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O que fica na bagagem para 2017

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A ANAC quer mudar as regras e alterar os pesos e valores para as malas. Nada mais de duas malas de 32kg. Agora a onda vai ser o foco. Saber o que realmente não pode faltar na viagem – prevendo o peso de umas comprinhas por lá, claro.

Com os tempos difíceis que passamos em 2016, contando mais de 12 milhões de desempregados, o que não falta é gente pondo fé no ano seguinte e querendo se livrar deste ano. Mas, e aí, vamos chegar lá de malas vazias mesmo? Sério?

O ano foi punk. Arrepiou o cabelo de muita gente. Mas foi firme. As ruas foram tomadas pela população que abriu a boca pra se posicionar. De modo geral, as pessoas estão mais integradas e interessadas pela política. Estão mais atentas ao dia-a-dia dos Palácios e menos ingênuas diante de campanhas. A tolerância social, apesar de crimes pontuais, tem crescido. E sabe por que eu acredito que isso esteja acontecendo? Desculpem-me a expressão, mas é fácil de explicar assim: a água bateu na bunda. Isso mesmo! As pessoas sentiram na pele as dificuldades e foram obrigadas a olhar para os outros. Tiveram que abrir mão de algumas coisas, readequar suas vidas. Dar valor ao que se tem. Pois é, toda aquela esbórnia que se via está dando lugar aquilo que se tem.

Os coletivos e espaços para co-workings estão crescendo. 2016 foi o ano de aprender a colaborar um com o outro, dar valor ao que se tem e, para não se perder, reaprender a manter.

Acho que essa é a bagagem de mão para 2017: o olhar para o que se tem – material, sentimental, espiritual, saúde. Desejo que diante de tanta dificuldade, inclusive verde e amarela, a gente saiba dar valor ao que tem valor de verdade para as nossas famílias e percebamos nela o nosso alicerce; que os amigos de verdade se mantenham aos nossos lados; que a gente não descuide da saúde, porque quando algo não vai bem com ela, dificulta todo o resto!

Que se valorize o trabalho que se tem. Que a gente saiba usar direito o dinheiro que entra. Que gaste direito o que sai. Que sejamos cidadãos no nosso dia-a-dia, até mesmo nos propósitos sociais que podemos encontrar em nosso emprego; que a gente recicle mais o lixo; coma melhor, prefira a caminhada quando for possível. Que a gente suba escada degrau por degrau ao invés de usar escada rolante.

Que encontremos motivos simples para sorrir e um poço mais fundo para guardar (e usar) a paciência. Que a criatividade esteja a serviço da resolução de problemas. Que a justiça continue o seu caminho árduo. Que a população não esqueça de seus direitos e deveres.

Que nunca falte alimento para o corpo, para a alma e para o coração. Que o calor humano supere o aquecimento global. Que o brilho nos olhos e o toque na pele voltem a ter mais importância que uma tela touch screen. Que as relações voltem a ser humanas.

Que o amor deixe de ser virtual, platônico ou parte do discurso de vida. Que ele volte a ser verdadeiro. Que as pessoas compartilhem mais momentos juntas e menos fotos nas redes sociais. Que o sentimento geral de força e luta pelo qual nos unimos em 2016 encontre caminhos para desbravar uma sociedade melhor. E que cada indivíduo, inclusive eu e você, estejamos melhores, mais realizados e conscientes do que realmente é necessário se manter para se construir um ano melhor, afinal de contas, a ANAC adverte: o peso das bagagens vai diminuir. Em breve.  Então o meu conselho é: leve apenas o que te faz melhor para o mundo e bem para você. O resto, deixa pra lá.  2016 se encarrega de levar e deixar pra trás!

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Camila Linberger é colunista e cronista do The São Paulo Times. Comunicadora inata e observadora do comportamento humano, se algo que passar por seus olhos afetar sua mente de forma crônica, o resultado estará aqui para você ler.

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