Escavações no Canal do Panamá revelam descobertas de fósseis

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Gussie MacCracken, uma estagiária de paleontologia, senta-se nas rochas de uma colina com um pincel pequeno, de costas para os gigantes navios porta-contêineres que descem o Canal do Panamá.

“Encontrei alguma coisa!” Aos 25 anos de idade, a estudante de Ph.D. segura uma pequena pedra com uma protrusão colorida do tamanho de uma unha.

fossil

A poucos metros de distância, Caitlin Colleary, também estagiária de paleontologia e estudante de Ph.D., logo escuta o eco do grito de sua colega.

Durante quatro meses, as jovens cientistas norte-americanos acordaram antes do sol nascer e passaram suas manhãs peneirando um campo de fósseis nas margens do canal.

Para acomodar cada vez mais grandes navios porta-contêineres, os engenheiros têm expandido o Canal do Panamá desde 2007, o projeto mais ambicioso desde a construção original do canal, na virada do século 20.

Quem, portanto, é o vencedor improvável do projeto de engenharia de 5 bilhões de dólares? A comunidade científica. Os investigadores filiados ao Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais (STRI), um escritório da instituição com sede em Washington, têm arrastado equipes de demolição e coleta de fósseis recém-expostas.

O grupo determinou que o istmo – uma porção de terra cercada por água que une duas extensões de terra – entre a América do Norte e América do Sul começou a subir cerca de 21 milhões anos atrás, e não 3,5 milhões, como se pensava.

Isto significa que os oceanos Pacífico e Atlântico se separaram e a flora e a fauna dos dois continentes se uniram – mais cedo do que se supõe. “A história geológica é muito mais complexa do que o que tínhamos pensado até agora”, diz Carlos Jaramillo, um cientista da equipe do STRI.

Quando o istmo surgiu e interrompeu a troca de água entre o Atlântico e o Pacífico, a salinidade na antiga rosa esgotou do Caribe certos nutrientes, tornando a água mais cristalina e deu à luz aos recifes de coral pelos quais o mar é conhecido.

As implicações do projeto são enormes para a comunidade científica, mas para os investigadores que vasculharem as margens do canal, a experiência tem um peso pessoal esmagador.

“Este tem 21 milhões de anos, e eu sou a primeira pessoa a vê-lo”, disse Colleary, 29 anos, segurando uma pedra que pode ter um fóssil incorporado. “Isso é o que fica para mim.”

Os olhos de Gussie brilham quando ela lembra dos fósseis que encontrou, incluindo a ponta de um beardog gigante, um animal extinto parecido com um cão tão grande quanto um urso preto e que migrou para o istmo da América do Norte.

Outros pesquisadores encontraram restos fossilizados de camelos em miniatura, cavalos, macacos, rinocerontes, jacarés e morcegos. Fósseis de frutas e flores também foram encontrados, revelando uma floresta com elementos tropicais, diz Carlos Jaramillo. Muitos deles contêm uma mistura de elementos da América do Norte e América do Sul.

Os investigadores têm entre uma semana e três meses para peneirarem um determinado local, antes de serem conduzidos para fora. Quando uma disputa contratual suspendeu a construção por duas semanas em fevereiro, um tremor passou pela comunidade marítima global, mas para Carlos foi uma boa notícia: Ele contratou sua equipe de cientistas por mais tempo.

A dragagem desenterrou não somente os fósseis, mas também itens arqueológicos, como um punhal espanhol do século 16 e setas pré-colombianas, de acordo com a Autoridade do Canal do Panamá. Todos esses foram restaurados e preservados.

Até agora, o projeto de expansão está quase três quartos concluído. O ritmo de dragagem diminuiu e os engenheiros começaram a mudar seu foco para a concepção e construção das eclusas e navios menores à medida que passam através do canal de 48 quilômetros.

Durante os primeiros anos da expansão, mais de 20 cientistas vasculharam os locais de dragagem diária; esse número diminuiu para cerca de cinco. A expansão está prevista para ser concluída até dezembro de 2015.

A escavação dos fósseis de 6,5 milhões de dólares foi financiada por doações da Autoridade do Canal do Panamá, pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA, pelo Smithsonian Institution, pela National Geographic Society e por um doador não revelado.

© 2014, IBTimes.

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