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Horóscopo

em Cássio Zanatta/News & Trends por

As pessoas andam muito apressadas, correndo demais da conta. Assim, é provável que nem todas tenham tido tempo de conferir o horóscopo.

Transcrevo aqui o da edição da Folha de S. Paulo de segunda-feira, 24 de setembro de 2018, na boa intenção de melhorar o dia de vocês, e ainda emito alguns comentários que julgo de grande utilidade.

“Áries. Preserve-se o melhor que puder neste dia, com a maré enchendo até a lua ficar cheia em Áries à noite. Encare limites com responsabilidade.” Traduzindo: ariano do céu, veja lá o que você vai me aprontar, hein?

“Touro. Climax lunar nada confortável para os afetos, pois expõe o melhor e o pior das relações íntimas e sociais.” Rapaz. Ainda bem que li antes da minha mulher, que é taurina. Pensei em pedir a ela um cafuné ou ao menos uma massagem no pé, mas eu é que não vou ser besta. Obrigado, horóscopo.

“Leão. Não tenha pressa. Já isso o ajudará.” Boa. É por aí.

“Virgem. Cuidado com expectativas em relação às pessoas. O dia transcorre silencioso.” Isso, claro, para virginianos que vivem em Coxixola, São Miguel das Matas ou Patrocínio Paulista (eleita recentemente a cidade mais silenciosa do Brasil por nenhuma aclamação, já que isso perturbaria o consagrado silêncio). Já para os paulistanos ou cariocas, o dia dificilmente transcorrerá silencioso. A não ser que a gente convença os motoristas de ônibus, operadores de britadeiras e bate-estacas. Mas como foi dito no início que é para não criar expectativas em relação às pessoas, levou quem trouxe.

“Libra. Mal o sol entrou em Libra e já há lua cheia em Áries.” Isso deve ser uma advertência, é bom estarmos atentos. Sigamos: “O eixo dos signos do eu versus nós está pressionado pelo peso das responsabilidades afetivas versus desejos individuais.” Caramba. Justo no meu signo. A única coisa que eu entendi é que hoje não saio de casa nem amarrado.

“Sagitário. Tudo o que você precisa nesta segunda-feira é de descanso, dê um jeito de parar.” Juro que está escrito isso. Mas esse sujeito do horóscopo é francamente um subversivo. Em plena segunda, justo o dia de criar coragem, recomeçar e pegar no batente, ele propõe que você pare. Fosse eu sagitariano, levava o jornal para a empresa, esfregava na cara do chefe e iria pra casa deitar na rede, beber uma limonada de limão galego e pensar na morte da bezerra.

“Capricórnio. Sob maior exposição, as pessoas têm em você um exemplo a ser seguido, ou não.” Ué. Têm ou não? De toda maneira, fazem bem as pessoas em duvidar: esses exemplos costumam ser nada exemplares se olhados mais de perto.

Não transcrevo as previsões para os outros signos, porque basicamente também recomendam cautela no dia de hoje. O que é sempre recomendável, não só no dia de hoje. Bem dizia meu nonno Ireno, “juízo nunca é demais” e quase sempre me estrepei quando não o segui. Meu horóscopo é muito particular.

Alguém há de ver em meus comentários algum tom de galhofa ou sarcasmo. Peço desculpas se ofendi alguém, mas eu não conseguiria, nem que me esforçasse, ser mais irônico do que as próprias previsões. Além disso, entendam: o eixo dos signos do eu versus nós está pressionado pelo peso das responsabilidades afetivas versus desejos individuais e vá escrever uma crônica que preste nesse estado.

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