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Síria: o uso de cloro e gás lacrimogêneo contra rebeldes continua

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Foto: Reprodução
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A Síria estaria violando a famosa “linha vermelha” do presidente Barack Obama sobre o uso de armas químicas novamente?

Ambos os lados na guerra civil síria estão acusando um ao outro de uso ilegal de vários gases suspeitos e agentes químicos. E enquanto as autoridades ocidentais tratam esses relatórios com muito cuidado, eles podem levantar questões sobre a eficácia do acordo firmado no ano passado para livrar o país de armas químicas.

Esse acordo – entre os Estados Unidos, Rússia e um governo sírio relutante – foi firmado após a ameaça de Obama usar a força em resposta a um ataque químico mortal em agosto do ano passado, imaginando uma rápida apuração do arsenal químico da Síria.

Washington espera que uma reunião do conselho por um representante da missão conjunta da ONU com a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) vai influenciar com que Damasco possa pegar o ritmo e, voluntariamente, destruir seu arsenal químico.

Durante décadas, a Síria construiu grande parte de sua doutrina de defesa em torno de armas químicas, na tentativa de igualar o seu poder de fogo ao seu inimigo Israel. Todavia, com o regime do presidente Bashar Assad pressionado para desmantelar os arsenais que acumulou ao longo dos anos, um novo tipo de guerra química parece estar surgindo no país. Esta versão síria de guerra química não pode ser tão mortal, mas com certeza é ilegal.

Por enquanto, a Rússia, os Estados Unidos e as agências internacionais que supervisionam o processo de desarmamento estão focados na destruição de cerca de 1.300 toneladas de gases químicos que a Síria afirmou possuir, como parte de sua adesão no ano passado na Convenção sobre Armas Químicas, que proíbe tais armas químicas.

Porém, em meados de abril, foram encontradas na declaração anterior mais 500 toneladas de material tóxico, as quais foram adicionadas à lista.

Agora, no entanto, há relatos do uso de tais agentes como o cloro e outros gases suspeitos, incluindo gás lacrimogêneo, no conflito entre o exército e os rebeldes. “Temos indicações do uso de um produto químico tóxico industrial – provavelmente o cloro – na Síria este mês”, declara Jen Psaki, do Departamento de Estado dos EUA.  A Casa Branca diz que o assunto estava “sendo investigado”.

“Ambos os lados acusam um ao outro, e é difícil dizer o que realmente está acontecendo”, diz um funcionário europeu que lida com o desarmamento. Se os relatos são verdadeiros, segundo ele, as substâncias utilizadas nos ataques tendem a ser à base de cloro e são, na sua maioria, destinados a incapacitar, em vez de matar.

Por razões óbvias, o armazenamento e o uso de cloro – um produto químico amplamente utilizado para fins civis, para limpar os banheiros e desinfetar as piscinas – não são proibidos pela convenção química.

No entanto, a convenção proíbe o uso de tais agentes no campo de batalha. Damasco, por sua vez, afirma que os rebeldes estão reclamando a fim de chamar o Ocidente para a guerra na Síria e acusa seus inimigos internos de empregar dispositivos químicos feitos contra o exército.

Em uma carta ao Conselho de Segurança, o Ministério das Relações Exteriores da Síria acusou a Turquia, Arábia Saudita, Israel e os Estados Unidos de conspirar com os rebeldes nos ataques usando agentes químicos.

O embaixador da ONU na Síria, Bashar Ja’afari, diz que havia apresentado uma gravação de áudio ao Conselho de Segurança em que um “terrorista” foi ouvido tramando um ataque químico com forças externas.

Diplomatas ocidentais, no entanto, dizem que Damasco tem usado por muito tempo o pretexto de ter dificuldades com a segurança para diminuir o ritmo de eliminação de armas.

Se o processo de destruição de arsenal declarado da Síria for concluído em junho de 2014, como previsto, ou mesmo semanas ou meses mais tarde, seria uma grande conquista para a agência, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz no ano passado. Mas os maus hábitos químicos são difíceis de morrer. As potências mundiais precisam começar a lutar contra um novo tipo de guerra que agora está emergindo na Síria.

© 2014, IBTimes.

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