Quem poderá nos salvar dos unicórnios?

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Noutro dia postei sobre o termo unicórnio em minhas redes sociais e percebi que grande parte dos seguidores ainda não sabiam o real motivo de crianças (e adultos) estarem frequentemente fantasiados de unicórnios por aí. Expliquei que o termo unicórnio é utilizado há anos em referencia a empresas novas (startups) com menos de 10 anos de idade e valuation (valor de mercado) maior que 1 bilhão de dólares (US$ 1BB). O termo unicórnio se deve ao fato dessas empresas serem bastante raras, quase místicas.

Noutro momento numa conversa com amigos sobre startups e estratégias, um deles comentou sobre um artigo que ele havia lido: “Será mesmo que zebras podem concertar o que os unicórnios estão fazendo de errado?” (Zebras Unite To Fix What Unicorns Broke)

Vamos pegar o AirBNB para ilustrar. Não me leve a mal, tenho o app e sou usuário, mas não sei se você já pesquisou sobre “impacto do AirBNB no mercado imobiliário” no Google. Faça. Num artigo de Agosto de 2018, The Guardian mostrou uma notícia sobre o protesto “Barcelona no està en venda”. Resumidamente, o AirBNB desincentiva a locação de longo prazo e incentiva a locação de curto prazo, isso significa, por exemplo, que os alugueis de longo prazo que costumavam estar em torno de EUR$ 1.000,00 mensais, com AirBNB as locações de “alta rotatividade” ou “de poucos dias”, acabam elevando esse tíquete para três vezes mais, também reduzindo a oferta de locações de longo prazo motivando sua alta também. Nesse caso a jovem força de trabalho que precisa alugar um apartamento pequeno para morar próximo do trabalho ou universidade acaba não conseguindo e em muitos casos precisam mudar de emprego e de cidade. Numa tentativa de solução, Amsterdam, Berlin, Lisboa, Paris e Veneza restringiram fortemente as locações de curto prazo após receberem protestos do mesmo modelo.

Há uma analogia entre empresas unicórnios e empresas zebras e o quadro a seguir mostra essencialmente a diferença entre as duas.

Já as “empresas Zebras” tendem a estar mais ligadas à economia real, a quebrar e utilizar paradigmas de uma forma mais responsável, são famintas por qualidade dos processos em que atuam para gerar mais valor para a sociedade em que moram, e por isso têm um crescimento geralmente mais lento que os unicórnios. Preferem cooperar com outras empresas ao invés de compra-las ou destruí-las. O termo Zebra surge do fato de serem realmente empresas tanto “preto” quanto “branco”, olhando o mundo tanto de uma forma mais faminta por rentabilidade quanto da outra, mais sustentável para o ambiente e ecossistema, então são rentáveis causando impacto positivo à sociedade.

Por andarem em mandas, as Zebras acabam também protegendo umas às outras e são mais eficientes no uso do capital investido.

Brincadeiras à parte, talvez as disrupções não precisem ser tão agressivas assim. As empresas Zebras nasceram de ambos os non-profit (sem fins lucrativos) e for-profit (com fins lucrativos).

Não pense que as empresas zebras são a solução para todos os nossos problemas. Um caminho ainda inicial está sendo trilhado pelas “Venture Capitals de Impacto Social”. Porem ao analisar os padrões podemos verificar um maior investimento dessas VCs (Venture Capitals) direcionado principalmente para microfinanças e saúde para regiões carentes e tecnologias limpas. E acabam ficando de lado algumas esferas que talvez teriam impacto positivo ainda maior, como alguns formatos de I.A., LawTechs, InsurTechs e HealthTechs.

Essas empresas ainda engatinham na direção de maiores rentabilidades para chamar cada vez mais atenção dos investidores e também reduzirem sua taxa de mortalidade, ainda bastante alta.

Se as Zebras são a evolução dos Unicórnios eu não sei. Mas sei que, apesar de ainda querer criar mais alguns unicórnios ao longo da minha carreira, já incluirei o nosso planeta e a sociedade como importante stakeholder (parte de interesse) do modelo de negócio das empresas que faço parte.

 

Dennis Nakamura

 

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