à beira do colapso. Em 2008, registrou um prejuízo de 31 bilhões de dólares logo após uma perda recorde de 37 bilhões no ano anterior. As vendas de veículos caíram cerca de um terço em 2009 e a GM, a empresa mais poderosa nos Estados Unidos, foi à falência. Nesse ponto, ignorando seus críticos, o governo Obama entrou em cena com uma combinação que envolvia o dinheiro do resgate, empréstimos e uma enorme compra de ações da montadora.

A GM não olhou para trás desde então. Em 2013, a empresa vendeu um recorde de 9,71 milhões de veículos no mundo, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. O desempenho da montadora está se aproximando da Toyota, o que aumentou rapidamente a metade das vendas globais. Embora a Toyota continue a ser o fabricante número um de automóveis, por enquanto, a GM está logo atrás. Em 2012, a Toyota liderou por uma margem de 460 mil veículos. Já no ano passado, essa liderança foi cortada quase pela metade para apenas 270 mil veículos.

Apesar de o relatório anual de lucros da GM não ser publicado até o dia 6 de fevereiro, a empresa parece estar no caminho certo para apresentar lucros sólidos. Durante os primeiros nove meses de 2013, a GM registrou um lucro líquido de 4,3 bilhões de dólares. Isso foi um pouco abaixo do ano anterior, mas a época de perder 30 bilhões de dólares por ano parece ter ido embora para sempre. Com um novo líder no comando, ninguém ficará surpreso se a GM superar a liderança mundial da Toyota. Embora custe aos contribuintes cerca de 10 bilhões de dólares, salvar a GM e o resto da indústria automobilística parece ser um ótimo investimento para o futuro dos EUA.

© Newsweek, 2014.

Os benefícios de ser um delator

em Mundo/Negócios/News & Trends/Política por

Gregory Lynam observava o pouso do helicóptero do presidente Barack Obama na Casa Branca, a vários quarteirões de distância, no 12 º andar em seu escritório, quando seu telefone tocou. Um homem de meia idade falando nervosamente com um sotaque vagamente europeu se identificou como “João” e desabafou, em seguida, um segredo: ele sabia o funcionamento interno de um esquema de evasão fiscal de bilhões de dólares por seu empregador, uma empresa que estava na lista Fortune 500 (um ranking anual das maiores empresas dos EUA).

Lynam, um advogado tributarista expert em delatores corporativos, soube imediatamente que o nome ridiculamente falso era um sinal promissor.

As palavras que João pronunciou foram “eu trabalhei para esta empresa por um longo tempo e nós sempre fizemos a coisa certa”, ele balbuciou, ao mencionar coisas misteriosas como “eu tenho os documentos de trabalho de exercício fiscal” – documentos confidenciais que indicam que ele era um membro sênior da equipe de imposto da empresa.

Lynam descreveu o programa da Receita Federal especial, criado no final de 2006, a concessão das empresas denunciantes de 15 a 30 por cento de fraudes fiscais que totalizam, no mínimo, 2 milhões de dólares.

Em poucas horas, João tinha se transformado em um cliente potencialmente lucrativo para Lynam e Ferraro. Até o final de fevereiro 2011, ele tinha enviado por fax um acordo de fixação e concordou em ser representado por Lynam, que narrou a conversa telefônica em uma recente entrevista, mas se recusou a dizer o nome do homem, a empresa ou até mesmo sua nacionalidade.

Os delatores de alto nível são os mais novos jogadores do mundo milionário da evasão fiscal. O rombo dos impostos – o valor pelo qual as corporações americanas que sonegam seus impostos federais – é de 385 bihões de dólares, de acordo com as estimativas mais recentes da Receita Federal em 2006. Desde as transações financeiras multinacionais, das empresas de tecnologia, do ramo farmacêutico e até mesmo em empresas de menor porte, como as familiares, sobretudo, há membros dispostos a expor as manobras financeiras ilegais que acontecem nessas empresas.

Adivinhar quem são esses picaretas é um jogo cheio de riscos e decepções, mas que envolve promessas de prêmios astronômicos.

Lynam diz que as estratégias fiscais sofisticadas proliferam e as recompensas para pagar os sonegadores podem ser ainda maiores. “Acreditamos que o rombo dos impostos realmente está na casa dos trilhões de dólares, diz ele. “Se podemos encontrar questões multibilionárias de várias empresas que compõem a Fortune 500, o que acontece com as outras?”,completa.

Há agora muitos advogados – os quais colecionam clientes – que baseiam seus honorários em até 40% das recompensas dos informantes sobre as sociedades de impostos. “Temos clientes com reivindicações que delatam bilhões de dólares em impostos não pagos”, que não incluem as penalidades e os juros, diz Eric Havian, advogado da Phillips & Cohen, em San Francisco. “As multinacionais com operações em larga escala são aquelas onde você vê algumas das maiores fraudes fiscais.” Lynam diz que a Ferraro representa mais de 100 delatores com reclamações que alegam 120 bilhões de dólares em sonegação fiscal.

Lynam diz que um cliente na Costa Oeste, que trabalhou para uma pequena empresa farmacêutica, foi seguido por um carro por dias no ano passado, após a apresentação de uma reclamação alegando cerca de 5 milhões de dólares em sonegação de impostos por parte uma pequena empresa de controle familiar. O cliente pediu ao FBI para investigar o caso. “Há uma grande quantidade de armas de fogo lá fora, no noroeste do Pacífico, e esse homem se sentiu ameaçado fisicamente”, diz Lynam, acrescentando que o cliente mudou-se para outro estado.

“Algumas pessoas vão ficar muito ricas através deste processo”, diz Bryan Skarlatos, um advogado tributarista no Kostelanetz & Fink, em Nova York, que possui mais de 30 clientes caçadores de recompensas, que totaliza dezenas de bilhões de dólares.

O maior prêmio foi para Bradley Birkenfeld, um ex- banqueiro que admitiu ter contrabandeando diamantes em um tubo de pasta de dente em nome de um cliente americano, esquivando-se do imposto, mas, em seguida, voltou-se contra o banco suíço. Birkenfeld e passou quase três anos e meio em uma prisão federal por seu papel em ajudar os americanos a evitar impostos através de banco privado. Um mês depois que ele saiu, em agosto de 2012, recebeu um prêmio de 104 milhões de dólares da Receita Federal.

Os advogados tributaristas esperam receber pagamentos mais especiais, já que o programa só começou em dezembro de 2006 e muitas reivindicações estão a caminho. Eles dizem que, como a Receita Federal luta para expulsar os abusos fiscais das empresas, os delatores nos departamentos fiscais das empresas detêm a chave. Mas ainda não é o suficiente para levantar suspeitas ou provocar raiva e indignação moral.

“O fato de que as empresas estão se recusando a fornecer até mesmo os detalhes das declarações da Receita Federal, o que significa um terreno fértil para os delatores”, diz Havian. O motivo: ao omitir as declarações internas, as empresas estão emitindo um alerta de algo potencialmente agressivo que a Receita Federal não tem chance de descobrir, a não ser pelos documentos de planejamento fiscal que o delator guarda fielmente.

 © 2014, Newsweek.

Por que os americanos dizem “você sabe” com tanta frequência?

em Cultura e Entretenimento/Educação e Comportamento/News & Trends por

Na noite de 17 de janeiro, em Hollywood, o magnata do filme Harvey Weinstein apareceu como convidado no Piers Morgan ao vivo na CNN para discutir seu plano de fazer um filme que vai atacar a National Rifle Association e para responder às acusações de que seus filmes retratam a Igreja Católica de forma negativa. Enquanto a maioria da audiência provavelmente era focada no conteúdo das respostas da Weinstein, um segmento menor da audiência pode ter sido alarmada (ou aborrecida ou se divertido) pelo produtor de filmes usar a frase sem sentido “você sabe”, em seu discurso. Na verdade, Weinstein usou esse termo colossal 84 vezes durante a transmissão.

Os linguistas chamam as interjeições: “você sabe”, “como”, “hum”, “eu quero dizer” e uma infinidade de outros como enchimento ou partículas de discurso – isto é, um dispositivo do inconsciente, que serve como uma pausa no meio de uma frase para o orador reunir seus pensamentos e manter a atenção do ouvinte. No entanto, parece que tais cargas – que têm valor gramatical ou no mínimo lexical – se infiltraram nas conversas diárias, a tal ponto que eles ameaçam danificar ainda mais a beleza, o poder e a eficácia da comunicação verbal.

“Usar este tipo de linguagem em demasia faz a oração soar um pouco nervosa ou despreparada”, escreveu Heather Froehlich no Examiner. “Alguém que usa enchimentos sai mais informal do que o pretendido, criando uma dissonância.” Geralmente, as pessoas mais jovens – cujo domínio de suas próprias línguas ainda estão evoluindo -tendem a usar o peso dessas palavras mais do que as pessoas antigas, sem muita recriminação. Mas, entre os adultos, o uso excessivo não só irrita o ouvinte, mas às vezes indica uma falta de inteligência ou de confiança ou sofisticação ou eloqüência ou criatividade.

“Não há uma razão para [o uso de cargas], mas o nervosismo é certamente uma razão, que anda de mãos dadas com a falta de confiança”, disse o Dr. Lance Strate, professor de estudos da comunicação e da mídia e presidente adjunto para estudos de graduação na Universidade de Fordham, em Nova York. “A indecisão pode ser uma razão diferente, não apenas como uma expressão de hesitação, mas como um meio de preencher o” ar morto “, proporcionando aos indivíduos um momento para pensar sobre o que eles vão dizer em seguida. Por essa razão, os enchimentos são, por vezes, uma indicação de que a pessoa está mentindo, mas só às vezes, e isso só pode ser avaliado como parte de um contexto maior, e em conjunto com outros sinais não-verbais. “

Dr. Stephen Croucher, atualmente professor de Comunicação Intercultural da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, que estudou tais comportamentos da fala, estima que o uso de enchimento tem aumentado ao longo dos últimos 30 anos.

Mas Mark J. Fox, professor de comunicação da Universidade de Elon em Elon, NC, acredita que as habilidades de língua estão em sério declínio neste país e em outros lugares. Como as pessoas desenvolvem um padrão de fala ao longo do tempo – e, a menos que faça um esforço concentrado para evitá-los – as palavras de enchimento se tornam “normal, a tal ponto que eles nem sequer sabem que estão usando. “Eu pedi aos alunos muitas vezes,” Você sabia que disse “hum” no início de cada frase?

“Quase sempre, eles admitem que não sabiam disso. Até eu apontar para eles”.

Claro que, em uma sociedade cada vez mais dominado por mídias sociais e mensagens de texto, a brevidade (ou seja, termos como “lol” e “omg”) fique popular e até mesmo valorizado como um método rápido e fácil de comunicações instantâneas. Para eles, “você sabe” se tornou uma parte aceita da fala cotidiana.

Além disso, não é só o jovem que se entregam a enchimentos – muitos adultos americanos e figuras públicas proeminentes costumam usá-los muitas vezes, até em excesso. O ex-presidente Ronald Reagan (ou seja, o grande comunicador) foi amplamente ridicularizado muitas vezes respondendo as perguntas com o enchimento cada vez mais popular: o tal de “Bem…”

“[Reagan] foi capaz de falar com fluência, quando ele estava lendo um teleprompter, mas quando ele realizou uma conferência de imprensa e chegou a hora das perguntas e respostas, seus usos de cargas dispararam”, disse Strate. “Muitas vezes, ele iria responder a uma pergunta, começando com “bem”, que mais uma vez deu-lhe tempo para pensar sobre o que ia dizer.”

No outro extremo do espectro político, Caroline Kennedy, filha do presidente John F. Kennedy e o atual embaixador dos EUA no Japão, pode ser considerada  a “campeã de enchimento.” Em uma entrevista com o New York Times em dezembro de 2008 (enquanto ela estava pensando em execução para o Senado), Caroline Kennedy usou o  “você sabe” espantosamente 142 vezes em uma entrevista de 30 minutos.

Essa entrevista infame, com o Times Nicholas Confessore e David M. Halbfinger, incluiu o seguinte trecho incompreensível de verbosidade de Caroline: “Então eu acho que, em muitos aspectos, você sabe, nós queremos ter todos os tipos de vozes diferentes, você sabe, representar-nos, e eu acho que eu trago para o que for, você sabe, a minha experiência como mãe, como mulher, como advogada, você sabe, eu fui uma ativista da educação nos últimos seis anos, e você sabe, eu escrevi sete livros – dois na Constituição, dois na política americana. Então, obviamente, você sabe, nós temos diferentes pontos fortes e fracos.” As esperanças de Caroline por uma cadeira no Senado nunca chegaram a ser concretizadas.

O atual ocupante da Casa Branca, Barack Obama, também está encantado com enchimentos, embora não na medida da Caroline Kennedy. Obama e Kennedy são pessoas altamente educadas que alcançaram grande sucesso -, no entanto, suas habilidades de falar em público deixam muito a desejar. Nesta entrevista com Chris Cuomo da CNN em agosto de 2013, em duas partes Obama usou “você sabe” (ambos no início de uma frase e em outros lugares) 29 vezes.

Em outra entrevista com George Stephanopoulos do ABC em março de 2013, Obama usou “você sabe” nada menos do que 43 vezes, incluindo quatro vezes em um parágrafo.

Então, por que existe essa prática de usar interjeições sem sentido e pausas verbais – mesmo entre pessoas bem-educadas e poderosas – tornou tão difundido? E é realmente considerado um “problema”?

Strate não acha que o uso de preenchedores explicita necessariamente uma sentença de morte para as competências linguísticas e de comunicação. Ele explicou que os enchimentos são uma forma de “paralinguagem”, a dimensão não-verbal de expressão, e que toda a língua falada tem a sua própria paralinguagem acompanhando – na verdade, os dois são inseparáveis. Além disso, a “utilização de cargas no discurso é perfeitamente normal e bastante comum, e o grau em que eles são usados ​​hoje  em dia  não é provavelmente diferente do que na medida que as pessoas usavam no passado”, disse ele em uma entrevista. “Não é a freqüência com que se muda tanto quanto as próprias cargas reais, de modo que ‘sabe’ e ‘como’ se tornaram muito mais comum ao longo das últimas décadas do que eram no passado.”

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A escassez de mulheres e ideias nos conflitos na Síria

em Geral/Mundo/News & Trends por

Fora do Palácio das Nações, da sede da ONU em Genebra, onde a guerra síria estava sendo debatida, os manifestantes seguravam cartazes que diziam “seu silêncio está matando crianças”.

A guerra que já dura três anos é considerada um “desastre abrangente”, nas palavras do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. As conversas em Genebra são o início de um longo processo, os diplomatas insistiram, citando os exemplos das negociações de paz entre a Bósnia e a Irlanda do Norte.

O processo teve início na cidade à beira do lago de Montreux, que tem mais a ver com os entusiastas do jazz do que com mediadores que tentam parar uma guerra. Isso porque a cidade de Genebra hospedava uma convenção de relógios de pulso e todos os quartos do hotel estavam ocupados.

Os ministros do governo chegaram com equipes de assessores de ternos escuros, consultores chamativos e peritos em mídia.

No caminho até a conferência, os representantes do governo sírio ficaram presos em Atenas para o reabastecimento da aeronave que os transportavam. Alguns membros da oposição não compareceram e outros chegaram atrasados, causando pânico aos diplomatas das Nações Unidas.

Montreux foi mal preparada para a onda de diplomatas. Houve escassez dos quartos do hotel. A rede Wi-Fi estava sobrecarregada e caiu. Até os telefones celulares muitas vezes não funcionaram.

Os representantes mais sortudos foram alojados sob um forte esquema de segurança, no luxuoso Hotel Fairmont com vista para o lago. Já os que não contavam com tanta sorte, pois haviam chegado atrasados, incluindo a oposição síria, foram transportados para a cidade vizinha de Lausanne, e hospedados em um hotel onde eles tinham que fazer seu próprio café.

Houve muita troca de informações nos corredores, nos jardins perto do hotel Fairmount e fora dele, onde os ministros das Relações Exteriores realizaram reuniões privadas com os representantes.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, fez um apelo e declarou que “o direito de liderar um país não vem por meio da tortura, das bombas e mísseis” – e pediu a remoção do presidente sírio, Bashar Al–Assad.

O ministro William Hague, da Grã-Bretanha, cujo governo já deu 330 mil dólares para incentivar mais mulheres a serem intermediadoras nas negociações e que está lançando uma iniciativa para prevenir a violência contra as mulheres em tempos de guerra – fez um esforço especial para atender em particular as mulheres sírias ativistas e convidou-as para novas negociações, em Londres.

A falta de mulheres foi um dos principais pontos de discussão nos bastidores. A oposição síria tinha apenas duas mulheres de um total de 15 negociadores – Rima Flihan e Suhair Atassi.

Bouthaina Shaaban – veterana política e assessora de imprensa – é a mulher mais visível a negociar em nome do governo sírio. Sua mensagem ao longo das negociações foi que Kerry não tinha o direito de dizer ao povo sírio quem pode ou não ser o seu líder e que a verdadeira questão não era Assad, mas os combatentes terroristas.

Mas Hague estava interessado em alcançar as mulheres que são do povo. Ele explicou que as mulheres carregam o fardo de manter as famílias juntas durante o conflito e que é preciso haver um “papel mais formal durante as negociações para as mulheres que não estão alinhadas com qualquer uma das partes no conflito, mas que representam a sociedade síria como um todo”

“Algumas vezes você se encontra com mulheres corajosas que estão trabalhando a nível local para unir as comunidades dilaceradas pela guerra, mas que são invisíveis quando se trata de tomar decisões políticas sobre o futuro da sociedade”, conclui o ministro.

As conversas em Montreux terminaram com uma nota baixa. Mas a conversa não havia terminado.

Após o café da manhã na quinta-feira, 23 de janeiro – um dia livre para os negociadores – podia-se ouvir os helicópteros transportando Ban e Kerry através das montanhas cobertas de neve para um exercício mental completamente diferente.

Os helicópteros desembarcaram em Davos, para o Fórum Econômico Mundial, que ocorreu ao mesmo tempo que as negociações da Síria, colocando muitos dos estadistas mais ambiciosos em um dilema sobre como estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Dentre os indivíduos famosos que desembarcaram na remota vila suíça, estavam o presidente iraniano Hassan Rouhani, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o ex- secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, o fundador da Microsoft, Bill Gates, e o cantor Bono Vox.

Mas, enquanto as conversas em Davos prosseguiam, os sírios – governo e oposição –e o enviado especial da ONU, Lakhdar Brahimi, um mediador argelino veterano, deslocaram-se para Genebra a fim de continuar as negociações sírias. Brahimi lutou até mesmo para conseguir que ambos os governos sentassem juntos e respondessem às perguntas difíceis sobre a libertação de prisioneiros e ajuda humanitária.

Homs, uma cidade esqueleto e assolada pela fome rapidamente tornou-se o ponto central da questão humanitária. Alguns diplomatas disseram que isso é porque ela é “mais fácil de manusear” do que a cidade de Aleppo, que é em grande parte controlada por islamistas.

Foi um pequeno começo. “Todo mundo veio aqui esperando muito pouco”, disse um diplomata ocidental. “Mas eu tenho que dizer: este é um trabalho mais difícil do que eu imaginava”, declara.

Enquanto a agenda política continua a ser o foco essencial das conversas, o progresso em direção a um acordo está diretamente ligado à crise humanitária. Civis morrem de fome porque as rotas humanitárias trazendo comida e suprimentos são regularmente bloqueadas por ordens do governo, além da paralisação das escolas por completo.

“As pessoas estão morrendo de fome”, disse Rafif Jouejati, um delegado que também dirige uma organização não governamental. “É uma tragédia termos que negociar até sobre a ajuda humanitária dentro da Síria“, diz.

O número de vítimas na população civil da Síria é imenso. Em todo o país, as pessoas passam por extrema necessidade. Mesmo quando as negociações estavam em curso em Montreux e Genebra, as pessoas em Yarmouk, um bairro sitiado em Damasco, teve dificuldades para encontrar produtos simples, como pão e óleo. Os ativistas locais relatam que cerca de 50 pessoas morreram de fome nas últimas semanas.

Enquanto as negociações continuaram, os ativistas dentro da Síria informaram que as áreas como Douma, Zabadani e Daraya estavam sendo bombardeadas. As metas não são apenas os combatentes militares, mas os civis que se alinham em padarias, nas unidades de saúde e em escolas.

Não existem lacunas somente entre o governo sírio e a oposição síria, mas também entre os membros da própria oposição. A oposição é muito fragmentada e os membros de vários grupos não comparecem em Montreux ou, os que foram, chegaram atrasados.

Para muitos em Montreux, a visão mais deprimente foi as cadeiras vazias reservadas para figuras-chave no conflito que não estavam presentes – ao invés daqueles que compareceram.

Assad também não foi à Montreux, bem como os representantes de alto nível de suas forças armadas, a Defesa Nacional, e, claro, os representantes do Irã, que foram desconvidados pela ONU.

A discussão de formar um governo de transição, a base do primeiro conjunto de negociações de paz, chamada Genebra I, foi ofuscada pela realidade que a Síria está sendo desmembrada, perdendo 130 mil pessoas até o momento.

Ghanem, acredita que uma questão importante que deveria ter sido abordada foi o levantamento das sanções econômicas sobre a Síria, que estão afetando diretamente a vida cotidiana e levando as pessoas as sofrimento.

“A verdadeira questão é como as pessoas estão sobrevivendo diariamente”, diz ela. “Com o produto interno bruto reduzido, comunicações  e a importação e exportação reduzidsa, torna-se impossível viver”, Ghanem conclui.

Ghanem estima que 50 a 60 por cento das pessoas perderam seus empregos por causa dos conflitos. “De certa forma, as pessoas estão sendo punidas pela comunidade internacional.” Ela explicou que mesmo um frango ou pão eram extremamente caros para as pessoas comuns. “As crianças estão morrendo de frio, porque não há combustível”, comenta. O que as pessoas querem, diz ela, é “liberdade e um Estado democrático”.

Mas quando questionada se isso significava a remoção de Assad, ela reflete.

A partir de suas próprias conversas privadas, Ghanem afirma que Assad ainda tem uma base de poder, especialmente entre as minorias que estão preocupadas com a alternativa que eles temem – um Estado islâmico.

“Nem todo mundo quer ver Assad sair”, acrescenta Ghanem calmamente.

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Concussão. A doença comum do Super Bowl

em News & Trends por

Durante o Super Bowl deste domingo, existe uma boa chance de pelo menos um jogador  ter a sua cabeça esmagada com força suficiente para ferir seu cérebro. Os jogadores de futebol têm concussões quase tão frequentemente como os salva-vidas ficam bronzeados por ficarem muito tempo expostos ao sol.

Curiosamente, com toda a tecnologia médica de hoje e todo o dinheiro aplicado em pesquisa sobre as lesões do cérebro, não há como ter certeza que um jogador que saiu tonto da partida devido a uma batida de cabeça esteja com concussão. Um dos “testes”, da NFL, por exemplo, pede para o atleta ficar equilibrado com apenas um pé e com as mãos no quadril.

Portanto, se é determinado que o jogador teve uma concussão, não há como saber quando ele estará bem o suficiente para entrar em campo novamente.

Mas isso está prestes a mudar, graças a uma fertilização cruzada de neurociência, matemática e tecnologia. A neurocirurgiã da Universidade de Nova York, Uzma Samadani, parece ter descoberto uma nova forma de acompanhar os movimentos dos olhos e correlacionar esses resultados a lesões cerebrais, como contusões. Ela acabou de fundar uma empresa, a Oculogica, para comercializar a descoberta. E também apresentou quatro patentes e tem dois artigos científicos.

Há excitação que gira em torno da Oculogica é por causa do EyeBoxCNS, que pode ser construído como pequenos dispositivos e com baixo custo, permitindo que cada equipe tenha o aparelho em seu vestiário. Há uma chance de isso virar um aplicativa de smartphone, permitindo que até os treinadores de futebol americano do subúrbio identifique uma concussão a qualquer hora se os jogadores baterem a cabeça.

O co-presidente do comitê de concussão da NFL, olhou para a Oculogica e acha que ainda é preciso ter um otimismo cauteloso, porque ainda se trata mais de um projeto de ciências do que um tecnologia comprovada. No entanto, a partir do que ele viu, ele pensa que a Oculogica possa dar dados objetivos sobre lesões cerebrais, o que ainda não tem no momento.

No ano passado, a NFL fez um acordo de 765 milhões dólares decorrente a uma ação sobre lesões cerebrais apresentadas por membros da família de 4.500 ex-jogadores. A National Hockey League tem os seus próprios problemas com contusões, e um recente relatório disse que as equipes perderam centenas de milhões de dólares pagando aos jogadores que ficaram fora dos campos por causa de lesões cerebrais. Além do esporte, quase 4 milhões de americanos por ano sofrem abalos – de acidentes de carro, quedas e, em certas profissões (como a escrita), batendo a cabeça contra a parede.

Os danos causados pelas batidas são medicamente invisíveis, por isso que ouvimos os jogadores voltando ao campo mesmo com os cérebros alinda lesionados, o que pode causa danos ainda piores. Os abalos não aparecem em exames de ressonância magnética ou de quaisquer outros testes de diagnóstico, explica Sean Grady, chefe do departamento de neurocirurgia da Universidade da Pensilvânia. Qualquer outro teste  utilizado de hoje em dia envolve julgamento subjetivo de um médico e deixa em aberto a possibilidade de que o paciente poderia enganar, dando respostas falsas .

“Então trabalhar com acompanhamento visual é muito importante”, diz Grady . “É um teste repetitivo que não é sujeita a interpretação . Você não pode fingir.”

Um grande esforço está indo para colocar sensores em capacetes para medir a força e o número de golpes na cabeça, mas também indicar aqueles golpes que não podem ser uma concussão. Dano potencial não é igual ao dano real. Seria como dizer que alguém teve um ataque cardíaco com base exclusivamente em quantos Big Macs a pessoa comeu.

Como acontece nos em vários avanços da medicina, a Oculogica também aconteceu por acidente. Samadani, como parte de seu trabalho na Universidade de Nova York, queria encontrar uma maneira de medir o nível de danos em pessoas que tiveram lesões cerebrais tão graves que não podiam seguir as instruções normalmente dadas para avaliar uma concussão. Ela e seus colegas decidiram experimentar com TV.

Curiosamente, as pessoas com lesões cerebrais têm dificuldade em assistir televisão. “Nós pensamos, se é que podemos quantificar o quão bem eles podem assistir TV, poderemos chegar a um resultado”, diz Samadani .

Sua equipe criou uma câmera e colocou na frente dos pacientes para controlar os movimentos dos olhos durante 500 vezes por segundo, enquanto eles olhavam à tela.

Ela trabalhou com o departamento de matemática da Universidade de Nova York para escrever algoritmos que poderiam classificar o movimento de cada olho de forma independente e comparar os dois conjuntos de dados.

O objetivo da contagem foi feita no paciente que estava focado na tela da TV. E a surpresa foi: em todos os pacientes, o nível e tipo de lesão cerebral correlacionada com um conjunto de métricas mostrou o quão bem os dois olhos se moviam em sincronia. Quanto mais ferido o cérebro, mais fora de sincronia os micro-movimentos dos olhos.  As diferenças entre os movimentos dos dois olhos é também minúscula para qualquer médico observar. Mas a tecnologia pode vê-lo.

Em 10 de fevereiro de 2012, Samadani peneirou os dados de seus testes e teve sua epifania. “Eu quase desmaiei”, diz ela . “Eu não podia acreditar. Eu não consegui dormir por dois meses pensando que talvez estava errada.”

Mas, até agora, após ensaios repetidos e apresentações aos colegas, os dados provam estar certos. Ele ainda precisa passar por uma revisão federal e científica, mas a tecnologia parece conseguir diagnosticar concussões, medir se alguém está melhorando, e mostrar se a lesão está curada o suficiente para retomar a atividade.

Samadani diz que o plano da Oculogica é fazer parceria com empresas para desenvolver um produto comercial. O único financiamento, que a empresa tem até agora veio de NYU. A próxima etapa será a de contratar uma equipe e buscar investimentos. Nesse meio tempo, a tecnologia está sendo testada em hospitais de Nova York e Filadélfia.

Quanto mais ampla esta promissora tecnologia puder alcançar, mais a sociedade será beneficiada. Então vamos esperar que os parceiros da Oculogica seja empresas de tecnologia de movimento rápido, que poderia construir uma versão de baixo custo e fácil de usar. Um iPad poderia funcionar como uma plataforma: mostrar um vídeo na tela enquanto uma câmera de rastreamento ocular ligada ao relógio correlacionado os dados  dos movimentos dos olhos.

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Escolha a sua Distopia

em Educação e Comportamento/Geral/News & Trends por

A utopia é uma piada. A palavra vem do grego ou topos, que significa nenhum lugar, sugerindo a impossibilidade da sociedade ideal que a palavra sugere. A noção entrou no nosso léxico em 1516, quando Thomas More publicou o livro Utopia que imaginava “o melhor estado de um bem público”, uma sociedade de cortesia religiosa e do bem comum.

Escrevendo três séculos mais tarde, Karl Marx advertiu que “o homem que elabora um programa para o futuro é um reacionário”. Que ironia, então, que sua escrita levasse tanto derramamento de sangue em nome do progresso.

A utopia é ilusória, mas a distopia é muito real, um futuro ainda mais assustador do que o presente triste. Um gênero distintamente moderno, a ficção distópica tem um propósito corretivo que lembra as pinturas medievais de condenação (o fogo do inferno, diabos, etc), que deveriam chocar o pecador frente a probidade da fé em Deus. O romance distópico é uma paisagem de Bosch (pintor holandês dos séculos XV e XVI) para o homem moderno.

Provavelmente, o primeiro grande romance distópico do século 20 foi o de Yevgeny Zamyatin, em 1921, chamado We, o qual foi concluído na iminência da ascensão de Joseph Stalin e previu seu modelo totalitário, em que a vontade humana é subordinada às forças que assustam a mente enquanto domina os impulsos carnais do corpo. Os livros 1984, de George Orwell, e o Brave New World, de Aldous Huxley, imaginaram a malignade decorrente da busca por aquilo que Zamyatin chamou de “felicidade irrepreensível”, uma frase que se torna mais ameaçadora quanto mais sua mente permanece nela.

Os romances distópicos de hoje parecem menos preocupados com os sistemas políticos repressores do que com a tecnologia digital. Haverá cerca de 10,9 bilhões de pessoas na Terra em 2100. Alguns viverão em torres de vidro onde os sensores de rastreamento de retina irão ajustar a temperatura ambiente, muitos viverão em comunidades lotadas, tanto quanto eles fazem hoje em Bombaim (Índia), Lagos (Nigéria) e em Los Angeles (EUA). Eles vão beber a mesma água suja que os pobres sempre beberam. A Grande Porção de Lixo do Pacífico crescerá, assim como o buraco na camada de ozônio.

Não é nenhuma surpresa que três de nossos melhores romancistas – Margaret Atwood, Chang-rae Lee e David Eggers – publicaram recentemente romances distópicos que advertem contra um mundo que é divido entre bolsões de tecno-luxo e vastas extensões do vintage, a miséria pura. Com as particularidades respeitadas, cada um desses romances sugere que estamos cegos para o que estamos fazendo a nós mesmos, uns com os outros e com a Terra.

O livro Maddaddam, de Margaret Atwood, é o culminar de uma trilogia (com o mesmo nome), que começou com Oryx e Crake (2003) e continuou com The Year of the Flood (2009). Uma boa parte da paisagem recorda as imagens icônicas da moderna Detroit, com seus campos semeados com decadência e grandes edifícios antigos que se parecem bocas sem dentes.

Esse futuro é sombrio, com certeza, mas Atwood diz que o otimismo sobre a condição humana não se justifica pela história. Enquanto Maddaddam é a mais plena realização de Atwood que o futuro poderia obter, ela espera que os mocinhos ainda possam prevalecer ou, pelo menos, lutar decentemente.

“Nós não chegamos lá ainda”, diz Atwood secamente. “Aleluia. Estou feliz com isso.”

O mais recente romance de David Eggers, The Circle, é um espelho no qual poderíamos vislumbrar nossos eus dispersos se não estivéssemos tão ocupados tirando mais uma selfie. Embora Eggers dizer que não ter visitado os campi de empresas de tecnologia, como o Facebook ou o Google para pesquisa, ele parece ter abatido os elementos mais assustadoras do Vale do Silício para a empresa que ele chama de círculo. O protagonista, Mae Holanda, torna-se um inquestionável de sua utopia digital sufocante e é tão fielmente retratado, que uma ex-funcionária do Facebook, Kate Losse, acusou Eggers de roubar sua autobiografia, chamada The Boy Kings: A Journey Into the Heart of the Social Network.

Eggers disse ao The Telegraph no final do ano passado que a maior ameaça à nossa liberdade é o nosso “sentimento de que temos o direito de saber tudo o que quisermos sobre qualquer um que desejarmos”. O autor diz, com absoluta convicção, que a humanidade gloriosamente entrou em uma “época em que nós não permitimos que a maioria do pensamento da ação humana e da realização aprenda a escapar de um balde furado”.

O novo romance de Chang-rae Lee, On Such a Full Sea, é mais surpreendente do que seus pares distópicos. Escrito na primeira pessoa do plural, é elegantemente ameaçador e agudamente ao contrário de outros romances de Lee, que em grande parte focam na experiência asiática na América, com as gêmeas constantes: a alienação e assimilação.

Lee, em sua obra, chama a “experiência do pensamento”, que pode muito bem descrever todos os romances, mas os distópicos em particular, uma vez que não têm o luxo de habitação no passado e geralmente tem que se aventurar muito longe do presente. On Such a Full Sea é um romance das desigualdades suprimidas que voltam com força redobrada assim como no filme distópico Elysium.

Mas que outra escolha temos? Mesmo que o futuro pareça um mau presságio, as espécies se movem em direção ao desconhecido. Só nos resta rezar para que ele não seja tão ruim quanto nossas imaginações mais escuras e distópicas. Esses romances sombrios nos servem como uma espécie de catarse. Você fecha o livro e diz para si mesmo: o futuro não vai realmente ser tão ruim assim… Eu espero.

(C) 2014, Newsweek.

A falsa queda da taxa de desemprego dos Estados Unidos

em Mundo/Negócios/News & Trends por

O ano de 2013 parecia ser um ano decente para o mercado de trabalho nos EUA. A taxa de desemprego chegou aos 8 por cento em janeiro e caiu para 6,7 em dezembro do mesmo ano. Cerca de 2,2 milhões de empregos foram criados, uma média de 184 mil novos postos de trabalho por mês.

Mas nem todas as vagas foram abertas de maneira igualitária. A crise de desemprego pode estar indo embora apenas para ser substituída pelas preocupações salariais. O crescimento mais rápido no mercado de trabalho no ano passado ocorreu em setores dominados por cargos que pagam baixos salários. E para piorar as coisas, os salários tendem a diminuir nesses setores.

No ano passado, os setores de trabalho com baixos salários cresceram duas vezes mais do que a taxa de setores de altos salários, o que representa 54 por cento de todos os novos empregos criados, de acordo com uma análise feita pela Westwood Capital. Ao mesmo tempo, os setores que pagam uma remuneração menor realmente caíram ligeiramente – uma queda de 0,22 por cento – em comparação com o aumento modesto de 0,26 por cento em setores com salários mais elevados.

Os setores que oferecem baixa remuneração são tipicamente de varejo, lazer, hospitalidade, administração e de serviços de resíduos, onde os trabalhadores ganham menos de 16 dólares por hora, em média. Os empregos em setores de salários mais elevados, por outro lado, pagam uma média de mais de 27 dólares por hora.

Normalmente, os empregos com baixos salários tendem a ser as primeiras oportunidades criadas depois de uma recessão, seguido de empregos de salários mais elevados após um tempo. Mas, até agora, depois de vários anos de lenta recuperação econômica, não há sinais de um retorno dos empregos com alta remuneração. “Estamos no quinto ano após a Grande Recessão e só agora vemos uma criação de empregos que acontece tipicamente no primeiro ano após a recessão”, disse Daniel Alpert, sócio-gerente da Westwood Capital e autor do livro The Age of Oversupply. “Isso é o que a estagnação secular parece se aproximar”, finaliza.

Os setores de baixos salários representam cerca de um terço do total de empregos do setor privado, enquanto os setores de altos salários compõem os restantes dois terços. Então, fique atento a essa proporção. Se percebemos mais mudanças em direção aos empregos de baixos salários, a economia global pode ser o epicentro do problema.

© 2014, Newsweek.

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