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Incontrolável!

Humano em descoberta

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Ele era cego apesar de ter uma visão perfeita. Via, mas não enxergava.

Tomou vergonha na cara e resolveu providenciar umas lentes de contato para poder enxergar as folhas e não somente as árvores. Encaixou-as nos olhos e parou à beira da janela para admirar o baile diante da música cantada pelo vento que embalava a jabuticabeira lá fora. Distraiu-se. Chegou atrasado no trabalho. Mas no final do dia, era #gratidao por ter conseguido finalmente, enxergar.

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Construção pela Arte (a continuação)

em Incontrolável/News & Trends por

Aquele meu amigo que estava fazendo o curso de dramaturgia veio me falar essa final de semana que a luz é gigante para aqueles que se permitem “escutar e repetir” para então poderem “sentir” e a partir daí terem a “liberdade” como recompensa. Foram ensinamentos profundamente “compartilháveis” a qualquer ser humano que queira se relacionar melhor. Ele disse que foram lições para a vida.

Logo no meio da sala colado no armário, uma citação do ator norte-americano Sanford Meisner, que desenvolveu o método inovador que foi ensinado durante as aulas: “Não é ser interessante, é ser interessado.”

A lógica que os atores sintetizam como “repetir”, está mais relacionada com “reagir, agir e estar atento”. Isso vai afinando nossa percepção em entender a melhor maneira de lidar com os outros.

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Construção pela Arte

em Incontrolável/News & Trends por

Quando era criança e percebia a porta do banheiro trancada, adorava bater e perguntar: “Tem alguém aí?”. Se a porta estava trancada, evidentemente que sim. Entretanto, queria mesmo era saber quem estava lá. E pelo som da voz que vinha do outro lado da porta, teria minha resposta. Era uma pergunta retórica e ingênua que trazia uma resposta que me confortava.

Vi uma entrevista do escritor e cineasta Arnaldo Jabor esta semana dizendo que nos seus tempos de estudante do ensino fundamental, as crianças competiam sobre quem escrevia melhor. Poderiam ser estórias, poemas, contos ou reflexões em geral. O que importava era que agradasse aqueles que se dispusessem a ler. Para escreverem cada dia melhor, precisariam ler cada vez mais. Acabava virando a atividade da moda: ler e escrever.

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Gratifica-se

em Incontrolável por

Tenho uma amiga que encontrou sua cadelinha depois de duas semanas que o pet-shop à havia perdido. Pudera! Tamanho o ativismo que empregou no Facebook, talvez  até o Zuckerberg tenha compartilhado algum de seus posts. Um batalha vencida em nome desta relação transcendental que a gente tem com os nossos “melhores amigos”.

Mas nem sempre as redes sociais estiveram aí para ajudar. Sei que São Francisco, o santo protetor dos animais, sempre trabalhou bastante. Então vou contar uma história de resgate incrível que aconteceu antes destes novos tempos de comunicação virtual em massa.

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Viva!

em Incontrolável/News & Trends por

Desejo a vocês neste final de ano

que fora tumultuado como poucos

que tenham uma pessoa

única que seja

ao qual possam desejar a mais profunda felicidade.

Não sei se sabem

mas desejos e anseios são mais fáceis de serem realizados nos outros

que em nós mesmos.

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A Vaquejada e o Êxodo Rural

em Incontrolável por

Há algumas semanas perguntei a uma amiga para quem ela iria votar para vereador aqui na Capital. Ela me disse que votaria naquele candidato que tivesse propostas de amparo de defesa aos animais: “Me simpatizo com este tipo de gente…” Não foi nenhuma coincidência. Tive então conhecimento de uma pesquisa que dizia que o maior influenciador na decisão de voto do paulistano para o legislativo não era o orçamento da saúde, a precariedade da educação pública ou as incertezas da segurança nas ruas, era mesmo melhoria da vida dos animais abandonados.

Talvez esteja aí uma amostra da carência por parte da maioria dos cidadãos que moram na cidade grande: o distanciamento do campo. Antes, todos eram do campo. Depois apenas a maior parte estava lá. Por último, os do campo acabaram sendo minoria. E minoria sempre sofre – é alvo de preconceitos, de certezas irrevogáveis vindas de outros lados. Normalmente o poder do capital e do consumo ditando as regras. Abrem-se a polêmicas e revive-se o velho conflito campo versus cidade. As provas de vaquejada são a bola da vez agora.

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Malandras-Mexericas

em Incontrolável/News & Trends por

Lina tomou a decisão de mudar para São Paulo na viagem que fez sozinha para Macho Pitchu, em comemoração aos seus trinta anos. Ela é uma daquelas lindezas que não se encontram facilmente. Donas do tipo de olhar que ilumina qualquer ambiente. Depois de um logo período de relacionamento, abandonou sua Brasília e veio viver da advocacia na capital paulista.

Fabiana conheceu um italiano em suas últimas férias na Bahia. Ela foi visitá-lo em Milão alguns meses depois. Inteligente e divertida, amadureceu e agora sabe quais  são as coisas mais importantes nesta vida. Desligou-se de seu emprego estável, porém pomposo e entediante demais em São Paulo, e mudou-se para junto do ragazzo.

Julieta é a dona da mais pura das energias e do mais belo sorriso. Recebeu um diagnóstico de doença séria na Sexta em uma consulta que veio fazer em São Paulo. Alugou um apartamento no Sábado. Segunda-Feira o marido já coordenou a mudança – que incluía também as três lindas filhas pequenas. Na Terça-feira já estava fazendo o tratamento com os melhores médicos e vivendo uma vida distantes das fofocas inerentes as “roças grandes” de outras capitais do país.

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De poeta boêmio a mascote fofo

em Incontrolável por

Estão dizendo que o personagem mais venerado dos jogos da Rio 2016 não é nenhum atleta. Parece que o mais requerido para fotos e maior alvo dos sorrisos é o mascote Vinicius. O nome veio do poeta e músico que é a síntese da alma carioca, o Vinicius de Moraes. Além de ser o “preto mais branco do Brasil” e o maior apaixonado da cidade, ela era daqueles que tinham uma essência vagabunda na pele: “Que prazer mais um corpo pede após comer um tal feijão, evidentemente uma rede e um gato para passar a mão.”  O mascote Vinicius tem esse jeitinho despretensioso, amigo, bon-vivant… de certa forma mais ou menos igual ao outro Vinicius mesmo.

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A única chance

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Kintsugi é uma arte oriental de remedar vasos quebrados, deixando-os ainda mais belos. O resultado vale uma pesquisa no Google – as peças ficam fascinantes.  E não é que, depois de toda a aura negativa em torno dos jogos do Rio, Fernando Meirelles, o famoso cineasta brasileiro a quem muito acertadamente foi dada a responsabilidade de dirigir a cerimônia, foi capaz de dar o recado correto do Brasil para o mundo.

As sementes plantadas durante a cerimônia que germinarão para dar vida ao “jardim dos atletas” e as fortes mensagens em torno do aquecimento global. “Buscar as nossas diferenças e celebrar as nossas semelhanças” foram as palavras que Regina Casé lá pelo meio da cerimônia, convidando o mundo a um brinde pela diversidade e tolerância. A começar pela modelo LeaT a frente da delegação brasileira… Tudo isso sem abrir mão dos elementos famosos da identidade brasileira mundo afora – alegria, música e “gambiarra”.

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In memoriam (Parte 2)

em Incontrolável por

A Dona Paula foi a primeira mulher veterinária a se formar no Brasil. Teve quatorze filhos de treze gestações, pois um foi adotado. De origem belga, foi matriarca de uma família composta de personalidades únicas: inteligentes, inquietas, sublimes… Seu olhar era puro acolhimento. Administrou a longa lista de descendentes para, acima de tudo, transmitir cidadania aos filhos, netos e bisnetos.

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Amor De Pai

em Coluna por

Marco

Amor De Pai

“Você será pai de uma menina, Pedro!” “Meu Deus, e o trabalho que isto vai dar ao longo do tempo” – era impossível dissociar a futura filha crescendo mulher das sofridas lembranças de desamores pessoais desde a adolescência: Todas as malzebas e armadilhas dos amores e paixões que corroeram a trajetória de relacionamentos amorosos de Pedro. Todos os sofrimentos que desencadeou. Era a jornada de uma vida regada a lágrimas.

Lembrou-se de Camila, o primeiro amor que findou tão logo conheceu Andrea que tinha cabelos mais modernos. Lembrou-se de Neide, que substituiu Andrea pois tinha voz linda e aveludada. Lembrou-se de Amanda, uma paixão a primeira vista que logo substituiu Neide. Na cabeça de Pedro a “Afrodite de Cnido” havia finalmente encarnado, dando vida a obra do escultor grego Praxiteles cerca de 2.300 anos após sua morte… Depois veio a Sabrina com aqueles olhos gigantes responsáveis por nutrirem um cérebro abençoado, que logo devolveria ao mundo verdadeiras joias transformadas em palavras, que fluíam hipnoticamente pela sua língua, dentes e lábios.

Pedro, inconsciente ou não, dava como certo a vinda de um herdeiro homem. Um destes primogênitos que pulsaria orgulho ao pai machista. Talvez quisesse reviver seus ébrios anos de farra na pele do filhote. Talvez tivesse receio real de ter sua pequena penando em garras de gaviões, as aves de rapina que vinham da mesma linhagem de Pedro. Mas o destino tinha outro plano para a paternidade de Pedro – vinha vestindo cor-de-rosa.

Vinte e duas semanas depois, estando a criança bem próxima a desembarcar neste mundo, Pedro degusta uma Grey Goose com nada além de gelo no Bar Baretto. É surpreendido assim: “Conhece Ana Cañas? Ela tocou por dois anos neste mesmo bar… é a mais incrivelmente fantástica mulher deste mundo…”. “O bar número 1 do mundo não poderia ter nada diferente disto” – provoca Pedro. “É sério, ela é inigualável! E sim, estamos lidando com um palco acostumado a grandes artistas…”

Pedro entra no taxi e segue de volta para casa. Com o quarto na penumbra, acomoda-se na poltrona próxima a cama e observa aquela tranquila, bela e gigante barriga adormecida de 36 semanas. Quinze minutos depois, germina a semente plantada pelo amigo no Bar Baretto: Pedro estica o braço, alcança o tablet que também descansa no criado mudo. Descobre então o vídeo clipe “Te Ver Feliz”, canção criada pela mais incrivelmente fantástica mulher deste mundo. Lentamente Pedro valida este título ao perceber todos os encantos individuais de Camila, Andrea, Neide, Amanda e Sabrina personificados em Ana Cañas. A magia então acontece, em volume de sussurro, quase silêncio para não incomodar o sono dos justos da esposa ao lado, Pedro decifra:

Eu não tenho uma letra
Eu não tenho nada que pareça
Melhor do que olhar
E ver você assim tão bem

Ficarei pra sempre perto
Espero encontrar um jeito
Sincero
Sincero

Palavras que eu não tenho
Mas às vezes o silêncio
Pode dizer mais e eu sou capaz

De deixar assim
Com completar no gesto
Dar a mão, sorrir
Porque o que eu quero
É te ver feliz

Pedro entende de imediato quão divino é ser premiado com uma filha. Como não se derreter por esta homenagem? Impossível não ir à lona quando percebe a tatuagem “Pai” na parte superior das costas de Ana Cañas. Pedro seguiria a jornada de uma vida regada a lágrimas. Entretanto, transcorreria através de um novo estímulo, e sendo endereçadas aos seus próprios olhos. Sente seu coração transbordar tão logo decifra a mais incrivelmente fantástica mulher do mundo coberta de zelo pelo pai. Desdobra-se então o nascimento do maior amor conhecido de um homem por uma mulher:
Amor de pai.

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Marco Antônio Guile escritor mineiro que retrata em crônicas fictícias, as incontroláveis sensações que acompanham descompassos cardíacos nos homens. Qualquer semelhança com histórias reais é mera coincidência… © 2014.

Quanto tempo dura uma geração?

em Coluna por

Marco

Quanto Tempo Dura Uma Geração?

“Meu Deus, quero que estes três anos que ainda tenho pela frente na faculdade não acabem nunca!” Suas palavras descem como uma vodca barata, daquelas vendidas em garrafas de plástico e são devoradas até a última gota naquelas mesmas festas de faculdade. Lembro-me de Pablo Neruda quando disse que era “o onívoro dos sentimentos, que comeria toda a terra e beberia todo o mar!”. Me sufoca, mas me recuso a dizer que estamos em gerações diferentes. Dez anos pertencem a uma mesma geração, como não? Se não, quanto tempo dura uma geração?

Naquela danceteria apertada, de pé direito baixo, ela me fisgou de cara. A mais escultural de todas: “Estou fazendo Engenharia de Alimentos!”. “Legal, já aprendeu a fazer ovo em pó?” (sim, isto existe e é ensinado na faculdade acredito); continuei de forma irônica: “Vou te arrumar um estágio de férias na minha empresa!” Ah, se eu precisasse realmente de alguém para transformar alimentos em pó…

Ironia maior só mesmo quando ela foi minha “noiva” por algumas horas. Dançamos e fomos felizes para sempre ao som do Barão Vermelho em uma festa à fantasia. Jamais esquecerei, tanto do último Show do Barão (sim, a eles se aposentaram logo depois) como da minha primeira noiva. Quando está na minha cidade costuma dizer: “Deixa que eu te pego em casa!” É, definitivamente ela não é uma simples de 21 anos.

Quando fui visitá-la na sua cidade para uma simples festinha no Domingo, estive num palco de magia. Toda aquela chuva e eu em meio aquele sex appeal típico dos vinte e poucos, estampado na cara de todos os presentes na festa. Curioso voltar no tempo e se sentir também de um jeito lúdico, que flutua no ar e vive o presente, sem literalmente, dar a mínima para o futuro. Sim, para eles este futuro pode ser tanto as próximas 12 ou 24 horas como os meses ou anos seguintes! Na época da faculdade vivem todo aquele turbilhão emoções. Aquela alegria de se fazer amigos novos a cada dia. Aquela liberdade para se tomar as próprias decisões em todos os aspectos da vida. Aquele alvoroço em se seguir os mais primitivos instintos. E sei que a coisa se intensifica ainda mais quando o vestibular decide por coloca-las em uma outra cidade – saem de casa e montam uma república bem longe dos pais e antigos amigos… Parece que elas renascem!

“Ela é complicada!” Não minha cunhada, complicados somos nós. Ela vive sua geração. Faz o que a deixa feliz. Da minha parte são muitas as pretensões. Porém, minha humilde presunção me inibe de tentar entendê-la por inteiro e preencher sua sede pelo viver: Impossível veta-la! Hoje, é impossível veta-la! Fui surpreendido com esta outro dia: “Você não é aquele ex-namorado da minha amiga?” Achei ótimo o eventual título de namorado (ou ex-namorado)! Percebe? Nem elas se entendem!

Verdade é que a geração, diferente ou não, realmente é o que menos importa. Sintonia! Me fez bem demais! Porém, em relação ao nosso futuro: “ai, que prosa…”

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Marco Antônio Guile escritor mineiro que retrata em crônicas fictícias, as incontroláveis sensações que acompanham descompassos cardíacos nos homens. Qualquer semelhança com histórias reais é mera coincidência… © 2014.

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