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Noah e Greta, 2

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RobertoNoah e Greta, 2

Não sou crítico de cinema. Muito menos de literatura. Numa construção de frase pretensiosa, eu diria que sou “apaixonado por estórias, estejam elas em forma de prosa ou audiovisual”.

Ou seja, curto livros e curto filmes. É meio por isso que estou aqui.

A ansiedade de consumir esses conteúdos cada vez mais, misturada à loucura do dia a dia, podem fazer as conexões que construímos ao assistirmos ou lermos uma obra irem embora facinho, facinho, sem a gente nunca parar pra pensar e conversar sobre ela. E isso, pra mim, não faz o menor sentido. Não consigo amar um filme sem sair falando alopradamente pra todo mundo sobre ele. Entende?

Então, agora, meu “falar alopradamente” é essa coluna quinzenal apelidada carinhosamente de Contém Spoilers, e o “todo mundo” é você, querido leitor.

Apresentações feitas, vamos ao que interessa – menos eu, mais as estórias.

Ontem tive a oportunidade de assistir mais uma vez um original Noah Baumbach+Greta Gerwig no telão. Mas saí do cinema pensando: é, não se pode acertar todas.

Noah captou a essência da infância tão bem em The Squid and The Whale, a contemporaneidade da juventude perfeitamente no genial Franches Ha (com a Greta Gerwig) e a negação dos 40 comicamente em While We’re Young. Mas, dessa vez, em Mistress America, ficou em cima do muro.

A nova representação de uma geração entre a Y e a anterior ficou boa, entretanto, só isso dessa vez não foi o suficiente. A estória começou morna, ganhou ares interessantes, mas de repente caiu num limbo sem fim pra finalmente terminar morna de novo. Por limbo eu me refiro à cena interminável em que os personagens estão na casa de Mamie-Claire, a ex-amiga e atual inimiga de Brooke. De repente Noah Baumbach, cunhado na escola wes-andersonesca de diálogos eloquentes nonsenses, tenha tentado algo do gênero nesta sequência, que não convenceu.

“Pelo menos a Greta é engraçada”, foi meu sentimento ao terminar a sessão. Bom, algumas figuras mais mergulhadas no cenário do cinema do que eu dizem que a função de um filme de comédia é divertir. Nisso, Mistress America não pecou, pelo menos comigo. Dei algumas boas gargalhadas. Talvez eu também esteja sendo um pouco injusto, tendo criado muita expectativa numa segunda parceria de Noah com Greta. É que saí do cinema tão tocado por Frances Ha que só a menção de um novo filme com atuação dela e roteiro dos dois juntos me fez vibrar.

Voltando à vaca fria de dois parágrafos antes, outro ponto a favor do filme é a facilidade com que Noah alcança e nos esfrega na cara a representação da geração Y-com-a-anterior. A sensação de saber tudo, mas não saber nada, de fazer tudo e não fazer nada ao mesmo tempo – algo que já esteve deliciosamente presente nos superiores Frances Ha e em While We’re Young.

“Eu sou autodidata. Você sabe o que é isso? Pois é, essa é uma das palavras que eu ensinei a mim mesma.” Se fosse só por frases como essa, por cenas soltas interessantes ou pelo fato do filme se ambientar dentro do mundo de uma aspirante a escritora, eu o teria amado.

Me falta ainda assistir três longas de Noah pré anos 2000. E, claro, muitos que ele, ainda com 46 anos, ainda há de fazer por aí. Tomara.

Roberto Stahelin, é publicitário, mas está esperando sair seu primeiro roteiro produzido ou livro publicado para mudar de status.

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