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Um plebiscito para Star Wars

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“Pra mim Taxi Driver é bem mais cinema”, disse um amigo meu outro dia. Se não me engano era uma discussão bilateral, na outra trincheira Quentin Tarantino apontava Pulp Fiction bem na cara de Martin Scorsese e Robert De Niro. O que significava “ser mais cinema”, confesso que até hoje não sei direito. Mas tudo bem, pra curtir esses papos a gente tem que ser meio maluco mesmo. Aliás, pra curtir cinema no geral.

Um radialista, ao palestrar na faculdade de comunicação que frequentei, disse que não gostava de filmes. Achava besteira perder duas horas da vida assistindo a situações de mentirinha sendo encenadas. Vem cá, tem coisa mais broxante que isso? Ao meu ver, tal opinião é prova cabal de que ter razão não te exime de ser um chato.

O que seria do cinema, afinal, sem as discussões desarrazoadas? Uma amiga certa vez disse preferir Almodóvar a Woody Allen. Sem vislumbrar a mínima relação entre os dois diretores, pulei na discussão com toda a convicção. E provocar fãs de Star Wars então? É um clássico. “As atuações eram tão ruins quanto os efeitos.” E quando eles argumentam que na época foi revolucionário, você emenda: “Que nada, 2001 é bem mais antigo e os efeitos já eram muito melhores!” Só isso já é o suficiente pra render meia hora de discussão, seguida de ódio eterno. Vai por mim.

Seria preciso fazer um plebiscito pra decidir se Star Wars foi bom ou ruim. Claro: só pode votar quem já viu os sete. E pra resolver quem foi o melhor diretor da Nouvelle Vague? Nada contra Truffaut, mas meu voto ia pro Godard. Talvez só assim pra esquerda ganhar alguma coisa nos dias de hoje.

Agora, em relação aos italianos acho que seria unânime: Fellini. Nem a trilogia pós-guerra de Rossellini, nem a última cena de Ladrões de Bicicleta parecem páreos para Federico. Aliás, perdão pelas comparações. Fazer isso é até um pecado, sobretudo na terra do Papa.

Outra questão importante: qual é a equação que torna a maluquice de um filme aceitável? Só vale se for do Nolan ou do David Lynch? Ou quanto mais maluco, mais ator famoso precisa ter? Nesse caso, Under The Skin precisava muito mais do que a Scarlett Johansson. E na escala que vai da doideira à genialidade, onde fica Holy Motors, O Teorema Zero e, especialmente, A Montanha Sagrada? Ó dúvidas que afligem meu coração.

Mas tudo bem. Vamos voltar às coisas simples da vida. Com a aproximação do Natal, o que assistir? O Grinch ou Esqueceram de mim? (Qual deles?) O Estranho Mundo de Jack ou Herói de Brinquedo? Adoro o Schwarzenegger socando aquela rena do mal.

É… Nessas horas a gente vê que ser uma pessoa madura é algo bem relativo. Aliás, espera só alguém passar do meu lado falando que Wes Anderson não tem roteiro e vive só de imagem. Aí eu é que arranjo briga.

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