Poesias para sexta-feira

em Poética Urbana por

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buscou-se o suspiro
(Marcelo Adifa)

buscou-se o suspiro, o beijo
a seiva que faz-se alimento
e do tronco sem folhas a flor

torceu-se a madeira, o galho
o ovário da natureza – regalo
e da flor em fruto o único amor

aberto em gomos e cores
escorrendo – dedos, sabores:
a semente, o que fica de bom

Apenas um poema para Gi
(Marcelo Adifa)

Quando na noite o susto assalta
Busco ao lado a mão companheira
Fico, no lembrar de dias e beijos
Confortado em teus sorrisos

Quando mais nada for abrigo
Buscarei no que sinto , decidido e
Perseguirei no teu amor o dia
Em que formos um e sempre

—-

Cantiga Cearense
(Marcelo Adifa)

Carregou em suas patas
Um sorriso de menino
Bateu asas foi voar
Partiu céu assim arisco

Viu mil flores lá do alto
Mergulhou ao pé da serra
Fez-se beijo em um riacho
Foi morar na brincadeira
De mil pássaros pequeninos

Mergulhou ao pé da serra
Foi seu pouso mais preciso
Beijou flores, beijo arisco
Em seus sonhos de menino

—-

No passar dos dias
(Marcelo Adifa)

Amo e no passar dos dias
Penso em seu sorriso, ser
Um sopro de esperança
Aquela ponta de alegria
Beijo que se dá ao olhar
Ao outro no acordar de
Cada manhã além da vida

Amo e no passar dos dias
Desejo ser a companhia
Que lhe faça eternamente
Minha e tão apenas – alma
Que se completa no silêncio
De cada um dos seus olhares

—-

Saudade
(Marcelo Adifa)

Saudade, aquele bicho esguio
Que se reparte em lembrar
O que foi bom e em outra ponta
Aperta fundo o peito oprimindo
O respirar até que os olhos abram
No estalar de cores e memórias

Tem em mãos a capacidade de moldar
A partir de um lampejo o cheiro, o ruído
Do beijo que assentei sobre seu rosto
Ao despedir-me
Traz aquele gosto; de querer ter de novo, ser para sempre
Estar perto e pronto para não mais
Deixar partir

—-

Poema para Alice
(Marcelo Adifa)

Alice se acostume a olhar
Por cima do muro, daquilo que dizem,
Das flores no amanhecer dos homens
Não aquiete o coração pois dele
Dependem as primaveras, as folhas
Que com o tempo transcorrem

Alice, pode ser que seja tarde
Que o mundo não tenha jardins
E cores, que as abelhas trabalhem
Sem o encanto de antes
Que os homens só queiram ir pra casa
Se por lar um canto tiverem

Alice, só lembre – foi feita de amor
Como nunca houve e na esperança
De que por especial se torne
Seja em meus braços a primeira
E por pai me possa chamar

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Poética Urbana. © 2014.

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