Lendas urbanas atraem olhares sobre a Casa de Dona Yayá, no Bixiga

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Quem procura por histórias de fantasmas encontra em todas as listas dos lugares mal assombrados na cidade de São Paulo a Casa de Dona Yayá.  A Casa remeta à história de Sebastiana de Mello Freire, a Dona Yayá, sua última proprietária e moradora, que lá viveu isolada por cerca de 40 anos após ser diagnosticada como portadora de distúrbios psíquicos e interditada judicialmente como incapaz de gerir seus próprios bens.

Única herdeira de grande fortuna, após perder ainda jovem pais e irmãos, sem ter casado ou tido filhos e doente, a vida Dona Yayá dá margem a inúmeras interpretações, mais ou menos fantasiosas. Após a morte de Dona Yayá, em 1961, o casarão chegou a ficar abandonado e sofrer ocupações irregulares.

As condições precárias em que a casa foi deixada, escondida por trás dos muros e portões, por muito tempo inspiraram medo e suspeita até que a Universidade de São Paulo realizasse a recuperação do edifício e abrisse a Casa ao público. O fato é que a Casa de Dona Yayá constitui um importante documento histórico da transformação da cidade de São Paulo. É um dos últimos remanescentes do antigo cinturão de chácaras que circundava a região central da cidade e que viria a configurar no bairro da Bela Visa, conhecido como Bixiga.

O terreno, que inicialmente media cerca de 30mil m², foi dividido em razão da expansão do traçado urbano e teve outra parte desapropriada com a construção da ligação Leste-Oeste. A primeira construção erguida na chácara foi um pequeno chalé residencial com quatro cômodos, construído em meados do século XIX por José Maria Tallon. O antigo chalé de tijolos foi ampliado pelo segundo proprietário, Afonso Milliet, entre 1888 e 1902, quando a chácara foi vendida para o comerciante João Marques Guerra.

A casa passou então por uma grande reforma que resultaria na fachada neoclássica com adornos, como se vê ainda hoje.   Em 1920, a casa passa a ser residência de Dona Yayá, mantida sob tratamento médico na companhia dos parentes distantes que já moravam com ela, enfermeiros e empregados. Por recomendações dos médicos responsáveis pela saúde de Dona Yayá,  a casa foi sofreu várias mudanças para garantir seu conforto e segurança, seguindo padrões de instituições hospitalares.

Desse forma, a Casa também guarda referências à evolução do tratamento dirigido aos pacientes psiquiátricos no Brasil. Como Dona Yayá não tivesse herdeiros legais, seus bens foram transferidos à Universidade de São Paulo, conforme dispunha a Lei Estadual nº 27.219-A, de 09 de janeiro de 1957. Sob a responsabilidade da USP, a Casa de Dona Yayá foi objeto de estudos documentais e prospectivos que recuperaram vestígios de construções do final do século 19 escondidos pelas sucessivas reformas e ampliações, bem como pelas adaptações sofridas para abrigar sua última proprietária.

A Casa de Dona Yayá passou por um cuidadoso trabalho de recuperação e restauro empreendido por especialistas de diversos campos e áreas do conhecimento, que promoveram o reconhecimento do imóvel como lugar de memória e definiram as diretrizes para orientar as intervenções realizadas. Paredes de tijolos, pinturas murais e o próprio jardim permitem recuperar momentos distintos dessa residência: o chalé de uma chácara rural, uma casa eclética em área já urbanizada e por último o sanatório. 

Devido ao seu valor como bem cultural e lugar de memória, a Casa de Dona Yayá é tombada pelo Estado de São Paulo, desde 1998, e pelo Município, desde 2002, e hoje integra a lista de bens culturais da USP. Desde 2004 abriga a sede do Centro de Preservação Cultural (CPC-USP), órgão de cultura e extensão universitária voltado para ações de divulgação e reflexão sobre patrimônio cultural.

O CPC atua na preservação do imóvel e na pesquisa sobre a história de Dona Yayá, mantendo a casa aberta à visitação pública. O CPC também oferece aos visitantes, pesquisadores e especialistas uma programação variada, que vai de eventos acadêmicos a oficinas infantis, exposições e apresentações musicais. SERVIÇO Centro de Preservação Cultural-USP/Casa de Dona Yayá


Visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, entrada gratuita.Endereço: Rua Major Diogo, 353 – Bela Vista – São PauloContato:  Ana Célia de Moura  [email protected] / 2648-1512

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