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O homem que anda de ponta-cabeça

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Deu no jornal (as notícias estranhas estão sempre a postos quando andamos desanimados para os assuntos): Dirar Abohou, um etíope de 32 anos, passa seis horas por dia, três de manhã, três à tarde, de cabeça pra baixo. Ou de ponta-cabeça, como diz a matéria, e eu que pensava que era um termo usado só na minha terra. Dizemos também plantar bananeira, e não me peçam para explicar o sentido da expressão, já que não parece haver algum: duvido que bananeiras sejam plantadas numa posição tão desconfortável.

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Horóscopo

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As pessoas andam muito apressadas, correndo demais da conta. Assim, é provável que nem todas tenham tido tempo de conferir o horóscopo.

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Da janela da velha casa

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Da janela da velha casa da Fazenda vejo passar uma infância.

Lá estão as árvores tão cúmplices, as mangueiras que já eram velhas quando eu estava longe de ser, as jabuticabeiras boas de subir e onde a gente construiu casa de madeira, e o chapéu de sol que fornecia a sombra certa para a prosa dos adultos. Mais ao fundo, o pomar dos pés de goiaba, dos bichos de goiaba, da fruta do conde, limão e a mexerica que em nenhum lugar era azeda como aqui. A casa era fértil de felicidade, mas muito ruim de mexerica.

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Nessa Noite

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Nessa Noite, há 2018 anos, algumas cabras e burros, uma estrela particularmente brilhante, um casal já entrado em anos e um bebê num berço de palha causaram um quiproquó tipo grande no mundo.

Nesta noite, no Ceará, um homem vai entrar armado em um supermercado, roubar dinheiro, dois pacotes de lenços e disparar cinco tiros no caixa (antes de fugir, vai pegar três Chokitos). O caixa não vai resistir e isso arruinará o Natal da família por pelo menos duas gerações.

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A velha que varre a calçada

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A velha que varre a calçada já não varre mais a calçada. Costumava ficar horas na varredura, diariamente. Há semanas não a vejo. Sofreu um troço? Foi sequestrada por gente que tem alergia ao pó que a vassoura assanha? Mudou para uma clínica de repouso em Jaboticabal? Ou, depois de anos, parou para se perguntar, afinal, para que serve varrer a calçada todo dia?

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Lá vai Maria

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Nenhum pio no elevador. Um breve comentário sem necessidade ecoa na garagem vazia, antes de entrarmos no carro. No caminho, passamos por 18 sinais – a maior parte, abertos. A vida, sempre em frente, não pode, não quer e nem sabe se deter. Atravessamos as ruas ainda sem as pessoas, cruzamos avenidas, mais silenciosas que de costume. Nem o rádio ligamos, vai que toca alguma música que nos faça derreter.

É o último dia de vida escolar de Maria. Hoje, eu a levo pela última vez ao Colégio. Nem seria preciso, já sabe andar sozinha, pegar ônibus, trem, metrô. Já foi a Minas, à Serra da Capivara, Amazônia, Europa, já dormiu em barco no meio do rio, rede em casa de pescador, oca de índio, no meio da floresta (aí contou que pouco dormiu, tamanho o barulho que os bichos e insetos e sabe-se lá que criaturas faziam de noite)… vê se precisa deste pai para se virar.

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Passaredo

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Bem-te-vi usa máscara para cortejar no anonimato.

Tucano só voa com aquele bico pesado porque a alma é mais leve que o ar.

As andorinhas são as maiores responsáveis por Francisco ter virado santo.

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Eis o problema

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O problema não é ficar sabendo que o mundo é milhares de vezes maior que São José (embora eu tenha minhas dúvidas). É mesmo assim a gente se afligir com algo que ficou sabendo de dia e não dormir de noite.

O enrosco não é entender que caberiam centenas e centenas de Terras no interior do Sol. É que, mesmo diante da nossa insignificância, a gente ainda ter certo pudor em tocar algumas campainhas.

Não é ser informado que, mesmo imenso, o Sol é uma coisica em comparação a outras estrelas gigantes. O grave é que o pessoal insiste em espalhar radares pela cidade como se essa fosse a prioridade do mundo.

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Da hora

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Chega uma hora em que não é mais desconcertante rever o grande amor. Mais provável ser atropelado na ciclofaixa. Tempo dos cabelos irem desistindo pelo caminho, das ilusões respirarem por aparelhos e de se munir de toda a paciência que resta quando alguém discute política como se fosse a coisa mais importante.

O tempo de tudo que ainda for possível. Da urgência de experimentar  uma fruta desconhecida. Caminhar por uma cidade onde nunca se esteve. Hora de dar menos autoridade ao despertador. De ficar horas matutando, tentando se lembrar do nome do colega de Ginásio. Quando o dia resolve ter a duração de 19 horas e cada sete anos passam a caber em cinco. Da sesta mais por obrigação que por opção.

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Quando se deixa de ser criança

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A gente deixa de ser criança quando não acha mais espirro engraçado. Nem homem careca (às vezes até vira um). Quando pensa que é a coisa mais normal do mundo a estátua do Cristo estar lá em cima da montanha e que passear no Bondinho é programa de turista. Deixa-se de ser criança por muito pouco.

A criança desaparece – plim – quando os olhos espiam um gramado e não sentem uma vontade incontrolável de procurar tatu bolinha. Quando passa a classificar hamburguer como comida, e não algo divertidíssimo que, se a gente apertar aqui, sai um molho ali, uma alface acolá, até saciar o desejo de sujar todos os dedos das mãos e o redor da boca num tanto que não há guardanapo que dê jeito.

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25

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Foi num 12 de outubro. Como era Dia das Crianças, fomos ao cinema ver Pinóquio. Prometemos encher o que um dia seria nossa casa de relógios cuco, nunca deixar o nariz crescer e evitar o estômago de baleias. Dois anos depois estávamos juntos, num dia 2 como hoje. Bodas da cor que vão tomando os cabelos. Muita gente dizendo “nossa, coisa rara, hoje em dia” e o tom não parece muito ser de aprovação. Por isso, todos os buquês e olhares e cuidados parecem pouco. Jantar marcado no restaurante, estamos nos arrumando, dividindo o espelho do banheiro.

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No céu não tem facebook

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Certo, é um pensamento besta. Se a gente for mais besta e se embrenhar no assunto, imagina que essas modernidades não devem impressionar muito o povo de lá. Para quem tem a eternidade pela frente, algo de novo é assunto por 300, 500 anos e todos ainda estão maravilhados com a descoberta do avião. E como será que o pessoal faz para aproveitar o tempo? Se para a gente alguns domingos de chuva demoram a passar, imagina ter todo o tempo do mundo. Se ficam a conversar, que tanto assunto eles têm? Há livros no céu? Baralho? Cinema, a obra completa de Victor Hugo, Programa Silvio Santos, War?

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