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Quebrando a primeira regra do Clube da Luta

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Todo mundo já viu Clube da Luta e adorou. Mas, quem já leu? Pois, sim, o filme mais cult do final dos anos 90 é originalmente um livro. As 8 regras do Clube da Luta (e me desculpem estar quebrando a primeira) nasceram na literatura, mais especificamente na cabeça de Chuck Palahniuk.

Clube da Luta (1996) foi o romance de estreia do autor, que teve a sorte de já ter sido projetado mundialmente em 1999, através do filme dirigido por ninguém menos que David Fincher e estrelado por Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter. É uma daquelas adaptações para o cinema que nos fazem repensar a máxima “O livro é sempre melhor que o filme.” O diretor compreendeu bem o clima doentio do romance e conseguiu criar um longa tão sujo quanto. Um filme, afinal, tão bom quanto o livro, senão melhor.

Mas 1999 foi especial para Chuck não apenas por ver a sua obra na telona. Foi nesse ano também que o autor lançou dois novos romances: Sobrevivente e Monstros Invisíveis. Daí pra frente foram mais 14 livros, sendo 12 romances e duas não-ficções.

Não é difícil imaginar o universo da literatura de Chuck. Personagens perturbados, transtornados, auto-destrutivos, num desespero profundo por encontrar algum sentido na vida. Com tema pesado e estilo leve, suas histórias têm sempre um ritmo alucinante, são repletas de pontos de virada e, assim como em Clube da Luta, finais surpreendentes. Numa entrevista recente com o autor ele cita uma dezena de filmes que adora e terminam de forma chocante – um cara verdadeiramente apaixonado pelo plot twist.

Em Sobrevivente, Chuck conta a história de um rapaz que nasceu e cresceu numa sociedade alheia a nossa, dominada por uma religião maluca e sem margem para questionamentos, onde quem sai não volta mais. Ele acaba sequestrando um avião com a intenção de se suicidar. Mas relaxa, isso não é o final, é o começo do livro. Que superou, inclusive, Clube da Luta, e só não virou filme por conta do tema – tudo já estava em curso quando aconteceu o 11 de setembro, e aí o sonho acabou; não pegaria bem lançar um filme sobre um sequestro de avião depois daquilo.

O estilo, o ritmo e os problemas psicológicos dos personagens são tão marcantes que às vezes parece que estamos lendo o mesmo livro outra vez. Mas calma, isso é um elogio, porque todo livro de Chuck Palahniuk vem com uma surpresa. Por exemplo, em Snuff entramos no mundo da pornografia, quando uma estrela pornô decide bater o recorde de com quantos homens transa em menos tempo. Nesse caso, a história é contada por diferentes pontos de vista, cada capítulo é escrito por uma pessoa diferente na fila de espera para ter uma relação com ela.

Enquanto isso, Diário é um livro escrito para um marido em coma. Caso ele acorde algum dia, saberá em que estado de desesperança deixou a filha e a mulher, por quem se apaixonara na faculdade de artes na adolescência.

Chuck acabou evoluindo ao mesmo tempo para dois mundos diferentes: o da realidade e o da fantasia – talvez a única coisa que o una nesses dois seja o bizarro. Em Mais Estranho que a Ficção (2004), ele narra várias histórias malucas, porém reais, e relata, nua e crua, a sua fonte de inspiração para os romances. Já em Condenada (2011), sua personagem Madison viaja ao inferno, lá conversa com Hitler, arranja um emprego de telemarketing e tenta se vingar de seus pais – que têm tudo pra ser Brad Pitt e Angelina Jolie. Em 2013, no romance Maldita, Madison volta a Terra no melhor estilo Ghost. É a sequência da trilogia prometida por Chuck com a personagem.

Enfim. Chuck é desses autores que escrevem mais livros do que a gente consegue ler, é uma boa indicação para quem já virou fã da sujeira de Clube da Luta.

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