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Comprou logo dois

em Incontrolável/News & Trends por

Cesar era mesmo bastante jeitoso com as mulheres. Uma coisa meio nata, acredito. Mas a que ele me contou hoje, me fez tirar o chapéu.

– Estou a caminho de Guarulhos, meu amigo! – disse ele logo que atendi sua ligação.

– Que beleza! Vai viajar para onde? Espero que seja por um bom motivo…

– Não, não, não. Estou indo buscar uma pessoa.

Cesar não era do tipo que se dá a este trabalho facilmente. Rodar uma hora e meia no trânsito inconveniente da zona sul de São Paulo até o aeroporto de Guarulhos não fazia muito seu estilo. Era mais do tipo de pagar o taxi para o viajante do que enfrentar toda essa epopéia.

– Heim? Como assim? – indaguei, sabendo que vinha uma boa por aí.

– Eu há conheci numa festa, faz uns dois anos. Ela mora do outro lado do mundo, então eu a acompanhava pelo Instagram e falávamos esporadicamente via mensagens. É um espetáculo de mulher – Victoria Secret (acho que nunca vou saber se realmente era uma das modelos que já foram selecionadas para divulgar a marca ou apenas um código para relacionar às mais lindas do planeta), inteligente, simples, uma coisa maravilhosa… esquece!

– Conta vai… – sabia que vinha um golpe de mestre por aí.

– Foi assim, – começou  Cesar – eu vi que ela comentou numa foto de um filhote de Shih-tzu: “Que coisa mais linda! Quero muitoooo!”. Daí comecei a trabalhar: entrei em contato com alguns criatórios deste bichos que estão na cidade dela, encomendei logo dois, comprei e mandei entregar lá.

– Dois?? – interrompi em meio a uma gargalhada.

– É, dois… logo que eles chegaram ela leu o bilhete que identificava o remetente do presente.

– Daí o que ela fez? Que jogada, heim craque…

César continuou:

– Ela me ligou na hora. Pedi desculpas pela atitude um pouco invasiva. Disse que se ela não gostasse, eu iria pedir para buscarem os bichinhos volta… daí ela desarmou. Quem consegue desistir desses peludinhos depois da primeira lambidinha nos dedos?! “Mas por que dois??”, ela perguntou. Daí eu disse que não sabia se ela gostaria de um cãozinho macho ou fêmea. E o mais importante de tudo: a regra do presente seria pegar um deles e trazer pessoalmente aqui para São Paulo para eu mesmo criar.

– Caramba! – arregalei os olhos do lado de cá da linha.

– Agora além de uma deusa-lover, virei também um pet-lover! – finalizou ele.

– Só você, Cesão. Só você… mas saiba que acabou de ganhar um filho. Vai ter um “trabalhinho” diário envolvido agora – provoquei sorrindo.

– É, não pensei direito como vou fazer com esse bichinho. Talvez embalsamar ele numa posição bem fofa… – brincou de volta.

Apesar do certo distanciamento poético comum ao nosso tempo, ainda existem bons jogadores por aí: salve, César!

 

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