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Quanto tempo dura uma geração?

em Coluna por

Marco

Quanto Tempo Dura Uma Geração?

“Meu Deus, quero que estes três anos que ainda tenho pela frente na faculdade não acabem nunca!” Suas palavras descem como uma vodca barata, daquelas vendidas em garrafas de plástico e são devoradas até a última gota naquelas mesmas festas de faculdade. Lembro-me de Pablo Neruda quando disse que era “o onívoro dos sentimentos, que comeria toda a terra e beberia todo o mar!”. Me sufoca, mas me recuso a dizer que estamos em gerações diferentes. Dez anos pertencem a uma mesma geração, como não? Se não, quanto tempo dura uma geração?

Naquela danceteria apertada, de pé direito baixo, ela me fisgou de cara. A mais escultural de todas: “Estou fazendo Engenharia de Alimentos!”. “Legal, já aprendeu a fazer ovo em pó?” (sim, isto existe e é ensinado na faculdade acredito); continuei de forma irônica: “Vou te arrumar um estágio de férias na minha empresa!” Ah, se eu precisasse realmente de alguém para transformar alimentos em pó…

Ironia maior só mesmo quando ela foi minha “noiva” por algumas horas. Dançamos e fomos felizes para sempre ao som do Barão Vermelho em uma festa à fantasia. Jamais esquecerei, tanto do último Show do Barão (sim, a eles se aposentaram logo depois) como da minha primeira noiva. Quando está na minha cidade costuma dizer: “Deixa que eu te pego em casa!” É, definitivamente ela não é uma simples de 21 anos.

Quando fui visitá-la na sua cidade para uma simples festinha no Domingo, estive num palco de magia. Toda aquela chuva e eu em meio aquele sex appeal típico dos vinte e poucos, estampado na cara de todos os presentes na festa. Curioso voltar no tempo e se sentir também de um jeito lúdico, que flutua no ar e vive o presente, sem literalmente, dar a mínima para o futuro. Sim, para eles este futuro pode ser tanto as próximas 12 ou 24 horas como os meses ou anos seguintes! Na época da faculdade vivem todo aquele turbilhão emoções. Aquela alegria de se fazer amigos novos a cada dia. Aquela liberdade para se tomar as próprias decisões em todos os aspectos da vida. Aquele alvoroço em se seguir os mais primitivos instintos. E sei que a coisa se intensifica ainda mais quando o vestibular decide por coloca-las em uma outra cidade – saem de casa e montam uma república bem longe dos pais e antigos amigos… Parece que elas renascem!

“Ela é complicada!” Não minha cunhada, complicados somos nós. Ela vive sua geração. Faz o que a deixa feliz. Da minha parte são muitas as pretensões. Porém, minha humilde presunção me inibe de tentar entendê-la por inteiro e preencher sua sede pelo viver: Impossível veta-la! Hoje, é impossível veta-la! Fui surpreendido com esta outro dia: “Você não é aquele ex-namorado da minha amiga?” Achei ótimo o eventual título de namorado (ou ex-namorado)! Percebe? Nem elas se entendem!

Verdade é que a geração, diferente ou não, realmente é o que menos importa. Sintonia! Me fez bem demais! Porém, em relação ao nosso futuro: “ai, que prosa…”

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Marco Antônio Guile escritor mineiro que retrata em crônicas fictícias, as incontroláveis sensações que acompanham descompassos cardíacos nos homens. Qualquer semelhança com histórias reais é mera coincidência… © 2014.

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