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A força de um hábito

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Paulo

A força de um hábito

Nos últimos anos, tenho assistido cada vez menos televisão. Ainda assim, vinha vendo um telejornal aqui, outro ali; eventualmente um filme (vejo sempre muitos filmes escolhidos por mim, mas raríssimos transmitidos pela TV aberta ou fechada) ou algum programa com assunto especialmente interessante. Nos últimos meses, entretanto, em função de viagens e outras circunstâncias, passei quase 2 meses sem olhar para qualquer coisa que a TV transmite. Hoje, sentei para ver um telejornal. E descobri que esses quase 60 dias sem sequer olhar a TV tiveram alguns efeitos interessantes: o primeiro é que eu fiquei tremendamente entediado com a “lentidão” do veículo. Como eu me informo principalmente online, vou clicando nas notícias que me interessam no meu próprio ritmo de leitura, que é bem rápido… e os tempos de edição da TV hoje me parecem uma eternidade: cinco minutos para dizer quase nada. Inevitável comparar que em cinco minutos eu leio umas duas páginas comuns de conteúdo online!

Além disso, cada vez que o âncoras chamam um link externo, ficamos ali com aquela imagem bizarra de acompanhar o atraso da transmissão, com o repórter esperando o áudio completar enquanto o âncora faz cara de paisagem. Em seguida, vejo duas matérias praticamente “nascidas em assessoria”, claramente bancadas e de alto interesse para a indústria farmacêutica; “promovendo doenças” e repetindo dezenas de vezes a importância de fazer todos os milhões de exames existentes no mundo, mesmo que você não sinta nada e esteja bem. Sim, é claro que alguns exames podem ser importantes; mas não me canso de ficar assombrado com o que parece uma verdadeira “volúpia” por doenças que a TV aberta tem. Basicamente todo dia eles parecem fazer um grande esforço para convencer o público que todos são doentes, e a diferença seria apenas que alguns ainda não sabem disso. Sinceramente, assim que entra o primeiro anúncio de medicamento durante o intervalo comercial eu me lembro perfeitamente da razão de tanta insistência em “criar hipocondríacos”.

Não bastasse tudo isso, o telejornal hoje foi interrompido pelo horário eleitoral. Não vou fazer nenhum comentário sobre o horário político eleitoral porque eu não diria nada que você, leitor, já não saiba perfeitamente e já tenha sido dito milhares de vezes. Mas, resumindo, o telejornal ficou cortado ao meio. Quando voltou, mais do mesmo. Aí, me lembrei de um comentário de um amigo, que me disse alguns anos atrás: “desde que acabou a novela anterior e eu resolvi não assistir a nova, parece que o meu dia ficou bem menos curto!”

Tudo isso me fez perceber que mesmo assistindo pouquíssima TV há anos, ainda assim eu estava relativamente “acostumado” com esta mídia – no mínimo o suficiente para ter sido “sensibilizado” depois de 60 dias sem o hábito. Considerando que não me fez a menor falta; que todos os assuntos importantes e essenciais são tratados por outros meios, normalmente com muito mais profundidade; realmente pretendo me manter cada vez mais longe da “maquininha”. Detalhe interessante: A invenção da TV aconteceu há menos de 100 anos. Difícil imaginar outro grande meio de comunicação que tenha envelhecido tão mal; tão depressa.

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Paulo Ferreira é Diretor de Comunicação da ONG internacional New Earth Nation; Conselheiro e Representante do Nikola Tesla Institute em SP e autor do livro O Mensageiro – O Despertar para um Novo Mundo. © 2014.

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