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Tudo inventado

em Cássio Zanatta/News & Trends por

O que a gente não inventa nesta vida. Inventa conquistas improváveis, feitos de matar herói de inveja, amores que jamais serão, arranca aplausos e suspiros; assim como é protagonista de derrotas vexatórias, dessas de vaias, tomates e safanões – o inventor dentro da gente ora é um hiperbólico, ora um masoquista.

Já marquei gol de placa na decisão do campeonato e só fui abraçado por alguns travesseiros. Tomei impulso com os braços e levantei voo, impressionando todos na calçada. Assim como tropecei na festa chique e caí no espelho d’água, tudo para que ela me desse atenção (o que prova que o inventor dentro da gente também tem suas vezes de idiota).

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Essa coisa

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O nome é tão feio que melhor é chamá-la de coisa. Essa coisa que nasceu aqui dentro e quer viver minha vida: roubar minha comida, meus músculos e taras para seu sustento. Uma visita que chega de mala e cuia quando você estava de saída para o cinema. A sensação quando a roda gigante enguiça, sua cadeira para no alto e você fica balangando no ar. Um prato que o garçom traz por engano e insiste em que é seu.

Essa coisa brincando de Pollock no meu cérebro fez da calçada uma pinguela. Das paredes, sustos e alguns roxos. Encheu os pés de formigas e agora toda noite acontece da perna querer sair da perna.

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Claro que a gente pode ir morar no Exterior, amor, mas

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Nesse caso, quem vai colher pitanga no quintal – vai ficar tudo para os tico-ticos e sanhaços? Quem é que vai secar o Corinthians? Onde mais ver casas com parede cor de rosa, terraço amarelo e janela verde, de onde uma senhora com cabelo roxinho fica espiando? Como viver sem Yakult e os lactobacilos vivos? Como resolver a fome atrevida que não respeita horário nem continente, se nas esquinas de lá não tem padaria nem pão na chapa nem broa nem média nem pão de queijo com café de coador, e como é que se vive sem pão de queijo, meu amor?

Dá pra viver sem assistir a uma pelada na praia em que o goleiro foi dar um mergulho e deixou o gol vazio e ninguém chuta no gol enquanto ele não volta, porque há limites para a falta de esportividade?

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Assim, de repente

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De uma hora pra outra, me vi emocionado numa queima de fogos. Disfarcei um choro sentido e sem sentido, particularmente quando explodia algo azul. Foi pouco depois de perceber que agora ficaria meio ridículo fazer tatuagem.

Comecei então a ter de fazer conta para lembrar a idade. A me atrapalhar para pagar uma conta pelo celular, como meus pais se atrapalhavam com o controle remoto da televisão. Cada vez mais inconformado com o sumiço dos coletes.

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Que maçada

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Não sei se na sua família havia o “que maçada”. Na minha, ô se tinha.

Geralmente, acompanhado de um balançar de cabeça ou de um leve muxoxo nos lábios. E era coisa de tia falar, muito raro que fosse um homem, maçada era palavra tão feminina que só aceitou “a” de vogal.

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O que dizem e não dizem as estatísticas

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Deu no Estadão: 71% das fotos do Cristo Redentor postadas no Instagram repetem apenas 3 ângulos. Olha isso: quase ¾ das fotos procuram um único enquadramento. É muita coisa, vamos admitir. É turista estrangeiro, família do interior de Goiás, colegas já meio briacos comemorando a formatura, ninguém em busca de originalidade, e sim tão somente registrar que lá estiveram.

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Quer dizer que

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Quer dizer que, antes de dormir, o assassino toma um leitinho? Quer dizer que a mulher mais linda do prédio sofre de depressão? Que não sou só eu que sente cócegas no nariz quando é impossível coçar o nariz?

Quem diria: longe das câmeras, o galã palita os dentes. Como assim, aquela nuvem de noite no céu não é nuvem, é a Via Láctea, bilhões e bilhões de estrelas, tão distantes que parecem uma nuvem – e nossa Terrinha faz parte dela, quem inventou essa maluquice?

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Attenti al cane

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Era o que dizia o aviso no portão de uma casa que eu e Beatriz vimos na Itália. Do lado de dentro, um cachorro que fácil, fácil, caberia no meu bolso. Não impunha respeito algum. Claro que o pateta aqui zombou do aviso e fez gracinha em frente ao portão. Até surgir um pastor que num pulo quase leva portão, gracinha e casal brazuca no peito.

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No céu da nossa casa

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Minha filha pede que eu a leve à casa de uma amiga, precisam fazer um trabalho de colégio. Pergunto o endereço. Ela diz “rua Bela Cintra, não sei que número”.

A Bela Cintra é uma rua comprida, começa na Estados Unidos, sobe até atravessar a Paulista e desce até o Centro, podia muito bem ser qualquer número entre o 4 e o 2406. Mas na hora em que ela disse o nome da rua, eu soube onde era. Conheço a vida e suas tramoias.

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Porque existem as maritacas

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Você já sabe, foi um bom aluno, estudou direitinho, que toda coisa que existe neste mundo tem uma função. Nada está por acaso. Se uma espécie de abelha desaparecer na Etiópia, de algum jeito isso vai causar uma onda que devastará uma praia nas Ilhas Seychelles. Uma roda de caminhão que passe por cima de um lagarto deixará viúvas muitas espécies e talvez gere uma superpopulação de muriçocas. Aquela coisa de equilíbrio natural.

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Oito horas e um minuto

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Acordo com a explosão do Vesúvio. Caos, pânico, paredes tremendo, o barulho que o fim do mundo deve fazer. Mas não estou em 79 DC, não estou em Pompeia, e sim dormindo numa cama confortável em Santos no verão de 2018, o ar-condicionado está ligado e hoje é sábado.

Leva um tempo para a gente se dar conta de onde está, que o mundo não acabou e que o barulho vem de uma reforma no apartamento de cima. Posso imaginar o grupo de dedicados pedreiros destruindo com determinação essas paredes grossas de antigos apartamentos, e que isso exige força, martelos e marretas poderosas.

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A tal foto

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Na tal foto ela olha para o chão, em muitas fotos ela olha para o chão. De vergonha, timidez, ou será que ela sabe? O que carregou de sua terra, o que aprendeu na Pauliceia? Talvez não quisesse que sua luz fosse registrada, talvez seja para nos poupar, já que seu olhar carrega perigos. Não deixa de ser um alívio que ela não nos encare de frente.

Sou mais nuvem que chão. Pouco provável então que ela me encontre olhando para baixo, o que é triste. Se bem que uma chance tenho: às vezes sou caramujo, meu arrastar é lento e fechado. No mais, em geral estou no ar. Minhas chances são pequenas.

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