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De poeta boêmio a mascote fofo

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Estão dizendo que o personagem mais venerado dos jogos da Rio 2016 não é nenhum atleta. Parece que o mais requerido para fotos e maior alvo dos sorrisos é o mascote Vinicius. O nome veio do poeta e músico que é a síntese da alma carioca, o Vinicius de Moraes. Além de ser o “preto mais branco do Brasil” e o maior apaixonado da cidade, ela era daqueles que tinham uma essência vagabunda na pele: “Que prazer mais um corpo pede após comer um tal feijão, evidentemente uma rede e um gato para passar a mão.”  O mascote Vinicius tem esse jeitinho despretensioso, amigo, bon-vivant… de certa forma mais ou menos igual ao outro Vinicius mesmo.

Quando eu era criança e batia minha bolinha na escola não entendi uma discussão que veio da sala lá de casa: uma tia que jogava um Tênis “quase profissional”, numa dessas conversas de adultos que criança não participa mas escuta, afirmou que não gostaria de seguir treinando porque a pressão não era nada saudável. Sendo fisioterapeuta, criticou veementemente a atividade esportiva profissional. Considerava um ultraje o desgaste físico e psíquico envolvido quando se busca a máxima performance. Na época, não entendi muito bem essa reflexão. Nesse final de semana, a vitória inédita no futebol masculino brasileiro em olimpíadas trouxe uma explosão de alegria pelo torcedor. Um jogo dramático que culminou com um derramamento copioso de lágrimas pelo craque Neymar Jr. Foi emblemático. Não é fácil ser um talento esportivo precoce porque a cabeça não acompanha. E a pressão, em se tratando de uma paixão nacional que é o futebol, certamente virá na intensidade do talento. O mundo não pergunta se estão prontos. Ele simplesmente derrama um caminhão de tijolos. Isso sem falar na maldade que veio no vácuo em forma de inveja e valores distorcidos, fazendo aquele caminhão de tijolos chegar ainda sem os freios…

Neste Domingo,  Romulo Mendonça, o narrador “ufanista-mensageiro do caos” da ESPN Brasil mandou um “aqui não Michelangelo! Aqui é Romero Britto!” na final do vôlei masculino que garantiu o ouro do Brasil contra a Itália. Uma delícia enxergar a competição esportiva de alto rendimento sintetizada neste viés de humor. Mas isso é para quem está do lado de fora – para quem é mero espectador despretensioso ou narrador fanfarrão.  Para estes, o esporte tem o papel de servir como uma válvula de escape para o estresse e ajudar a colocar a saúde física em dia. Nada melhor para voltar os nervos para seu devido lugar do que uma corrida de cinco quilômetros às seis horas em todas as manhãs ou um futebol com os amigos nas noites de Segundas e Quartas-Feiras.

Quando vistos pelo longo prazo, existindo merecimento, a gente escuta relatos emocionantes que em muito nos fazem refletir, como o do técnico do vôlei masculino Bernardinho após a vitória deste último ouro: “Me sinto em débito com a vida. Ela me deu muito mais do que eu poderia esperar. Claro que houve muito trabalho, mas me sinto um privilegiado.”

Sinuosa a trajetória do Vinicius – de poeta boêmio a mascote fofo. O eufemismo dentro da identidade antropológica do esporte. Coisa que só o brasileiro, exemplificado pelo jeito de falar de esporte do Romulo Mendonça, poderia criar. No cerne do evento vem o desespero do atleta através da pressão pela postura politicamente correta, aliada ao “melhor resultado possível” exemplificado pelo choro do craque do nosso futebol que mais parecia um bebê que acabara de sair do útero.

Daqui quatro anos tem mais. Para nós, meros humanos normais que no máximo praticam o esporte para ter saúde física e mental, será um breve salto no tempo. Já para os que se disporem a buscar o sonho olímpico, a corrida para uma vaga em Tókio 2020 já começou – e será uma longuíssima jornada.

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