Liberdade em perspectiva

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“Pessoas comuns podem concordar ou não sobre a utilidade social de penas pesadas frente à distribuição de substâncias controladas, ou até mesmo sobre a criminalização da venda e utilização das mesmas. É bem possível que, em algum ponto no futuro nós iremos nos arrepender destas políticas como erros trágicos e iremos adotar medidas menos punitivas e mais efetivas para reduzir a incidência e custo (de medidas contra) o uso de drogas.”

A sentença acima foi lida num tribunal de última instância de um corte estadounidense no final do mês passado. Uma ponderação de certa forma inesperada, ante um desfecho já esperado para uma história que ilustra um modelo alternativo de organização socio-econômica-comercial.

Quem ainda não ouviu falar num comércio mundial de produtos para as mais distintas finalidades ambientado nas profundezas ocultas da Internet (Tor)? Recomendo que assistam o documentário “Deep Web”, lançado em meados de 2015. O ator Keanu Reaves narra a história do Silk Road e seu líder Ross Ultbricht. Desde drogas ilícitas na maior parte do mundo até produtos comuns que, desta maneira, não seriam tributados pelos governos. Em se tratando de drogas, uma abordagem bastante interessante sobre um modelo de distribuição que retira o sangue das ruas. Que provê referências de qualidade. Que preza pelo anonimato e liberdade de escolha. Antes de ser fechado em 2013 pelas autoridades americanas, o ambiente virtual chegou envolver cerca de novecentas e sessenta mil pessoas, entre compradores e vendedores em todo o mundo.

Nenhum assunto mata mais do que o comércio ilegal de drogas. E de longe o comércio mata mais que o consumo. É fato que o planeta perde com o modelo vigente de enfrentamento deste problema. Nesta guerra, os jogadores que se atrevem ou que são envolvidos neste cenário são loucos destemidos ou os socialmente excluídos. O efeito colateral é nefasto para toda a sociedade já que esse comércio ilegal é o maior financiador de outros tipos de crimes contra a vida.

Ross Ultbricht se apresentava anonimamente como Dread Pirate Roberts. Um personagem inspirado no filme A Princesa Prometida. Segundo essa história, uma máscara seria transmitida de homem em homem, fazendo com que o ideal por traz da personagem não se perdesse. Na história da humanidade os precursores de ideais evolutivos sempre foram perseguidos. Presos. Assassinados. Talvez o Dread Pirate Roberts da Deep Web, será como outros grandes líderes que sacrificaram a própria vida na luta por um ideal de sociedade mais justa e livre.

Lamentavelmente a sentença da corte estadounidense que descrevi no primeiro parágrafo deste texto, seguiu assim: “neste ponto de nossa história, entretanto, a democracia representativa do povo optou por uma política de proibição, apoiada por punições severas.” O resultado então foi que Ross Ultbricht deverá permanecer encarcerado até o final de sua vida, cumprindo prisão perpétua.

A Internet é o maior encurtador de distâncias já inventado neste mundo. É instrumento de aprisionamento e também libertação. Visto algumas vezes como doença, neste caso foi a meu ver, um instrumento de cura. Uma forma alternativa de organização social amparada por princípios de liberdade e paz: “a utilização de teorias econômicas para abolição do uso de coerção e agressão na humanidade. Assim como a escravidão foi abolida em quase todos os lugares, acreditou-se que violência, coerção e todas as formas de força de uma pessoa sobre outra chegasse ao fim.”

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