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Paulo Roberto Ramos Ferreira - page 2

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Ajude o povo de humanas a fazer miçanga

em Coluna por

Paulo

Ajude o povo de humanas a fazer miçanga

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Dia desses conheci uma economista que me disse uma frase muito interessante: “as pessoas esquecem que Economia está entre as opções de Humanas nos cadernos da FUVEST! Economia “faz parte de humanas”!” – disse ela. Curioso lembrete. A sociedade que criamos parece ter-se esquecido completamente disso. A sociedade, principalmente através de seu modelo econômico, tornou-se um muro e um empecilho, uma pedra no caminho e na busca tão humana que seria realizar-se; ser feliz. Teoricamente, a sociedade e seu modelo econômico deveriam estar aí para viabilizar e facilitar a experiência humana. Se por um lado, nos parece que somos felizes quando amamos o que fazemos e fazemos o que escolhemos; por outro lado, sabemos que muitos fazem aquilo que jamais fariam, não fosse exclusivamente por uma necessidade premente de sobreviver.
A história da nossa sociedade passa por um momento – longo, é verdade – em que a própria organização social e do trabalho tornou-se o desafio, parte essencial do problema, e não da solução, como foi tão enfatizado no recente encontro da ONU, aliás. A sociedade deveria teoricamente refletir a vontade de seus “atores”; especialmente quando esses atores são uma maioria absoluta de 99%. Mas não foi assim, e em grande medida, ainda não é assim. Nossa sociedade degenerou num controle estranho, definido por cerca de 1% e seguido por outros 99%. Criou um mundo altamente “desviado”; onde aquilo que teoricamente seria o alicerce para facilitar ao ser humano a conquista do desafio de sobreviver – tornou-se o próprio desafio à sobrevivência. Em parte pela superpopulação, em parte porque o sistema de concorrência emulou uma selva: dividiram-nos, e disseram que isso era bom para nós. E, pior: acreditamos…
Quando deixamos a selva, criamos uma sociedade voltada à “proteção”, que era a característica fundamental do mundo antigo; da tribo, e que começou a mudar no mundo feudal, pré-industrial: os camponeses produziam; em troca da proteção e do uso das terras do senhor feudal. Já se vê aí clara e realizada a separação, onde os poucos detém os recursos e os muitos seguem suas determinações. Entretanto, não havia, no mundo feudal, tamanha ênfase na concorrência selvagem e na disputa por espaço, poder e recursos, no que se refere à massa. Se os senhores feudais viviam em guerras por território; que era a chave da riqueza da época, a seus vassalos bastava ser fiel e cumpridor para estar; a um só tempo; prisioneiro; mas relativamente protegido; porque a ameaça viria, apenas do próprio poder ao qual ele servia. Com o advento da sociedade industrial, o modelo seguiu para trazer de volta a selva. “Não há espaço para todos, não há comida para todos, não há trabalho para todos”. Nada pode ser mais incrível do que dizer que não há trabalho para todos. Claro que há. Tudo que precisa ser feito no mundo ocupa certamente toda sua população. O que não há é lucro advindo de tudo que precisa ser feito. Porque obviamente nem tudo no mundo é lucro; há muito que deve ser feito por outras razões. Nosso tropeço fundamental foi aceitar viver num sistema onde somente é feito aquilo que é feito pelo lucro, e considerar que isso é aceitável. Hoje, ainda e em grande medida; somente o que é feito com lucro, pelo lucro, pode ser bem feito, “merece” dedicação e gerenciamento adequado.
Já tudo que o ser humano necessita, mas não pode ser feito “com lucro e pelo lucro”, fica relegado ao segundo plano, ao tempo que sobra, ao recurso sempre escasso. E convivemos, inconscientes, dormentes, fazendo e ouvindo piadas como a do título.
“Ajude o povo de humanas a fazer miçanga”… Reflexo claro de um mundo onde aqueles que deveriam ser os atores tornaram-se os “recursos”; Recursos Humanos. Essa expressão, daqui a algumas décadas, talvez, vai ser lembrada como uma síntese do horror de nosso tempo. Vai ser uma expressão com “peso” parecido com “holocausto” hoje, ou seja, uma expressão que traz imediatamente à lembrança o que existe de pior e mais vil na espécie humana.
Vejamos esta definição de recurso: “substantivo masculino plural: meios pecuniários, bens materiais; posses, riquezas. fig. riquezas, fundos, meios de que se pode dispor; como em “recursos humanos”.
O próprio texto original da definição já trouxe como exemplo os “recursos humanos” definidos como “meios de que se pode dispor”. Querendo, siga fazendo a piada. Mas acorde para o fato que, sendo humano (ainda que seja próspero e de exatas) você estará sendo tratado igualmente como um “meio de que se pode dispor”. Até quando?
Até que a sociedade seja ainda mais profundamente transformada pela ação teimosa, insistente e infinitamente importante desse bando de gente estranha que insiste em se ocupar de gente.
Com ou sem miçangas.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Tudo isso é porque você já sabe que não vai dar conta…

em Coluna por

Paulo

Tudo isso é porque você já sabe que não vai dar conta…

Se você já sabe que não vai dar conta de ler um artigo de 3 páginas, fique apenas com o título, onde eu resumi em “meia tuítada” (53 caracteres dos 140 possíveis) a razão para “tudo que está acontecendo na sua vida, no Brasil, no mundo e na sociedade pós-pós-tudo do século 21”.
Se você tem tempo para mais um parágrafo: todo mundo está fazendo o que pode, simplesmente porque não tem mais como escapar da consciência de que “fazer adequadamente tudo que lhe é pedido” não é mais sequer uma remota possibilidade; a agenda não tem linhas suficientes, o dia não tem horas suficientes; a sua vida inteira não será suficiente para digerir a massa de informações disponíveis de todas as fontes e as demandas correspondentes 24x7x365: é exatamente por isso que “isto tudo está assim, desse jeito que está atualmente”; e todo o resto é detalhamento, mas creio que você não tem tempo para isso. Mas, se você acha que vai agüentar o rojão, continue pelo resto do texto, e não diga que não avisei que era longo.
Pegue uma máquina que produz 30 peças em 1 minuto. Comece a forçar a máquina a produzir 40 peças em um minuto. Depois, passe para 50. Ela vai produzir peças defeituosas e o controle de qualidade vai ficar louco, mas continue aumentando para 60, 70, 100 peças por minuto. Um dia a máquina pára, entope, engastalha, falha, e não produz mais nenhuma peça decente até que seja recolhida para a manutenção, reformada, recalculada.
Esse é você. Seu controle de qualidade está ficando louco? A máquina já deu defeito e engastalhou? Já chamou o técnico, que deu uma olhada, coçou a barba e avisou que vai precisar de manutenção brava, daquelas de desmontar a coisa toda?
Aqui temos uma coisa muito interessante: a maquinaria humana é de uma capacidade impressionante, e ela vai rodando, mesmo quando a diretoria lá no andar de cima finge que nada acontece e ignora os avisos. Dê uma passada numa oficina de manutenção provisória e arrume algum tipo de lubrificante químico, qualquer um, legal ou ilegal, e a coisa continua; até o dia em que a máquina parar completamente. Máquinas param; pessoas piram. Piram quando espanam, quando vão embora, quando quebram tudo do lado de fora, ou quando deixam quebrar tudo do lado de dentro.
Isso é o resultado contemporâneo da famosa complexidade crescente. Bem nos avisou Marshall McLuhan, (aquele da aldeia global) que, no futuro (ele escrevia isso nos anos 50/60) a complexidade do cenário atingiria um ponto no qual o discernimento se tornaria um exercício muitíssimo difícil. Atualmente, Zigmunt Bauman chama isso de um cenário “líquido” – ou seja, tudo muito fluído, constantemente mutante; como fluxos líquidos incessantes.
Como discernir ou emitir um veredito que faça sentido sobre qualquer coisa? Afinal, quem viu todos os lados da questão, quando todas as questões tem 437 lados? Quem tem tempo para analisar todos os 437 lados de todas as questões macro importantes do momento?
E se não existe esse tempo, ficam as resenhas, os resumos e as análises, talvez escritas por quem conheceu… quantos lados da questão? Se não existe o tempo para a amplitude de cobertura, cada um vai vivendo, cada vez mais, no extremo recorte de realidade, cada vez mais estreito. Se não há modo de entender as macro-questões de modo aceitável, busca-se conhecer, ao menos com alguma profundidade, o estreito recorte de seus campos específicos.
E temos então um cenário onde especialistas esgrimam recortes profundamente fundamentados, que são desmantelados no primeiro contato com o panorama macroscópico de realidade; seja porque, vistos do alto, tornam-se irrelevantes; seja porque a falta de conexão do recorte torna toda conclusão, por mais brilhante que seja, completamente inútil enquanto geradora de um processo transformador.
Na falta de um processo transformador; na falta de um modo viável de tratar o conjunto de demandas de uma forma minimamente integrada; resta a profundidade no recorte; que vai aprofundando diferenças, porque se cada um olha apenas para o seu recorte, como vai interagir com o recorte do outro? Não encaixa; não combina, não dá liga. E assim, radicalismos e fundamentalismos cada vez mais estridentes e violentos vão tomando espaço por todo lado, até onde menos se espera. De repente, todos os recortes são fundamentalmente certos, e se o outro não entende é apenas porque é um desinformado, que hoje é praticamente um modo eufemístico de chamar o outro de idiota.
Por outro lado, o oposto começa a acontecer pela via de um holismo, da criação de um “Consenso de Superfície”. Como poderia ser diferente? É o superficial factível. Encontram-se conexões e semelhanças desde que se permaneça nas linhas de cima, sem detalhes. Isso gera algumas conclusões mornas e algumas iniciativas de efetividade bastante questionável; que recebem como corolário a sentença: “é o que tem para hoje”. Generalismos, superficialismos inofenivos e inconseqüentes. Se não pode fazer diferença, ao menos seja fofo. Se não pode ser relevante, seja ao menos simpático.
O aprofundamento, a conseqüência, o impacto, a força de opinião, só começará a renascer quando o pensamento puder voltar a acontecer de modo real, com um mínimo de análise dos recortes principais para produzir uma síntese que possa ser qualificada como visão embasada. Isso requer tempo; no nível do indivíduo; e requer tempo no nível da sociedade; para que o tempo do indivíduo possa voltar a acontecer.
Se você faz parte da meia dúzia que chegou no final de um artigo de diversas páginas, isso prova que existe uma luz no fim do túnel, mesmo que seja distante. Se há algo que você, que chegou até aqui, pode realmente fazer a esta altura do campeonato, talvez seja dizer com todas as letras, para o mundo, os colegas, os amigos; o tempo todo:
“- Olha, não vai dar pra fazer tudo mesmo, então que tal se a gente se dedicar a fazer direito ao menos as prioridades essenciais; aquilo que efetivamente pode ser feito?”
Quando perguntarem “mas e o resto da lista toda?”
Você respira fundo e responde, de preferência sorrindo: “É o que tem para hoje”.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Só o Esquecimento Salva. #DescartaBrasil!

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Paulo

Só o Esquecimento Salva. #DescartaBrasil!

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Neste nosso mundo hiper-conectado e celebrizado, tudo acaba sendo alavanca de imagem e modo de autopromoção. Já faz muito tempo que se sabe que os políticos, inclusive, sabem que mesmo quando se fala mal deles, fala-se deles. O conteúdo um dia cai no esquecimento, os detalhes desaparecem, e o que fica é a cara conhecida, o nome facilmente identificado, fatores que ajudam na hora de ser reconhecido e distribuir o santinho ou ser reconhecido na TV na próxima eleição.
Por isso penso que ficar escrevendo e postando os nomes e faces e imagens dos picaretas é uma ideia bem controversa. O esquecimento é a punição verdadeira, o prejuízo real dessas figuras. Não ser citado, não ser visto, ser irrelevante: isto é que de fato pode “machucar” a carreira do picareta.
No embalo do vídeo incrível do Ricardo Boechat questionando o espaço absurdo concedido pela mídia aos factóides ridículos e a interminável “cobertura das asneiras” que assola o Brasil, segue um trechinho que está no meu livro “O Mensageiro”, onde falo justamente de como é que uma coisa acaba, neste mundo. Não é fazendo passeata; nem movimento, nem protesto. É relegando ao passado, ao ostracismo; esquecendo, desconsiderando:
“Num dado momento da história, era impossível imaginar o mundo sem a máquina de escrever. Quando do advento do computador, ninguém lutou contra a máquina de escrever, nem fez passeatas contra sua existência. Ninguém protestou, nem transformou a transição para o uso do computador numa questão ideológica, filosófica; e certamente não se fez nenhum tipo de guerra para banir a máquina de escrever.”
Aquilo que não interessa e não tem mais espaço desliza da vida para a história; das mesas para os museus (quando tem algum valor) ou para o lixo mesmo. Que é para onde espero que vá a biografia e a imagem de alguns milhares de políticos e picaretas desse nosso Brasil.
O que precisamos talvez seja de uma campanha que leve o povo (a audiência), e conseqüentemente, a mídia, a ignorar completamente essas figuras hediondas.
#DescartaBrasil!

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Entre a Rasteira e a Mão Estendida

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Paulo

Entre a Rasteira e a Mão Estendida

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Sim, uma cinegrafista da TV húngara passou uma rasteira num imigrante sírio que fugia da polícia carregando uma criança no colo. Sim; é verdade, e você pode ver o vídeo neste link: http://www.theguardian.com/world/2015/sep/08/hungarian-nationalist-tv-camera-operator-filmed-kicking-refugee-children
Sim, milhares (talvez milhões) de alemães e austríacos; bem como os governos destes e de outros países, receberam (e continuarão recebendo) milhares de migrantes. Na chegada dos primeiros 400 migrantes à Áustria, havia centenas de pessoas esperando por eles, dando as boas vindas e oferecendo refeições e chá quente.
A desproporção assustadora do destaque negativo é um vício podre da grande mídia. Uma atitude repulsiva (a cinegrafista foi imediatamente demitida por meio de um comunicado aberto à imprensa) captada em imagem varre momentaneamente das consciências que milhões de seres humanos; (inclusive apoiados e representados por seus governos, no caso) estão agindo de um modo generoso, positivo, acolhedor e decente. Seres humanos que entendem que no mundo humano do século 21 estamos todos no mesmo barco e que não se pode mais fingir que “o buraco não é problema seu porque está do outro lado do barco.”
A humanidade é múltipla de opiniões e desejos, há todas as visões possíveis coexistindo ao mesmo tempo; das mais duras às mais generosas. Mas quando falamos da vastidão de diversidade representada por mais de 7 bilhões de pessoas; o número, a proporção e a massa crítica são infinitamente mais importantes que a ignorância e truculência de um indivíduo. Um indivíduo que terá a vida toda para viver com a imagem de si mesma derrubando intencionalmente um senhor que carregava uma criança no colo. Que terá de se olhar no espelho todos os dias e lembrar que seu ato vergonhoso foi visto pelo mundo; milhões de vezes.
E apesar da cinegrafista húngara, minha atenção vai, sempre e cada vez mais, para os milhões de humanos que agem de modo humano, decente a acolhedor para com seus irmãos cujas vidas são destruídas por esta que é a suprema imbecilidade da raça humana, a guerra.
Milhões de pessoas que acordaram, olharam-se no espelho e decidiram que este seria mais um dia perfeito para estender a mão e ajudar aquele que tropeça. A estes milhões de seres, minha infinita gratidão pelo privilégio de compartilhar o mundo com vocês.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

O Tempo Acabou

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Paulo

O Tempo Acabou

Foto: Reprodução
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É isso, estamos em setembro e o tempo acabou. É o momento de focar no essencial, porque temos cerca de 60 dias até que o ano esteja, na prática, fechado. Porque dezembro, amigo, é outro tempo; pertence àquele pedaço que não é 2015 nem 2016; aquela ponte que passa como um borrão e depois nem sabemos o que houve; tamanha velocidade.
Duas atitudes básicas para este momento: faça uma lista das coisas que você realmente quer resolver ainda este ano, e dedique-se a elas a partir de hoje. Senão, sinto dizer, vai ficar para ano que vem.
Porque qualquer projeto, qualquer decisão, no meio da falta de tempo do cotidiano, leva algumas semanas para sair do plano da idéia e concretizar-se na sua vida. Algumas semanas, no caso, é o que existe separando hoje de 30 de novembro. Depois, você sabe; metade dos planos vai ter um destino certo: ano que vem…
Pense quantas coisas você quer fazer há uns 4 anos e ainda não saíram do plano das idéias. Se este é o caso, tem certeza que são essenciais? Você já está vivendo sem elas há anos…
Hoje é um excelente dia para “limpar as listas”; reconsiderar as prioridades e ficar apenas com o foco no que é realmente importante.
Lembre bem daquelas famigeradas listas, pegue a caneta vermelha e saia riscando até ficar apenas com o que vai fazer a diferença na sua vida. Quando as linhas ocuparem menos de meia página, você vai estar começando a ficar realista; talvez meia página possa acontecer nas próximas 8 semanas; isto, é claro, se você estiver com sorte.
Eu vou fazer isso hoje mesmo. E no momento em que chegar à listinha realista de menos de meia página, vou sentir aquele comichão para adicionar “só mais uma coisinha” (como diria Steve Jobs). E aí vou me lembrar do conselho que recebi de uma das pessoas mais competentes e realizadoras que conheço:
– Para dar conta da sua agenda você só pode trabalhar com metade dela. A outra metade do seu tempo vai desaparecer nas coisas de última hora e nos imprevistos. Se encher a agenda, não vai chegar no final com a lista resolvida.
É isso: caneta vermelha e mãos à obra.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Encontre as horas perdidas do seu dia

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Paulo

Encontre as horas perdidas do seu dia

Foto: Reprodução
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Uma das coisas mais interessantes sobre o novo modo de trabalho proporcionado pelas ferramentas digitais e sem lugar fixo, sem baia e sem sala tem passado quase despercebido; sem o devido destaque. Claro que sobre o lado prazeroso de poder trabalhar remotamente todo mundo fala; a graça de poder viajar e conhecer lugares novos, enquanto continua produzindo. Quase todo mundo adora ver o dia nascer num lugar diferente a cada semana. Mas tem um aspecto dessa nova forma de trabalho que é imensamente importante, especialmente para os resultados, especialmente nas grandes metrópoles onde as pessoas desperdiçam 3 horas por dia transportando-se entre lugares. Quando você não tem de jogar tempo fora falando sobre o tempo e não é interrompido a cada 5 minutos porque está num escritório com outras 90 pessoas, uma coisa absolutamente mágica acontece: você consegue pensar.
Pensar por mais de 5 minutos seguidos sobre o mesmo assunto, sem ser interrompido, no mundo de hoje é um ganho de produtividade que não dá para começar a explicar o tamanho.
Você acorda, e três horas depois já escreveu dois artigos, editou várias páginas de site, enviou meia dúzia de emails nos quais fez andar quatro assuntos relevantes de trabalho. Enquanto isso, milhões de pessoas ainda estão tentando começar a fazer algo produtivo, porque nas três horas desde que acordaram, conseguiram apenas cumprir com a higiene básica, tomar café, chegar ao escritório e ainda estão tentando livrar-se da falação geral produzida por aquelas outras 89 pessoas que trabalham no mesmo lugar, no mesmo horário.
Se você já trabalha no novo modelo, sabe disso. Mas, se ainda está buscando seu lugar nesse novo modo de trabalho; ou se ainda tem um chefe pendurado no seu pescoço e noventa pessoas fazendo barulho em volta, se ainda joga três horas por dia no lixo só para tentar chegar onde te disseram que, finalmente, “o trabalho deveria ser feito”, talvez queira compartilhar esse texto com toda essa gente que, afinal, impede que o pensamento possa ter um fluxo e que o resultado efetivamente aconteça. Tudo isso também está incrivelmente explicado em mais detalhes aqui na TEDTalk da Susan Cain, autora do livro “Quietos – O Poder dos Introvertidos”: https://www.ted.com/talks/susan_cain_the_power_of_introverts
Assim você também pode compartilhar isso com aquelas pessoas que não lêem, porque não conseguem ficar quietas nem por cinco minutos; costumam amar “a coisa social” dos escritórios e acreditar que tudo no mundo tem de ser resolvido por um comitê fisicamente presente na mesma sala.
Mas se você é “o chefe” que determina que sua equipe precisa estar dentro do escritório para estar trabalhando; sinto muito. Até entender que pode ser diferente, vai provavelmente continuar perdendo as pessoas que fazem mais diferença na sua equipe e desesperadamente procurando uma maneira de aumentar os resultados de modo consistente enquanto a resposta está bem debaixo do seu nariz e você se recusa a aceitar; apenas porque foi condicionado a pensar de acordo com as teorias de produtividade de Taylor, criadas no começo da era industrial. E continua aplicando essas idéias antigas a um contexto de trabalho completamente novo.
Então, é isso aí. Compartilhe; por um mundo um pouco mais quieto, onde se possa fazer um pouco mais.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Apocalípticos, Integrados e os Novos Harmônicos

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Apocalípticos, Integrados e os Novos Harmônicos

Foto: Reprodução
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Atualmente há um febre de questionamento sobre o modo de vida, o modo de encarar a vida e o trabalho, sobre rotas e rumos, sobre objetivos de vida; quais seriam válidos e quais não deveriam ser. Isso é altamente positivo, porque a placidez bovina com que essas questões foram encaradas no século passado de fato indicavam que todos poderiam ser conduzidos silenciosamente para o matadouro, e pouco se dariam conta disso, porque estavam ocupados demais com outras coisas, “mais práticas”. Hoje, seres pensantes não se permitem mais ignorar o questão central que é poder responder com relativa clareza “o que você quer da sua vida”. Ainda que muitos talvez respondam que o único objetivo da vida seja ter 10 Ferraris, 3 castelos e um bilhão de dólares, tanto que hoje existe uma “cultura” da ostentação que afirma, às claras, exatamente o direito à essa escolha pessoal expressa pela frase “fique rico ou morra tentando”, de modo geral a escolha deliberada de modelo de vida é uma questão essencial na cultura do século 21, cada vez mais expressa numa divisão entre dois modos que obviamente aparecem aqui numa simplificação, indicando a tendência:

Orientação pelo objetivo

“A gente faz o que tem de ser feito para o objetivo. quando sobrar algum tempo, a gente faz algo que nos interessa. Como o que nos orienta é o objetivo, subordinamos à vida aos resultados para os objetivos. Ou seja, a vida não é legal. A gente se mata para obter uns 10% de coisas legais na vida. É assim mesmo, nunca vai ser diferente, então sejamos 10% felizes e chamemos isso de vida feliz.

Aqui, fazemos o que tem de ser feito para os resultados, e se isso significa trabalhar 20 horas por dia no que não amamos, que seja. Porque o lifestyle é secundário, produzido e decorrente do tempo que sobra depois de correr atrás de todos os resultados.

O problema: se o seu objetivo mudar, talvez tudo perca o sentido.

Essa é, em essência, a visão de mundo dos chamados “integrados”, por Umberto Eco: aqueles que sentem que “está tudo relativamente ok”, e se você acha que não está, não é necessariamente “um de nós”. Nós, no caso, os integrados, bem-sucedidos, os que estão “ok”.”

E se você não é um dos integrados, pela visão do Umberto Eco, você é, em alguma medida, um “apocalíptico”. Não no sentido de querer que o mundo “acabe”, literalmente. Mas no sentido de querer que ele mude – e por este viés, sim, que “acabe” o velho mundo e comece um novo, que você entenda como melhor. Se você é um apocalíptico, talvez tenha uma visão de vida do segundo tipo:

Orientação pelo Lifestyle

A gente faz o que ama e nos faz feliz. Há coisas que apesar de não amarmos nem nos fazerem felizes, são indispensáveis, então fazemos – usando o mínimo tempo possível nelas. Como o que nos orienta é o estilo de vida, fazemos aquilo que não comprometa o estilo de vida – e perseguimos resultados na medida que eles sejam necessários para manter o estilo de vida; nada mais.
Ou seja, a vida é legal, e vivida como nos faz sentido. Se a gente vive uns 80% dentro daquilo que ama, e faz uns 20% do que é indispensável para voltar, logo, para os 80% que interessam – por ser a maior parte do que vivemos, somos felizes. Aqui, fazemos o que se alinha com o lifestyle, e se isso determina que teremos menos dinheiro, que seja. O Resultado é secundário, produzido e decorrente do que se encaixa num estilo de vida.
Aqui, só faz sentido obter recursos com o que amamos, senão mais da metade da vida não combinará com o lifestyle.

O Problema: nem sempre se consegue resultados suficientes sequer para manter o lifestyle.

Não existe solução fácil para os problemas – nem o da visão integrada, nem da apocalíptica. Há pessoas que conseguem viver bem – que é o que nos interessa no fim das contas; em qualquer um desses modelos.

Complexidade Crescente

A questão nova, talvez, seja que a crescente complexidade do modo de vida globalizado, assim como a pressão cada dia maior porque os recursos tornam-se escassos neste modelo social com 7.5 bilhões de habitantes no mundo tem empurrado ambas as visões de mundo para seus limites. Para que se possa viver bem como integrado, a pessoa tem de “desistir” cada vez mais completamente de qualquer outra coisa que não seja perseguir seu objetivo e seus resultados. Então ela tem de “terceirizar” filhos, a família, trabalhar no fim de semana, trabalhar 20 horas por dia, e para dar conta disso tudo, viver à base de antidepressivos e estimulantes (psicológicos, químicos ou ambos) senão, não chega aos resultados. O ponto é que muitas vezes essa escolha termina na emergência do hospital, no infarto, no derrame cerebral; em famílias de fachada, gente que mal convive, embora casados há dez anos; e pais que mal conhecem os filhos, não sabem quem eles são, embora saibam exatamente, até os centavos, quanto eles custam na planilha do mês.

Do outro lado, os apocalípticos, empurrados pelas mesmas pressões, por vezes aceitam viver com poucos recursos, ganhando quase nada, e adaptando suas necessidades mais básicas a um modelo econômico que acaba determinado pela falta, escassez e a alta necessidade de adaptabilidade e aceitação de limitações. Exemplo: dá pra viajar? Não, esse ano não. Ano que vem também não? Bom, paciência, vamos vivendo e um dia quem sabe. O ponto é que muitas vezes a escassez começa a determinar o lifestyle – colocando em risco exatamente o que deveria ser a “baliza” da vida; e, a manter a situação, obviamente a escolha do lifestyle vai tornar-se uma falácia, uma mentira mesmo, porque de fato nada estará realmente “sendo escolhido” – a vida vai ser aquilo que dá pra ser, e nada mais, não tem mais escolha alguma nisso.

Novos Harmônicos

Há no horizonte um grupo que parece vir criando uma fusão possível entre as duas visões. Eu chamaria essa grupo de “os novos harmônicos”.
Diferente dos “integrados”, os novos harmônicos não sentem simplesmente que tudo estava ok. Eles talvez estivessem, originalmente, mais para apocalípticos do que para integrados, de fato. O interessante é que, diferente da maioria dos apocalípticos, os novos harmônicos – ao menos neste ponto da história, pela metade de 2015 – parecem ter encontrado um equilíbrio diferente. Um ponto médio entre funcionalidade e transformação; conseguindo realizar profissionalmente uma atividade que gera sentido e prazer; e portanto realização; ao mesmo tempo em que são capazes de produzir resultados para viverem de modo que os satisfaz. Se coloco o aspecto da circunstância, ainda a ser confirmado o sucesso do “modelo” (na verdade, muitos modelos e muito personalizados) é porque o fenômeno é recente, e dois fatores despertam atenção.
Primeiro, muitos dos novos harmônicos tem como atividade principal, justamente, orientar, de um modo ou de outro, apocalípticos e ex-integrados na sua busca por um novo modelo de vida – seja escrevendo, através de terapia, coaching, consultoria ou outras formas. Naturalmente, há um limite de “saturação” para esta possibilidade. Pessoalmente, creio que esse limite está para bater às portas, visto que basicamente cada “novo harmônico”, assim que se estabiliza minimamente, parece disposto a promover sua receita como uma forma de geração de renda, através de um curso, workshop ou livro. Embora as intenções possam ser as melhores; é fácil imaginar que uma sociedade composta apenas de professores logo ficará sem alunos dispostos a pagar pelo aprendizado. Quando o novo harmônico busca uma atividade não relacionada diretamente à promoção de sua filosofia de vida, como a produção de alimentos orgânicos ou a pesquisa por fontes alternativas de energia, por exemplo, aí sim creio que temos um mundo aberto de possibilidades que pode durar e sustentar-se por muitos e muitos anos.
Segundo: porque os novos harmônicos, em sua maioria, são ainda muito jovens e vindos das camadas mais privilegiadas da população e essas duas características servem como “amortecimento”. Por serem muito jovens, fica difícil prever se o “modelo” possa ser sustentado para além do momento da paternidade/maternidade, da constituição da família, aquele ponto de mutação na vida no qual as despesas e necessidades crescem e mudam descontroladamente. Pela posição social privilegiada, fica bastante claro que, neste momento, para chegar a algum lugar parecido com essa “nova harmonia” é necessário começar de um ponto diferente (e um tanto distante, ao menos na realidade brasileira); da base da pirâmide – porque lutando pelo almoço não se contempla a possibilidade real dessa liberdade de escolha.
Essa complexidade toda que vivemos hoje foi muito bem prevista, por exemplo, por Terence Mckeena no fim dos anos 90. Ele tinha plena certeza do colapso das instituições já naquela época (antes do 11 de setembro, inclusive) exatamente porque entendia que a complexidade das relações econômicas, políticas e interpessoais chegava perto de um ponto de diluição das instituições, normas e regras vigentes até o século vinte. Tudo aquilo que “segurava”o mundo no lugar estava destinado a desmanchar sob o peso da complexidade dos primeiros anos do século 21. E temos então, no século atual um pensador como Zygmunt Bauman, que aponta exatamente para o fato de que todas as certezas e fundamentos dos séculos anteriores simplesmente “derreteram”, não existem mais. Tudo tornou-se líquido, flexível, mutável, adaptável. Exatamente como previu Mckeena, confirmou Bauman: derreteu.

Essa complexidade foi um dos aspectos menos divulgados da “aldeia global” prevista por Marshall Mcluhan. Já nos anos 60, ele dizia que o mundo todo se tornaria uma única aldeia, com uma cultura básica muito mais semelhante, com valores mais parecidos e que talvez isso trouxesse mais entendimento. Isso pela visão mais otimista. Mcluhan nunca deixou de apontar para o risco do oposto: dos choques e divisões que potencialmente poderiam emergir, justamente por “juntar’ numa única aldeia global culturas tão diversas. O fato é que justamente essa diversidade, que é altamente positiva e cumpre um importante papel evolutivo; é o fator que coloca em cena um nível de complexidade (e potencial conflito) jamais visto antes.

Porque, no fundo, o ser humano atualiza-se muito lentamente. Muito mais lentamente que qualquer software, rede, mercado ou tecnologia. A idéia de “aldeia global” pode ter mesmo um apelo lindo. Mas os seres humanos ainda consideram que sua aldeia é apenas o que está em volta deles, e que sua família é composta apenas daqueles que tem o mesmo sangue nas veias; ou, no mínimo, tenha sido criado de modo parecido e respeite as mesmas “normas gerais”. Para confirmar isso, basta reparar que; mesmo quando se trata de parentes de sangue, quando as discordâncias chegam a pontos críticos, não raro um descendente é simplesmente “deserdado”; renegado exatamente por aqueles que o criaram. Porque não reconhecem nele a continuidade da família e da cultura da aldeia.

Este talvez seja o cerne da questão: o ser humano precisará s’ adaptar mais velozmente, aceitar que suas velhas visões não tem mais validade. Engolir que aquilo que ele aprendeu há 20 anos não faz mais sentido querer ensinar para os filhos. Abraçar o fato de que cor, religião ou local de nascimento terão de ser abandonados como baliza de qualquer coisa, sob o risco de simplesmente afundar o barco global. A aldeia global talvez seja, de fato, o único caminho viável para equilibrar populações, necessidades, produção e consumo, previdência e o envelhecimento do mundo.
Mas para usufruir do lado positivo da aldeia global, será preciso abraçar as diferenças e a diversidade como riqueza, e eliminar o preconceito e as divisões de um modo realmente radical.

O que, para voltar à metáfora da atualização do software; parece muito mais um reset. Parece que o update necessário é muito radical para manter o mesmo “sistema operacional”.
A sensação é que teremos de zerar o disco rígido e mudar de plataforma. Operação de altíssimo risco, de fato.
Até porque, fica a pergunta:
– Será que alguém lembrou de fazer o backup?

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Como Eliminar a Corrupção em Apenas 1 Passo

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Paulo

Como Eliminar a Corrupção em Apenas 1 Passo

Steve Denning é um especialista em questões relacionadas à atenção humana e trabalha com treinamento de equipes, motivação e trabalho e é autor de diversos livros sobre liderança. Em seus workshops, ele relaciona alguns caminhos para captar e reter a atenção das pessoas como instrumentos efetivos para treinamentos, o aprendizado e o trabalho em equipe. Num rápido olhar pela lista de 20 fatores que mais efetivamente capturam a atenção humana, o tem número 1 parece extremamente óbvio: “os próprios problemas de quem está ouvindo”. Embora pareça bastante óbvio, toda a programação televisiva e o foco de trabalho da mídia atual parecem contrariar completamente essa afirmação.
Se, por um lado, é natural que se entenda que os problemas de corrupção nos governos afete diretamente toda a população – e neste sentido seja obviamente “falar dos seus próprios problemas’ – uma proporção imensa dos programas de TV, rádio, jornais e revistas concentra-se em outros “geradores de atenção”, como por exemplo: “como alguém lidou com adversidades”, “um aviso” ou “um desafio”. Em todos esses itens, existe a predominância clara do sentido de uma história, e conhecemos o valor de uma história bem contada para captar a atenção da audiência; o que é hoje tão difundido, inclusive em termos de comunicação corporativa e marketing como storytelling.
O que me chama a atenção neste assunto é o que parece a mais absoluta incapacidade de muita gente em transferir-se para o papel de protagonista das histórias que acompanha, cotidianamente, através dos meios de comunicação. A idéia básica de “colocar-se no lugar do outro”. Qualquer informação ou história só terá o poder de ensinar e ser transformadora na medida em que trazemos para as nossas vidas e nossas atitudes algum aprendizado derivado dela; e exatamente por isso é assustador que tanta gente permaneça na superfície de observação de qualquer assunto, olhando sempre para fora e criticando exclusivamente o comportamento de um terceiro. Um exemplo disso tem sido, justamente o incessante debate sobre corrupção no Brasil. Embora o debate seja importantíssimo, é raro que alguém aponte para o aspecto sistêmico da corrupção, para a máxima obviedade de que o governo, qualquer governo eleito, ao menos, é um retrato, ou um extrato das visões daquela população que o elegeu. Se o seu governo é corrupto e trata o tempo todo dos seus interesses particulares e egoístas, pouco considerando o bem-comum; sinto dizer, isso é exatamente o retrato da população que o elegeu. Uma população que prefere a alienar-se no voyeurismo de novelinhas e vida de celebridades do que encarar seus próprios temas; que opta por debater horas a fio as escolhas e destinos da personagem ficcional a perguntar ao próprio filho, com real atenção e interesse (na resposta) como foi o seu dia e o que aprendeu hoje. Sabe porque? Porque horas de debate sobre personagens fictícios não exigem um pingo de atitude ou mudança ou providências. Já o conhecimento sobre os problemas do seu filho, pode exigir e demandar que se faça algo, ao menos se tiver um mínimo de consciência.
Como é que se elimina a corrupção com apenas 1 passo? No seu caso específico, sendo absolutamente honesto, 100% do tempo. No caso dos outros seres humanos, exatamente o mesmo passo. Quando gente suficiente agir assim, o extrato resultante vai refletir exatamente essa atitude.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Sentido, Compartilhamento e o Novo Trabalho

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Paulo

Sentido, Compartilhamento e o Novo Trabalho

Há mais de um ano, quando a coluna Novo Mundo estreou no The São Paulo Times, tinha como tema “Estudo científico patrocinado pela NASA declara atual modelo de civilização “inviável” e “destinado irreversivelmente ao colapso”. No decorrer das semanas desde então, temos acompanhado para onde vai o rumo de construir um novo modelo, posto que o velho já está condenado. Tratamos sempre daquilo que chamo de “o novo, no mundo”. Um novo olhar, uma forma alternativa de viver, produzir e fazer acontecer; e, não raras vezes, os textos incluíram críticas ao modelo da chamada “grande mídia” (no sentido de mídia mantida por grandes grupos de interesse internacionais) por demorar, ou simplesmente optar por não dar destaque a iniciativas independentes, válidas e importantes, se estas não refletem de modo direto os interesses de seus maiores grupos anunciantes. Nosso trabalho de destacar exatamente essas iniciativas independentes e não financiadas por grandes grupos segue; e é interessante notar que a “grande mídia” tem cada dia mais se tornado permeável a essas iniciativas, porque, de um modo ou de outro, elas estão se tornando presentes e relevantes de um modo que não se pode mais ignorá-las, ao menos se houver um mínimo de compromisso com a informação. Assim, semana passada vimos, por exemplo, a revista Exame cobrir com uma grande matéria, (incluindo um trecho exclusivo) o lançamento do livro “Sociedade com Custo Marginal Zero”, do futurólogo americano Jeremy Rifkin, que prevê a substituição do capitalismo pela economia do compartilhamento.
O trecho em questão abre assim:

“O capitalismo está dando à luz uma descendência. Chama-se economia do compartilhamento. Esse é o primeiro novo sistema econômico a entrar no palco mundial desde o advento do capitalismo e do socialismo. A economia do compartilhamento já está mudando a forma como organizamos a vida econômica, oferecendo a possibilidade de reduzir drasticamente a divisão de renda, democratizar a economia global e criar uma sociedade mais ecologicamente sustentável.”

Para os leitores frequentes desta coluna, o trecho parece algo que já andou lendo por aqui. Porque exatamente esse ponto da mudança do paradigma econômico tem sido uma das teclas nas quais venho insistindo (aliás, até antes da coluna, há mais de 3 anos, desde o lançamento do meu livro O Mensageiro – O Despertar de um Novo Mundo). O curioso é que, há 3 anos, como não havia tese publicada por um famoso especialista mundial no assunto, muita gente torcia o nariz para a minha “visão utópica”. De lá pra cá muita coisa mudou, o controverso Uber já chamou a atenção para a necessidade de lidar com a nova economia do compartilhamento nas ruas, na vida e no cotidiano, de Paris a Brasília. Quando as idéias ganham as ruas, e acontecem na vida das pessoas; mesmo aquelas que não estavam sequer pensando nelas; este é o verdadeiro sinal de que “o gato está fora do saco”, é inevitável, irrefutável e tem de ser reconhecido, visto e levado em conta. Assim é com a descendência do capitalismo e os novos rumos da economia, assim é com as tendências de modificação na alimentação de cada vez mais gente – e assim é, também, com a nova realidade do trabalho. E lá vou eu de novo, apontar para o que vai ser chamado de utopia neste momento, especialmente num país em recessão: o trabalho mudou, e esse “gato” também estará fora do saco e na grande mídia, mais cedo ou mais tarde. O trabalho mudou porque as pessoas não estão mais dispostas a “vender a vida”; tornarem-se escravos (ainda que bem pagos) e continuar terceirizando os filhos e vivendo a famosa “vida tarja preta”. Por uma razão extremamente simples, que só assusta que não tenha sido levada a sério antes: sua vida não tem backup, e adiar todos os sonhos indefinidamente garante um imenso risco de que eles jamais aconteçam. Começamos a ver isso refletido em dificuldades sistêmicas de contratação em alguns segmentos; e vou citar um que conheço bem por ter trabalhado nele por muitos anos: as agências de publicidade, também no Brasil, mas especialmente nos países desenvolvidos; estas têm encontrado uma enorme dificuldade em contratar e manter executivos experientes da área de criação; uma das áreas mais bem pagas das agências. Contratar estagiários e recém-formados é uma coisa, há uma saturação de gente nessas condições desde o começo dos anos 90 – mas encontrar diretores de criação; designers e redatores com grande experiência, trabalho diferenciado e relevante tem sido o pesadelo de muitas agências mundo afora, em grande parte porque muitos deles hoje preferem um modelo de trabalho mais livre, mais arejado, sem as pressões injustificáveis e o absurdo desperdício de tempo consumido pelos contratos tradicionais de trabalho.
Pois essa tendência vai “descer”, em todos os sentidos: seja no sentido Norte-Sul do planeta, dos países desenvolvidos para o mundo todo; seja no sentido das principais funções executivas de criação para refletir em toda a equipe; seja no sentido de descer de uma tendência aplicada aos serviços “de alto nível” para os demais níveis de serviços prioritariamente intelectuais.
Mas o problema vai além do modelo de trabalho, que vai ser cada vez mais rearranjado; como fez a Netflix, por exemplo, que hoje oferece um nível de liberdade enorme aos funcionários (nos EUA, pelo menos) com horários flexíveis, férias sob decisão própria e até licença paternidade de 1 ano (sim, 12 meses, senhores pais…). O problema, particularmente das agências e empresas de publicidade está em algo que Guy Kawasaki, um dos líderes da histórica equipe de criação da Apple nos anos 80 e 90, aponta desde aquela época, quando fez sua famosa palestra conhecida como “Make Meaning” (numa tradução livre, “Construir Sentido”: criativos são pessoas que querem participar de coisas que levam o mundo adiante e mudam a vida das pessoas. E poucas coisas atualmente têm se mostrado tão irrelevantes e incapazes de mover qualquer coisa quanto a publicidade tradicional.
Então, fica a dica aos mais jovens: lá no início da década de 90, Oliviero Toscani, o criativo por trás das imensamente populares campanhas da Benneton, profeticamente; escolheu um título extremamente controvertido para o livro que lançou. O título era:
“A Publicidade é um Cadáver que nos Sorri.”

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

3 dicas imperdíveis em SP: Orgânicos, Vegetarianos e Veganos

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Paulo

3 dicas imperdíveis em SP: Orgânicos, Vegetarianos e Veganos

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Há alguns anos, mais precisamente desde 2012, venho dizendo que o consumo de carne vai declinar, certamente, até atingirmos um ponto no qual as pessoas de modo geral vão simplesmente abolir completamente o consumo. Sim,isso é exatamente o que digo que vai acontecer, embora os carnívoros continuem torcendo o nariz; e de um modo que seria cômico se no fosse trágico, apegam-se à fase da negação fazendo afirmações nada científicas sobre alimentação. O fato de que o ser humano não precisa necessariamente da carne para obter as proteínas que necessita está fartamente provado pela ciência é é virtual consenso entre nutricionistas e nutrólogos – aliás, a grande maioria deles, vegetarianos. Isso apenas não recebe destaque porque… grandes indústrias que vivem da exploração da carne dos animais como fonte de lucro estão ainda entre os maiores anunciantes das grandes redes de mídia no mundo todo. Só por esta razão, e nenhuma outra.

Feita esta introdução, vou dar algumas dicas muito interessantes para aqueles que já participam desse movimento de reforma íntima, que passa ela alimentação, seja preferindo orgânicos, seja optando pelo vegetarianismo (sem carne, mas com produtos de origem animal como mel, ovos e derivados de leite) ou pelo veganismo (estritamente produtos de origem vegetal). Essas dicas demonstram que a velocidade dessa mudança vem sendo ainda maior do que muitos imaginavam há uns 5 anos. Há feiras de orgânicos acontecendo pelo Brasil afora, há serviços especializados e aplicativos de celular para encontrar alimentação saudável em SP; há todo um novo mercado baseado nesta nova atitude alimentar. Vale conhecer alguns deles:

Instituto Chão

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Aqui há orgânicos a preços de produtos, entregues direto na maior metrópole do país. Segundo o que se lê no prório site: “trabalhamos com os princípios da economia social, uma forma de organização que coloca o ser humano como sujeito e finalidade da atividade econômica, articulando e integrando redes que fomentam a autonomia, o cooperativismo, o comercio justo e o consumo consciente”. O espaço conta com um café, mercearia e oferece orgânicos a preços diretos do produtor. Minha querida amiga Cristiane Anselmo, que é vegana e só compra orgânicos me disse que cortou a despesa com orgânicos pela metade, somente por comprar exclusivamente no Instituto Chão.
Onde: Na Vila Madalena, em São Paulo.
Site: http://www.institutochao.org/

Rota VEG
Aqui temos um guia online, conheci os fundadores quando eles visitavam o restaurante vegano de um amigo (o Chef Rogério Botti) em Alto Paraíso de Goiás, chamado Divina Madre. O RotaVEG é um projeto que tem como objetivo frequentar, experimentar e divulgar lugares, eventos ou marcas que se dedicam de forma integral ou parcial a atender aos interesses em geral do público vegano.
Site: http://rotaveg.com/

SPVEG:
Um aplicativo que ajuda a encontrar alimentação saudável na cidade de SP. “O SP Veg te indica os restaurantes vegetarianos e veganos mais próximos da sua região. Nosso objetivo é tornar a sua busca por alimentação saudável muito mais fácil.” Disponível para plataformas Apple i-Phone e Android.
Site: http://spveg.com/

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

A Mesquinhez Humana não Conhece Limites

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Paulo

A Mesquinhez Humana não Conhece Limites

Há cerca de um ano eu escrevi uma resposta à carta de um grande amigo, que me havia perguntado “de onde você tira essa fé na humanidade, quando eu vejo que não há limites para a ignorância e a mesquinhez humanas, como dizia Nélson Rodrigues”?
Creio que o momento é bastante propício para publicar nesta coluna a resposta.

“Antes de tudo, cabe dizer que tanto você quanto Nélson Rodrigues, de modo algum estão equivocados quando indicam as infinitude da mesquinhez humana. O próprio estado do planeta que nos abriga é prova diária disso; destruímos, mesquinhamente, até mesmo o que vai fazer falta aos nossos filhos. Não somos, como espécie, sequer capazes de pensar naqueles que geramos. Sim, isso é o estado dominante de uma espécie dormente, anestesiada e que pouco uso faz de sua própria capacidade pensante. Tudo verdade. Por isso, meu interesse passa sempre longe do que nosso mundo é hoje – e permanece sempre focado, o quanto posso, no que o mundo PODE SER. Por isso, minha coluna no São Paulo Times se chama Novo Mundo. Porque há um novo ser humano nascendo. Ainda é um movimento pequeno, comparativamente. Mas os dispostos a realizar algo ao lado das vanguardas, no início, sempre foram poucos. Houve um tempo que havia apenas 3 discípulos dispostos a escutar o Buddha. Havia no inicio apenas 12 apóstolos com Jesus, e por muitos anos a mensagem dele foi ouvida por uma minoria chamada de insana. No início, havia umas poucas dezenas que levavam a sério o que Gandhi propunha, enquanto milhões o consideravam um louco ridículo. Houve um momento em que meia dizia de “loucos” apostavam no que dizia Nelson Mandela, inclusive durante os 27 anos que ele esteve na cadeia, apesar dele defender algo que interessava a uma imensa maioria na África do Sul.

Assim é, meu amigo, a cruz de ser vanguarda. Apontar o que está adiante, ainda que poucos possam ver. Cada um deles mudou o mundo; mas não o fez num tempo que se conta em dias. Quem muda o mundo não o faz por si mesmo. Essa é a primeira mesquinharia que precisa ser largada pela estrada. Mudamos o mundo para os que vem depois de nós.
Se me perguntarem se recomendo a experiência de ser vanguarda e apontar para um ponto de luz que apenas meia dúzia pode ver, quando milhões ainda vivem na escuridão da noite, eu responderia: se você quer conforto, reconhecimento e glória, fique longe dessa tarefa. Mas se quer fazer porque é o que deve ser feito, porque alguém tem de fazê-lo, não importa a que preço e a que conseqüência, seja bem vindo, porque precisamos de todos que possam ajudar. Não que tenhamos algo em comum com esses seres grandiosos que citei. Nada exceto talvez um idealismo de quem enxerga um pouco além da curva da estrada.
Convém lembrar também que Gandhi e Mandela não operavam milagres para convencer ninguém. Contavam apenas com o milagre que os homens podem operar, eles mesmos, quando conseguem deixar de lado suas diferenças e agir num interesse maior, demonstrando do que é capaz o ser humano quando age de modo altruísta e cheio de compaixão, sem mesquinhez. Quando de fato ele se dedica a algo com o único amor que merece esse nome, que é o amor incondicional.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Conselhos do Jornalista que Suicidou-se com um Tiro na Cabeça

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Conselhos do Jornalista que Suicidou-se com um Tiro na Cabeça

Hunter S. Thompson é um famoso jornalista americano, inventor do jornalismo gonzo (que mistura realidade com ficção e o repórter com o sujeito da matéria, implodindo a “objetividade jornalística”); escreveu para a Rolling Stone alguns de seus mais brilhantes artigos, entre eles a série que tornou-se seu livro mais famoso (que virou filme) Medo e Delírio em Las Vegas. Hunter suicidou-se com um tiro de espingarda na cabeça – e por este fato, talvez seja a pessoa mais improvável de quem se levar a sério algum conselho. Entretanto, Hemingway fez o mesmo, e isso não invalidou o que ele escreveu. E vale lembrar também que, independente do modo como morreu, Hunter teve sucesso na vida o suficiente para viver confortavelmente do jeito que ele escolheu e tornar-se uma dos maiores jornalistas de sua geração – o que, convenhamos, não é pouca coisa. Li recentemente a reprodução de uma carta que Hunter Thompson escreveu a um amigo (publicada na coluna Dropping These, do site americano iheartintelligence.com.) O autor da matéria diz que a carta de Hunter mudou sua vida. Embora talvez não venha este a ser o caso para muitos, creio que é interessantíssimo o ponto de vista de Thompson e os conselhos que ele dá ao amigo sobre “que rumo tomar na vida”.
Especialmente porque, para manter a tradição que ele criaria em toda sua vida, Hunter segue na contramão: quando todos dizem: adapte-se e aprenda para viver melhor; ele, em síntese, recomenda que se faça exatamente o contrário; viva sendo você mesmo, e adapte sua vida a isso. Mas vamos deixar que a própria carta (escrita quando o autor tinha apenas 22 anos!), na excelente tradução de Fred di Giacomo (do ótimo site www.gluckproject.com.br – uma investigação sobre a felicidade – que, aliás, vale a visita!) , dê conta dos conselhos de Hunter S. Thompson:

Querido Hume,

Você pediu um conselho: que coisa tão humana e tão perigosa para se fazer! Dar conselhos a um homem que pergunta o que fazer com a sua vida implica em algo muito próximo da egomania. Apontar a um homem o objetivo certo e final – apontar com o dedo trêmulo o caminho CERTO – é um fardo que apenas um tolo carregaria.
Eu não sou tolo, mas respeito sua sinceridade ao me pedir um conselho. Eu peço a você, no entanto, que ouça o que eu digo, e lembre que todo conselho é apenas o produto do homem que o está dando. O que é verdade para um pode ser um desastre para o outro. Eu não vejo a vida através dos seus olhos, nem você a vê através dos meus. Se eu tentasse te dar um conselho específico, seria como um cego guiando outro cego.
Ser ou não ser: eis a questão. Será mais nobre suportar na mente as flechadas da trágica fortuna, ou tomar armas contra um mar de obstáculos e, enfrentando-os, vencer? (Shakespeare)
E, de fato, esta É a questão: flutuar com a maré ou nadar em direção ao seu objetivo. É um escolha que todos nós precisamos fazer, conscientemente ou inconscientemente, em algum momento de nossas vidas. E tão poucos entendem isso! Pense em algo que você já fez e que teve alguma relevância no seu futuro: posso estar enganado, mas não vejo como isso não poderia ser uma escolha, mesmo que indireta, entre essas duas coisas que mencionei: flutuar ou nadar.
Mas por que não se deixar flutuar, se você não tem um objetivo? Esta é outra questão. É inquestionavelmente melhor desfrutar o “flutuar” do que nadar sem caminho certo. Então, como um homem encontra seu objetivo? Não um castelo encantado, mas algo real e tangível. Como um homem pode ter certeza de que ele não está atrás de sua “Big Rock Candy Mountain” – o sedutor e doce objetivo que tem um pouco de sabor, mas nenhum conteúdo?
A resposta – e, de certo modo, a tragédia da vida – é que nós procuramos entender o objetivo e não o homem. Nós definimos um objetivo que exige certas coisas para ser atingido; e nós as fazemos. Nos ajustamos às exigências de um conceito que NÃO PODE ser válido. Quando você era jovem, digamos que você quisesse ser um bombeiro. Eu me sinto razoavelmente seguro em dizer que você não quer mais ser um bombeiro. Por quê? Porque sua perspectiva mudou. Não foi o bombeiro que mudou, mas você. Todo homem é resultado da soma das suas reações a experiências. Como suas experiências diferem e multiplicam, você se torna um homem diferente e, consequentemente, sua perspectiva muda. E isto segue para sempre. Cada reação é um processo de aprendizado; cada experiência significativa altera sua perspectiva.
Então, não seria tolice ajustar nossas vidas às exigências de um objetivo que nós vemos de diferentes ângulos a cada dia? Como poderíamos esperar atingir qualquer coisa além de uma neurose galopante?
A resposta pode ser não lidar com objetivos, ou pelo menos com objetivos tangíveis. Eu gastaria resmas de papel para desenvolver esse assunto de uma maneira satisfatória. Só Deus sabe quantos livros foram escritos sobre “o sentido da vida” e esse tipo de coisa, e só Deus sabe quantas pessoas já refletiram sobre esse assunto. (Eu uso o termo “só Deus sabe” puramente como expressão.) Não há muito sentido na minha tentativa de entregar a resposta para você, porque sou o primeiro a admitir minha total falta de qualificação para resumir o sentido da vida em um ou dois parágrafos.
Vou ficar longe da palavra “existencialismo”, mas você deve tê-la em mente como uma espécie de chave. Você pode experimentar algo chamado “O Ser e o nada” de Jean-Paul Sartre e outra coisinha chamada “Existentialism: From Dostoyevsky to Sartre.” Essas são apenas sugestões. Se você se considerar genuinamente satisfeito com o que você é o que você está fazendo, então fique longe desses livros (Não vale procurar sarna pra se coçar). Mas, voltando à resposta, como eu disse, pôr nossa fé em objetivos tangíveis parece ser, na melhor das hipóteses, pouco sábio. Então, nós não devemos nos esforçar para sermos bombeiros, não devemos nos esforçar para sermos banqueiros, nem policiais, nem médicos. DEVEMOS NOS ESFORÇAR PARA SERMOS NÓS MESMOS.
Não me entenda mal. Não quero dizer que nós não podemos ser bombeiros, banqueiros ou médicos – mas que nós devemos adequar a meta ao indivíduo e não o indivíduo à meta. Em cada ser humano, hereditariedade e ambiente se combinam para produzir uma criatura com certas habilidades e desejos – incluindo um arraigada necessidade de agir de um jeito que sua vida seja SIGNIFICATIVA. Um homem precisa ser alguma coisa; ele precisa ter significado.
A meu ver, a fórmula seria algo como: um homem precisa escolher um caminho que deixe suas HABILIDADES funcionarem no máximo de sua eficiência em direção à satisfação dos seus DESEJOS. Fazendo isso, ele está preenchendo uma necessidade (dando a si uma identidade que funciona em um padrão em direção a sua meta), evitando frustrar seu potencial; (escolhendo um caminho que não ponha limites em seu autodesenvolvimento), e ele evita o terror de ver sua meta murchar ou perder seu encanto à medida que se aproxima dela. (Ao invés de moldar-se para realizar as demandas do que busca, ele moldou seu objetivo às suas habilidades e desejos.)
Em resumo, ele não dedicou sua vida a atingir uma meta pré-definida, mas ele escolheu um estilo de vida que ele SABE que irá desfrutar. A meta é absolutamente secundária: é agir em direção dessa meta que é importante. E parece quase ridículo lembrar que um homem DEVE agir de uma forma que ele mesmo escolhe; deixar outro homem definir suas metas e objetivos é desistir de um dos mais significativos aspectos da vida – o ato definitivo de vontade que torna um homem em um indivíduo.
Vamos considerar que você imagina ter opção de oito caminhos para seguir (todos caminhos pré-definidos, é claro). E vamos considerar que você não consegue ver qualquer propósito real em nenhum dos oito. Então – e aqui está a essência de tudo que eu disse – você PRECISA ENCONTRAR UM NONO CAMINHO.
Naturalmente, isto não é fácil como parece. Você tem vivido um vida relativamente estreita, uma existência vertical ao invés de uma existência horizontal. Não é tão difícil entender por que você se sente deste jeito. Mas um homem que procrastina sua ESCOLHA irá inevitavelmente ter sua escolha feita por ele pelas circunstâncias.
Então, se agora você se encontra entre os desencantados, você não tem outra escolha a não ser aceitar as coisas como elas são ou buscar seriamente algo a mais. Mas cuidado com a busca por um objetivo: busque um estilo de vida. Decida como você quer viver e, então, o que você pode fazer para ganhar a vida DE ACORDO com esse estilo de vida. Mas aí você diz “Eu não sei onde procurar; eu não sei o que procurar”.

E esta é a encruzilhada. Vale a pena largar tudo que eu tenho para buscar algo melhor? Eu não sei, vale? Quem pode tomar essa decisão, além de você mesmo? Mas mesmo escolhendo BUSCAR, você percorre um longo caminho para fazer a escolha.
Bom, se eu não parar por aqui, vou acabar escrevendo um livro. Eu espero que isto não tenha ficado tão confuso quanto parece. Lembre-se que este é MEU JEITO de ver as coisas. Para mim isso parece se aplicar de uma forma geral, mas para você, talvez, não. Cada um de nós tem que criar seu próprio credo – este é apenas o meu.
Se alguma parte disto não fizer sentido, me avise. Não estou tentando te fazer botar o “pé na estrada” numa busca pela Valhalla (espécie de paraíso da mitologia nórdica), mas apenas lembrando que não é necessário aceitar as escolhas que lhe foram dadas pela vida. Há mais do que isso, ninguém TEM que fazer algo que não deseja pelo resto de sua vida. Mas, novamente, se você acabar fazendo isso, convença-se que era o que você TINHA que fazer. Você terá muita companhia.

Por enquanto é isso. Até a próxima!

Seu amigo,
Hunter.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

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