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Paulo Roberto Ramos Ferreira - page 3

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Sinto. Muito.

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Paulo

Sinto. Muito.

“Seres humanos não escolhem o que sentem. Se escolhessem, toda mulher escolheria amar alface e odiar chocolate.”

Semana passada eu fiz um post (foto) com esta frase. Foi tão curtido e compartilhado que resolvi expandir o comentário neste artigo.
Pessoas escolhem e decidem (até certo ponto, talvez) o que fazer a respeito do que sentem. Isso é um fato. Mas escolher o que sentem, não é algo realmente humano. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que “se apaixonou pela pessoa errada” ? Quantas vezes, numa reunião formal na qual todo mundo deveria ser bem sóbrio, alguém simplesmente deixa escapar uma expressão ou um comentário que vai prejudicá-lo, e até mesmo já sabe disso?
O sentimento não se escolhe. Sente-se e pronto. Aliás, o sentimento é “reconhecido” pelas suas expressões – sejam externas ou internas; porque nem sempre a pessoa deixa escapar no mundo aquilo que leva por dentro. Mas o próprio conceito de “reconhecer” – ou seja, conhecer de novo, implica na idéia de passado: reconhece-se o que já foi sentido. Exatamente esse é o ponto: já foi.
A partir daí, o indivíduo vai ter de escolher, decidir e agir (ou não agir). Mas o sentimento já aconteceu, ao menos dentro dele. E é desta escolha de como lidar com o sentimento que nasce um dos maiores problemas da nossa sociedade, e um dos maiores causadores de depressão e distúrbios psicológicos e psicossomáticos: se o indivíduo escolhe reconhecer o sentimento e agir de acordo com ele; vai agir de um modo “integral”; ou seja, todo o seu ser vai estar coerente e alinhado com seu sentimento. Só que muitas vezes isso exige enfrentar consequências sérias no mundo. Seja a perda de uma amizade ou um relacionamento; seja o afastamento de alguém ou de um lugar; seja deixar um trabalho. Exatamente porque alguns desses desafios podem parecer muito grandes é que as pessoas muitas vezes escolhem não agir de acordo com o que sentem. Quando isso acontece, nasce uma ruptura, uma cisão. A partir daquele ponto, o indivíduo age em desacordo com seus sentimentos; segue trabalhando em algo que não acredita mais; continua num relacionamento que não o faz feliz; frequenta (e paga!) um curso que não é mais do seu interesse. Isso dá origem a uma “fragmentação”. Porque, seja no trabalho, no curso ou no casamento, para sustentar “a coisa” funcionando, em desalinho com seus sentimentos, ele vai precisar “esconder” seus sentimentos. Quando, por mecanismos inconscientes ele “esconde” essa “fratura” até de si mesmo, o indivíduo começa a ficar irritado (aparentemente sem motivo), tende a fugir da situação e arrumar desculpas para não estar presente (conhece gente que foge da família passando a vida no trabalho?).
Seja qual for o mecanismo de fuga, vai precisar criar distrações ininterruptas para nunca ter de encarar o fato de que está onde não queria estar. Já quando age de modo consciente e esconde essa fratura “apenas” dos outros, passa a viver, conscientemente, uma mentira. O indivíduo sabe que não quer aquilo (seja o que for); mas não se permite lidar com as dificuldades práticas de “sair daquilo”.
Consciente ou inconscientemente, a partir dessa ruptura, o “abismo” entre o que o indivíduo É e aquilo que ele FAZ vai se ampliando e; como alguém que mantém um pé de cada lado de um fosso que se abre, o equilíbrio torna-se cada vez mais difícil. Muitos desenvolvem depressão; outros desenvolvem doenças de origem somática (há quem questione se de fato exista alguma doença que não tenha origem somática – ou seja, nos sentimentos), outros desenvolvem diversos tipos de “distrações” e fugas, entre elas o uso de aditivos químicos, legais ou não.
Toda forma de fuga serve apenas para adiar o confronto. Qual confronto?
O seu confronto com você mesmo. Adiar o momento em que irá finalmente parar, pensar, meditar, silenciar – para ter a chance de trazer à tona, de fato, o que sente; e começar a lidar com isso. Uma vez que se permita olhar, poderá ver. Uma vez que veja, poderá entender; ou ao menos começar a entender. E só então, quando começar a entender, poderá trazer alguma solução para o sofrimento.
A tragédia moderna é que a sociedade prefere aqueles que destróem a si mesmos; contanto que mantenham-se “plenamente operacionais” do que aqueles que, para realizar esse mergulho com alguma profundidade, precisam parar; ou no mínimo, desacelerar.
A tragédia moderna é que a sociedade do consumismo desenfreado prefere impingir a todos a maior velocidade, a maior ocupação, o maior frenesi, o maior barulho e distração possíveis. No fundo, porque desse modo, quando a pessoa se der conta do que está acontecendo, ela já estará no fim: seja no fim da vida; seja no fim da linha, seja no fim da capacidade de “funcionar” normalmente. Como todos sabemos, o único interesse de uma sociedade radicalmente consumista é, justamente, o consumo; inclusive dos consumidores. Porque quando aquele consumidor estiver devidamente esgotado, será descartado com o mínimo de perda; sem dificuldade: haverá uma nova leva em preparação, inclusive aqueles futuros consumidores criados e modelados pelo exemplo que veio antes e foi descartado.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Co-housing, o Resgate da Comunidade Perdida

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Paulo

Co-housing, o Resgate da Comunidade Perdida

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

No último domingo, 28, começou em São Paulo o resgate de um dos aspectos mais fundamentais das relações humanas; o resgate do senso de comunidade e pertencimento, o resgate de um modo de vida quase esquecido na megalópole do século XXI. Aconteceu o primeiro workshop de iniciação ao co-housing no Brasil. Promovido pelo grupo COHABITAR SÉCULO XXI São Paulo e conduzido pela arquiteta Lilian Avivia Lubochinski, a oficina teve vagas esgotadas e reuniu dezenas de interessados em descobrir uma nova forma de viver, que harmoniza espaços particulares a espaços comunitários numa fórmula que promove o resgate do sentido de vizinhança, de amizade e compartilhamento de um modo atual, vivo e realista.

Num primeiro olhar, a idéia de comunidade para muitos leva a pensar em casas compartilhadas e falta de espaço e privacidade. Tudo no co-housing contemporâneo é pensado para deixar essas referências apenas no passado, como as experiências iniciais que criaram este movimento absolutamente moderno e bem-pensado. Os fundamentos do co-housing foram pensados pelos velhos hippies californianos e nasceu, como tantas tendências e inovações fundamentais; naquele berço de idéias que é o norte da Califórnia, a Bay Area de San Francisco, Oakland e Berkeley. Mas exatamente por ter nascido pelas mãos de pessoas que viveram os apertos e durezas das comunidades das décadas passadas, veio com uma renovação do senso de comunidade que preserva a privacidade e o espaço particular de cada um.

Todos os princípios do co-housing, na verdade, remetem ao pensamento básico e natural do único tipo de comunidade humana comprovadamente funcional, que é o modelo da pequena aldeia; onde todos se conhecem, unem-se por afinidades, compartilham grande parte do que fazem, mas ainda assim, cada um tem sua casa, seu espaço, cada família tem suas configurações e particularidades. E no qual se pode, a qualquer hora, fechar a porta e escolher não estar disponível.

O Co-housing acontece hoje como movimento principalmente na California e nos países escandinavos; mas em cada local tem características muito diferentes, apesar de compartilhar os mesmos princípios. Se no espaçoso estado americano é principalmente formado de comunidades compostas de casas com amplos espaços, no norte da Europa muitas vezes constrói-se um edifício bem no meio da cidade, que visto por fora parece apenas mais um prédio como outro qualquer. Mas, dentro dela, além dos apartamentos, há áreas compartilhadas; especialmente aquelas relacionadas aos serviços, alimentação e as áreas de convívio. E é desse compartilhamento que nascem os valores fundamentais do co-housing para o século XXI: vinte, trinta ou quarenta famílias compartilham o espaço de alimentação, por exemplo. Isso faz com que, obviamente, sempre haja vários dispostos a cozinhar. E por isso, nem todos precisam cozinhar para que haja alimentação para todos. O que também diminui tremendamente o desperdício, a conta de gás, o trabalho desempenhado por cada um. As compras em grandes quantidades reduzem imensamente o preço dos alimentos, que é, em qualquer sociedade, um dos itens mais pesados de todas as famílias. Num co-housing, as pessoas todas se conhecem, e caronas são a coisa mais simples e fácil do mundo se você convive com 40 famílias em volta.

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Lilian Avivia Lubochinski – Foto: Paulo Ferreira

O co-housing tem desenhos específicos, também, especialmente nos países com mais população idosa: há co-housings especificamente criados para moradores acima dos 50 anos, com serviços e características customizadas para as necessidades da faixa etária em questão. Há co-housings de famílias; os exclusivos de adultos; os exclusivamente para idosos, e por aí vai. Mas uma das maiores contribuições do co-housing começa a ficar clara já numa primeira oficina como esta que aconteceu em São Paulo: o pensamento, o profundo mergulho que as pessoas começam a fazer sobre a questão da moradia, da habitação, e o enorme impacto que essa escolha tem sobre a vida das pessoas. impacto de qualidade de vida, impacto de senso de comunidade, segurança, apoio.

Muitos dos participantes desta primeira oficina já tinham vivido experiências comunitárias, seja em um kibutz ou numa república universitária. E é impressionante verificar como cada um deles traz dentro de si uma lembrança do valor dessa experiência, assim como o desejo de resgatá-la e colocá-la de volta em suas vidas. Mas há outras extensões possíveis que indicam possibilidades de mudanças ainda mais profundas que podem nascer do modelo de co-housing; como explica a própria Lilian Avivia “um dos sonhos dourados que eu pretendo alcançar com o co-housing é fazer uma aliança com pequenos produtores rurais de orgânicos, por exemplo, nós financiamos o produtor, ele nos alimenta, ele ganha mais, nós temos alimentos melhores e mais baratos; e nós – tanto quanto ele – saímos do mercado – deixamos de alimentar esse sistema especulador e atravessador, sabemos de onde vem o que comemos, na época da colheita vamos lá ajudar e acompanhar, então isso é um grande sonho de mudança que pode ser perfeitamente alcançado através do co-housing.” .

Como se vê, o potencial transformador da idéia é tremendamente poderoso no resgate de um modo de vida mais justo, equilibrado e que coloca o ser humano e suas necessidades no núcleo das decisões, de onde jamais deveria ter saído para dar lugar à desumana lógica do lucro corporativo a qualquer preço.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

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Insulto e Elogio

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Paulo

Insulto e Elogio

Lembre-se dos elogios que receber. Esqueça os insultos. Se conseguir fazer isso, me diga como. (Atribuído a Kurt Vonnegut, mas também a Mary Schmich, como não tenho certeza, cito ambos.)

Porque nos lembramos dos problemas e ameaças e insultos tão perfeitamente e nos esquecemos das coisas boas,? A resposta rápida? Evolução, sobrevivência. Ou, para entender um pouco melhor, é um processo de aprendizado e especialização do cérebro, destinado a garantir que nossa vida seja mais segura e menos ameaçada. Acontece que o processo foi estabelecido nas savanas africanas, desde nossos ancestrais longínquos. Quando algo ameaçava ou fazia mal – precisava ser registrado pelo cérebro – que Por isso tende a fazer de qualquer ofensa ou ameaça uma grande coisas – mesmo que não seja. É assim que ele protege você. Fazendo a menor ameaça parecer maior e mais perigosa (se tem alguma duvida de como isso é comum, pergunte a uma mulher que tamanho tinha a última barata que ela viu). O fato de que o cérebro aprendeu que exagerar o tamanho das ameaças é uma boa forma de fazer com que você se lembre delas para sempre – o que por sua vez é um bom caminho para evitá-las e assim, ficar vivo.
Já com a felicidade, a tranqüilidade e as coisas boas – isso não funciona do mesmo modo: mesmo que você não se lembre que algo lhe fez bem – esse esquecimento não poderá matá-lo. E assim desenvolvemos a capacidade de achar que todos os problemas são enormes e ameaçadores. Já as coisas boas, não são vistas sob essa lente de aumento.
Ao transportar isso ao século 21 é que tudo fica bem mais complicado. A maioria das pessoas não passa nenhum risco de vida todos os dias. Os problemas que o cidadão comum das grandes cidades experimenta não significam morte, nem ameaçam a continuidade da espécie. Mas nossos sistemas não tem upgrades muito freqüentes. Muitas das nossas estratégias cerebrais continuam as mesmas, milhares de anos depois.
Hoje, precisamos muito mais nos lembrar do que gostamos, dar atenção às coisas boas e a quem nos faz feliz. Deveríamos falar o mínimo possível dos pequenos problemas não-fatais que temos todos os dias – e falar muito do que nos deixa feliz, nos faz bem e nos realiza.
Se não por muitas outras razões, no mínimo porque uma grande e séria ameaça a nós, hoje, é o sentimento de depressão, de nos sentirmos ameaçados, sozinhos psicologicamente. A verdadeira ameaça hoje é o sentimento de que o mundo nos faz mal, que temos milhares de problemas. Os nossos problemas hoje são muito mais do tipo imaginário, mental, ou moral. Raros deles são fatais.
Cada dia mais, fale das coisas que você gosta e das pessoas que você ama.
Traga isso na mente, nas fotos, na carteira e sobretudo, traga tudo isso dentro de você mesmo. Tenha consciência do bem que lhe fazem as pessoas que você ama.
A maioria dos nosso problemas cotidianos que temos hoje vai ser completamente irrelevante daqui a um mês, seis meses, um ano.
Ter uma consciência clara e viva das coisas boas – isso é que vai nos garantir que iremos perseguir, priorizar e reservar tempo para viver de acordo com a felicidade que queremos ter. Hoje, mês que vem, ano que vem. E assim por toda a vida afora.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

O mártir, o trabalho e o ego

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Paulo

O mártir, o trabalho e o ego

Mártir é aquele que se sacrifica. Pelo outro, ou por uma causa ou um ideal. Este é o mártir de fato. Como Gandhi, por exemplo. Martirizou-se por anos em greves de fome, para libertar a índia. e por fim foi realmente martirizado, tendo sido assassinado. A ideia do mártir está conosco sempre, especialmente nas sociedades cristãs.
Ocorre que este arquétipo, esta figura, é idealizada e perseguida, mesmo inconscientemente, por muitos. Assim como a figura do herói, a figura do mártir parece ter um apelo irresistível.
Tão irresistível que, na falta de uma grande causa, ou de grandes ideias, adota-se a postura de mártir por qualquer razão disponível; mesmo que não necessariamente extraordinária. Isso acontece, muitas vezes, com pessoas que determinam-se a trabalhar mais que os outros; mais que o comum. No início pode ser apenas perfeccionismo; ou orgulho. O prazer de um trabalho bem feito, talvez. E se fosse até aí, talvez permanecesse mais saudável. Mas vivemos numa sociedade viciada em comparações. Desde muito novos, aprendemos com essa sociedade viciada em comparar que “seremos comparados”. A partir desta conclusão, naturalmente, o que faz mais sentido é escolher “onde” e “no que” ser comparado. Ser comparado em seus campos de desvantagem não é uma escolha sábia. Conectando essa escolha do campo de comparação àquela famosa frase sobre estratégia de guerra, que diz que “a melhor defesa é o ataque” – chegamos hoje nas empresas mundo afora numa situação extremamente sui generis. Os trabalhadores querem ser mártires e atacam primeiro, atirando-se em comparações as quais eles saibam que podem vencer.
Quando alguém se compara, quase certamente o corolário da afirmação é óbvio. Se escolheu comparar-se, vai escolher o “campo” no qual sairá vencedor.
O mártir do trabalho, entretanto, usa esta comparação, seja ela explicitamente falada ou não, como um infinito suporte para o ego.
Considerar-se mártir é conseguir para o próprio ego uma plataforma avançada de vitória na comparação no trabalho é relativamente simples. O ambiente do trabalho tem regras mais claras que as da vida como um todo. No ambiente familiar, comparar irmãos, pais com filhos e primos com genros é mais complexo. Entretanto, no ambiente do trabalho, estão todos igualados por regras comuns, e pelo fato de que todos estão ali cumprindo um determinado papel em troca de um determinado resultado financeiro.
Simplificando, se alguém trabalha “mais”, pode estar, na verdade, fazendo isso pela própria auto-gratificação egóica de sentir-se melhor que os outros, em sua própria comparação interna. Mártires do trabalho costumam ser indivíduos inseguros em outros aspectos de sua vida, e muitas vezes, emocionalmente imaturos.
Descarregando suas frustrações e o tempo livre diretamente no papel de mártir do trabalho, o indivíduo constrói uma zona de conforto para ele mesmo, na qual pode julgar-se, por critérios relativamente “isentos”(regras semelhantes para todos) acima dos outros, em virtude de seu martírio.
O segundo passo, criador de infinita discórdia e problemas no ambiente de trabalho, é: uma vez feito mártir, passa a ter o direito, por ele mesmo adquirido por esse mecanismo psicológico; de cobrar, fustigar, comparar, incomodar o “outro” seja ele quem for. O mártir dá-se então o direito de sentir-se superior e demonstra isso por dois mecanismos principais:
cobrar, sempre, seja por meio de humor ou palavras ásperas, que os outros “deveriam seguir seu exemplo e trabalhar mais”.
2. Queixar-se ou vangloriar-se como forma de ampliar a visibilidade de sua condição de mártir.
Obviamente, na atual organização do trabalho, colhe-se resultados práticos através desta atitude. A razão deste texto não é questionar esse aspecto que todos conhecemos. É jogar luz sobre o aspecto psicológico e o mecanismo egóico que se desenvolve “subterraneamente”, no mundo da psique do indivíduo; paralelamente ao que ocorre no “mundo lá fora.”
O primeiro aspecto envolvido na busca do ego é poder constatar: sou bom. Em seguida, numa sociedade doentemente comparativa, importa não apenas “ser bom” em algo, mas também ser “melhor” que alguém.
E assim desenvolvem-se disputas infinitas e inimizades no local de trabalho.
Agora pare por um instante para pensar no trabalho que se desenvolve por amor, por prazer, por hobby, por exemplo. Você perceberá rapidamente que todo este conteúdo doentio descrito no texto desaparece. Desaparece numa atitude saudável e criativa; que é onde se chega quando o propósito do que se faz é o amor.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Tempo de aposentar uma palavra

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Paulo

Tempo de aposentar uma palavra

Sinto que de vez em quando, é preciso aposentar uma palavra. Às vezes simplesmente porque ela foi usada demais, outras vezes porque foi mal usada e perdeu o sentido original. Penso que há hoje uma palavra que deveríamos aposentar, e essa palavra é “Sucesso”. Sim, eu sei, imagino que ficaram horrorizados com a idéia de aposentar uma palavra aparentemente tão positiva. Mas, afinal: o que é sucesso? O que é o Sucesso que se deseja nos aniversários e no ano novo; o que é este sucesso que a maioria persegue todos os dias, quando acorda e inicia mais um dia de trabalho?

O sentido de propor a aposentadoria do termo é porque nunca ouvi tantos desejarem sucesso o tempo todo – em ambos os sentidos – desejando como os votos aos outros, e desejando como realização pessoal também. Ao mesmo tempo, creio que nunca houve tantos “sucessos infelizes”: pessoas que, tendo atingido um ótimo nível de vida, ou tendo alcançado uma série de metas que colocou para si mesmo – descobre que o sucesso não é a mesma coisa que a felicidade.

Por incrível que pareça, muita gente confundiu o significado dessas duas palavras, imaginando que, sendo um “Sucesso”, automaticamente, seriam felizes. Muito longe disso. Sucesso pode ser muitas coisas, pode representar inclusive, algo nada positivo. Um bandido bem-sucedido, por exemplo. Um mentiroso bem-sucedido. Um Corrupto de sucesso. Ou seja, deveríamos tomar cuidado ao desejar “sucesso” por aí. Você sabe o que aquela pessoa almeja; o que vem a ser “sucesso” para ela? Sabe quais as intenções que ela tem? Ao desejar sucesso para alguns, você pode estar, desavisadamente, desejando o mal de muitos.

Nada disso acontece com a palavra Felicidade. A felicidade genuína só é possível; e só persiste, no bem. Aquele que faz o mal pode ficar satisfeito em ter conseguido o que queria. Mas sabemos, é temporário, não dura. Tudo aquilo que prejudica outros, volta, inexoravelmente. E é por isso que você pode conhecer corruptos ricos. Mas não vai conhecer corruptos felizes. Alegres, por uns tempos, talvez. Mas a conta volta, o Universo equilibra, e sempre devolve aquilo que emanamos, (ou o que, indevidamente, subtraímos).

Então, qualquer alegria construída sobre o mal aos outros, às custas do sofrimento alheio, será, inexoravelmente, curta e efêmera; acompanhada sempre de muito medo, tremor e rabo preso. É assim que deve ser.
Assim foi, é e será, sempre.

Por isso, vou aposentar o termo sucesso e passar a desejar exclusivamente felicidade. Porque só é realmente feliz quem se harmoniza com o mundo, quem ama os outros seres, quem cresce para além do egoísmo bárbaro e do interesse mesquinho.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Chances

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Paulo

Chances

“Take all your chances while you can you never know when they’ll pass you by…” ~ Athlete, “Chances”.

A vida nos apresenta muitas chances. Muitas delas nós vemos. De outras, nem nos apercebemos. A linha do tempo, que segue inexorável no presente, é múltipla e cheia de possibilidades à nossa frente. Quantas vezes nos deparamos com aqueles momentos em que podemos até mesmo ver e sentir o momento de decisão chegando? Aquele estranhamento, aquele arrepio na espinha. Algo, dentro de nós, ali na boca do estômago, se enrola e se aperta, sinalizando, fisicamente, que estamos diante de um momento importante. E momentos importantes, estranhamente, não são necessariamente momentos grandes. Podem ser momentos triviais. Um olhar, um abraço que se demora mais que o formal. Uma frase, um pequeno detalhe. Uma semelhança, várias semelhanças. A insistência da vida em expor na nossa cara os infinitos alinhamentos e sincronicidades aos quais alguns dão o nome de coincidências. Um, dois, dez fatores, aparentemente desconectados, soltos, que no fundo, quando olhamos bem, parecem instrumentos de uma fina orquestração, de uma sutil sinfonia que coloca cada um em seu lugar, como se arrumasse um palco para a próxima cena.
É aí, neste palco preparado para a próxima cena, que entra a nossa participação decisiva. Depois que a vida prepara todo o cenário, os protagonistas, os coadjuvantes que ajudam, quase imperceptivelmente a construir a cena…. chega a nossa deixa; a nossa fala. O momento de dizer; o momento de expressar a escolha, fazer o movimento, dar o passo. Porque, no palco da vida, tudo foi colocado a postos, tudo está ali. Mas, para seguir, (e por onde seguir) depende da sua fala; da sua escolha.
Por isso é tão importante a presença plena em cada momento. Ler os sinais de cada momento. Olhar para cada um deles, e buscar, no fundo da alma, o quanto eles representam respostas da vida, esta grande cenógrafa; àquilo que pedimos; àquilo que sonhamos e desejamos. Olhar com plenitude cada presente que a vida nos dá, e lembrar qual é a matéria com a qual a vida trabalha; que são nossos sonhos. Não as pequenas questões do dia a dia, não aquilo que tem importância apenas hoje, amanhã, pelos próximos 15 minutos ou 15 dias. A vida não trabalha com essa matéria. Ela não se relaciona necessariamente com os detalhezinhos de cada dia. Ela constrói grandes obras, e responde a grandes sonhos, como aqueles que estiveram sempre conosco, como aqueles que estão guardados dentro de você, desde sempre, desde uma tarde ensolarada na qual você se deitou num gramado, tanto tempo atrás, e pediu, e desejou, e mostrou à vida o que você realmente queria.
O tempo da vida funciona em camadas diferentes daquelas que usamos no cotidiano. Muitas vezes, ela te dará de presente hoje algo com que você vem sonhando há muitos, muitos anos. Esteja presente, plenamente, para saber reconhecer. Aproveite todas as suas chances enquanto você pode. Você nunca sabe quando elas vão passar por você.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

O significado do FOCO

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O significado do FOCO

FOCO é um termo que “importado”da óptica, uma ramo da física. Segundo uma definição simples, da Wikipédia: Foco em geral é usado como o centro de e é nessa asserção que é tomada como o ponto onde se concentram os raios luminosos que passam por uma superfície transparente (ou, uma lente). Alternativamente é o ponto de convergência ou donde saem emanações.
Por analogia, para nós, seres humanos, foco é o centro de nossa atenção. Podemos, inclusive, para aprofundar a analogia, afirmar que espiritualmente, foco é para onde converge a nossa luz. O foco é, portanto, ao menos num TEMPO dado, único. Ainda que se mova, ou modifique-se ao longo do tempo; o “centro” da nossa atenção só pode estar em um ponto. Tudo que não está naquele ponto, está na “periferia” de nossa atenção. Em que ponto periférico é outra questão, mas, seja onde for, não é o centro, ao menos no momento dado.
Ao longo dos últimos anos, o termo foco foi usado à exaustão, até comprometer o seu significado. Ouvimos coisas como “colocar o foco em tudo”. Ou a declarada necessidade de manter a atenção em múltiplos “centros” ou focos. O que precisamos nos lembrar é que o foco será, sempre, único. O que pode acontecer e efetivamente acontece, é que esse foco MUDE com uma freqüência tão rápida que se crie a impressão de que “muitas coisas estão em foco”. E aí reside uma aspecto que merece atenção: se o “centro de sua atenção” muda com essa rapidez, quanta atenção está efetivamente está sendo colocada nele?
Primeiro, não é possível “manter” a atenção em várias coisas. O que pode ser feito é “mudar a atenção por várias coisas”. Manter é o contrário de mudar. É sustentar a atenção num ponto. Se esta deverá ser distribuída entre vários assuntos ou aspectos, ela estará constantemente “mudando” e , portanto, jamais “mantida”. É uma escolha, mas devemos estar conscientes de seu significado ao fazê-la.
Na prática é preciso desenvolver a consciência de que podemos, seqüencialmente, colocar nossa atenção perfeitamente em várias coisas. Mas seqüencialmente é, em tudo, diferente de fragmentar a atenção em mil pedaços. Se você já experimentou a angustiante sensação de “ser atendido ao mesmo tempo” que outras pessoas num balcão de informações, conhece bem a sensação: se houver um único atendente, e várias pessoas “sendo atendidas” por ele, o resultado é que as respostas ficam entrecortadas, interrompidas. Parte da resposta é dada a um, parte a outro, nenhum dos quais foi atendido, e ambos continuam ali, parados, esperando a conclusão do atendimento para que possam seguir. Se houver várias pessoas, certamente o atendente tentará organizar uma fila, de modo que possa resolver um caso de cada vez. Conhecemos isso, é simples, sabemos como funciona. Com a nossa consciência é rigorosamente igual. Organize e forme a fila. Essa é a tarefa “antes das tarefas”, por assim dizer. E sem ela, todas as tarefas ficarão aos pedaços, e nós apenas teremos a sensação de que estamos resolvendo várias coisas, quando de fato, não estamos resolvendo nenhuma. Organizar a seqüência não significa levar mais tempo. Atenção plena não aumenta o tempo necessário; ao contrario, diminui o tempo para CADA tarefa. Uma delas poderá ser muito simples, basta um sim ou um não. Mas enquanto uma resposta não for dada, o assunto permanece ali. Coloque a atenção plenamente por um instante, responda sim ou não e pronto: um assunto está resolvido. Outros serão bem mais complexos, e demandarão tempo e aprofundamento. Se não é capaz de dedicar-se a ela adequadamente naquele momento, em primeiro lugar assuma isso para si mesmo: “não posso lidar com isso neste momento”. Anuncie aos demais envolvidos, se houver, e siga em frente para a próxima tarefa. E não esqueça de voltar a ela quando combinou (com outros ou consigo mesmo) que voltaria. O significado de não esqueça é: anote, agende, marque. Porque, provavelmente, você vai esquecer, se não fizer isso.
Assumir, antes de tudo para si mesmo; que os processos mentais humanos funcionam assim, deste modo, comprovadamente, para todos, é fundamental. Não é uma questão de preferência, gosto, estilo ou qualquer questão de personalidade. É o simples reconhecimento da natureza do funcionamento da mente humana. Agir de modo alinhado com a natureza dos nossos processos faz com que possamos usar plenamente o potencial deles. “Brigar” contra isso, faz apenas com que esses processos funcionem com menos eficácia. É exatamente a mesma coisa que querer “convencer” o seu sangue a transportar certas substâncias ingeridas, mas não outras: não pode ser feito. Exatamente do mesmo modo, não importa o quanto você deseje “focar” dois assuntos ao mesmo tempo, isso não será feito pelo seu sistema neurológico e os seus processos mentais.
Faça as pazes com a sua biologia e organize a fila do melhor modo que puder. Concentre a atenção plena em cada AGORA. E então, só então, mova-se, você e sua atenção plena, para o próximo momento, que será, também e plenamente, agora.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

O Decadente Mundo dos Excessos

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O Decadente Mundo dos Excessos

Poucas coisas parecem hoje mais inadequadas e não-verdadeiras quanto a máxima vencida e mofada que recomenda que se deve “fazer sempre mil coisas ao mesmo tempo”. Antes de mais nada cabe lembrar que, cientificamente, isso é uma bobagem completa: a mente humana, comprovadamente, só pode processar um pensamento de cada vez. Apesar disso, a busca frenética por “mais”; seja mais dinheiro, mais coisas, mais atividades, mais encontros, mais “amigos”, dominou o cenário por um bom tempo; levantando a bandeira do ser humano multi-tarefa, rápido, ultra eficiente, extremamente objetivo.
Os promotores dessa idéia só deixaram de dizer às pessoas que não se pode ser “rápido e ultra-eficiente”, por exemplo, quando o que seu filho precisa é colo, silêncio e sossego para sentir-se bem. Deixaram fora da equação, sempre, um “pequeno” fator: o ser humano é um bicho emocional, gregário, que precisa de calor, carinho e todas essas coisas que acabaram tão “fora” de uma equação cujo objetivo é meramente transformar gente em maquininha de produção e consumo.
Hoje, vejo cada dia mais gente comentar, declarar e constatar que nada parece mais decadente e despropositado do que a glamourização dos excessos, seja de carros, objetos, todo consumo excessivo e impensado. Cada dia mais claro que ao “ratinho na roda”; às pessoas que vivem focadas principalmente em dinheiro e resultados materiais, falta algo, ou, na verdade, falta muito. Falta inteligência emocional. Falta sentido interno, falta equilíbrio. E sobra superficialidade; e, talvez sobretudo, sobra medo e fuga de si mesmo.
Num mundo de imenso desequilíbrio ambiental e de um desequilíbrio social talvez ainda mais descabido; uma sensação de “vergonha alheia” se apodera de muitos ao testemunhar demonstrações de excessos materialistas.
Ao mesmo tempo, o mundo pensante, no planeta inteiro; das mais “oficiais e institucionalizadas” organizações (da NASA e ONU à Harvard) até as mais alternativas, bate cada vez mais na tecla do rever, reajustar, realinhar, tirar os excessos, focar o essencial, manter o indispensável. O mundo dos excessos e do consumismo que teve seu auge no século passado é claramente insanidade e megalomania, e hoje, não fazer a sua parte para tornar as atividades humanas no mundo mais sustentáveis é sinônimo de passar vergonha até frente ao trabalho de escola do seu filho de 8 anos.
No âmbito individual, essa tendência a estreitar o foco e ficar com o essencial, faz com que se abandone as ilusões e enganos como “fazer mil coisas ao mesmo tempo é ótimo”; idéias nesta linha devem sumir no horizonte até que sejam apenas uma vaga lembrança de um século maluco e que ainda vai ser famoso como bastante embaraçoso para a história humana. E é dolorosamente claro para qualquer um que está cada vez mais inviável dar conta dos excessos solicitados à atenção humana, e é EXATAMENTE assim que deve ser: cada vez mais foco, com cada coisa a seu tempo e ocupando o seu devido espaço; viver uma coisa de cada vez, e colocar todo o seu coração nela.
A alternativa para quem ainda prefere esquecer-se disso acaba sendo uma vida “tarja preta”; a “terceirização dos filhos”; escolhas que significam, na verdade, vender a vida por ilusões consumistas que não estarão lá para cuidar de você no futuro, não terão adicionado vida aos seus anos, nem anos à sua vida.
Cada vez mais é sobre comprometer-se em profundidade, com idéias e coisas cuidadosamente escolhidas. Apenas aquelas que realmente são relevantes para você e os seus, e de preferencia nas quais efetivamente você possa fazer a diferença. Cada vez menos genérico, cada vez mais especificamente desenhado para “a pessoa em questão”.
Este é o rumo que mais e mais pessoas dão-se conta nos últimos anos, realinhando suas vidas e prioridades, redefinido suas rotas. A tarefa de cada um é encontrar as suas respostas específicas ao realizar este ajuste. Uma resposta que é única, pessoal e intransferível, e que justamente por isso escapa às rasas recomendações coletivas características dos manuais “como fazer”.
E se não há receita, há ao menos uma dica que considero útil: quanto mais tempo se passa tentando “girar todos os pratos”, mais difícil, desgastante e estressante a experiência se torna. Indicando justamente que é hora de escolher os pratos essenciais.
Nesse processo, alguns pratos deixam de girar, caem e quebram. Sim, este é o fato. Por isso mesmo, o foco deve estar apenas nos pratos que efetivamente são indispensáveis, fundamentais. Aqueles que você, simplesmente, não pode viver sem.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Como Deixaram que isto fosse Publicado?

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Paulo

Como Deixaram que isto fosse Publicado?

Dia desses, li um artigo interessante e bem escrito, altamente articulado; mas com um ponto de vista bastante controverso. O artigo tratava sobre comportamento, escolhas individuais e por aí vai. O que mais me surpreendeu, na verdade, foi o conteúdo de diversos comentários ao artigo; seja no site onde foi publicado, seja nas postagens em redes sociais. Mais da metade dos comentários incluía alguma expressão “indignada” equivalente à pergunta “como deixaram que isso fosse publicado? ”

Cabe deixar claro que nada do que estava defendido no artigo feria a lei, a constituição ou a declaração dos direitos humanos. Era apenas uma opinião controversa; não exatamente popular. E que de modo algum eu vou replicar, até porque esse não é o meu assunto. O meu assunto aqui é a incrível constatação que mais da metade dos que comentaram o artigo deixou claro que se estivesse no lugar do editor, não permitiria a publicação.

Vivemos tempos difíceis, mas a livre expressão e a livre publicação é um fato dado na internet do século 21. Cada um escreve e publica o que quiser e convive com as consequências. Pode até correr o risco de ser demitido, processado ou ignorado. Mas ninguém, absolutamente ninguém no mundo hoje pode impedir que um texto hoje seja escrito e publicado. Que maior prova disso do que Edward Snowden e Glenn Greenwald divulgando páginas e páginas de documentos “secretos” altamente danosos a tantos poderosos do mundo todo?

Por isso resta hilário que tantos ainda não tenham entendido que a era de controlar o que é escrito ou divulgado está morta e enterrada. Por isso é tão chocante que tantos ainda ajam como se fosse necessário pedir “permissão” a alguém para publicar alguma coisa. Revela bem a vontade totalitarista e ditatorial, hipocritamente disfarçada dentro de atitudes “cool”. Fica ridiculamente claro que esses indivíduos, se pudessem, calariam quem pensa diferente deles.

Ainda bem que, para a revolta sistemática desses proto-ditadores, isso não é mais possível. Aos que tem alergia da liberdade, resta a escancarada evidência de que o futuro lhes será cada vez mais insuportável. Ainda bem.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

Nós, quem?

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Paulo

Nós, quem?

Seres humanos são únicos. E são todos iguais. Nisto não existe paradoxo, são duas afirmações plenamente verdadeiras em si mesmas. A confusão na aplicação desses conceitos é que pode ser problemática.

Quando tratamos de potencial ou possibilidade, somos, efetivamente, todos iguais. Aquilo que é possível a um ser humano é igualmente possível a outro ser humano. Se um homem fez, outro homem pode fazer. Não falamos aqui de milagres: embora os homens que os tenham feito tenham afirmado que todos podemos fazê-los, não é esse o escopo deste texto. Quando tratamos de atitudes normais, e não de milagres, sabemos que pode ser feito, ao menos como potencial. Se isso vai se realizar, depende de muitos fatores, inclusive a disposição de um determinado indivíduo em dedicar-se a uma tarefa que ele considere difícil. O fato de que alguém não faça algo não significa que não possa fazer, são coisas muito diferentes. E uma das mais importantes diferenças a considerar aqui é o conceito dos limites de cada um. Sejam aqueles colocados externamente por uma circunstância; sejam aqueles colocados internamente pelo próprio indivíduo.
O que deve marcar bem essa diferença é a consideração do que é potencial e do que é limite: quando nos referimos a potencial, somos todos iguais. No que se refere aos limites pessoais, somos únicos; produtos de infinitas combinações possíveis de genética, ambiente, atitude e consciência. 
É justamente nos limites pessoais que reside a fronteira onde uma frase pode passar de verdadeira para um ponto de vista egóico, indevidamente expandido, apenas para o “falso alívio” da responsabilidade de quem faz a declaração.

Vamos aos exemplos: quando alguém (qualquer um) diz “o ser humano pode ser ruim, mesquinho e imprestável” , está falando de potencial. Sabemos que é verdade. Assim como sabemos, por muitos exemplos, que o ser humano pode ser bom, altruísta e maravilhoso”. Tudo perfeito, porque estamos falando de POTENCIAL, do que PODE ser. De fato, o que um homem é, todos podem ser.

Mas isso muda completamente de figura quando a frase é dita como afirmação: “o ser humano é ruim, mesquinho e imprestável”. Não; absolutamente não é verdade. Tanto quanto não é verdade dizer que o ser humano seja “bom, altruísta e maravilhoso”. Ele pode ser todas essas coisas, como potencial. E pode não ser nenhuma delas, também.

Mas a frase fica mais escorregadia na medida em que se adota o “nós”, essa escorregadia pessoa do plural, como forma de substituir “o ser humano”, ou a perfeitamente cabível primeira pessoa do singular, ou seja, eu; nos exemplos acima. E isso é feito por muitos, muitas vezes sem o devido cuidado na afirmação. Ouve-se com freqüência frases como “Somos todos mesquinhos”; ou “somos todos vítimas de tal sentimento” (a inveja, por exemplo).

Neste tipo de frase reside um duplo engano, e um duplo perigo. O primeiro, para quem ouve a frase, por exemplo, “somos todos invejosos”. Se você ouviu esta frase e ficou em silencio, permitiu ao outro, por omissão, definir que sabe que você é invejoso. Permitiu ainda que ele fizesse esse julgamento a seu respeito e declarasse isso; e não contestou o fato. Em suma, ao omitir-se, assumiu para si mesmo e para o outro que não se opõe que isso seja dito de você. Logo, deve considerar que é verdade. Ainda mais: permitiu que a sua própria mente, o seu próprio ser, ouvisse isso sobre si mesmo, concordando silenciosamente. Se você conhece algo de PNL, ou programação neuro linguística, sabe a diferença que isso pode fazer. Mesmo que você não seja uma pessoa invejosa, permitiu ser reduzido a isso; permitiu que esse limite lhe fosse imputado; permitiu que essa informação/programação fosse entregue à sua mente.

O segundo engano é aquele que acontece com quem diz a frase “somos todos invejosos”. Ao dizer isso, permitiu-se julgar toda a raça humana como prisioneira dos mesmos limites que ele mesmo. Note que não foi dito “podemos ser”, que indicaria potencial e seria, portanto, verdade. Foi dito “somos”, como fato consumado, limite reconhecido. Ora, é simples destacar o quanto muda o conteúdo da afirmação: “todos podemos ser maus” é verdadeiro. “Somos todos maus” é um engano.

Mas o aspecto mais pernicioso da frase é o da auto-validação nela contida. Ao dizer “somos” com o se isso pudesse substituir “eu sou”; o indivíduo está buscando a validação social do outro para os seus próprios limites. Se o outro permanecer em silêncio, essa validação será obtida. Como resultado, o indivíduo sente-se mais “confortável” no seu próprio limite. Por isso, exatamente, é tão pernicioso: ajuda o indivíduo a se “conformar” aos seus limites atuais como algo “natural” (já que um limite compartilhado com a sua espécie) e não passível de mudança por uma tomada de consciência. Essa atitude reforça o limite e cria uma “zona de conforto”.

Quantos efetivamente diriam “sou invejoso” ao invés de “somos todos invejosos” ? Demanda coragem e força interior falar de suas dificuldades na solidão da primeira pessoa do singular. Mas é a verdade que cabe ao indivíduo. Você é o ÚNICO ser humano a quem pode genuinamente conhecer os limites e as dificuldades.

Tanto quanto demanda coragem e força utilizar a primeira pessoa do singular para falar das suas dificuldades, denota fraqueza a busca da validação social para os seus próprios limites. Fale sobre você. Diga o que você é. Ou, se preferir ou não for capaz, não diga nada. Mas não nutra os seus limites pessoais com o falso conforto da validação social. E sobretudo, não imponha ao outro o seu julgamento sobre quem você acha que ele é; porque nesse aspecto, todos, sem exceção, podemos estar errados.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

8 Pensamentos Sobre Você e o Trabalho

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Paulo

8 Pensamentos Sobre Você e o Trabalho

Ultimamente não costumo escrever com freqüência sobre o tema do trabalho tradicional, comercial, aquele que se faz tendo em mente uma troca financeira por um dado esforço ou período dedicado. Primeiro, porque fiz muito isso por muitos anos. Segundo, porque no Brasil, a realidade do trabalho comumente é tão degradante e onde é tão comum que seja desproporcionalmente exploratória dos seres humanos que não é muito animador abordar o tema. Talvez principalmente porque, a rigor, todos os agentes governamentais e empresariais do país estão cansados de saber perfeitamente disso, mas fingem que não sabem para manter as coisas exatamente como estão, simplesmente porque esse é o modo que interessa para maximizar o lucro das empresas que financiam as campanhas políticas, os lobbies e a corrupção. Apesar dessa introdução, e a pedido de uma leitora e amiga querida, vamos ao tema.

1. Suas ações no mundo
As ações no mundo são como água: procuram pelos caminhos com menos obstáculos. Entender isso, significa entender que o seu tempo e as suas capacidades e talentos são como canais por onde a “água” das atividades do dia a dia escorrem.
Muitos passam o tempo a tentar evitar a água e manter os canais secos. Isso não é possível, no mundo. Para fazer isso, você deveria optar por ficar em casa e isolar-se. Se você não quer isolar-se, desista de manter os canais secos: a água VAI correr por eles. O que você PODE e DEVE fazer, é escolher QUAL água que vai pelos seus canais.
Antes de tudo, escolhendo fazer da sua vida algo que lhe preencha e deixe feliz. Sem isso, o resto é inútil. Tudo que se faz neste mundo tem problemas e exige esforço e dedicação para ser feito; qualquer coisa. Mas se você faz algo que não lhe permite sentir-se realizado, tem todos os problemas pelos motivos errados. E isso é muito frustrante. Tenha os problemas pelos MOTIVOS certos. Aí, você vai achar que vale a pena.
Quando estiver certo de que o que você faz é algo que lhe permite sentir-se realizado, por favor, não fique sentado esperando que os outros lhe digam o que fazer. Se você escolheu, deve gostar disso. Raramente as pessoas escolhem fazer algo que elas não gostam nem fazem direito. Assim, faça. Abrace o que você faz e saia puxando.

2. Puxar é a única forma de não ser empurrado.
Se você não puxar, se não for auto-motivado, não estiver interessado e não sair fazendo; alguém logo virá lhe empurrar e dizer o que fazer para ocupar os canais do seu tempo e energia.
Sabe qual é a coisa que todas as organizações, instituições, ONGs, empresas, start-ups de qualquer tipo mais necessitam? De alguém que saiba o que fazer e FAÇA. Mesmo que não seja perfeito. Pode dar errado? Pode. E daí? Pode dar errado de qualquer modo. Mas quase tudo pode ser consertado e corrigido. E se não puder?
E daí? Muito mais pessoas são mandadas embora pelo que DEIXARAM DE FAZER.

3. Por que você está fazendo?
Antes de fazer qualquer coisa, é fundamental entender de forma clara e explícita, PORQUE você está fazendo. Se você faz algo sem saber porque está fazendo, como poderia saber se está adequado? Se é bom? Se foi bem feito? Bem feito é algo que SERVE a um propósito e colabora para resolver um problema.
E é fundamental saber PORQUE você faz algo, caso contrário, pode descobrir depois que o que você fez afetou milhares de seres; destruiu a ecologia do planeta; prejudicou, mais do que beneficiou, os outros seres que compartilham este mundo com você.
E se, apesar de SABER que o que você faz é prejudicial aos outros seres, você optar por continuar fazendo… só posso lhe desejar melhores escolhas no futuro; boa sorte e ombros fortes para quando chegar a hora da colheita… porque como já disse um sábio: “o plantio é opcional, mas a colheita, obrigatória.”

4. Você sabe o que você faz?
Esse é outro ponto fundamental: Há pessoas cujo trabalho é identificar problemas nas organizações. Estas, normalmente, também estão incumbidas de propor soluções.
Há outras pessoas cujo trabalho é IMPLEMENTAR as soluções. Não há demérito nenhum nisso, e a quem vai implementar também cabe questionar e contribuir, fazer o seu melhor. Se você não QUER e não é feliz implementando as soluções pensadas por outras pessoas, procure outro trabalho, onde você possa ser a pessoa designada para identificar problemas e propor soluções.
MAS quando alguém designado para IMPLEMENTAR soluções passa todo o tempo IDENTIFICANDO problemas… naturalmente, não está fazendo o seu trabalho.

5. Você trabalha POR seus resultados, mas PARA o bem de outros.
A razão do que você FAZ precisa estar ligada a ALGUÉM. Mas não a VOCÊ. Na maioria das profissões, você faz algo PARA alguém. Portanto, se você está sentado na sua mesa de trabalho, pensando no que fazer para SI MESMO, obviamente está TUDO errado.
Não é para você mesmo, nem deveria ser. Há alguém que deve ser BENEFICIADO pelo seu trabalho: outro ser humano, ou a pessoa que recebe o produto ou usa o serviço, ou os seus colegas que precisam do seu trabalho feito para fazer o deles. Sim, pois é: quando estamos trabalhando, devemos nos concentrar na solução de problemas. O objetivo não é que você esteja servindo a si mesmo. O objetivo é que esteja servindo a outrem. (Fique tranqüilo: mais adiante no texto vou voltar ao SEU tempo, que é imensamente importante)
Mas quando qualquer um esquece que está, no tempo do trabalho, SERVINDO como MEIO para a solução dos problemas … começa a dar tudo errado, porque ao invés de resolver os problemas, a pessoa prefere fugir deles. Se você quer fugir de problemas, fique em casa, embaixo do cobertor. Pode não te levar muito longe, mas terá sido a sua escolha. Mas se você decidiu trabalhar, entenda: este é o tempo da sua vida dedicado a ser MEIO para SOLUÇÃO dos problemas dos outros.
Entenda o que é pedido a você que faça. Se não entendeu bem, pergunte de novo, e de novo, até entender. Se achar que NÃO pode fazer isso, não faça, vá cuidar da vida em outro lugar. Mas se entendeu; e se o seu papel é fazer: não fuja, não finja, não protele, FAÇA.

6. Porque você sai de casa e vai ao trabalho?
Mesmo que você ame o que faz, você faz porque tem objetivos SEUS, para a sua vida, que quer realizar. Para as pessoas que precisam trabalhar por um pagamento, o trabalho é (também) um meio de obter recursos para realizar OUTRAS coisas que querem na vida.
Veja: todos os seus colegas fazem EXATAMENTE a mesma coisa, exatamente pelo mesmo motivo. Eles não vão ao trabalho pra atrapalhar os seus planos. Eles não vão lá para prejudicar os clientes. Eles não vão lá porque o chefe quer. Eles vão porque querem algo da vida. E se todos puderem apenas fazer a sua parte e não atrapalhar a parte do outro, certamente a vida de todos fica muito mais simples.

7. Finalmente, sobre o SEU tempo
O momento de servir a si mesmo é quando você está cuidando da sua vida pessoal. E é FUNDAMENTAL fazer ISSO durante o tempo dedicado à sua vida pessoal. Ela não pode ser negligenciada.
Se nem você quer cuidar de si mesmo, como pode esperar que alguém mais queira? CUIDE muito bem da sua vida pessoal e jamais aceite viver de um modo que não permita cuidar de si e de quem você ama. Ninguém vai lhe dar sua vida de volta, ninguém vai lhe dar de volta os dias que já foram. Sim, pode haver exceções, emergências, momentos onde isso não é possível.
Mas você ainda sabe o que é uma exceção?

8. Exceção é EXCLUSIVAMENTE algo que acontece tão ESPORADICAMENTE que não pode ter uma freqüência identificada.
Se algo acontece semanalmente, não é uma exceção. Temos revistas semanais há décadas. Você chamaria o fato da revista semanal sair no próximo domingo de EXCEÇÃO? Se algo acontece mensalmente, também não é uma exceção: você recebe seu salário todo mês. Chamaria o fato dele cair na sua conta de “uma exceção”?
Muito definitivamente: o que acontece várias vezes por mês ou por semana, mas é chamado de exceção apenas porque é “imprevisto” NÃO pode ser qualificado como exceção. A completa falta de planejamento que domina a quase totalidade das organizações brasileiras faz com que, aqui, praticamente TUDO seja imprevisto. Se você trabalha, no Brasil, numa organização que é diferente disso, parabéns: ela é justamente a EXCEÇÃO que confirma a regra.
Para o bem de quem precisa trabalhar; o trabalho jamais acaba – nós é que paramos num dado momento e retomamos no dia seguinte. É assim, e só assim que funciona, em qualquer lugar do mundo, exceto nos sistemas escravagistas; oficialmente banidos da sociedade desde o século 19. Mas que continuam acontecendo, até mesmo disfarçados de “trabalho intelectual” em prédios envidraçados, enquanto houver pessoas dispostas a se submeter a eles. (SIM, esta é a parte mágica: no exato dia em que ninguém mais se submeter a isso, esse capítulo degradante da humanidade estará encerrado. Obviamente que o “esquemão” vai sempre tentar lhe convencer de que não é possível ser de outro modo, porque se você acordar para esta mentira, isso compromete o próprio lucro do “esquemão”)
Novamente: Exceção é algo que acontece tão ESPORADICAMENTE que não pode ter uma freqüência identificada.
Qualquer coisa que acontece toda semana ou todo mês e lhe exige abandonar a sua vida por períodos diferentes da carga horária originalmente combinada não se chama exceção. Chama-se mentira mesmo.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

O que há num ano?

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Paulo

O que há num ano?

Um ano atrás a coluna Novo Mundo foi publicada pela primeira vez nas páginas do The São Paulo Times. Isso me fez rever os artigos, avaliar e lembrar de cada uma das 51 semanas em que ela foi publicada até aqui. E quanta coisa aconteceu nessas semanas.

Há um ano, eu sequer conhecia a cidade onde moro hoje, Alto Paraíso de Goiás. Há um ano, eu não poderia imaginar o rumo que minha vida tomaria, ou o quanto ela estaria diferente. Várias mudanças importantes não eram vistas por mim nem como possibilidades. Há um ano, havia por acontecer uma copa do mundo; uma eleição presidencial que poderia mudar os rumos do Brasil; não havia guerra na Ucrânia e as ações da Petrobrás ainda eram as mais seguras do país.

Lembro-me perfeitamente que há um ano, eu tinha vários planos e intenções. Eu tinha várias idéias sobre como fazer as coisas; o que realizar, como trabalhar, onde viver. Eu tinha várias preocupações que considerava extremamente válidas e relevantes.

Isto tudo me lembra um trecho do genial video do Baz Lurhmann, “Sunscreen”; baseado num discurso de formatura e traduzido para o português com narração de Pedro Bial com o título “use filtro solar”. Há um trecho em que narrador do vídeo diz:

“Não se preocupe. Ou, se preferir, preocupe-se. Mas faça isso sabendo que preocupar-se é tão efetivo para resolver seus problemas quanto mascar chicletes para tentar resolver uma equação. Metade das suas preocupações simplesmente não vai acontecer, e eventos que mudarão a sua vida cairão do céu sem o menor aviso numa sonolenta tarde de terça-feira”.

É exatamente isso.

Há um ano eu estreava esta coluna e me preocupava com uma série de coisas que estavam na minha vida naquele momento. Várias delas, simplesmente, não aconteceram. Outras, aconteceram de um modo completamente impensável para mim naquele ponto. Se um viajante do tempo tivesse aparecido e dito que eu estaria hoje escrevendo esse texto na varanda da minha casa no nordeste de Goiás, que há algumas semanas um pitbull de 40 quilos iria mergulhar junto comigo numa cachoeira e cair sobre a minha sobre a minha cabeça (não aconteceu nada demais, apenas uns arranhões, estamos bem, eu e o pitbull); ou que eu teria como assuntos da semana na minha agenda a instalação de uma porta no sítio e a cascavel que apareceu lá na última sexta-feira, sinceramente, eu teria simplesmente morrido de rir da cara dele.

Portanto, lembre-se; ou, eu pelo menos eu vou me lembrar:

Metade das suas preocupações neste momento não estarão na sua vida daqui há um ano. Muitas das coisas mais importantes que vão acontecer nos próximos meses não está sequer passando pela sua cabeça neste momento. Hoje é tudo que você tem. Cuide bem do seu dia, viva e seja feliz, agora, neste exato instante, nesse momento. Não perca sua vida preocupando-se demais, planejando demais, perdendo-se numa infinita ilusão de previsões e detalhes. O universo, a vida, o destino ou seja lá que nome você queira dar a isto, é muito, muito mais criativo, inventivo e imprevisível do que você jamais poderá ser.
Relaxe. NADA está sob controle.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

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