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News & Trends - page 208

A escassez de mulheres e ideias nos conflitos na Síria

em Geral/Mundo/News & Trends por

Fora do Palácio das Nações, da sede da ONU em Genebra, onde a guerra síria estava sendo debatida, os manifestantes seguravam cartazes que diziam “seu silêncio está matando crianças”.

A guerra que já dura três anos é considerada um “desastre abrangente”, nas palavras do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. As conversas em Genebra são o início de um longo processo, os diplomatas insistiram, citando os exemplos das negociações de paz entre a Bósnia e a Irlanda do Norte.

O processo teve início na cidade à beira do lago de Montreux, que tem mais a ver com os entusiastas do jazz do que com mediadores que tentam parar uma guerra. Isso porque a cidade de Genebra hospedava uma convenção de relógios de pulso e todos os quartos do hotel estavam ocupados.

Os ministros do governo chegaram com equipes de assessores de ternos escuros, consultores chamativos e peritos em mídia.

No caminho até a conferência, os representantes do governo sírio ficaram presos em Atenas para o reabastecimento da aeronave que os transportavam. Alguns membros da oposição não compareceram e outros chegaram atrasados, causando pânico aos diplomatas das Nações Unidas.

Montreux foi mal preparada para a onda de diplomatas. Houve escassez dos quartos do hotel. A rede Wi-Fi estava sobrecarregada e caiu. Até os telefones celulares muitas vezes não funcionaram.

Os representantes mais sortudos foram alojados sob um forte esquema de segurança, no luxuoso Hotel Fairmont com vista para o lago. Já os que não contavam com tanta sorte, pois haviam chegado atrasados, incluindo a oposição síria, foram transportados para a cidade vizinha de Lausanne, e hospedados em um hotel onde eles tinham que fazer seu próprio café.

Houve muita troca de informações nos corredores, nos jardins perto do hotel Fairmount e fora dele, onde os ministros das Relações Exteriores realizaram reuniões privadas com os representantes.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, fez um apelo e declarou que “o direito de liderar um país não vem por meio da tortura, das bombas e mísseis” – e pediu a remoção do presidente sírio, Bashar Al–Assad.

O ministro William Hague, da Grã-Bretanha, cujo governo já deu 330 mil dólares para incentivar mais mulheres a serem intermediadoras nas negociações e que está lançando uma iniciativa para prevenir a violência contra as mulheres em tempos de guerra – fez um esforço especial para atender em particular as mulheres sírias ativistas e convidou-as para novas negociações, em Londres.

A falta de mulheres foi um dos principais pontos de discussão nos bastidores. A oposição síria tinha apenas duas mulheres de um total de 15 negociadores – Rima Flihan e Suhair Atassi.

Bouthaina Shaaban – veterana política e assessora de imprensa – é a mulher mais visível a negociar em nome do governo sírio. Sua mensagem ao longo das negociações foi que Kerry não tinha o direito de dizer ao povo sírio quem pode ou não ser o seu líder e que a verdadeira questão não era Assad, mas os combatentes terroristas.

Mas Hague estava interessado em alcançar as mulheres que são do povo. Ele explicou que as mulheres carregam o fardo de manter as famílias juntas durante o conflito e que é preciso haver um “papel mais formal durante as negociações para as mulheres que não estão alinhadas com qualquer uma das partes no conflito, mas que representam a sociedade síria como um todo”

“Algumas vezes você se encontra com mulheres corajosas que estão trabalhando a nível local para unir as comunidades dilaceradas pela guerra, mas que são invisíveis quando se trata de tomar decisões políticas sobre o futuro da sociedade”, conclui o ministro.

As conversas em Montreux terminaram com uma nota baixa. Mas a conversa não havia terminado.

Após o café da manhã na quinta-feira, 23 de janeiro – um dia livre para os negociadores – podia-se ouvir os helicópteros transportando Ban e Kerry através das montanhas cobertas de neve para um exercício mental completamente diferente.

Os helicópteros desembarcaram em Davos, para o Fórum Econômico Mundial, que ocorreu ao mesmo tempo que as negociações da Síria, colocando muitos dos estadistas mais ambiciosos em um dilema sobre como estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Dentre os indivíduos famosos que desembarcaram na remota vila suíça, estavam o presidente iraniano Hassan Rouhani, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o ex- secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, o fundador da Microsoft, Bill Gates, e o cantor Bono Vox.

Mas, enquanto as conversas em Davos prosseguiam, os sírios – governo e oposição –e o enviado especial da ONU, Lakhdar Brahimi, um mediador argelino veterano, deslocaram-se para Genebra a fim de continuar as negociações sírias. Brahimi lutou até mesmo para conseguir que ambos os governos sentassem juntos e respondessem às perguntas difíceis sobre a libertação de prisioneiros e ajuda humanitária.

Homs, uma cidade esqueleto e assolada pela fome rapidamente tornou-se o ponto central da questão humanitária. Alguns diplomatas disseram que isso é porque ela é “mais fácil de manusear” do que a cidade de Aleppo, que é em grande parte controlada por islamistas.

Foi um pequeno começo. “Todo mundo veio aqui esperando muito pouco”, disse um diplomata ocidental. “Mas eu tenho que dizer: este é um trabalho mais difícil do que eu imaginava”, declara.

Enquanto a agenda política continua a ser o foco essencial das conversas, o progresso em direção a um acordo está diretamente ligado à crise humanitária. Civis morrem de fome porque as rotas humanitárias trazendo comida e suprimentos são regularmente bloqueadas por ordens do governo, além da paralisação das escolas por completo.

“As pessoas estão morrendo de fome”, disse Rafif Jouejati, um delegado que também dirige uma organização não governamental. “É uma tragédia termos que negociar até sobre a ajuda humanitária dentro da Síria“, diz.

O número de vítimas na população civil da Síria é imenso. Em todo o país, as pessoas passam por extrema necessidade. Mesmo quando as negociações estavam em curso em Montreux e Genebra, as pessoas em Yarmouk, um bairro sitiado em Damasco, teve dificuldades para encontrar produtos simples, como pão e óleo. Os ativistas locais relatam que cerca de 50 pessoas morreram de fome nas últimas semanas.

Enquanto as negociações continuaram, os ativistas dentro da Síria informaram que as áreas como Douma, Zabadani e Daraya estavam sendo bombardeadas. As metas não são apenas os combatentes militares, mas os civis que se alinham em padarias, nas unidades de saúde e em escolas.

Não existem lacunas somente entre o governo sírio e a oposição síria, mas também entre os membros da própria oposição. A oposição é muito fragmentada e os membros de vários grupos não comparecem em Montreux ou, os que foram, chegaram atrasados.

Para muitos em Montreux, a visão mais deprimente foi as cadeiras vazias reservadas para figuras-chave no conflito que não estavam presentes – ao invés daqueles que compareceram.

Assad também não foi à Montreux, bem como os representantes de alto nível de suas forças armadas, a Defesa Nacional, e, claro, os representantes do Irã, que foram desconvidados pela ONU.

A discussão de formar um governo de transição, a base do primeiro conjunto de negociações de paz, chamada Genebra I, foi ofuscada pela realidade que a Síria está sendo desmembrada, perdendo 130 mil pessoas até o momento.

Ghanem, acredita que uma questão importante que deveria ter sido abordada foi o levantamento das sanções econômicas sobre a Síria, que estão afetando diretamente a vida cotidiana e levando as pessoas as sofrimento.

“A verdadeira questão é como as pessoas estão sobrevivendo diariamente”, diz ela. “Com o produto interno bruto reduzido, comunicações  e a importação e exportação reduzidsa, torna-se impossível viver”, Ghanem conclui.

Ghanem estima que 50 a 60 por cento das pessoas perderam seus empregos por causa dos conflitos. “De certa forma, as pessoas estão sendo punidas pela comunidade internacional.” Ela explicou que mesmo um frango ou pão eram extremamente caros para as pessoas comuns. “As crianças estão morrendo de frio, porque não há combustível”, comenta. O que as pessoas querem, diz ela, é “liberdade e um Estado democrático”.

Mas quando questionada se isso significava a remoção de Assad, ela reflete.

A partir de suas próprias conversas privadas, Ghanem afirma que Assad ainda tem uma base de poder, especialmente entre as minorias que estão preocupadas com a alternativa que eles temem – um Estado islâmico.

“Nem todo mundo quer ver Assad sair”, acrescenta Ghanem calmamente.

© Newsweek, 2014.

Concussão. A doença comum do Super Bowl

em News & Trends por

Durante o Super Bowl deste domingo, existe uma boa chance de pelo menos um jogador  ter a sua cabeça esmagada com força suficiente para ferir seu cérebro. Os jogadores de futebol têm concussões quase tão frequentemente como os salva-vidas ficam bronzeados por ficarem muito tempo expostos ao sol.

Curiosamente, com toda a tecnologia médica de hoje e todo o dinheiro aplicado em pesquisa sobre as lesões do cérebro, não há como ter certeza que um jogador que saiu tonto da partida devido a uma batida de cabeça esteja com concussão. Um dos “testes”, da NFL, por exemplo, pede para o atleta ficar equilibrado com apenas um pé e com as mãos no quadril.

Portanto, se é determinado que o jogador teve uma concussão, não há como saber quando ele estará bem o suficiente para entrar em campo novamente.

Mas isso está prestes a mudar, graças a uma fertilização cruzada de neurociência, matemática e tecnologia. A neurocirurgiã da Universidade de Nova York, Uzma Samadani, parece ter descoberto uma nova forma de acompanhar os movimentos dos olhos e correlacionar esses resultados a lesões cerebrais, como contusões. Ela acabou de fundar uma empresa, a Oculogica, para comercializar a descoberta. E também apresentou quatro patentes e tem dois artigos científicos.

Há excitação que gira em torno da Oculogica é por causa do EyeBoxCNS, que pode ser construído como pequenos dispositivos e com baixo custo, permitindo que cada equipe tenha o aparelho em seu vestiário. Há uma chance de isso virar um aplicativa de smartphone, permitindo que até os treinadores de futebol americano do subúrbio identifique uma concussão a qualquer hora se os jogadores baterem a cabeça.

O co-presidente do comitê de concussão da NFL, olhou para a Oculogica e acha que ainda é preciso ter um otimismo cauteloso, porque ainda se trata mais de um projeto de ciências do que um tecnologia comprovada. No entanto, a partir do que ele viu, ele pensa que a Oculogica possa dar dados objetivos sobre lesões cerebrais, o que ainda não tem no momento.

No ano passado, a NFL fez um acordo de 765 milhões dólares decorrente a uma ação sobre lesões cerebrais apresentadas por membros da família de 4.500 ex-jogadores. A National Hockey League tem os seus próprios problemas com contusões, e um recente relatório disse que as equipes perderam centenas de milhões de dólares pagando aos jogadores que ficaram fora dos campos por causa de lesões cerebrais. Além do esporte, quase 4 milhões de americanos por ano sofrem abalos – de acidentes de carro, quedas e, em certas profissões (como a escrita), batendo a cabeça contra a parede.

Os danos causados pelas batidas são medicamente invisíveis, por isso que ouvimos os jogadores voltando ao campo mesmo com os cérebros alinda lesionados, o que pode causa danos ainda piores. Os abalos não aparecem em exames de ressonância magnética ou de quaisquer outros testes de diagnóstico, explica Sean Grady, chefe do departamento de neurocirurgia da Universidade da Pensilvânia. Qualquer outro teste  utilizado de hoje em dia envolve julgamento subjetivo de um médico e deixa em aberto a possibilidade de que o paciente poderia enganar, dando respostas falsas .

“Então trabalhar com acompanhamento visual é muito importante”, diz Grady . “É um teste repetitivo que não é sujeita a interpretação . Você não pode fingir.”

Um grande esforço está indo para colocar sensores em capacetes para medir a força e o número de golpes na cabeça, mas também indicar aqueles golpes que não podem ser uma concussão. Dano potencial não é igual ao dano real. Seria como dizer que alguém teve um ataque cardíaco com base exclusivamente em quantos Big Macs a pessoa comeu.

Como acontece nos em vários avanços da medicina, a Oculogica também aconteceu por acidente. Samadani, como parte de seu trabalho na Universidade de Nova York, queria encontrar uma maneira de medir o nível de danos em pessoas que tiveram lesões cerebrais tão graves que não podiam seguir as instruções normalmente dadas para avaliar uma concussão. Ela e seus colegas decidiram experimentar com TV.

Curiosamente, as pessoas com lesões cerebrais têm dificuldade em assistir televisão. “Nós pensamos, se é que podemos quantificar o quão bem eles podem assistir TV, poderemos chegar a um resultado”, diz Samadani .

Sua equipe criou uma câmera e colocou na frente dos pacientes para controlar os movimentos dos olhos durante 500 vezes por segundo, enquanto eles olhavam à tela.

Ela trabalhou com o departamento de matemática da Universidade de Nova York para escrever algoritmos que poderiam classificar o movimento de cada olho de forma independente e comparar os dois conjuntos de dados.

O objetivo da contagem foi feita no paciente que estava focado na tela da TV. E a surpresa foi: em todos os pacientes, o nível e tipo de lesão cerebral correlacionada com um conjunto de métricas mostrou o quão bem os dois olhos se moviam em sincronia. Quanto mais ferido o cérebro, mais fora de sincronia os micro-movimentos dos olhos.  As diferenças entre os movimentos dos dois olhos é também minúscula para qualquer médico observar. Mas a tecnologia pode vê-lo.

Em 10 de fevereiro de 2012, Samadani peneirou os dados de seus testes e teve sua epifania. “Eu quase desmaiei”, diz ela . “Eu não podia acreditar. Eu não consegui dormir por dois meses pensando que talvez estava errada.”

Mas, até agora, após ensaios repetidos e apresentações aos colegas, os dados provam estar certos. Ele ainda precisa passar por uma revisão federal e científica, mas a tecnologia parece conseguir diagnosticar concussões, medir se alguém está melhorando, e mostrar se a lesão está curada o suficiente para retomar a atividade.

Samadani diz que o plano da Oculogica é fazer parceria com empresas para desenvolver um produto comercial. O único financiamento, que a empresa tem até agora veio de NYU. A próxima etapa será a de contratar uma equipe e buscar investimentos. Nesse meio tempo, a tecnologia está sendo testada em hospitais de Nova York e Filadélfia.

Quanto mais ampla esta promissora tecnologia puder alcançar, mais a sociedade será beneficiada. Então vamos esperar que os parceiros da Oculogica seja empresas de tecnologia de movimento rápido, que poderia construir uma versão de baixo custo e fácil de usar. Um iPad poderia funcionar como uma plataforma: mostrar um vídeo na tela enquanto uma câmera de rastreamento ocular ligada ao relógio correlacionado os dados  dos movimentos dos olhos.

© 2014, Newsweek.

Escolha a sua Distopia

em Educação e Comportamento/Geral/News & Trends por

A utopia é uma piada. A palavra vem do grego ou topos, que significa nenhum lugar, sugerindo a impossibilidade da sociedade ideal que a palavra sugere. A noção entrou no nosso léxico em 1516, quando Thomas More publicou o livro Utopia que imaginava “o melhor estado de um bem público”, uma sociedade de cortesia religiosa e do bem comum.

Escrevendo três séculos mais tarde, Karl Marx advertiu que “o homem que elabora um programa para o futuro é um reacionário”. Que ironia, então, que sua escrita levasse tanto derramamento de sangue em nome do progresso.

A utopia é ilusória, mas a distopia é muito real, um futuro ainda mais assustador do que o presente triste. Um gênero distintamente moderno, a ficção distópica tem um propósito corretivo que lembra as pinturas medievais de condenação (o fogo do inferno, diabos, etc), que deveriam chocar o pecador frente a probidade da fé em Deus. O romance distópico é uma paisagem de Bosch (pintor holandês dos séculos XV e XVI) para o homem moderno.

Provavelmente, o primeiro grande romance distópico do século 20 foi o de Yevgeny Zamyatin, em 1921, chamado We, o qual foi concluído na iminência da ascensão de Joseph Stalin e previu seu modelo totalitário, em que a vontade humana é subordinada às forças que assustam a mente enquanto domina os impulsos carnais do corpo. Os livros 1984, de George Orwell, e o Brave New World, de Aldous Huxley, imaginaram a malignade decorrente da busca por aquilo que Zamyatin chamou de “felicidade irrepreensível”, uma frase que se torna mais ameaçadora quanto mais sua mente permanece nela.

Os romances distópicos de hoje parecem menos preocupados com os sistemas políticos repressores do que com a tecnologia digital. Haverá cerca de 10,9 bilhões de pessoas na Terra em 2100. Alguns viverão em torres de vidro onde os sensores de rastreamento de retina irão ajustar a temperatura ambiente, muitos viverão em comunidades lotadas, tanto quanto eles fazem hoje em Bombaim (Índia), Lagos (Nigéria) e em Los Angeles (EUA). Eles vão beber a mesma água suja que os pobres sempre beberam. A Grande Porção de Lixo do Pacífico crescerá, assim como o buraco na camada de ozônio.

Não é nenhuma surpresa que três de nossos melhores romancistas – Margaret Atwood, Chang-rae Lee e David Eggers – publicaram recentemente romances distópicos que advertem contra um mundo que é divido entre bolsões de tecno-luxo e vastas extensões do vintage, a miséria pura. Com as particularidades respeitadas, cada um desses romances sugere que estamos cegos para o que estamos fazendo a nós mesmos, uns com os outros e com a Terra.

O livro Maddaddam, de Margaret Atwood, é o culminar de uma trilogia (com o mesmo nome), que começou com Oryx e Crake (2003) e continuou com The Year of the Flood (2009). Uma boa parte da paisagem recorda as imagens icônicas da moderna Detroit, com seus campos semeados com decadência e grandes edifícios antigos que se parecem bocas sem dentes.

Esse futuro é sombrio, com certeza, mas Atwood diz que o otimismo sobre a condição humana não se justifica pela história. Enquanto Maddaddam é a mais plena realização de Atwood que o futuro poderia obter, ela espera que os mocinhos ainda possam prevalecer ou, pelo menos, lutar decentemente.

“Nós não chegamos lá ainda”, diz Atwood secamente. “Aleluia. Estou feliz com isso.”

O mais recente romance de David Eggers, The Circle, é um espelho no qual poderíamos vislumbrar nossos eus dispersos se não estivéssemos tão ocupados tirando mais uma selfie. Embora Eggers dizer que não ter visitado os campi de empresas de tecnologia, como o Facebook ou o Google para pesquisa, ele parece ter abatido os elementos mais assustadoras do Vale do Silício para a empresa que ele chama de círculo. O protagonista, Mae Holanda, torna-se um inquestionável de sua utopia digital sufocante e é tão fielmente retratado, que uma ex-funcionária do Facebook, Kate Losse, acusou Eggers de roubar sua autobiografia, chamada The Boy Kings: A Journey Into the Heart of the Social Network.

Eggers disse ao The Telegraph no final do ano passado que a maior ameaça à nossa liberdade é o nosso “sentimento de que temos o direito de saber tudo o que quisermos sobre qualquer um que desejarmos”. O autor diz, com absoluta convicção, que a humanidade gloriosamente entrou em uma “época em que nós não permitimos que a maioria do pensamento da ação humana e da realização aprenda a escapar de um balde furado”.

O novo romance de Chang-rae Lee, On Such a Full Sea, é mais surpreendente do que seus pares distópicos. Escrito na primeira pessoa do plural, é elegantemente ameaçador e agudamente ao contrário de outros romances de Lee, que em grande parte focam na experiência asiática na América, com as gêmeas constantes: a alienação e assimilação.

Lee, em sua obra, chama a “experiência do pensamento”, que pode muito bem descrever todos os romances, mas os distópicos em particular, uma vez que não têm o luxo de habitação no passado e geralmente tem que se aventurar muito longe do presente. On Such a Full Sea é um romance das desigualdades suprimidas que voltam com força redobrada assim como no filme distópico Elysium.

Mas que outra escolha temos? Mesmo que o futuro pareça um mau presságio, as espécies se movem em direção ao desconhecido. Só nos resta rezar para que ele não seja tão ruim quanto nossas imaginações mais escuras e distópicas. Esses romances sombrios nos servem como uma espécie de catarse. Você fecha o livro e diz para si mesmo: o futuro não vai realmente ser tão ruim assim… Eu espero.

(C) 2014, Newsweek.

A falsa queda da taxa de desemprego dos Estados Unidos

em Mundo/Negócios/News & Trends por

O ano de 2013 parecia ser um ano decente para o mercado de trabalho nos EUA. A taxa de desemprego chegou aos 8 por cento em janeiro e caiu para 6,7 em dezembro do mesmo ano. Cerca de 2,2 milhões de empregos foram criados, uma média de 184 mil novos postos de trabalho por mês.

Mas nem todas as vagas foram abertas de maneira igualitária. A crise de desemprego pode estar indo embora apenas para ser substituída pelas preocupações salariais. O crescimento mais rápido no mercado de trabalho no ano passado ocorreu em setores dominados por cargos que pagam baixos salários. E para piorar as coisas, os salários tendem a diminuir nesses setores.

No ano passado, os setores de trabalho com baixos salários cresceram duas vezes mais do que a taxa de setores de altos salários, o que representa 54 por cento de todos os novos empregos criados, de acordo com uma análise feita pela Westwood Capital. Ao mesmo tempo, os setores que pagam uma remuneração menor realmente caíram ligeiramente – uma queda de 0,22 por cento – em comparação com o aumento modesto de 0,26 por cento em setores com salários mais elevados.

Os setores que oferecem baixa remuneração são tipicamente de varejo, lazer, hospitalidade, administração e de serviços de resíduos, onde os trabalhadores ganham menos de 16 dólares por hora, em média. Os empregos em setores de salários mais elevados, por outro lado, pagam uma média de mais de 27 dólares por hora.

Normalmente, os empregos com baixos salários tendem a ser as primeiras oportunidades criadas depois de uma recessão, seguido de empregos de salários mais elevados após um tempo. Mas, até agora, depois de vários anos de lenta recuperação econômica, não há sinais de um retorno dos empregos com alta remuneração. “Estamos no quinto ano após a Grande Recessão e só agora vemos uma criação de empregos que acontece tipicamente no primeiro ano após a recessão”, disse Daniel Alpert, sócio-gerente da Westwood Capital e autor do livro The Age of Oversupply. “Isso é o que a estagnação secular parece se aproximar”, finaliza.

Os setores de baixos salários representam cerca de um terço do total de empregos do setor privado, enquanto os setores de altos salários compõem os restantes dois terços. Então, fique atento a essa proporção. Se percebemos mais mudanças em direção aos empregos de baixos salários, a economia global pode ser o epicentro do problema.

© 2014, Newsweek.

Newsweek e o retorno da edição impressa

em Geral/Mundo/News & Trends por

A Newsweek adiou o lançamento de sua nova edição impressa para o início de março, com a data de capa para o dia 7 desse mês, de acordo com Jim Impoco, editor da Newsweek desde setembro. A marca, que foi totalmente digitalizada no final de 2012, declarou no mês passado que planejava lançar a versão impressa em janeiro ou fevereiro.

“Foi um prazo muito agressivo”, disse o editor. “O editorial está pronto, mas estamos à espera de produção.”

A empresa procura garantir a publicidade para que haja o retorno da revista impressa e também para contratar um editor global. A busca por um editor foi reduzida a uma única pessoa, disse Impoco, ao recusar-se a dizer o nome do candidato. Atualmente, Scott Miller, o vice-presidente sênior de vendas globais e marketing da Newsweek, proprietário da IBT Mídia, está comandando as vendas de anúncios para a marca.

O atraso não é um revés, diz Miller. “Nós demos um passo para trás para nos certificarmos de que teríamos tempo suficiente”, comenta ele.

“As agências estão receptivas nas reuniões. A resposta tem sido muito positiva”, acrescentou Miller sem discutir em detalhes a venda de anúncios. Tanto o vice-presidente quanto o editor estavam em Los Angeles na semana passada para se reunirem com os principais fabricantes de automóveis e discutirem sobre a publicidade da revista Newsweek.

Jim Impoco, ex- editor corporativo e editor executivo da Thomson Reuters Digital, surpreendeu o mundo da mídia em dezembro, quando disse ao The New York Times que a Newsweek estava planejando um retorno da versão impressa. O título sofreu um declínio de dois dígitos nos anúncios de página em quatro de seus últimos cinco anos de impressão e não conseguiu recuperar a rentabilidade, apesar da tentativa de resgate de alto perfil sob o comando da editora Tina Brown.

Mas o ressurgimento da Newsweek pretende seguir uma estratégia diferente, mudando de um modelo em que os anunciantes subsidiam baixas taxas de assinatura para um no qual os leitores pagam a maior parte. A nova edição impressa vai ser lançada para cerca de 100 mil assinantes em seu primeiro ano, como declarou Jim Impoco no mês passado. A revista também será vendida nas bancas, em lojas como a Barnes & Noble e em aeroportos.

Na semana passada, a Newsweek apresentou uma nova apresentação de seu website, a segunda em menos de um ano. A primeira refletia a estratégia anterior da Newsweek de publicar um produto digital uma vez por semana. Já a mais recente reflete a nova visão editorial de publicar histórias em torno do relógio, diz o diretor de produto da IBT Mídia e da Newsweek, Alex Leo, em uma carta aos leitores.

O jornal The São Paulo Times, desde a sua fundação conta com conteúdo da Newsweek®.

Garçom, tem um charuto no meu cupcake

em Educação e Comportamento/Mundo/Negócios/News & Trends por

Sigmund Freud teorizou que reprimir ou censurar ideias significa que elas podem encontrar o caminho de volta na expressão de outras formas: em sonhos, brincadeiras ou em erros na fala – agora conhecidos como deslizamentos freudianos.

Essa teoria tem se revelado de uma forma inesperada, através da erva non grata do mundo ocidental moderno: o tabaco.  Proibido nas formas de cigarro e charuto em locais considerados o seu habitat natural sacrossanto – como bares em Nova Orleans e cafés parisienses – o tabaco está surgindo como um ingrediente nas mais aceitáveis formas de comida, bebida e até mesmo perfume.

Se você não pode fumar, essa tendência sugere que você pode muito bem comer, beber ou pelo menos sentir sua fragrância.

Amy Marks- McGee, fundadora da Trendincite, uma empresa sediada em Nova York, que presta consultoria sobre tendências de aromas e fragrâncias, constatou que o tabaco ganhava força quando começou a detectá-lo em locais não relacionados com o seu consumo.

Em primeiro lugar Amy descobriu o seu uso em perfumes. O tabaco tem sido uma nota de base em perfumes clássicos há mais de um século. Foi aí que Amy começou a considerá-lo devido ao grande faturamento em fragrâncias como o Xerjoff´s Comandante, um perfume feito para amantes de charuto, e no Tabaco 1812 por West Third Brand.  Você sente falta do cheiro de fumaça de cigarro em sua roupa, no cabelo e nos móveis? A Rosy Rings te proporcionará uma lembrança mais palatável e chique com o seu spray Honey Tobacco-scented Room & Linen Home Fragrance.

O tabaco pode ser tendência agora, mas os chefs já vêm considerando suas possibilidades há um tempo. Há cerca de quatro anos, o fazendeiro David Winsberg da Califórnia, especialista em pimenta, começou a ser abordado por chefs locais interessados ​​em comprar folhas de tabaco. Alguns tinham a intenção de misturar as folhas aos legumes e também cozinhá-las com carne de porco. Outros queriam preparar coquetéis especiais com a erva. Thomas Keller, do restaurante French Laundry, em Yountville, na Califórnia, quis usar o tabaco em uma sobremesa.  Não seria a primeira com este toque especial: Thomas já fez uma famosa sobremesa de folhas de tabaco e um café com creme de ovos para um episódio do A Cook´s Tour, em 2002.

“O tabaco tem um sabor amargo e de terra”, diz Winsberg. “O tempero é quase como uma pimenta e é algo que você pode sentir na parte de trás da garganta”, completa. Sem o perigo de câncer, é claro. Barb Stuckey, vice-presidente executivo da empresa de desenvolvimento de alimentos Mattson, e autor do livro Taste What You’re Missing, que fala sobre a ciência do gosto, diz: “a quantidade de estimulantes no tabaco usados para dar sabor a uma sobremesa não seria o suficiente para provocar efeitos colaterais”. Por precaução, a padaria chamada Prohibition Bakery limita o número de cupcakes que levam uísque e essência de charuto – e são os que a padaria não entrega em casa.

O que pode ser mais convincente sobre o uso do tabaco como um ingrediente é a subversão da tendência.  Não existe uma emoção ao comermos algo destinado a adultos em forma de sorvete e cupcakes que remetem a infância? Seria o que Freud descreveu como “o retorno do reprimido”? Ou os que os não-freudianos poderiam chamar de uma rebelião vertical contra o “estado-babá”? Stuckey concorda. “É um tabu”, diz ela. Como “comer uma águia careca”.

© 2014, Newsweek.

O choque de energia dos Estados Unidos

em Mundo/Negócios/News & Trends por

A autossuficiência de energia, um objetivo a longo prazo,  está se aproximando da realidade dos Estados Unidos. Em apenas oito anos, os EUA têm mais da metade de sua dependência nas importações de energia, de acordo com os dados da Administração de Informação de Energia, o principal órgão do governo responsável pela coleta e análise de dados sobre todos os tipos de energia, incluindo petróleo bruto, gás natural, carvão, energia elétrica e energia renovável.

Não é por acaso, por exemplo, que a aceleração na produção de energia coincide com o aumento acentuado do preço do petróleo bruto que começaram a subir por volta de 2005. Desde 2011 o barril custava, em média, 110 dólares, estimulando a produção de petróleo adicional e, ao mesmo tempo, a produção de mais gás natural como alternativa ao petróleo. Em termos de produção de petróleo bruto, os EUA atingiram um marco notável no ano passado, ao produzir mais petróleo, em vez de importá-lo, pela primeira vez em 20 anos.

Enquanto a produção de energia está crescendo fortemente, o consumo de energia nos EUA está realmente decrescendo, embora lentamente. Isso é em parte devido à recessão e a alta do preço do petróleo bruto, mas também reflete a maior eficiência de combustível dos veículos novos. Essa é uma boa notícia, pois o consumo de petróleo dos EUA supera todas as outras nações por uma margem larga. Segundo o EIA (Estudo de Impacto Ambiental), os EUA consumiram 18,56 bilhões de barris de petróleo por dia em 2012, enquanto que o segundo maior consumidor de petróleo, a China, consumiu 10,28 bilhões e o terceiro maior, o Japão, consumiu 4,72 bilhões de barris por dia .

Enquanto os números para 2013 ainda são projeções, a produção vem caindo de forma constante. O projeto do EIA prevê que a tendência continue por mais 20 anos. Quando as crianças de hoje se formarem na faculdade, as preocupações com as importações de energia de países potencialmente hostis podem ser remetidas para os livros de história.

© 2014, Newsweek.

Saúde feminina: a controvérsia atrás do popular anticoncepcional Mirena

em News & Trends/Saúde & Bem-estar por

K. (identificação da personagem) estava no chuveiro quando percebeu algo errado. A jovem lavava seu longo cabelo castanho-avermelhado quando, de repente, uma grande quantidade de cabelo caiu em direção ao ralo.

Poderia ser uma anomalia, afinal, ela tinha dado à luz a um menino há seis meses, e queda de cabelo pós-parto é algo aceitável, porém raro de acontecer; o problema, por outro lado, eram outras ocorrências além dessa.

K. havia ganhado 22 kilos e sentia cansaço durante o dia inteiro, não tinha mais relações sexuais com seu esposo, pois tinha muitas dores. Devido ao seu cansaço e mal-humor, os médicos chegaram a pensar que ela estava deprimida ou bipolar.

Além do bebê, K. só conseguia pensar em uma única coisa: alguns meses após o parto, o seu médico inseriu o DIU da marca Mirena, um dispositivo intra-uterino hormonal cada vez mais popular que pode evitar a gravidez por até cinco anos.

K. exigiu que seu ginecologista removesse o dispositivo, mas o médico não conseguiu encontrá-lo, então K. teve que fazer uma cirurgia. O DIU tinha perfurado o útero de K. e chegou ao abdômen até se alojar em seu omento, o tecido que protege e conecta os órgãos internos.

A remoção do DIU não resolveu as coisas: cicatrizes cresceram, resultando em cistos dolorosos que bloquevam alguns órgãos. K. realizou outras quatro cirurgias para remover o tecido da cicatriz, incluindo uma histerectomia (procedimento de retirada do útero), que a deixou estéril aos 24 anos de idade.

K. é uma entre mais de 1.200 mulheres norte-americanas que alegam efeitos colaterais, incluindo perfuração, doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica e, nos casos mais extremos, como o caso de K., até mesmo histerectomia. Muitos entraram com ações contra a Bayer, que produz o Mirena, e os casos estão a caminho de se tornar uma ação coletiva.

A história de K. é extremamente incomum de um ponto de vista médico, pois, aproximadamente 2 milhões de mulheres nos EUA usam DIU – e outros milhões em todo o mundo, e a esmagadora maioria não relata nenhum incidente.

O risco de efeitos adversos como o de K. é de uma em mil, o que os médicos, a Food and Drug Administration (FDA) e, claro, a Bayer, concordam ser uma taxa aceitável e comparável a outras formas de controle de natalidade.

Muitos advogados das mulheres que entraram com a ação dizem que a empresa Bayer deveria ter feito mais para alertar os pacientes sobre os efeitos colaterais, ao invés de apenas mencioná-los na informação da bula. A Bayer rejeita isso.

“Com base na totalidade dos dados disponíveis até o momento, um perfil positivo do risco e do benefício continua a ser observado com o Mirena. A Bayer informou adequadamente todos os riscos conhecidos associados com o dispositivo desde a primeira aprovação da FDA, em 2000. Qualquer alegação de que a Bayer não advertiu esses riscos de forma clara não é baseada na verdade”, declara a empresa.

Os advogados da Bayer pediram que o juiz descartasse alguns casos, alegando que eles foram arquivados muio tempo depois das supostas lesões e, portanto, não devem ser ouvidos.

Em 2009, a Bayer em parceria com uma rede social chamada Mom Central organizou eventos de marketing, nos quais um representante da empresa apontou os benefícios do Mirena.

A FDA afirma que esta manobra violou as normas de comercialização farmacêuticas, escrevendo em uma carta para a empresa que a apresentação “enganosamente exagerou” a eficácia do anticoncepcional, e que o evento não revelou o risco do produto.

Em resposta, a Bayer minimiza o incidente dos eventos alegando que “houve apenas três encontros  – os quais reuniram um total de 80 pessoas – e que o programa foi imediatamente interrompido”.

Muitas mulheres e profissionais da área médica consideram o Mirena o melhor produto de controle de natalidade disponível no mercado.

Isso representa uma dramática mudança na opinião pública em relação ao DIU, que começou a ser vendido nos EUA na década de 1960. Embora a maioria dos primeiros DIUs era segura e eficaz, um modelo falho chamado Dalkon Shield causou tantas infecções pélvicas, algumas das quais levaram a histerectomias e, pelo menos, 18 mortes, que os fabricantes o retiraram do mercado em 1974.

Especialistas em planejamento familiar não abandonaram a ideia por trás do DIU e novos modelos foram desenvolvidos, como o ParaGard (aprovado pela FDA em 1984) e, mais tarde, o Mirena, que reduziram gradualmente o estigma causado pelo Dalkon Shield.

“A taxa de falha é algo em torno de 0,2 por cento, em comparação com 5 a 7 por cento com a pílula e os efeitos colaterais são mínimos. O DIU deve ser considerado um contraceptivo de primeira linha”, diz a Dr. Petra Casey, professora de obstetrícia e ginecologia e diretora da Clínica Mayo, especializada em contracepção,  em Rochester, Minnesota.

O risco de efeitos secundários graves do Mirena é aproximadamente o mesmo que o descrito para pílulas contraceptivas orais. Não é uma comparação perfeita, já que os dois métodos têm diferentes tipos de efeitos colaterais graves. Mas o risco mais temido com a pílula, os coágulos sanguíneos, é relatado em uma taxa de cerca de 1 a 3 mulheres entre mil, o que, novamente, é próximo do Mirena.

A Dr. Anne Burke, professora assistente de ginecologia e obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, afirma que “a quantidade de dados indica que, embora estas complicações possam acontecer, felizmente, eles são raras. A maioria das mulheres que usa este dispositivo é capaz de usá-lo com segurança”.

Especialistas em saúde da mulher também atestam os benefícios não contraceptivos do Mirena, como a Dr. Lynne Bartholomew Goltra, obstetra do Hospital Geral de Massachusetts.

“Além de tornar o período menstrual mais leve e menos doloroso, o DIU pode diminuir a dor da endometriose e impedir algumas infecções pélvicas”, diz a Dra. Lynne. “Ele também tem sido utilizado para prevenir o desenvolvimento de hiperplasia endometrial em mulheres com risco de desenvolver câncer e é eficaz no tratamento de alguns tipos dessa doença”.

Profissionais de saúde da mulher têm incentivado um maior uso do DIU, pois ele é mais confiável que outros métodos. A gravidez é, em si, uma condição que traz risco, com complicações que vão desde a gravidez ectópica a pré-eclampsia, diabetes e infecções do trato urinário.

Gestações não planejadas podem ser ainda mais arriscadas, se a mãe não tomou precauções, tais como deixar de fumar e de consumir álcool. Entre os países desenvolvidos, os Estados Unidos têm uma das maiores taxas de gravidez indesejada, chegando a 51 por cento dos 6,6 milhões de gestações em todo o país.

Os advogados envolvidos nos casos argumentam que o sucesso do Mirena entre a maioria das mulheres não significa muito para a minoria que sofreu.

 “A Bayer, que indica na bula do DIU que a perfuração pode acontecer após a inserção, precisa explicar de maneira mais clara que a perfuração pode ocorrer muito tempo após a implantação do dispositivo”, diz James Ronca, advogado do escritório Anapol Schwartz, que representa muitas mulheres do caso contra a Bayer.

“Se 500 pessoas estivessem em um 747 e ele caísse ou houvesse algum outro incidente em que várias pessoas ficassem feridas, haveria uma investigação”, indaga James.

As 2 mil pessoas que processam a Bayer não compõem, portanto, “um número insignificante” e vale a pena uma advertência adicional, diz o advogado.

A Dra. Nancy L. Stanwood, membro da Faculdade Americana de Obstetras e do grupo de trabalho de ginecologistas sobre contraceptivos de longo prazo, diz que a veiculação judicial do caso Mirena na imprensa tem assustado mulheres que se beneficiariam muito com o dispositivo.

“É claro que aquelas matérias são projetadas para serem assustadoras e não colocam os fatos médicos no contexto apropriado. É um desserviço para as mulheres que têm uma compreensão de suas opções contraceptivas”, finaliza a Dra. Nancy.

© 2014, Newsweek.

Um mês após o assassinato de Jonh F. Kennedy, Truman tentou acabar com a CIA

em Mundo/News & Trends/Política por

Um mês depois do dia do assassinato do presidente John F. Kennedy em Dealey Plaza, em Dallas – Texas, o ex-presidente Harry Truman recomendou que os EUA acabasse os serviços da Agência Central de Inteligência (CIA).

Em uma coluna publicada no Washington Post em 22 de dezembro de 1963, Truman não liga à CIA ao assassinato do presidente Kennedy, mas deixa explícito sua queixa subentendendo que existe uma conexão contundente no caso.

“Há algum tempo eu tenho sido perturbado pela forma como a CIA desviou de sua atribuição original”, escreveu Truman. “Tornou-se um braço de políticas operacionais e, por vezes, do Governo. Isto gerou problemas e pode ter agravado as nossas dificuldades em diversas áreas.”

Truman continuou: “Este braço de inteligência tranquila do presidente foi tão distante do que seu papel pretende que ele está sendo interpretado como um símbolo de intriga estrangeira sinistra e misteriosa – é assunto para a propaganda inimiga da guerra fria”, escreveu o ex-presidente.

Em julho de 1947, o então presidente Truman assinou a legislação que criou a agência, que substituiu o antigo Escritório dos EUA de Serviços Estratégicos (OSS).

Em 1944, William J. Donovan, criador do OSS, sugeriu ao presidente Franklin D. Roosevelt que a nação deveria criar um nova organização/agência supervisionada diretamente pelo presidente – “que iria obter inteligência tanto por métodos abertos e fechados e ao mesmo tempo fornecer orientações inteligentes, determinar os objetivos nacionais de inteligência, e correlacionar o material de inteligência coletada por todos os órgãos do governo.”

Donovan também propôs que a nova agência tivesse autoridade para conduzir “operações subversivas no exterior.”

Em dezembro de 1963, Truman articulava em termos inequívocos sobre o que ele achava das operações secretas da CIA: Truman disse que eles deveriam “ser encerrados.”

Mais tarde, em 1964, Truman reitera o seu apelo para a remoção de operações secretas da CIA em uma carta para a revista Look – ressaltando que quando ele assinou a legislação que criou a instituição, não pretendia que a CIA se envolvesse em “atividades estranhas.”

Além disso, Truman não foi o único funcionário público a pedir pela abolição das atividades operacionais da CIA. O ex- senador Daniel Patrick, democrata de Nova York, queria abolir a agência e transferir as suas funções de inteligência para se apropriar dos departamentos governamentais existentes. Por exemplo, a inteligência seria uma arma usada no âmbito do Departamento de Defesa dos EUA.

Além do mais, colocando inteligência e operações separadas nas instituições governamentais ajudaria a evitar operações secretas do governo de influenciar ou distorcer os relatórios das informações para apoiar as suas próprias metas. Esta separação aborda o problema potencial inerente ou pelo menos de conflito de interesse que ocorre quando uma instituição é o lar de ambas as funções de pesquisa e de operações.

Igualmente significativo, a função de operações secretas do Departamento de Defesa dos EUA daria ao presidente a supervisão mais direta dessas operações do que se permanecesse com a CIA. Em outras palavras, operações secretas como parte do DOD dos EUA – cujo secretário da Defesa fala regularmente com o presidente – melhoraria a sua visibilidade e prestação de contas mais frequentes da política. Também tornaria mais difícil para um grupo de desonestos/ não autorizado criar uma “operação sombra” – literalmente, uma política externa secreta não autorizada ou uma política militar.

O risco potencial da criação de operações secretas e políticas para-militares não autorizados e escondidos pelo presidente dos EUA virou centro das reclamações de Truman sobre a CIA em dezembro de 1963: a essa altura, a CIA já tinha criado inúmeras operações secretas, missões e projetos, o tipo de “atividade estranha que Truman não queria que a CIA se envolvesse”.

No mínimo, a coluna de Truman é uma expressão da sua preocupação com a CIA, que se afastaram da intenção de seus criadores. No máximo, a coluna de Truman – publicada quando a nação ainda estava atordoada de luto por causa da confusão sobre a morte de JFK e, como reverberou em suspeitas de um complô por toda a América – gerou uma das primeiras expressões de dúvida a respeito da narrativa oficial do governo de que Lee Harvey Oswald agiu sozinho e sem ajuda para assassinar o presidente Kennedy.

As dúvidas do povo americano e dos pesquisadores sobre o assassinato aumentou em 1978, quando uma segunda investigação, feita pelo seleto comitê da casa de homicídios (HSCA), concluiu que o presidente Kennedy foi assassinado, muito provavelmente, por uma conspiração. No entanto, o comitê foi incapaz de identificar os outros pistoleiros ou a extensão da conspiração.

Como observado, a queixa de Truman não é só uma acusação à CIA sobre a tragédia que ocorreu em Dealey Plaza em 22 de novembro de 1963 – um dos dias mais escuros e mais ignominiosa da história do país – um dia que mudou a trajetória política interna e externa dos EUA.

Dito isto, a comunidade de inteligência dos EUA, em geral, e especificamente da Agência Central de Inteligência, poderiam resolver muitas das questões / anomalias que formam o mistério no centro deste caso – e preencher as dezenas de lacunas deixadas pela Comissão Warren, tornando público mais de 1.100 arquivos confidenciais relacionadas com o assassinato de JFK.

No entanto, a CIA diz que não acredita que os arquivos de seus agentes sobre o assassinato de JFK seja relevante e que devem permanecer arquivados, pelo menos até 2017, e talvez mais, devido a segurança nacional dos EUA. Porém, a segurança nacional da CIA nunca foi verificada de forma independente.

Deve -se ressaltar que, até o momento, não há nenhuma arma fumegante ou provas incontestáveis ​​de uma trama ou conspiração para assassinar o presidente Kennedy, mas não há um padrão de atividade suspeita, junto com uma série de anomalias e uma comunhão de interesses entre as partes-chave, que obrigam a uma pesquisa adicional e a liberação de documentos não públicos.

No entanto, até que todos os arquivos do assassinato de JFK se tornem públicos, o padrão de atividade suspeita, anomalias e comunhão de interesses, junto com as observações dos pesquisadores e funcionários públicos – incluindo a coluna do ex-presidente Harry Truman para a eliminação de tarefas operacionais da CIA – forma uma preponderância de evidências que sugerem fortemente que o povo americano não sabe toda a verdade sobre o assassinato do presidente Kennedy, e que a Agência está escondendo alguma coisa.

 © 2014, Newsweek.

Máquina dos sonhos: diga que não é muito cara

em Geral/News & Trends/Tecnologia e Ciência por

Por Marissa Rothkopf-Bates

Pouco tempo depois que eu comecei a testar a semiprofissional The Oracle, uma máquina de café expresso de luxo da Breville, que custa 2 mil dólares, parei em um café local para comprar alguns grãos de café recém-torrados.

Os grãos que eu tinha em casa foram se transformando em amargas xícaras de café expresso e rapidamente eu estava perdendo a fé na The Oracle e suas promessas de café cor de avelã com um creme perfeito. Na minha pressa de ver a máquina em ação, ignorei o que o manual dizia repetidamente: os grãos frescos são o segredo.

Exatamente o que me levou até o Java Love Roasting Company , um café de Nova Jersey com um nome vagamente rastafári, que serve um dos melhores lattes deste lado de Roma.

Eu disse ao barista gentilmente que estava testando uma máquina de café expresso em casa, que poderia fazer o café como sua Rancilio, uma gigante de 6 mil dólares que agita centenas de xícaras de café por semana, e que eu precisava de grãos mágicos. Ele olhou para mim com piedade e acenou com a mão na direção da casa de café expresso. Enquanto eu pagava, ele comentou de maneira informal dizendo não acreditar que uma máquina em casa poderia produzir alguma coisa digna de uma xícara de café expresso profissional. Ele acrescentou que havia trabalhado no café por oito meses e que lá havia um cuidado especial na moagem dos grãos, buscando a perfeição com devoção quase religiosa. Como eu poderia fazer isso em casa?

Encontrar o ponto de aspereza era a chave, eu dei razão a ele, mas a The Oracle, com o seu moedor da rebarba cônica (preferível a um moedor de lâmina para o grau de moagem), tem 45 configurações para escolher.  Ele balançou a cabeça demonstrando aprovação – mas sabia que precisava de muito mais para uma xícara de café perfeita.

Ele olhou para mim atentamente quando lhe contei que minha máquina ajustava a pressão correta. Como qualquer entusiasta de café dedicado irá te dizer, garantir uma densa borra de café manualmente exige muita prática. A The Oracle mói os grãos, seleciona-os no filtro e compacta-os com precisão.

Ele me ouviu, assim como um médico quando o paciente lhe explica como encontrou seu diagnóstico nas páginas da internet, enquanto eu dizia que sabia sobre o manual da máquina. Cheguei a comentar: “eu te contei a respeito da varinha de vapor de leite, a única no mercado que faz minúsculas bolhas de leite, produzindo espuma – uma habilidade que leva uns bons anos para um barista dominar?” Eu poderia ajustar a temperatura e a textura do leite – de cappuccino espumoso para um latte com pequenas bolhas ou qualquer coisa entre os dois. As caldeiras duplas garantem uma temperatura constante, assim como a sua máquina profissional, o que significa que ela pode fazer o que uma cafeteira normal (e mais barata) com uma única caldeira não pode: a The Oracle pode fermentar o expresso e vaporizar o leite sem demora.

Então, sentindo-me um pouco como um puma estranho, eu o convidei para minha casa para ver a cafeteira. (Suponho que dizer “venha ver minha varinha de espuma” poderia ser mal interpretado.) Já que a minha filha estava lá, ou talvez porque ele estava com medo, ele sugeriu que eu levasse a máquina até o café para mostrá-la. De repente, eu precisava ir para casa e ver se tudo aquilo era verdade. Então peguei meus grãos de café (e excepcionalmente um bolinho de chocolate) e saí rapidamente.

Os grãos mágicos funcionaram de verdade. O expresso fluiu da máquina “como mel quente”, assim como prometido.  Com um movimento da alavanca de vapor automática, eu vaporizava o leite a 150 graus e alguns momentos mais tarde, um café de primeira linha era meu. A limpeza era automatizada, o que quer dizer que eu não precisava fazer muito.

A máquina se adapta ao amante de expresso e que quer uma xícara de café de qualidade profissional, mas não se importa o preço.

Esta não é uma máquina para a pessoa satisfeita com o modelo Nespresso. Ela é para os loucos por cafeína, um grupo que eu faria parte se eu pudesse. (Pelo interesse na divulgação, e para não me fazer parecer mais patética, a Breville me emprestou a The Oracle para fins de revisão. Enquanto você lê isso, eu estou embalando a máquina desejando-lhe um choroso “Ciao, bella”).

Estas são as pessoas que acreditam que para obter uma máquina de fazer doses consistentes, você precisa pagar as quantias mais absurdas. Por 2 mil dólares a Breville parece absurdamente cara, mas não é a máquina de café expresso mais cara de sua categoria. E enquanto eu não consigo acreditar que estou defendendo o preço (e não quero saber quantas crianças refugiadas poderiam estar bebendo macchiati por esse preço), eu também preciso dizer que a The Oracle é a única máquina lá fora que executa todas as partes do processo – desde a trituração dos grãos até o controle de pressão da água – automaticamente e de forma confiável. É como ter um barista pessoal em sua cozinha. Cabe a você completar a experiência e vestir uma camisa xadrez e colocar um chapéu de lã.

© 2014, Newsweek.

Vazam informações sobre o programa Quantum da NSA

em Mundo/News & Trends/Política/Tecnologia e Ciência por

Edward Snowden revela como os espiões do governo americano monitoram computadores desconectados.

O ex-analista de inteligência americano da Agência de Segurança Nacional e denunciante Edward Snowden, revelou que a NSA utiliza a tecnologia da velha escola para espionar computadores offline. A NSA tem usado o programa secreto, de codinome Quantum, para monitorar cerca de 100.000 computadores desconectados em todo o mundo.

O relatório saiu alguns dias antes do presidente Obama anunciar as novas restrições sobre programas de vigilância que restringem as atividades da NSA.

Com o Quantum, a NSA acessa computadores através de ondas de rádio emitidas a partir de uma variedade de dispositivos personalizados. Apelidado de “Cottonmouth I”, a placa USB é modificada para conter um pequeno emissor-receptor de rádio que transmite e recebe dados do computador secretamente.

A NSA também usou pequenas placas de circuitos instalados em computadores portáteis que transmitem dados à agência, mesmo quando o computador está completamente isolado da Internet. Estas placas de circuito se comunicam com uma estação de retransmissão – que a NSA chama de “cabeceira”. Essas cabeceiras podem atacar um computador a uma distância de aproximadamente 13 quilômetros e inserir pacotes de dados mais rápido do que os métodos tradicionais, permitindo que a NSA entregue falsas informações mais rápido do que o download.

Além da espionagem, o Quantum ajuda a NSA transmitir malwares software destinado a se infiltrar em um sistema de computador alheio de forma ilícita, com o intuito de causar alguns danos, alterações ou roubo de informações (confidenciais ou não) para computadores e lançar ataques cibernéticos coordenados.

O Quantum também tem como alvo iPhones e servidores de rede. Com o tempo, a NSA atualizou a tecnologia para torná-lo mais fácil de acessar os sistemas de computadores sem a necessidade de acesso físico.

O relatados indicam que a NSA tem usado esta tecnologia em ataques contra as instalações nucleares do Irã e para monitorar redes na China, Rússia, União Europeia, Arábia Saudita, Índia e Paquistão, e também os cartéis de drogas.

Quando alguns desses países, especialmente a China, instalaram uma tecnologia semelhante em sistemas americanos, os oficiais de defesa dos EUA protestaram .

Snowden também revelou que os EUA estabeleceram dois centros de dados na China com a tarefa de enviar malwares aos computadores. A NSA tem argumentado que esta vigilância é para a segurança nacional, enquanto a pirataria chinesa visa roubar propriedade intelectual.

A NSA assegurou que o Quantum não tem sido utilizado em computadores dos EUA, mas apenas contra alvos de inteligência de outros países.

Snowden apresentou a um jornal holandês, um mapa que mostra onde o NSA inseriu o software espião, e a revista alemã Der Spiegel publicou um vazamento sobre o hardware que pode secretamente transmitir e receber os sinais de rádio.

O presidente Obama deve anunciar em breve mudanças nas práticas da NSA. As novas regras foram baseadas em recomendações de um painel consultivo que concordou com o Vale do Silício que os programas da NSA minaram a confiança nos produtos tecnológicos norte-americanos. É esperado que o presidente proíba a prática da NSA de explorar falhas de software para espionar americanos, programas concebidos para romper sistemas de criptografia e a criação de vias de acesso secretas em sistemas de computador.

Foto: Divulgação / nsa.gov
© 2014, Newsweek.

A despedida é um tweet de tristeza

em Educação e Comportamento/News & Trends/Tecnologia e Ciência por

Durante anos Lisa Bonchek Adams tem documentado sua experiência ao viver com câncer de mama incurável, já em estágio avançado. Ela compartilhou sua história de maneira muito pública, primeiramente no Facebook, depois em seu blog pessoal, e, finalmente, no Twitter. Adams sempre recebeu apoio incondicional até que, recentemente, os editoriais dos jornais The Guardian e The New York Times a criticaram pelo seu uso da mídia social como uma “espécie de automedicação”. O que se seguiu foi um frenesi da mídia, pois cada publicação se apressou para tomar partido.

A histeria é um indicativo de como a mídia social começou a tornar visíveis, muitas dessas coisas preocupantes que eram mantidas ocultas: o câncer, a doença terminal e a morte em si estão sendo reformulados pelos novos meios de comunicação.

Em nenhum lugar isso é mais evidente do que no processo de luto, que tem, para muitos, saído das sombras tranquilas do quarto e acalmado as pessoas mais próximos e queridas, através do grande alcance da mídia social no mundo inteiro. O Twitter transmite um novo discurso fúnebre; os perfis no Facebook viram páginas em memória a algum ente ou amigo querido.

Quando Nora Ephron faleceu em 2012, sua página do Facebook se tornou um ponto de encontro para as pessoas com as quais ela mantinha contato em sua vida pessoal e profissional. O seu perfil está ativo até hoje: os fãs de Nora postam citações em seu mural.

É um novo mundo estranho, onde a vida após a morte é eterna e presente. Mas já que tudo acontece no Facebook, por que ele não seria o lugar no qual as pessoas vão para lamentar?

Quase todo mundo está familiarizado com as cinco etapas do processo de luto descritas por Elisabeth Kübler-Ross em seu livro “On Death and Dying”: negação e isolamento, raiva, negociação, depressão e, finalmente, aceitação.

As quatro primeiras etapas, bastante claras, não são muito divertidas – elas são os passos os quais você tem que enfrentar a fim de chegar a um ponto no qual você consiga viver com a sua perda. E, nos velhos tempos, era fácil ficar atolado na primeira etapa, era necessária a sua iniciativa para chegar até as outras. Mas agora, com o Twitter, Facebook e Tumblr sempre à mão, é quase impossível isolar-se.

Mas talvez essa crítica reflita mais uma divisão entre gerações que uma falha de caráter. Os adultos que sofrem as perdas podem ver adolescentes tirando fotos de si mesmos a caminho de um enterro e marcá-los usando a #sadday e pensar, “que atitude desrespeitosa!”, mas será que o adolescente sabe como lidar com a morte? Não seria um exagero imaginar que esta é a melhor maneira que ele conhece para alcançar e compartilhar a perda com seus amigos. (Embora possa ser um pouco mais difícil perdoar a mesma atitude do presidente Barack Obama.)

“As pessoas querem se sentir parte de alguma coisa”, declara Tamara McClintock Greenberg, professora de psiquiatria da Universidade da Califórnia, São Francisco, à Newsweek. “O Facebook permite que as encontrem sua rede de pessoas que vão lhes ser muito solidárias”, finaliza Tamara.

Ben Nunnery, 34 anos, natural do Kentucky, cuja esposa, chamada Ali, faleceu em 2011 de câncer de pulmão, aprendeu que o excesso de compartilhamento pode levar a cura. Antes de sua esposa morrer, o casal tirou fotos juntos em sua primeira casa; Depois que ela faleceu, Ben recriou as fotografias com a sua filha de três anos de idade, Olivia. Ele compartilhou essas imagens com toda a sua rede social e recebeu uma avalanche de apoio. Nunnery nunca esperou que as fotos teriam um impacto tão grande.

“Eu acho que [a mídia social] permite que as pessoas se conectem mais facilmente e… que não é só uma plataforma para compartilhar nossa dor, eu acho que ela ajuda outras pessoas a suportar a dor”, comentou Nunnery à Newsweek.

Há algumas coisas a serem consideradas antes de você lamentar no SnapChat. Embora você possa sentir como se recebesse toneladas de apoio, expondo-se em mídia social, você poderá enfrentar críticas por parte de estranhos e, pior, a rejeição dos amigos e da família. A exibição pública da tristeza e da emoção vem com os riscos.

Há também o perigo de que as novas tecnologias possam estimular a negação e torná-la mais difícil de lidar. Em 2009, depois que os usuários se queixaram de ver “amigos sugeridos” de pessoas que já haviam falecido, o Facebook começou a desativar os seus perfis e criar “memoriais”, a pedido de seus entes queridos. Os perfis imortalizados não acabam – eles vivem na eternidade (ou pelo menos enquanto dura Facebook) e dão aos amigos e familiares a oportunidade de olhar para trás nos posts, mensagens e fotos antigas.

Esse é o tipo de coisa que pode facilitar a cura, mas, também, pode ir longe demais. Um aplicativo lançado no ano passado chamado LivesOn, por exemplo, oferece a promessa que “quando o seu coração parar de bater, você vai continuar a quitar”. Funciona assim: Você fornece um acesso total para ler tudo o que já disse on-line e ele cria uma “continuação virtual” de sua personalidade depois que você morrer, imitando o seu comportamento.

É uma coisa estranha, a Internet é tanto transitória quanto permanente. É um lugar onde 140 caracteres (# RIP) podem ser de valor para um sentimento significativo e onde selfies fúnebres são postadas por jovens de 14 anos. Também é um lugar onde os serviços funerários assumem um tom de indefinição e a morte pode se estender tanto para frente, quanto para trás. Em última análise, tal como IRL, lamentar on-line é muitas vezes complicado, contraditório e muito pessoal. Quer se trate de compartilhar a alegria ou a tristeza de alguém, sentir-se conectado é uma parte da experiência humana que a tecnologia está tornando mais fácil.

© 2014 Newsweek.

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