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Respeito é bom e conserva o amor

em Coluna por
Alex

Respeito é bom e conserva o amor

“Se educação vem de berço, muitas pessoas precisam nascer de novo”.

Começo o texto citando a frase acima por acreditar que ser educado e respeitar o próximo deixa o mundo bem melhor.

O respeito no relacionamento é tão importante quanto o sexo.

Pesquisas apontam que o sexo no relacionamento é muito importante, chegando a passar dos 60%. Concordo, mas tem gente que confunde as coisas. O sexo é o único momento em que “xingar” o parceiro não ofende, machuca ou humilha. É claro que precisa existir um consenso entre as partes, principalmente da mulher, pois a maioria dos homens gostam de transar chamando a parceira de “puta”, “vagabunda, “safada”, entre outros nomes. Mas é bom deixar bem claro que esses xingamentos são bem vindos só na hora do sexo.

Outras pesquisas apontam que 16% dos homens já agrediram suas parceiras (se você sofrer alguma agressão, denuncie na delegacia da mulher). As agressões mais comuns são os xingamentos (53%), seguidos por empurrões (19%), agressões com socos e tapas (12%) e ameaças (9%).

Isso constata que as agressões físicas são uma evolução natural das agressões verbais.

Geralmente a falta de respeito no relacionamento começa com o esquecimento dos princípios básicos da educação. Por exemplo: pedir por favor e dizer obrigado.

Se o seu relacionamento já começou sem respeito, tente corrigir os erros. Converse com o seu parceiro e mostre que o respeito no relacionamento conserva o amor.

É normal falarmos palavrões para extravasar a raiva, só que uma coisa é xingar ao vento, outra coisa é direcionar os palavrões ao seu companheiro.

Dicas para manter o respeito no relacionamento:

Não seja e nem trate seu parceiro como empregado.

Evite dizer aos outros quais são os pontos negativos, defeitos e manias do seu parceiro.

Deixe para lavar a roupa suja em casa.

Faça suas críticas construtivas quando estiver sozinha com o seu parceiro.

Não fique tirando sarro e constrangendo seu parceiro na frente dos amigos.

Para quem tá de fora é muito chato presenciar a falta de respeito de um casal.

Mas se você acha normal ter um relacionamento sem respeito, precisa arcar com as consequências, que geralmente são bem dolorosas.

Obrigado por ler 🙂

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Alexsander Brunello. Editor-chefe do The São Paulo Times. É redator publicitário e atualiza a sua coluna Dicas & Pepitas todas as quintas-feiras. © 2014.

A falsa queda da taxa de desemprego dos Estados Unidos

em Mundo/Negócios/News & Trends por

O ano de 2013 parecia ser um ano decente para o mercado de trabalho nos EUA. A taxa de desemprego chegou aos 8 por cento em janeiro e caiu para 6,7 em dezembro do mesmo ano. Cerca de 2,2 milhões de empregos foram criados, uma média de 184 mil novos postos de trabalho por mês.

Mas nem todas as vagas foram abertas de maneira igualitária. A crise de desemprego pode estar indo embora apenas para ser substituída pelas preocupações salariais. O crescimento mais rápido no mercado de trabalho no ano passado ocorreu em setores dominados por cargos que pagam baixos salários. E para piorar as coisas, os salários tendem a diminuir nesses setores.

No ano passado, os setores de trabalho com baixos salários cresceram duas vezes mais do que a taxa de setores de altos salários, o que representa 54 por cento de todos os novos empregos criados, de acordo com uma análise feita pela Westwood Capital. Ao mesmo tempo, os setores que pagam uma remuneração menor realmente caíram ligeiramente – uma queda de 0,22 por cento – em comparação com o aumento modesto de 0,26 por cento em setores com salários mais elevados.

Os setores que oferecem baixa remuneração são tipicamente de varejo, lazer, hospitalidade, administração e de serviços de resíduos, onde os trabalhadores ganham menos de 16 dólares por hora, em média. Os empregos em setores de salários mais elevados, por outro lado, pagam uma média de mais de 27 dólares por hora.

Normalmente, os empregos com baixos salários tendem a ser as primeiras oportunidades criadas depois de uma recessão, seguido de empregos de salários mais elevados após um tempo. Mas, até agora, depois de vários anos de lenta recuperação econômica, não há sinais de um retorno dos empregos com alta remuneração. “Estamos no quinto ano após a Grande Recessão e só agora vemos uma criação de empregos que acontece tipicamente no primeiro ano após a recessão”, disse Daniel Alpert, sócio-gerente da Westwood Capital e autor do livro The Age of Oversupply. “Isso é o que a estagnação secular parece se aproximar”, finaliza.

Os setores de baixos salários representam cerca de um terço do total de empregos do setor privado, enquanto os setores de altos salários compõem os restantes dois terços. Então, fique atento a essa proporção. Se percebemos mais mudanças em direção aos empregos de baixos salários, a economia global pode ser o epicentro do problema.

© 2014, Newsweek.

2013 foi o ano das viagens internacionais

em Cultura e Entretenimento/Mundo/Negócios por

Se as suas viagens internacionais no ano passado foram ainda mais desgastaste do que de costume, aqui estão algumas estatísticas que podem explicar o porquê: Um adicional de 52 milhões de turistas internacionais viajaram pelo mundo em 2013, estabelecendo um novo recorde, de acordo com as últimas estatísticas da Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas.

As expectativas superaram até as próprias previsões da OMT. “2013 foi um excelente ano para o turismo internacional”, disse o secretário-geral da OMT, Taleb Rifai. “Mesmo com com os persistentes desafios econômicos e geopolíticos, o setor do turismo tem mostrado uma notável capacidade de se adaptar às novas condições do mercado, alimentando o crescimento e a criação de emprego em todo o mundo”. Na verdade, o turismo tem sido um dos poucos setores que geram notícias positivas para muitas economias” .

A OMT prevê um aumento em 4 para 4,5 por cento em 2014. Embora um pouco abaixo dos 5 por cento de crescimento em 2013 , esse número ainda está acima da previsão de longo prazo de 3,8 por cento de crescimento entre 2010 e 2020 .

” Os resultados positivos de 2013, bem como a melhoria da economia mundial prevista para 2014, faz o cenário do turismo internacional ter mais um ano positivo”, observa Rifai.

“Dentro deste contexto, a OMT apelou aos governos nacionais para definir uma estratégia que apóiem o setor a crescer de forma justa e sustentável”.

Crescimento do turismo regional

O maior crescimento do turismo internacional no ano passado foram para os destinos da Ásia-Pacífico (até 6 por cento), África (até 6 por cento) e na Europa (até 5 por cento). Mais especificamente, o Sudeste da Ásia (10 por cento) , Europa Central e Oriental (até 7 por cento), do Sul e Europa Mediterrânea (até 6 por cento), e o Norte da África (até 6 por cento) .

A Europa mais uma vez liderou o crescimento em termos de número absoluto de visitantes, acolhendo 29 milhões de turistas internacionais em 2013. Seu crescimento de 5 por cento superou as expectativas e foi o dobro da média de sete anos da região.

O Crescimento relativo, entretanto, foi mais forte na Ásia e no Pacífico, onde fortes ganhos no Sudeste Asiático elevarem o número de turistas internacionais. Em comparação Sul da Ásia (até 5 por cento), Nordeste da Ásia (até 4 por cento) e Oceania (até 4 por cento) .

O crescimento nas Américas, também, era relativamente modesto no ano passado, com  4 por cento. A região teve um aumento de 6 milhões de turistas. A América do Norte e Central lideraram com ganhos de 4 por cento, enquanto que a América do Sul (até 2 por cento) e no Caribe (até 1 por cento).

O Oriente Médio não viu nenhum crescimento, enquanto que o Norte de África (até 6 por cento) e África Subsaariana (até 5 por cento) levaram a África para um novo recorde de 56 milhões de chegadas.

Olhando para 2014, a OMT, mais uma vez espera superar as perspectivas na Ásia (5-6 por cento de crescimento ) e da África (4-6 por cento de crescimento ), seguido por Europa e nas Américas (ambos 3-4 por cento de crescimento).

Principais mercados de saída

Duas nações, em particular, têm surgido como a força motriz por trás do aumento do número de turistas em todo o mundo: Rússia e China. A China, que se tornou o maior mercado emissor em 2012, com uma despesa de 102.000 milhões de dólares, viu um aumento das despesas de 28 por cento nos primeiros três trimestres de 2013. Rússia, por sua vez, é hoje o quinto maior mercado emissor, com 26 por cento de crescimento até setembro.

Em outra parte, o crescimento das despesas de saída foi de 24 por cento na Turquia e 18 por cento em ambas as Filipinas e Qatar. Kuwait, Indonésia, Ucrânia e Brasil também tiveram um crescimento substancial com as despesas no exterior em 2013.

Em comparação, as economias avançadas viram mudanças mais modestas, embora a França tenha se recuperado de um fraco 2012, com 6 por cento de crescimento.

Destinos que cresceram rapidamente

A lista dos países mais visitados do mundo manteve-se relativamente inalterada em 2013, com a França, os EUA e a China, mais uma vez no topo da maioria dos itinerários. O que mudou, no entanto, foi o interesse global em vários outros países.

O Japão registrou um crescimento impressionante no ano passado, chegando aos 24 por cento de turistas internacionais, O motivo desse aumento está relacionado a moeda iene  estar desvalorizada e também pelo empurrão ao turismo pós-tsunami. Na Ásia, a Tailândia conseguiu 19,6 por cento a mais de turistas no ano passado (apesar da crescente incerteza política), enquanto Taiwan (9,7 por cento), Vietnã (10,6 por cento) e Filipinas (11,2 por cento).

Cazaquistão foi, talvez, a maior surpresa de 2013, com 21,9 por cento de crescimento de turistas internacionais. Sua proximidade com a China e a Rússia, sem dúvida, ajudou o país centro-asiático.

Completando o top 10 dos destinos turísticos que cresceram mais rápido em 2013, tem a Grécia com (15,5 por cento), Turquia (até 10,5 por cento), Rússia (até 10,5 por cento) e os Emirados Árabes  (10,4 por cento).

© 2014, IBTimes

Armas para mulheres indianas: autodefesa ou exploração?

em Cultura e Entretenimento/Mundo por

O governo indiano lançou uma nova arma projetada para as mulheres se protegerem contra estupros e agressão sexual. Para enfatizar a intenção do novo programa, uma pistola calibre 32 chamada Nirbheek, sinônimo de Nirbhaya, o apelido dado à jovem estudante de medicina morta em um ônibus em Nova Délhi, no final de 2012, vítima de um estupro coletivo. Nirbhaya e Nirbheek significam “destemido” na língua Hindi, sugerindo fortemente a motivação para o surgimento da pistola.

O lançamento da arma – bem como o seu nome – suscitou tanto aprovação quanto indignação em toda a nação. Ela não é apenas uma arma especificamente voltada para as mulheres, embora os homens também possam comprá-la, mas também é embalada dentro de uma caixa de jóias atraente de cor marrom. ”A arma Nirbheek é pequena, leve – pesa apenas 500 gramas – e pode facilmente caber em uma bolsa de mulher”, disse Abdul Hameed , o gerente geral da Fábrica Indiana de Material Bélico, que fabrica a arma na cidade de Kanpur, à BBC. Ele também elogiou: “a arma é fácil de manusear e pode atingir seu alvo com precisão até 15 metros”, acrescentou. Referindo-se ao pacote atraente da arma, Hammed comentou que “as mulheres indianas gostam de seus ornamentos”.

Com relação ao nome controverso da arma, Hameed explicou: “Nós geralmente pedimos aos nossos funcionários para criarem nomes aos novos produtos. Recebemos uma série de sugestões e decidimos por ‘Nirbheek’. Nós acreditamos que as mulheres que carregarem esta arma se sentirão sem medo”.

Ram Krishna Chaturvedi, chefe de polícia de Kanpur, também apóia o programa de armas. “É definitivamente uma boa ideia”, declarou à BBC. “Se você tem uma arma licenciada, ela aumenta a sua autoconfiança e cria o medo na mente dos criminosos”, acrescenta. Pratibha Gupta, uma dona de casa e estudante que gostaria de comprar a arma, disse: “Se o homem sabe que eu tenho uma arma, ele hesitará em me tocar”.

Mas a Nirbheek não é tão acessível, custa em torno de 2 mil dólares. Para colocar esse número em perspectiva, considere que entre 2011 e 2012, a renda per capita em Nova Délhi (uma cidade com altos índices de violência sexual contra as mulheres) foi de 3.624 dólares, ou seja, as vendas da arma seriam restritas às classes média e alta. Presumivelmente, a jovem infeliz que postumamente deu seu nome para a arma não poderia adquirir uma.

No entanto, o preço elevado não é a única questão relacionada com a arma que tem indignado e chocado os críticos do programa, em especial ativistas de direitos das mulheres. “Estou horrorizado, chocado e indignado”, disse Binalakshmi Nepram, fundador da Women Gun Survivors Network no estado de Manipur, no nordeste da Índia, à BBC. “É ridículo as autoridades dizerem: “Ei, moça, há uma nova arma que te fará mais segura’, é uma admissão de fracasso da sua parte”. Como nos EUA, os grupos de controle de armas na Índia afirmam que a posse de armas entre o público só gera mais violência, em vez de prevenir tais atos. “Nossa pesquisa mostra que uma pessoa é 12 vezes mais suscetível de ser morta a tiros se ela está carregando uma arma quando é atacada”, acrescentou Nepram. “Na Índia, a renda anual da maioria das pessoas é menor do que o custo da arma. Portanto, sugerir que esta arma pode fazer as mulheres mais seguras é bizarro”, finaliza.

Nepram disse ainda à CNN que as armas não ajudarão a proteger as mulheres indianas. “Nós não acreditamos que a arma seja uma solução para acabar com a violência sexual”, declara ela.

Ruchitra Gupt, uma ativista dos direitos das mulheres e fundadora da Apne Aap Women Worldwide, também condenou a nova arma. “Temos que desafiar a cultura da dominação e da violência através da não violência, não através da introdução de mais ferramentas de violência”, comenta Ruchitra.

Os ocidentais podem se surpreender ao saber que a Índia – a terra do hinduísmo, budismo, yoga, sadhus e Mahatma Gandhi – já possui uma enorme e vibrante cultura de armas. Além disso, a Índia tem mais armas em mãos de particulares do que qualquer país do mundo, exceto os EUA.

Além disso, ao contrário dos EUA, adquirir legalmente uma arma na Índia não é fácil – além do custo exorbitante, os candidatos precisam de uma licença na qual oferecem uma explicação por escrito dizendo o porquê de quererem uma arma, além de um exame médico. Os candidatos também devem possuir um histórico de vida impecável e, mesmo depois de todas estas condições, só podem comprar uma arma não automática. Além disso, praticamente todos os locais públicos na Índia – escritórios, shoppings, mercados e cinemas – servem como “zonas livres de armas”. Assim, dado que o grupo que vitimou a jovem Nirbhaya após sair do cinema de um shopping, em um ônibus de volta para casa, não poderia legalmente carregar uma arma durante o passeio. Na verdade, se ela atirasse e sobrevivesse ao ataque, Nirbhaya poderia ter sido presa.

Como muitos membros da Associação Nacional do Rifle dos EUA, Sharma declarou que os cidadãos comuns na Índia têm o direito de possuir armas e que os políticos (a maioria dos quais têm guarda-costas fortemente armados) estão praticando uma forma bruta de hipocrisia. “Leis de armas na Índia são muito rigorosas, mas, quando se aplica a um cidadão comum a exigência de uma licença, ele é quase tratado como um criminoso”. “Isso é um absurdo. Então você tem que ser estuprada, saqueada ou ser morta para obter uma licença? Os políticos, no entanto, têm toda a segurança que precisam. Acho que se a posse de armas legal é incentivada, o crime reduzirá. Os criminosos não entrarão em lugares onde sabem que há proprietários armados. Eles irão enfrentar a resistência armada, o que desencoraja”.

© 2014, IBTimes

Portrait: Jogo da Vida

em Coluna por

Camila

Jogo da Vida

“Sou guardião de um anjo”. Assim se definiu Marcos Mion ao falar sobre Romeo, seu filho especial de oito anos, diagnosticado com distúrbio de desenvolvimento. Em sua página no Facebook, escreveu sobre a criança, contou sobre o esforço da família em procurar um tratamento eficiente para sua adaptação (sem tom de lamúria), mesmo que em outro país e declarou-se apaixonado pelo menino. Mais que isso: grato por ter sido escolhido por ele para ser seu pai.

Como preparar esta criança para viver uma infância feliz e ser um adulto satisfeito? Como prover bem-estar à pessoa? Como construir isso diariamente com a menor possibilidade de se cometer erros? Este é o grande desafio da vida de Mion e de sua esposa. Talvez o que possamos chamar de “a grande lição, o grande aprendizado”.

E sem desmerecê-lo – reconheço e admiro seu mérito e dedicação – quantos de nós não passamos por percalços tão grandes quanto este? Se não for com ou por alguém a quem amamos, por nós mesmos? Quantas situações delicadas você já vivenciou ou presenciou junto a parentes e amigos próximos?

Há quem perdeu um grande amor, há quem teve que se virar sozinho desde cedo. Tem o menino que perdeu a mãe com AIDS e, apesar de pular de casa em casa quando ainda era criança, batalhou e conseguiu ganhar seu próprio pão. Tem o cara que quando pré-adolescente fugiu de casa, conheceu o melhor e o pior da vida, se meteu com bebidas e drogas, mas deu a volta por cima e criou uma família linda e equilibrada.

Tem também os que precisam aprender a conviver com uma doença e os que perderam filhos, mas que mantém o sorriso no rosto. Os que para cuidar dos pais velhinhos deixam de viver a própria vida, às vezes por opção, outras não, mas seguem em frente. Tem os que correm atrás do grande amor e deixam a carreira de lado. Tem os que deixam o país por isso.  Também tem os que largam o amor pela carreira. E tem os que deixam tudo pra trás e focam no futuro.

Os que foram traídos e deixaram de acreditar no amor, os que deixaram de confiar nas pessoas a sua volta porque nem sempre estas (ou outras) foram boas com eles. Há os que confiam desconfiando.

E para todos eles, o que deve importar, realmente, não é o que lhes aconteceu, mas como reagiram a isso. É esta a diferença. É assim a vida: a gente passa a ser “dono” dela à medida que aceitamos as curvas de seu caminho. A vida não é como um jogo, em que ganha quem chegar primeiro ao fim do tabuleiro. Ela é o contrário disso: é sobre manter-se no tabuleiro. É jogar os dados, quando ela te dá a chance de escolher, torcendo para sempre tirar o número “um”, para que possa ser lentamente saboreada.

Para as melhores conquistas, às vezes é necessário ter paciência. Um bom trabalho, uma promoção, um bom salário não vêm depois do estágio, mas após anos de ralação. Tem gente que dá sorte e encontra o grande amor logo de cara, ainda na escola, e se casa com ele assim que se forma na faculdade. Tem os que vão conhecer muita gente bacana, mas que não os completam. Os que vão se machucar, insistir e quase desistir até quem sabe, encontrá-lo, ou, quem sabe, esperar o jogo do tabuleiro mandar voltar três casas e reencontrar o carinha da adolescência na hora certa.

Por isso insisto: o que mais importa na vida não é o que acontece, mas como reagimos às situações que se impõem. É isso, inclusive, que nos faz crescer, amadurecer, evoluir. É isso que transforma o que muitos diriam serem “pais de garotos problemas” em “guardiões de um anjo”.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2013.

Keynes: o que diria o economista sobre o mundo de hoje?

em Geral/Mundo/Opinião por

O economista britânico John Maynard Keynes, considerado por muitos o pai da macroeconomia, foi um dos pensadores mais influentes do século passado. Autor do livro “Teoria Geral do Emprego, Juro e Moeda”, publicado em 1936, logo após a depressão de 1929, Keynes ficaria assombrado com a situação financeira mundial dos dias modernos. Ele, que enxergava a economia pela ótica do emprego e sustentava que o mercado financeiro jamais poderia ir além de ser uma ferramenta da economia real, se estarreceria com a inversão do modelo que vivemos hoje.

Decorrido quase um século da publicação que influenciou governos e empresas em todo mundo no século XX, o livro de Keynes ainda é um alerta sobre o papel e os limites do mercado financeiro em um mundo globalizado, em que a projeção de boas ideias pode ser sinônimo de bons negócios, ou não. No modelo de Keynes, o mercado financeiro deveria ser responsável pelo fomento da produção de bens, sendo estes bens tanto quanto mais valiosos na exata medida de sua capacidade de beneficiar ou facilitar a vida de seus consumidores, posto que habitamos nesse mundo não só poeticamente, mas também prosaicamente.

Baseado nesse conceito, em sendo o emprego o princípio basilar da economia, Keynes sugeria que a estabilidade da economia dependeria, entre outros fatores, de políticas capazes de garantir o pleno emprego, pois em havendo renda, as famílias teriam garantido o acesso aos bens de consumo ofertados pela indústria, que continuariam a remunerar seus investidores e, também, a pagar salários. Essa teoria ajudou muitos países a reconstruírem suas economias no período pós-segunda guerra mundial por meio de políticas intervencionistas que conseguiram reativar a atividade financeira e econômica em momentos de crise.

O que diria Keynes se pudesse analisar a economia mundial de hoje? A crise financeira dos EUA (e no mundo) iniciada em setembro de 2008 com a quebra do Lehmans Brothers. A crise do Euro que assola a Europa, com países como a Espanha com taxa de desemprego de 30%. O impacto negativo da tecnologia sobre a economia mundial, que ocasiona a redução acentuada de postos de trabalho por conta da informatização em tantos ramos da economia.

Que conselho daria às empresas de tecnologia e aos governos? Ele que viveu num período conturbado de crise financeira (depressão de 1929), onde a saída foi um conjunto de medidas chamado “New Deal” (espécie de Pacto Social). Ouso pensar que a principal recomendação seria: não percam a credibilidade. Vivemos em um mundo republicano, onde a virtude é o cerne de todas as instituições públicas e privadas. Eis aqui o amálgama que dá coesão a todos osplayers do jogo e ao jogo em si. A receita é simples. Cumpram o que prometeram. Entreguem o que foi vendido. Não enganem o consumidor, pois é ele quem de fato financia todo o sistema.

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Dane Avanzi é advogado, empresário do setor de engenharia civil, elétrica e de telecomunicações. É diretor superintendente do Instituto Avanzi, ONG de defesa dos direitos do consumidor de telecomunicações e vice-presidente da Aerbras – Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil.

São Paulo corresponde a 40% de todos os presos do país

em Brasil por

Déficit de vagas ainda é um dos principais problemas dos presídios, segundo o Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo.

No Estado de São Paulo há cerca de 205 mil presos, o que corresponde a 40% de toda a população prisional do país. Segundo dados da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), o número de vagas nas prisões de São Paulo é de 123.448, ou seja, há muitos mais presos do que celas.

Para a assistente social do CRESS-SP (Conselho Regional de Serviço Social do Estado de São Paulo), Nilva Regina Galletii, a superlotação das cadeias é uma das principais causas da violência dentro dos presídios. “Penso que são diversos fatores: a superlotação, hoje temos aproximadamente um déficit de 248 mil vagas no Brasil, a morosidade do Poder Judiciário em julgar benefícios, as facções criminosas presentes nas unidades prisionais, o desrespeito a pessoa humana”, comenta Nilva.

Apenas em 2013, foram 22 assassinatos registrados dentro das 158 prisões paulistas. Para a assistente social, o sistema prisional do Brasil está falido e deve ser gerenciado dentro de um contexto, não só no âmbito punitivo, mas também social. “O sistema deve ser repensado como um todo, não podemos viver numa sociedade em que o encarceramento é a ‘solução dos problemas. É necessário que o Poder Judiciário se comprometa com as mudanças necessárias”, diz a assistente.

Nessa semana, o relatório anual da ONG Human Rights Watch, que divulga os avanços dos direitos humanos em todo o mundo, além de ressaltar os problemas sociais do Brasil, deu ênfase na situação dos presídios brasileiros. Segundo o estudo, as prisões brasileiras enfrentam grave situação de superlotação, violência e propagação de doenças.

Segundo Nilva, o problema é o esquecimento dos presos pelo Estado e pela sociedade. “Parece que esta questão social ‘não interessa’ ser discutida. Entendo que tivemos alguns avanços, pelo menos teoricamente, na questão defesa dos direitos humanos para todos e algumas leis e portarias voltadas para a área da saúde. Mas ainda temos um sistema carcerário deficitário, punitivo, no qual o ser humano não faz parte de um sistema que o reintegra para sociedade, como deveria ser”, finaliza.

Crômicas: Lá onde Judas perdeu as botas

em Coluna por

CarlosCastelo

Lá onde Judas perdeu as botas

O tão esperado feriadão chegara. Mas sempre era assim: confusão no pré-check-in.

Ainda mais com criança pequena. É dar aquela última olhada se a papinha está na bolsa térmica laranja, se os lenços umedecidos estão na mochila à esquerda da valise de patinhos.

Já estávamos quinze minutos atrasados pra pegar o carro e sair rumo ao aeroporto, a garagem agendada, os bilhetes confirmados. E não conseguíamos partir. A bebê chorando, a Noêmia tropeçando em mamadeiras, eu emburrado.

Finalmente demos a largada. Todos em silêncio no veículo quando, já em plena Marginal, a Nôemia soca o painel e berra: “cacete, esquecemos o GPS!”.

Tínhamos trazido o aparelhinho de Foz do Iguaçu e pegado o vício de carregá-lo até quando íamos à esquina.

Estressado retruquei usando apenas o canto da boca:

“Já foi, vamos sem GPS, seja o que Deus quiser”.

Começou a escurecer e veio aquela fechada do treminhão. Eu não perco essa mania de ir pela pista de direita, devo ser um reacionário enrustido. Tive que dar uma meia esterçada pra não bater na ambulância que vinha, a toda, pela esquerda e cai numa vicinal paralela à via expressa.

Julguei que sairia logo mais à frente novamente na Marginal.

Lêdo engano. Começou a aparecer uma paisagem completamente diferente. Barracos, vendinhas de pinga, e outras coisas que me recuso a comentar. Noêmia implorava, entredentes, num mantra: “acelera, acelera, acelera!”.

Obedeci.

A bebê  e ela acabaram caindo no sono. Quando vi estava, pelos meus cálculos, a uns 150 quilômetros do aeroporto. Um breu enorme e, pior, um dos pneus tinha estourado.

Deixei-as dormindo pra evitar maiores sobressaltos. Depois de uns 20 minutos, em completo isolamento, finalmente dei sinal a uma van e despertei-as. Entramos os três na condução e pedimos ao motorista que nos deixasse num local mais central, onde houvesse um ponto de táxi.

O ensimesmado homem sequer nos olhou. Seguiu acelerando o sacolejante coletivo. A vibração na carroceria era ainda maior pois só estávamos nós quatro ali dentro.

Foi quando sobreveio a tempestade. Tivemos de nos abrigar na parte de trás, todo o resto da estrutura estava furado e o toró entrava sem dó, nem piedade. Havíamos esquecido de tudo, só nos interessava proteger a bebê daquele ambiente hostil e encharcado.

Não sei dizer quantas horas passamos sob a intempérie. Muito menos onde estávamos. Pelo tempo que havíamos saído de casa, o aeroporto devia estar muito longe daquela zona desconhecida até do Google Maps.

A chuva acabou cedendo. O motorista, exaurido, parou  a van na frente de uma casa abandonada em meio à bruma da madrugada. Resolvi descer, estirar as pernas, fumar um cigarro e ver se havia sinal de celular.

Fui andando pela estrada de terra batida e parei em frente à velha residência. Depois de alguns instantes, a porta deu um grande rangido e se abriu.

Aí lá de dentro saiu o Belchior.

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Carlos Castelo. Escritor, letrista, redator de propaganda e um dos criadores do grupo de humor musical Língua de Trapo. © 2013.

Novo vírus coloca Ilhas do Caribe em alerta

em Mundo/Saúde & Bem-estar por

O que começou com apenas 10 casos confirmados do vírus Chikungunya (CHIKV) no lado francês de St. Martin, cresceu rapidamente no mês passado, com cerca de 300 casos confirmados, abrangendo o todo o Caribe, desde da Martinica até as Ilhas Virgens Britânicas.

Com mais de 200 “casos prováveis ​​ou confirmados,” St. Martin continua sendo epicentro do surto, mesmo ocorrido apenas quatro dúzia do caso em Martinica e outras duas dúzias em On Saint Barts, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle. As autoridades de saúde em Dominica, Guadalupe e Guiana Francesa também relataram casos do vírus CHIKV, que são dores nas articulações, febre e dores de cabeça. No caso da Guiana Francesa é ainda mais preocupante, pois significa que o vírus atingiu o continente sul-americano.

Mais de 100 casos foram identificados e confirmados nos Estados Unidos entre 1995 e 2009, mas nenhum dos infectados contraíram a doença no Hemisfério Ocidental. Todos os casos, com exceção de três, ocorreram entre 2006 e 2009 com quem viajou para a Índia, e Ilhas do Oceano Índico, onde houve grande surto da doença.

Os surtos provocado pelo vírus CHIKV já foram documentados várias vezes por atingir toda a África, Europa, Ásia e Pacífico, mas no Caribe é a primeira vez que a doença é relatada entre os não-viajantes do Hemisfério Ocidental, observou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Em advertência emitida no mês passado, foi informado que os moradores de St. Martin afetados pela doença não tinham viajado ao exterior recentemente, ou seja, o vírus Chikungunya está sendo espalhado pelo mosquito em toda a ilha e contaminando a população.

“Os micróbios não conhecem fronteiras, e ao aparecimento de vírus CHIKV no Hemisfério Ocidental representa outra ameaça à segurança da saúde”, disse o diretor do CDC Tom Frieden, em um comunicado. “Especialistas do CDC estão se preparando há anos para a chegada do vírus, implantando sistemas de vigilância para nos ajudar a encontrar a doença”. “Para proteger os americanos, temos que detectar com capacidade o surgimento de um novo vírus.”

O CDC disse que trabalha desde 2006 com a Organização Pan-Americana de Saúde se preparando para a chegada do vírus CHIKV nas Américas, e que para aumentar a conscientização, tem levado oficinas para 22 países do Caribe. Enquanto não existe vacina e nem tratamento específico para combater a infecção, CHIKV é fatal e raramente aqueles contaminados vão suportar por muito tempo.

Chikungunya é semelhante ao vírus da dengue, que historicamente tem sido um problema muito maior no Caribe. A Organização Mundial da Saúde documentou cerca de 79.000 casos de dengue no ano passado, com 141 mortes (maioria na República Dominicana).

Os mesmos mosquitos que transmitem o vírus da dengue também carregam o CHIKV. Estes mosquitos são encontrados em todo o Caribe, nos trópicos e em algumas partes do sul dos Estados Unidos.

Os sintomas do chikungunya são febre, dores articulares e musculares, dor de cabeça e erupção cutânea – que duram cerca de uma semana e começam entre quatro e sete dias após a picada de um mosquito infectado. Em casos raros, alguns pacientes sentem dor nas articulações após um longo prazo. O CDC aconselha que procurem assistência médica imediata quem voltar do Caribe com tais sintomas.

O Caribe é uma das regiões do mundo mais dependentes do turismo, e uma diminuição drástica no número de visitantes poderia ter efeitos devastadores sobre a economia da ilha. Enquanto as autoridades na Europa, Estados Unidos e América do Sul emitem alertas sobre o vírus, nenhum anúncio foi feito para os cidadãos evitarem a a região.

© 2014, IBTimes.

Newsweek e o retorno da edição impressa

em Geral/Mundo/News & Trends por

A Newsweek adiou o lançamento de sua nova edição impressa para o início de março, com a data de capa para o dia 7 desse mês, de acordo com Jim Impoco, editor da Newsweek desde setembro. A marca, que foi totalmente digitalizada no final de 2012, declarou no mês passado que planejava lançar a versão impressa em janeiro ou fevereiro.

“Foi um prazo muito agressivo”, disse o editor. “O editorial está pronto, mas estamos à espera de produção.”

A empresa procura garantir a publicidade para que haja o retorno da revista impressa e também para contratar um editor global. A busca por um editor foi reduzida a uma única pessoa, disse Impoco, ao recusar-se a dizer o nome do candidato. Atualmente, Scott Miller, o vice-presidente sênior de vendas globais e marketing da Newsweek, proprietário da IBT Mídia, está comandando as vendas de anúncios para a marca.

O atraso não é um revés, diz Miller. “Nós demos um passo para trás para nos certificarmos de que teríamos tempo suficiente”, comenta ele.

“As agências estão receptivas nas reuniões. A resposta tem sido muito positiva”, acrescentou Miller sem discutir em detalhes a venda de anúncios. Tanto o vice-presidente quanto o editor estavam em Los Angeles na semana passada para se reunirem com os principais fabricantes de automóveis e discutirem sobre a publicidade da revista Newsweek.

Jim Impoco, ex- editor corporativo e editor executivo da Thomson Reuters Digital, surpreendeu o mundo da mídia em dezembro, quando disse ao The New York Times que a Newsweek estava planejando um retorno da versão impressa. O título sofreu um declínio de dois dígitos nos anúncios de página em quatro de seus últimos cinco anos de impressão e não conseguiu recuperar a rentabilidade, apesar da tentativa de resgate de alto perfil sob o comando da editora Tina Brown.

Mas o ressurgimento da Newsweek pretende seguir uma estratégia diferente, mudando de um modelo em que os anunciantes subsidiam baixas taxas de assinatura para um no qual os leitores pagam a maior parte. A nova edição impressa vai ser lançada para cerca de 100 mil assinantes em seu primeiro ano, como declarou Jim Impoco no mês passado. A revista também será vendida nas bancas, em lojas como a Barnes & Noble e em aeroportos.

Na semana passada, a Newsweek apresentou uma nova apresentação de seu website, a segunda em menos de um ano. A primeira refletia a estratégia anterior da Newsweek de publicar um produto digital uma vez por semana. Já a mais recente reflete a nova visão editorial de publicar histórias em torno do relógio, diz o diretor de produto da IBT Mídia e da Newsweek, Alex Leo, em uma carta aos leitores.

O jornal The São Paulo Times, desde a sua fundação conta com conteúdo da Newsweek®.

Garçom, tem um charuto no meu cupcake

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Sigmund Freud teorizou que reprimir ou censurar ideias significa que elas podem encontrar o caminho de volta na expressão de outras formas: em sonhos, brincadeiras ou em erros na fala – agora conhecidos como deslizamentos freudianos.

Essa teoria tem se revelado de uma forma inesperada, através da erva non grata do mundo ocidental moderno: o tabaco.  Proibido nas formas de cigarro e charuto em locais considerados o seu habitat natural sacrossanto – como bares em Nova Orleans e cafés parisienses – o tabaco está surgindo como um ingrediente nas mais aceitáveis formas de comida, bebida e até mesmo perfume.

Se você não pode fumar, essa tendência sugere que você pode muito bem comer, beber ou pelo menos sentir sua fragrância.

Amy Marks- McGee, fundadora da Trendincite, uma empresa sediada em Nova York, que presta consultoria sobre tendências de aromas e fragrâncias, constatou que o tabaco ganhava força quando começou a detectá-lo em locais não relacionados com o seu consumo.

Em primeiro lugar Amy descobriu o seu uso em perfumes. O tabaco tem sido uma nota de base em perfumes clássicos há mais de um século. Foi aí que Amy começou a considerá-lo devido ao grande faturamento em fragrâncias como o Xerjoff´s Comandante, um perfume feito para amantes de charuto, e no Tabaco 1812 por West Third Brand.  Você sente falta do cheiro de fumaça de cigarro em sua roupa, no cabelo e nos móveis? A Rosy Rings te proporcionará uma lembrança mais palatável e chique com o seu spray Honey Tobacco-scented Room & Linen Home Fragrance.

O tabaco pode ser tendência agora, mas os chefs já vêm considerando suas possibilidades há um tempo. Há cerca de quatro anos, o fazendeiro David Winsberg da Califórnia, especialista em pimenta, começou a ser abordado por chefs locais interessados ​​em comprar folhas de tabaco. Alguns tinham a intenção de misturar as folhas aos legumes e também cozinhá-las com carne de porco. Outros queriam preparar coquetéis especiais com a erva. Thomas Keller, do restaurante French Laundry, em Yountville, na Califórnia, quis usar o tabaco em uma sobremesa.  Não seria a primeira com este toque especial: Thomas já fez uma famosa sobremesa de folhas de tabaco e um café com creme de ovos para um episódio do A Cook´s Tour, em 2002.

“O tabaco tem um sabor amargo e de terra”, diz Winsberg. “O tempero é quase como uma pimenta e é algo que você pode sentir na parte de trás da garganta”, completa. Sem o perigo de câncer, é claro. Barb Stuckey, vice-presidente executivo da empresa de desenvolvimento de alimentos Mattson, e autor do livro Taste What You’re Missing, que fala sobre a ciência do gosto, diz: “a quantidade de estimulantes no tabaco usados para dar sabor a uma sobremesa não seria o suficiente para provocar efeitos colaterais”. Por precaução, a padaria chamada Prohibition Bakery limita o número de cupcakes que levam uísque e essência de charuto – e são os que a padaria não entrega em casa.

O que pode ser mais convincente sobre o uso do tabaco como um ingrediente é a subversão da tendência.  Não existe uma emoção ao comermos algo destinado a adultos em forma de sorvete e cupcakes que remetem a infância? Seria o que Freud descreveu como “o retorno do reprimido”? Ou os que os não-freudianos poderiam chamar de uma rebelião vertical contra o “estado-babá”? Stuckey concorda. “É um tabu”, diz ela. Como “comer uma águia careca”.

© 2014, Newsweek.

Stand Up Crônicas: EU OSTENTO, TU OSTENTAS, ELES OSTENTAM

em Coluna por

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EU OSTENTO, TU OSTENTAS, ELES OSTENTAM

A palavra da moda hoje em dia é ostentação. Até há pouco tempo, ostentar era uma estupidez exclusiva dos mais ricos. Mas agora, com a ascenção da classe C, a galerinha resolveu comprar roupa de marca, boné de marca, óculos de marca e mostrar que podem ser pessoas tão admiráveis quanto a Val Marchiori.

Para simbolizar essa subida na escada-rolante do consumo, esses mesmos jovens criaram o rolezinho. Rolezinho nada mais é que ir ao shopping de turma. Mas não uma turma de meia-duzia e sim em seiscentas, setecentas pessoas. Assim, com tantas compras, eles conseguem negociar e parcelar em mais vezes.

Dizem que quem é contra os rolezinhos tem um “pré-conceito” contra as camadas mais pobres da população. De jeito nenhum. Na verdade, eu só tenho preconceito contra um tipo de pessoa: aquelas que pronunciam “pré-conceito”.

Outro dia, vi um rolezeiro na televisão perguntando:

– Qual o “pobrema” de pobre frequentar o shopping?

O “pobrema”, meu filho, não é frequentar o shopping. É não frequentar a escola. Aliás, se fosse possível vender cérebros como se vendem fígados e rins no mercado negro, o anúncio desse rapaz provavelmente seria: Vendo cérebro semi-novo. Pouquíssimo uso.

Ah, você acha que estou pegando pesado com a parcela menos favorecida da população? Então, que atire a primeira pedra quem nunca riu, curtiu ou compartilhou no Facebook aqueles postezinhos com a cara do Miguel Falabella e uma piadoca esculachando pobre.

Mas como ostentação de verdade é coisa de rico, vamos a eles. Os ricos também adoram aparecer. Aliás, a maioria ds ricos é mais aparecida que teta de manifestante ucraniana.

Uma categoria de rico muito interessante é a das peruas. Eu não tenho nada contra elas. Muito pelo contrário: tenho certeza que elas governariam o mundo se não vivessem tão ocupadas com coisas mais importantes, como escolher sapatos ou a cor do esmalte.

As mulheres de classes mais abastadas também costumam exagerar nas vogais das palavras. Aliás, cada “o” que uma mulher coloca na palavra “adoro” deveria ser punido com dez anos lavando louça de manhã, à tarde e à noite.

Outra coisa que rico também faz para ostentar é degustar vinhos. Semana passada, vi um sommelier na televisão dar uma bela golada numa taça, bochechar e dizer:

– Este vinho tem um retrogosto de grama molhada.

Numa boa, amigo. Se eu quisesse sentir gosto de grama molhada, eu iria pastar com as vacas. Aliás, com quem você aprendeu qual o gosto da grama molhada: com a sua mãe?

No fim das contas, ricos e pobres não têm muitas diferenças. Afinal, ninguém percebe mas rico também faz rolezinho, mas chama de flash mob. Rico também tem móveis velhos em casa, mas chama de vintage. Rico também lambe a tampa de iogurte, mas só dos importados. Rico também mostra a casa para qualquer visita que chega, mas chama de open house. Rico também usa garrafa pet na decoração de casa, mas chama de reciclagem. Rico também assiste Faustão, mas na TV de 58 polegadas.

Portanto: seja você rico ou pobre, ostentação é o mal de nosso século. Por isso, mesmo não sendo religioso, eu rezo toda noite: “não nos deixei cair em ostentação, amém”.

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 José Luiz Martins. Humorista, publicitário e roteirista. Sócio da empresa Pé da Letra, de criação e produção de conteúdo. © 2013.
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