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“Não ficou devendo nada” uma pinoia!

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Sinceramente não achei que fosse entrar nessa seara, mas cá estou eu dando meu palpite! Se estiver afim de saber o que eu penso a respeito da mais nova discussão pós-moderna sobre os “filósofos” Gregório e Rafinha Bastos, senta que lá vem textão!

Na real, eu acho que a versão mais pé no chão de todas sobre o texto do Gregório é do meu amigo, o jornalista Karan Novas, que tem uma visão pra lá de moderna e que vem até a casar com o meu trabalho como assessora de imprensa e seus moldes pré-históricos, mas ainda bastante convincentes, de medição de valor publicitário.

Eu li ontem a coluna do Gregório, como metade da humanidade. E como quase 100% dos leitores, eu estava caindo nas garras do amor “almost perfect” declarado por ele à Clarice.

Achei meigo o jeito de ele olhar para ela, a destrambelhada do jazz como um diferencial positivo. Na verdade, eu devo ter sentido algum alívio, pois a situação mais próxima que tenho disso é da minha irmã caçula (entre as meninas), a Marina, com seus  10 ou 11 anos na porta da sala de ginástica aeróbica que eu fazia no clube com uns 14, forçando mais o abdômen com suas risadas do que eu na aula inteira. É obvio que me reconheci como a garota que vai para a esquerda quando o bando vai pra direita… whatever, não estamos aqui para falar de jazz ou aeróbica ou a minha (inexistente) coordenação motora, mas sobre as conclusões dos dois sobre amor e o meu singelo palpite!

Voltando ao Gregório, ele quase me convenceu a querer novamente um cara como ele em minha vida, até que.., PQP, Gregório, tinha que terminar com essa frase mesmo “Não ficou devendo nada”???

Não precisamos de “e foram felizes para sempre” sempre, mas cara, qual é o problema de querer ter coroado essa história de amor com um filho? Sua conclusão sobre tudo que você disse que viveram (se não for só marketing para promover o filme, como disse o Karan),  cara, essa história merece um pouco mais de empenho, de tesão por um segundo tempo, de inconformismo, de ATITUDE!

Um simples “não ficou devendo nada” é cômodo, morno, cruel e broxante. Parece um “Ah, já fui feliz nessa história e deixa pra lá que na próxima esquina, aula de jazz ou boteco eu encontro uma segunda Clarisse” e com ela faço a porra do filho que eu não tive coragem de te pedir. Talvez eu fique satisfeito com essa decisão ou talvez não. Se sim, ótimo, se não, eu penso em você como a alternativa “a” que virou “b” pra ser a mãe do meu herdeiro e amarguro isso pro resto da minha existência.

Cara, eu só quero te contar uma coisa: histórias assim não acontecem todo dia e nem todo ano. A vida acaba antes do esperado muitas vezes. E você pode acabar sozinho por puro comodismo. E se isso não é o que você deseja, eu espero, de verdade, que vocês tenham tido um motivo “UÓ” pra terminar, daqueles que sejam impublicáveis. Que a alegria, a parceria e o encanto já não estivessem mais habitando a mesma casa que vocês. Só assim para aceitar trancar a porta de um relacionamento que parece ter muito pra dar certo.

O povo falando de “amor de verdade”, “eu quero um amor assim” na internet sobre o seu texto e eu puta da vida aqui. Será que sou só eu que me revolto com o pouco caso que andam fazendo com o amor? Será que só eu li a última frase?

Amor de verdade pra mim tem que sair da ilusão, mas também não é o que Rafinha defende. Aliás, cara, para com isso. Diminui o tamanho da cama e compra um lençol king size que você acaba com essa briga. Ou senão, aproveita que está sem o lençol e vai re(descobrir) a mulher que tem embaixo dele, que está ao seu lado todo dia e você diz não ter enjoado (neste ponto eu concordo com você que isso é amor). Aprenda a rir do risoto queimado. E se estiverem de mau humor a ponto de sair de casa, como aconteceu, não esqueça de jogar ele no lixo antes de voltar. E, definitivamente, comer o hambúrguer que a sua mulher pediu pra você levar porque ela também estava com fome foi de muito mau gosto. Sua dor de barriga foi mais que merecida.

Ah, e diga-se de passagem, isso tudo pra mim não tem nada a ver com amor. Numa ‘república de estudantes’ ou num acampamento você pode viver tudo isso sem sentir nada de amor. Pra mim o nome das suas revanches é instinto de sobrevivência, egoísmo e necessidade.

 E antes que eu acabe por aqui, faço quase um manifesto por relacionamentos de verdade entre pessoas que se amam de verdade, assumidamente ou não. É preciso parar de deixar de viver as histórias pelo comodismo do “não me deve nada”, do “já passou”, do “não foi nada”, do “eu supero” e do “vamos pra próxima”. Isso parece mais slogan de remédio pra dor.

Histórias de amor até podem acabar nisso, mas merecem uma revanche. Ou uma segunda, ou terceira chance se você ainda tem algo dentro de você que te mostra ou diz que ela ainda está viva e tem chances.  

 

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Camila Linberger é colunista e cronista do The São Paulo Times. Comunicadora inata e observadora do comportamento humano, se algo que passar por seus olhos afetar sua mente de forma crônica, o resultado estará aqui para você ler.

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