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João Coca – O zagueiro artilheiro

em Coluna por

Gui

João Coca – O zagueiro artilheiro

João Coca, como foi dito na coluna passada, era um zagueiro viril, desses que limpa a área com um carrinho só. Mas o seu porte físico não era a única que arma que tinha. Dono de um chute forte que fazia mais estrago que os mísseis Scuds.

Sua fama corria pelos campos do interior. Em todas preleções, os treinadores adversários suplicavam aos jogadores do meio de campo para não cometerem faltas na intermediária. Diziam que com o João em campo, era melhor cometer um pênalti, do que fazer uma falta.

Certa vez, o Nacional enfrentou um time que estava muito feliz com o 0x0. Jogava numa retranca de dar inveja ao Celso Roth. Os zagueiros jogavam na linha da pequena área, os volantes não passavam da marca da meia lua da grande área. O time jogava tão fechado, que o centroavante entrou em depressão por causa de solidão.

Desesperado com a dificuldade de entrar na defesa do time adversário, o treinador do Nacional colocou em campo Saci, um ponta rápido, driblador e atrevido e deu a ordem:

– Parte pra cima e arruma uma falta na intermediária pro Coca bater.

Ao ver a substituição, o colega do time adversário gritou para o seu time:

– Marca no olho, não faz falta, não faz falta.

Mas não teve jeito, aos 46 da etapa complementar, último lance do jogo, Saci parte pra cima com a bola dominada e é derrubado. A torcida da casa comemora como se fosse gol e com entusiasmo, solta o grito: Eu sei que ele pipoca! Solta a bomba João Coca! Eu sei que ele pipoca! Solta a bomba João Coca!

João sorria de orelha a orelha e com o caminhar de um urubu malandro, ia em direção a bola.

O ritual era o mesmo: pisava na grama, mirava o gol com o olho bom, beijava a bola e a colocava com o bico virado para a meta, afastava dez passos largos e esperava o apitador de latinha autorizar a batida.

Prííííííí.

João corre e solta a perna.

A bola passa raspando a gaveta esquerda do goleiro adversário, que nem se mexe. De tão rente que passou a bola, chegou a balançar a rede pelo lado de fora. Mas o homem de preto, já cansado de apitar jogos do João, nem espera pra ver onde a bola vai, corre para o meio de campo e, precipitadamente, dá o gol.

Ao ouvir o apito de confirmação do gol, todo mundo corre.

Os jogadores do Nacional, em direção ao Coca, que corre em direção à torcida, pra onde aponta para uma de suas 3 namoradas fazendo o sinal de coração.

Os adversários, correm em direção ao polêmico árbitro, conhecido pela sua teimosia e soberba. Ameaçam agressão, levantam o dedo, xingam com as mãos para trás, se viram para a torcida, incrédulos do que está acontecendo.

Até que, com os ânimos mais calmos, ele chama o goleiro no meio do bolo de jogadores e pergunta:

– Se fosse no gol, você chegava?

– Não. Respondeu o goleiro, com toda a sinceridade.

– Então é gol.

 Prííí, prííí, prííííííí!!!

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Guilherme Lemos. Mineiro, marido, dono da Berê, cruzeirense, publicitário e fã de futebol. Mais ou menos nessa ordem. Estudante do 2º período da UFSH – Universidade Federal dos Surfistas do Havaí.

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