Ebulição social global?

em Brasil/Mundo/The São Paulo Times por

A Primavera Árabe, os movimentos denominados Occupy Wall Street, as manifestações na Ucrânia contra a abolição de um acordo comercial com a União Europeia, os protestos de junho de 2013 contra o aumento da tarifa de ônibus no Brasil e agora os levantes contrários à realização da Copa do Mundo no país. Todos esses eventos ocorreram por razões distintas, mas convergem em uma direção: indicam a formação de um novo ciclo da sociedade mundial.

protesto

Empoderados pelas redes sociais e por uma gama infinita de informação, brasileiros, árabes ou ucranianos, tecem suas críticas e clamam por mudanças no modelo de gestão de seus países. Saem de suas casas e passam horas, as vezes dias nas ruas reivindicando seus direitos e postando-se contra aquilo que não lhes é benéfico. Muitos parecem cansados da burocracia política e seus parcos resultados.  As regras do jogo político, sua lenta e enigmática forma de lograr resultados não mais satisfazem os anseios da população. Deram-se conta, talvez, de seu imenso poder de expressão, agora com alcance super potencializado por ferramentas contemporâneas da comunicação, como a internet e a telefonia móvel.

A comunicação e a conscientização – facilitadas pela tecnologia – levam centenas de manifestantes contrários à realização da Copa do Mundo no Brasil às ruas, mas conduzem também diversos indivíduos dispostos a manchar a crítica popular com atos violentos. Assim ocorre também na Ucrânia. Estamos formando um modelo social mais crítico e mais exigente, mas desde já temos um grande desafio a superar: a educação da crítica.

A forma violenta de prostestar traz consequências nefastas para os movimentos oriundos da insatisfação social, mas ao mesmo tempo atira por sobre os responsáveis as reais condições da sociedade, ou seja, as deficiências no sistema educacional, a debilidade do transporte público e quase sempre a má gestão de nossos recursos, tornaram-se gatilhos geradores de insurreição social violenta, e agora todos os responsáveis veem e têm de se responsabilizar por suas consequências.

Por Luiz Renato Nais

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