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A influência dos hábitos para a fertilidade

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Nosso corpo é resultado do que comemos, do que bebemos, dos exercícios que fazemos (para o corpo e para a mente), das toxinas a que somos expostos. Enfim, somos o resultado da influência do mundo sobre o nosso corpo. Porém, a maioria dos casais que está tentando engravidar desconhece a importância dos fatores ambientais na fertilidade e na gravidez.

Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

Para entender qual a importância do meio ambiente no nosso sistema reprodutivo, gosto sempre de fazer uma comparação com algo que vemos no nosso dia a dia: a formação de uma flor por uma planta. Todo ser vivo, como nós e as plantas, tem como prioridade, mesmo sem consciência disso, permanecer vivo. É por este motivo que retiramos a mão rapidamente e sem pensar, por exemplo, quando encostamos num prato quente. Isso vale para nós e também para as plantas. 

As plantas precisam de água e luz solar para viver, dois elementos que diminuem no ambiente durante o inverno – por isso elas não se dão ao luxo de gastar energia desenvolvendo flores nesse período. No momento, ficar vivo é a prioridade, gerar descendentes não. O resultado são plantas murchas, sem cores e sem flores. Apenas sobrevivendo. Na primavera, porém, com abundância de água e luz solar, as plantas podem finalmente se dar ao luxo de produzir flores, e com isso gerar seus descendentes.

O mesmo vale para nosso corpo. Não dependemos apenas de água e luz solar. Como as plantas, podemos estar expostos a fatores mais ou menos saudáveis, e nosso corpo vai priorizar sempre a nossa vida, podendo dedicar mais “atenção” e desprender mais energia para a produção de descendentes quando não precisa se preocupar em eliminar fatores ambientais negativos como o cigarro, o álcool, as drogas ou a exposição a radiação ou outros contaminantes ambientais.

Cigarro

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O cigarro contém mais de 4000 componentes químicos, incluindo pelo menos 43 que causam câncer – seu principal efeito negativo, conhecido por 99% das pessoas. Porém, estudos mostram que apenas 22% das pessoas sabem que o tabagismo representa um problema para casais que querem engravidar.

Estudos mostram que o cigarro é um dos grandes responsáveis pelo atraso na concepção de casais que querem engravidar, chegando a aumentar o risco de infertilidade (mais de um ano tentando) em até 60% em casais, quando a mulher é fumante.

O cigarro diminui a reserva ovariana da mulher (mulheres tabagistas entram na menopausa de um a quatro anos antes das não fumantes), além de ter efeito direto alterando a produção hormonal (mulheres tabagistas tem FSH – hormônio que estimula a ovulação – 66% maior que não fumantes; fumantes passivas têm FSH 33% maior).

No homem o cigarro pode alterar os sistemas de defesa dos espermatozóides contra a oxidação, além de muitas vezes ser responsável por alterar a sua movimentação e até a sua morfologia. O cigarro pode atrapalhar também por ser um fator importante numa eventual disfunção sexual.

Ele é capaz de alterar o DNA de óvulos e espermatozóides pelo seu potencial de causar mutação. Isso leva não só à diminuição de taxas de gravidez naturalmente, como ao aumento na incidência de aborto. 

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Álcool

O álcool, assim como o cigarro, é capaz de alterar a produção de hormônios, e em casos mais graves pode alterar até mesmo o ciclo menstrual. Atualmente, o consumo moderado de bebidas alcoólicas tem sido associado até mesmo ao desenvolvimento de endometriose,  afecção inflamatória provocada por células do endométrio que, em vez de serem expelidas, migram no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar.

Na gravidez o consumo de álcool aumenta o risco de abortamento espontâneo, além de ter relação com o baixo peso do bebê e com o aumento do risco de doenças congênitas.

 No homem o álcool tem relação com a alteração da morfologia dos espermatozóides, além de alteração na movimentação deles. Pode também ser um eventual fator importante numa disfunção sexual. 

Obesidade

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A obesidade é uma doença que predispõe a uma série de outras doenças, como alterações cardíacas, diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia, alguns tipos de câncer, além de diminuição na qualidade de vida em geral. Ela é definida pelo IMC (Índice de Massa Corpórea), calculado da seguinte maneira: peso/(altura)2

 Quando esse valor é superior a 30 kg/m2, fazemos o diagnóstico de obesidade (de 25 a 30 já chamamos de sobrepeso).

A obesidade está relacionada a uma série de alterações hormonais, sendo que 30 a 50% das mulheres obesas têm alteração no ciclo menstrual. A obesidade pode alterar a ovulação e, consequentemente, altera a fertilidade. A perda de peso normalmente regula novamente o ciclo dessas mulheres, com a consequente recuperação da fertilidade.

Além das alterações na mulher, a obesidade pode alterar a produção de espermatozóides no homem. Homens obesos têm de 3 a 3,5 vezes maior chance de alterações na movimentação e na morfologia dos espermatozóides, quando comparados a homens com peso normal.

A obesidade é ainda um fator que pode atrapalhar durante a gravidez. Mulheres obesas têm risco maior de desenvolver quase todas as doenças obstétricas, mas principalmente aumento de pressão e diabetes gestacional.

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Outros fatores

Como disse no início, tudo que interage conosco pode trazer impactos positivos ou negativos na nossa saúde e consequentemente na fertilidade. Entre os fatores negativos para a fertilidade destacam-se:

-Cafeína: tem relação com a diminuição da fertilidade e com o aumento de taxas de aborto quando ingerida em quantidade muito alta. Até duas xícaras por dia não representa problema.

-Poluição: cada vez mais importante na nossa vida, já existe uma série de estudos mostrando que a poluição atmosférica é capaz de interferir em fatores de fertilidade, tanto no homem quanto na mulher.

-Radiação: exposição mais incomum, exceto em pessoas que são submetidas a tratamentos específicos de radioterapia. Nesses casos é recomendado tratamento de preservação de fertilidade com congelamento de espermatozóides, óvulos ou embriões antes de iniciar a radioterapia.

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A exposição aos principais fatores ambientais negativos que temos contato no nosso dia a dia pode ser evitada. Recomenda-se perder peso, parar de fumar, ter uma dieta equilibrada, fazer exercícios físicos, não ingerir bebidas alcoólicas ou drogras. A mudança no estilo de vida do casal aumenta a possibilidade de gravidez espontânea e as taxas de sucesso em tratamentos de reprodução assistida. Além disso, mudar os hábitos positivamente criará um ambiente mais saudável que, no longo prazo, servirá de exemplo para que seus filhos tenham também uma boa qualidade de vida.

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