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Um encontro com o passado

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Foi assim mesmo que começou a tarde de ontem. Sentada numa mesa de bar na Vila Madalena, com pessoas que passaram a infância e a adolescência comigo, por 10 anos, no mesmo colégio. Fizemos 20 anos de formados e combinamos um encontro. Que maravilha!

Depois de tanto tempo (muitos eu não via há realmente 20 anos), foi como voltar ao passado, mas com a cabeça de hoje, que delícia! A sensação que tenho agora, da mistura de intimidade de quem conviveu por tanto tempo, mas que não se vê há muito mais, é de que “oi, pessoal, fui dar umas voltas de 20 anos por aí e estou de volta”!

Os risos soltos e leves permearam as horas que passamos juntos. Agora, já cabe querer saber quem está casado, solteiro, divorciado. Quem tem filhos ou não. Se a história de que o fulano virou traficante é real (e não é, apesar de alguns acharem que sim), prova de que os trotes da época de escola ainda cabem muito bem no humor balzaquiano.

Os códigos para cola ainda são lembrados, os nomes e gestos dos professores também. Mas agora o mundo mudou, o comportamento sexual mudou, a sociedade mudou. E tudo isso foi conversado com a opinião de quem nos tornamos, do que os vinte anos de diferença entre o até logo de 96 e o oi de 2016 nos moldou. Mas deu pra perceber que os parâmetros que tínhamos com relação a conceitos, ética, conduta ainda eram semelhantes. Talvez a escola tenha nos moldado até certo ponto assim.

Os adultos de 36, 37, 38 anos ontem convidaram suas crianças (interiores) de 6 e os adolescentes de 17 a sentarem na mesa. Nos despimos de quem somos por alguns minutos para nos tornar quem éramos, e vice-versa. A maturidade nos fez rir de outro modo das mesmas piadas. Estávamos ali, frente a frente.

Vi no olhar doce e alegre da Andrea, por exemplo, a mesma alegria de quando tínhamos uns 13 anos. Olhei para a Lígia, que na época dava aula de jazz no condomínio e vi a mesma menina doce e risonha que tive sentada atrás de mim na infância.

Com a Bruna, a relação foi outra. Ela entrou no colegial e nunca estudamos na mesma classe. Ontem, além de nos reencontrarmos, nos apresentamos melhor uma à outra, agora sabemos o que pensamos, além de como aparentamos ser. Que oportunidade incrível.

Mafê… Mafê não muda! Nem uma ruga a mais existe em seu rosto para dizer que o tempo passou. A placidez e o sorriso tão sereno quanto, quase inocente, ainda estão em seu rosto.

Rua arrancou as maiores gargalhadas da mesa, que por muito tempo se tornou plateia de seus comentários. Quase um stand up comedy. Guilherme chegou e lembrava de quem deu o primeiro beijo em quem.

Da vida a gente espera crescimento, evolução. E a palavra mudança parece quase companheira do que faça isso acontecer. Mas tão bom quanto mudar e progredir é perceber que algumas coisas e relações não se alteram. Talvez o passado, por ser estático, nos congregue entre as memórias que nos permeiam. Mas o dinamismo da vida, que bom, nos faz caminhar e poder encontrar 20 anos depois, todos iguais, embora seguindo seus caminhos, cada um a seu jeito.

Teve um dia, um colégio, onde o sinal tocava e entrávamos no mesmo lugar para nos tornarmos parte do que somos hoje. Ontem, uma parte muito importante destes dias que passaram nos revisitaram. E foi tão bom recebê-los bem. O encontro com o passado não poderia ter sido melhor.     

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Camila Linberger é colunista e cronista do The São Paulo Times. Comunicadora inata e observadora do comportamento humano, se algo que passar por seus olhos afetar sua mente de forma crônica, o resultado estará aqui para você ler.

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