Poesias para sexta-feira

em Poética Urbana por

A TESSITURA DAS NINFAS / O CANTO DA PELE
(Nathan Sousa)

é cinestésica a flora da fêmea.
modelada e híbrida é sua pele;
sua casta de cores e afetações;
o primer adequado ao ânimo
esquecido de tutankamon.

e elástico é seu riso ante a
velhice do crepúsculo.
seu torso longilíneo (aos
poucos) curva-se e geme
e ringe em sua cordilheira
de ossos
.
mas há nova roupagem em
sua linha de produção
(o couro trabalha sem parar):
novelo que persevera e se regenera
como se um disparo de cardumes
modelasse o tecido das águas
entre o atlântico e as bordas
da pangea.

até que as agulhas (em silêncio)
confabulam sobre a película
última da aurora, numa desfaçatez
típica de quem cala

e devora.

O HERÓI E O ESQUECIMENTO
(Nathan Sousa)

avança pelo front da névoa
como quem desnuda a própria sombra
no rastro da memória.

e entre um cerco e outro de vozes,
que ao eco resguarda suas sinfonias,
resta-lhes um nome gravado no frio do aço,
onde a robustez de cada glória
deseja-se brio e história.

ao outro, valem a ferrugem e a velocidade
(o pão e o fôlego esgotado a cada dia).
e deste pulsar que se estende
entre fumaça e sonho, ouve-se
um tiro à queima-honra; um grito
para dentro e para sempre.
nada mais perdido e consolidado
que o luzir heroico do poema.

e eterno
(ainda que banal)
porque todas as coisas
são eternas entre a brisa
e a luz da tinta.

porém, somente a vida pressente
o que é auréola ou aleivosia.
ou o que terá sido talvez
um leve aceno de adeus
já que ela (a vida)
é apenas céu e solo transitados

loading...

Comentários no Facebook