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Cassio Zanata

O homem que anda de ponta-cabeça

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Deu no jornal (as notícias estranhas estão sempre a postos quando andamos desanimados para os assuntos): Dirar Abohou, um etíope de 32 anos, passa seis horas por dia, três de manhã, três à tarde, de cabeça pra baixo. Ou de ponta-cabeça, como diz a matéria, e eu que pensava que era um termo usado só na minha terra. Dizemos também plantar bananeira, e não me peçam para explicar o sentido da expressão, já que não parece haver algum: duvido que bananeiras sejam plantadas numa posição tão desconfortável.

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A casa de temporada

em Cássio Zanatta/News & Trends por

A casa de temporada é a maior distância entre expectativa e realidade já medida pelo homem. Em dezembro, ela estará em todos os seus sonhos e desejos de vingança. Seu Natal será mais alegre, seu Reveillon, promissor, porque breve haverá a casa de temporada.

Ao chegar, as crianças estarão impossíveis. O cachorro, ao contrário, vai estar murcho, deslocado. Mas você vai levar a bola, o que resolverá os dois casos. Sua mulher logo providenciará a lista da quitanda e supermercado – inclua na lista os itens “rede” e “cerveja”, que não vão estar lá. As árvores em volta da casa, flamboyants e acácias, estarão floridas e nem vai estar tão quente como você esperava.

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No caso

em Cássio Zanatta/News & Trends por

No caso de chover, vou me lembrar do guarda-chuva: lembrar que o larguei no táxi. Se acaso fizer sol e a luz mais divina, a reunião jamais vai terminar: haverá defesas de pontos de vista intermináveis e, de toda maneira, as persianas não nos deixarão saber da lindeza lá fora.

No caso do encontro ser importante, você terá vestido as meias trocadas. No de ir ao jogo, o cara mais chato entre os milhares de torcedores do seu time se sentará ao seu lado e vai comentar cada jogada em voz alta, cutucando seu braço.

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Preciso

em Cássio Zanatta/News & Trends por

Preciso ir a São José. O tempo aqui é muito apressado. Se eu tivesse ido mais vezes, teria agora 42 anos, no máximo. Longe de São José a vida é atropelo.

Preciso ir porque o céu daqui quase não tem estrela e, quando a Lua cheia nasce, não acorda os galos que cantam, pensando estar nascendo o dia. Porque foi aniversário da madrinha Rosa e eu não pude ir. Porque preciso deixar flores para os meus pais e contar a eles como vão os netos e que aprendi a passar café.

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O cara que toca tímpanos na orquestra

em Cássio Zanatta por

Já se foram dois movimentos e o cara que toca tímpanos na orquestra ainda não fez nada. A não ser ficar esperando sua hora na última fila da orquestra, um espectador privilegiado, paralisado naquele fraque, fingindo concentração.

Em que pensa esse tempo todo?

Seu olhar é fixo na partitura, mas quem garante que, enquanto espera sua hora de brilhar, ele não pensa nas chances do time no Brasileiro, se pagou mesmo o seguro do carro ou, coisa mais séria, na boca e cabelos daquela morena sumida.

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