Pessoas não são patrimônio

em Coluna por

Paulo

Pessoas não são patrimônio

Aí eu leio um texto que começa com a infame frase “as pessoas são o maior patrimônio de uma empresa”. NÃO. Pessoas são MUITO MAIS que isso. As pessoas são pessoas. SERES HUMANOS. Elas não são patrimônio de nenhuma empresa. Assim como elas não são “Recursos Humanos”. Tudo isso é reflexo de uma visão do ser humano como propriedade corporativa; um reflexo absolutamente doentio de uma sociedade “coisificada” onde o humano não tem valor intrínseco, e apenas o valor que lhe é atribuído circunstancialmente por aquilo que ele é capaz de produzir num determinado “recorte” da agenda corporativa.
É por isso que milhares de crianças podem morrer de fome todos os dias no planeta: porque elas não fazem parte daquilo que as corporações podem usar para obter lucro. Sociedade profundamente doente. Essa doença está expressa exatamente por essa via que se permite dizer o que um ser humano é “em função” de sua relação de trabalho com uma corporação. Isso é doentio. Um ser humano é um valor em si. Ele É o que é, e tem valor por sua existência. Com ela, pode, inclusive, enriquecer a existência dessa figura jurídica chamada empresa. Mas as empresas foram criadas para SERVIR aos seres humanos. E se isso foi perdido nas névoas do tempo, não é por essa razão que o errado se torna certo: nenhum ser humano nasceu para servir uma corporação – antes, muito pelo contrário – e já é mais do que tempo dos seres humanos criarem leis impedindo a operação de empresas que destroem os valores reais para os seres. Uma empresa que destrói o ambiente não serve! Não importa o que ela faz, ela deve mudar de comportamento, abster-se de destruir o patrimônio da humanidade que é o nosso planeta; ou, caso se recuse a fazer isso, deveria ser fechada, encerrada – e ter seus bens e ativos usados para reparar os danos ambientais que causou.
Esse planeta é dos seres, das pessoas, dos animais – não das corporações! A primeira lealdade que cada ser deveria ter é para com os demais seres VIVOS! Não para com ficções jurídicas que entregam papel pintado ou dígitos nas contas bancárias. É exatamente por isso que vivemos este estado de coisas: porque cada humano que serve uma corporação que destrói a vida humana, os animais ou o ambiente, está traindo a confiança de sua própria espécie! Uma espécie que não cuida de si mesma, que prefere dinheiro à vida, uma espécie que é egoísta a ponto de deixar morrer crianças porque elas não significam lucro.
Desculpe, mas esta espécie merece o mundo em que vive.
Espero que sejamos cada vez mais, em número, a assumir verdadeiramente seu papel como espécie: eu faço parte de uma espécie que considera que a VIDA é sagrada. E que a VIDA é dos SERES; e não das ficções jurídicas que se dão o direito de chamar os SERES de “recursos” ou “patrimônio”. Um mundo feito pelos seres e para os seres não tem quase NADA a ver com essa sociedade doente na qual ainda vivemos hoje.
Há tempos, o centro do meu trabalho girou para contemplar primeiro, e acima do resto, aquilo que interessa aos seres humanos. Já desde 2013, meu foco, mesmo quando atuando NAS empresas, são os SERES HUMANOS dentro delas. Esse foi o foco de um trabalho que realizei por algum tempo numa grande universidade particular em São Paulo, por exemplo; onde desde o início eu claramente informava: meu trabalho aqui é para AS PESSOAS; e se levado a sério, vai resultar positivo TAMBÉM para a organização.
Mas qualquer coisa que considere a empresa acima ou antes do ser humano não me toca, nem me importa. As empresas já são, na prática, entidades “sociopatas”, porque agem só em interesse próprio e em detrimento dos interesses dos seres. Elas não precisam de ninguém que as defenda, elas já são os grandes predadores atuais dos seres humanos, pelo modo como agem. Meu foco é descobrir, desenvolver e implantar caminhos para que nesta sociedade, os seres humanos e suas necessidades sejam prioridade, em TODO e QUALQUER local ou circunstância onde eles estejam presentes. Já há gente demais sendo paga para cuidar do que interessa às empresas. Ainda que raramente eu seja devidamente pago para isso, coloco minha dedicação em defender e abrir espaço para os seres humanos, onde quer que eles estejam sendo, na prática, “predados” como tem acontecido.
Se você tem muita dúvida, assista este filme ANTES e deixe para debater DEPOIS de conhecer o que defendo. O filme é A Corporação; neste link, em versão de divulgação disponibilizada legal e gratuitamente pelo próprio diretor do filme: https://youtu.be/Zx0f_8FKMrY
Como disse um dia John Lennon: “você talvez diga que sou um sonhador. Mas eu não sou o único. Espero que um dia você se junte a nós. E o mundo viva como sendo um só.

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Paulo Roberto Ramos Ferreira é Coach e Terapeuta Transpessoal; Membro da ONG Terapeutas Sem Fronteiras e Conselheiro do Nikola Tesla Institute e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2015.

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