Desconfio do governo e isso faz sentido

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Por Priscila Cortat

Foto: Reprodução
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Manhã chuvosa, tomo café e leio na charge da Folha alguma piada sobre a esquerda e a direita do governo serem tudo a mesma porcaria. Abro o Facebook e encontro uma enxurrada de posts querendo estrangular o Haddad por ter diminuído a velocidade das marginais para ganhar mais dinheiro em multas, além de posts sobre os governos proibirem o Uber porque tem interesses no dinheiro gerado pela máfia dos taxis. Chego ao trabalho e o primeiro e-mail que abro é “Vereadores aprovam lei para contratar mais assessores”.

DES-CON-FI-AN-ÇA.

Esse é o sentimento. Sentimos isso o tempo todo. Principalmente quando o assunto é o governo. Desconfiamos. Não há possibilidade de haver alguém com propósitos e objetivos que beneficiariam o Brasil, apenas planos escusos de tirar vantagem, ganhar mais dinheiro, ver o outro em uma situação pior. Navego diariamente pelo Votenaweb, leio os comentários das pessoas sobre os projetos de lei e 98% do que encontro são explanações sobre determinado projeto de lei que apenas quer f***er o povo. Chegamos ao ponto em que a Dilma não confia nem no Lula mais.

Pesquiso sobre o assunto, e encontro um artigo define a jornada democrática: “a democracia nasceu da desconfiança liberal de quequem tem poder não é confiável, e de que os procedimentos habituais usados para mantê-lo precisam ser controlados para se evitar seu abuso. Em consequência, a democracia implica em supervisão e monitoramento do exercício do poder pelos cidadãos. Ou seja, ela implica em desconfiança e, para fazer valer isso, opera com normas e instituições desenhadas para que os riscos de origem possam ser controlados.”

CON-TRO-LE.

Mas, como? Como exercer controle? Nos ensinaram que votar basta, nunca compreendemos de maneira clara como acompanhar, controlar e intervir no que o governo faz. Não nos achamos capacitados ou com tempo disponível para nos envolver de fato em iniciativas da sociedade civil que querem intervir e controlar o governo para construir um país melhor e, quando o fazemos a sensação é de que nada terá impacto relevante.

E, afinal, há solução?

Acredito que precisamos assumir de uma vez por todas nossa responsabilidade na democracia. Quem acredita ser responsável por algo, se envolve, se impõe.

Você já mandou um email para seu parlamentar exigindo um voto diferente na próxima votação sobre a maioridade penal? Deu uma ligada para o seu vereador para reclamar da votação sobre UBER? Em quantas reuniões da sub-prefeitura do seu bairro você compareceu? Ah, e ainda está achando ruim que sua rua perdeu ao menos 10 árvores no últimos 6 meses?

Para nos comportarmos passivamente, temos as ditaduras. Elas definem o que  devemos comer, no que devemos trabalhar, que filmes assistir e quanto devemos ganhar. Não gostou? Então é hora de aprender uma coisa:

DEMOCRACIA NÃO É PASSIVIDADE.

Democracia é ter os cidadãos como parte ativa dos processos, controlando, vigiando, opinando.

Você é responsável por sua rua ter menos árvores e será responsável por menores irem para cadeia. Pense nisso, absorva essa informação. E, por favor, FAÇA ALGO.

Por Priscila Cortat, Sócia e Diretora de Estratégia da Webcitizen.

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