Pais presentes na rotina dos filhos reduz turnover e níveis de insatisfação nas empresas

em Brasil/News & Trends por

Em um país em que responsabilidades como consultas médicas e reuniões escolares comumente ficam a cargo das mães, a LEO Learning Brasil, EdTech carioca, reduziu índices de turnover e insatisfação entre colaboradores ao incentivar que os pais também estejam presentes no cotidiano dos filhos. 

Houve um dia em que Richard Vasconcelos, CEO da empresa, não foi à reunião na escola de sua filha. Quando ela nasceu, ele firmou consigo mesmo um compromisso de que faria de tudo para estar presente nos momentos importantes. Devido ao trabalho, e especificamente por causa de uma viagem, não foi possível evitar a falta. E a interrupção no projeto de paternidade ativa desencadeou nele uma série de reflexões.

Vasconcelos percebeu que, como dono da empresa, podia quase sempre reagendar seus compromissos para estar próximo à  filha. A partir dessa percepção, reuniu a equipe de cerca de 50 colaboradores e decidiu liberar as mães para que pudessem acompanhar os eventos relevantes da vida de suas crianças. Reunião de pais, ballet, competição de natação, o que fosse. Elas deviam estar lá. Foi então que os homens reagiram: por que apenas as mães? 

A reação masculina provocou uma nova reviravolta na gestão. E a política então passou a ser aplicada a pais e mães com igualdade de direitos. “Muitas vezes, os pais inventavam que estavam doentes para ir  à reunião do colégio, com vergonha de falar a verdade. Ou simplesmente faltavam. Hoje, qualquer um pode dizer que tem campeonato de tênis do filho e sair mais cedo que ninguém vai questionar. Em vez disso, desejamos boa sorte”, conta.

A flexibilidade entra como ferramenta para reforçar a possibilidade de equilíbrio entre trabalho e família. “Todos sabem que tarefas não desaparecem, que as metas de entregas precisam ser cumpridas. Porém, pode-se chegar mais cedo ou sair mais tarde ou até fazer o trabalho em casa. O importante é conseguir equilibrar as duas esferas da vida”, observa.

Diferentemente das tarefas profissionais, quase sempre esquecidas depois de cumpridas ou guardadas pelo cérebro com alguma imprecisão, os primeiros passos do filho ou a primeira medalha da filha ocupam a parte mais nobre do nosso “HD”, a memória emocional.  De acordo com especialistas em neurociência, há uma relação direta entre esse tipo de memória e a inteligência emocional, elemento comprovadamente mais influente para uma carreira de sucesso do que processos de formação ou índices de Q.I. ]

A política adotada na LEO deu certo e o nível de satisfação dos colaboradores aumentou. O turnover caiu a um nível baixíssimo: no setor de tecnologia, é comum que funcionários mudem de emprego muito rápido; na LEO Learning, ficam de três a cinco anos, uma média bastante alta para a área. “Acreditamos muito nesse equilíbrio entre família e trabalho. Ninguém é apenas um profissional, é também um ser humano. Passamos a maior parte da nossa vida acordada no trabalho e nossos filhos sentem essa falta”, pontua Vasconcelos.

“Qualquer tarefa do dia-a-dia pode ser feita em horário alternativo. Daqui a cinco ou dez anos, ninguém vai lembrar a atividade que fez no trabalho em uma determinada data. Mas, com certeza, nunca vai esquecer o dia em que o  filho foi campeão no futebol”, conclui o CEO.

loading...

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

*