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Maggie’s Plan, ou “Frances Ha quer ter um filho”

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Em 2012 Frances Ha, uma delícia de filme, estreou nos cinemas. A história: uma mulher à beira dos 30 anos que não sabe o que fazer direito da vida – a representação de uma geração. Anos depois (hoje, no caso), Frances resolve começar a tomar suas decisões, mas todas elas dão errado, iniciando por ter um filho ainda solteira.

Explico melhor: Frances não é mais Frances, mas ainda é Greta Gerwig, a atriz que virou uma espécie de “diva” do cinema indie americano. Ela é despudorada, desajeitada, engraçada e de estilo questionável, este é o arquétipo da mulher que anda fazendo sucesso nos filmes que retratam a classe média nova-iorquina intelectualizada. Bom, se voltarmos algumas décadas e observarmos Diane Keaton em Annie Hall (1977), descartaríamos apenas o “despudorada”. O resto já estava lá.

Em Maggie’s Plan, Greta interpreta Maggie, uma jovem professora de universidade que nunca conseguiu namorar alguém por mais de seis meses. Ela decide ter um filho por inseminação artificial e ser mãe solteira, mas tudo vem abaixo quando se envolve com John (Ethan Hawke), um outro professor da faculdade, casado com Georgette (Julianne Moore), uma intelectual frígida com quem já tem dois filhos.

Depois disso, sem apegos a história avança no tempo para mostrar no que deu esse acontecimento, e escancarar que nem sempre as pessoas ficarão felizes para sempre com as decisões que pareciam as mais corretas a serem tomadas. Novamente Frances, quer dizer, Maggie resolve arquitetar um plano para resolver a sua vida e de todos a sua volta, que tem tudo para dar errado.

A direção de Rebecca Miller tem as suas sutilezas, mas não inova a ponto de se destacar. Já a atuação de Greta é menos afetada, mas não menos divertida, que em Frances Ha ou no equivocado Mistress America. Uma atriz de um só personagem que amadureceu, talvez? – eis aí outra relação com Woody Allen.

Julianne Moore nos diverte no papel de intelectual-frígida-controladora, e o fato de Maggie’s Plan juntar ao elenco Ethan Hawke no papel de um escritor também exala uma certa nostalgia, lembrando seu personagem Jesse na trilogia que terminou em Before Midnight.

Dos três filmes do “gênero Greta Gerwig” já citados, este último me parece ter o melhor roteiro. Apesar de alguns déjà vus, tem uma boa história e diálogos impagáveis. Uma cena: a de John se declarando para Maggie. Porque o amor nem sempre é romântico, e às vezes é até bastante patético.

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