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A lista negra do Estado Islâmico

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O Estado Islâmico, mais conhecido como ISIS (sigla em inglês que quer dizer Estado Islâmico no Iraque e na Síria), não é apenas uma coleção de psicopatas bárbaros dispostos a participar nas formas mais brutais e sórdidas de violência sem qualquer hesitação nascida da moralidade humana normal.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Eles também são os jihadistas mais irremediavelmente estúpidos. E é aí que residem não apenas as sementes de sua destruição final, mas a razão pela qual a América não deve se apressar em assumir esses bandidos. É preciso esperar e ver o quão bem sucedidos muitos outros inimigos do ISIS serão em atacá-lo.

O ISIS aproveitou a fraqueza gerada pela guerra civil na Síria e a incompetência de governo no Iraque para tomar o controle das terras e estabelecer-se como um poder em ascensão.

O verdadeiro desafio foi conquistar adeptos entre os muçulmanos do Oriente Médio, algo que os Estados Unidos não conseguiram fazer, custando anos de batalha e mortes. E o ISIS já estragou essa tarefa crucial.

Para entender o porquê, é necessário uma compreensão do adversário, algo que muitos norte-americanos descartam como se fosse inútil. Mas, como qualquer estrategista militar vai dizer, a chave da vitória está dentro da cabeça do inimigo, não apenas correndo no campo de batalha, na esperança de fotografar um monte de bandidos e explodir prédios. Se fosse assim, os EUA teriam ganhado uma vitória decisiva no Iraque uma década atrás.

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Então, o que é o ISIS? É um grupo conhecido como “jihadistas salafistas” que é comprometido com o que interpreta como o significado original dos textos sagrados do Islã, incluindo o Alcorão.

Eles têm um compromisso total com a jihad violenta e uma crença de que os Estados Unidos são a maior ameaça à sua fé.

Vamos à contagem, então.

Inimigo n º 1: os Estados Unidos (e seus aliados).

Este grupo é bastante diferente do maior grupo de salafistas, que é simplesmente adepto à interpretação estrita do Alcorão e outros documentos islâmicos reverenciados e não exerce violência.

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Apesar desta grande acordo sobre as crenças religiosas, os jihadistas salafistas consideram outras salafistas como muçulmanos apóstatas que se afastaram de Deus para apaziguar sheiks árabes do petróleo (o motivo pelo qual os jihadistas chamam os outros salafistas de “sheikists”).

Inimigo nº 2: os salafistas.

Inimigo nº 3: os sheiks árabes do petróleo.

Os jihadistas salafistas também são sunitas cujos conflitos com os xiitas perduram há séculos. Como resultado, eles consideram os xiitas apóstatas e rejeitam qualquer forma de dominação xiita. (Os xiitas governam o Irã e são os líderes primários no Iraque. O presidente sírio, Bashar al-Assad, é um alauita, um ramo místico do Islã Shiia).

Inimigo nº 4: todos os xiitas.

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Inimigo nº 5: o governo do Irã e suas forças armadas.

Inimigo nº 6: o governo do Iraque e suas forças armadas.

Inimigo nº 7: o governo da Síria e seus militares.

O que deveria ser óbvio sobre esta lista crescente é que os jihadistas salafistas consideram quase todos os muçulmanos inimigos do verdadeiro Islã. E eles também têm adotado uma filosofia chamada tafir que representa perigo para todos esses muçulmanos, já que, sob ela, estes jihadistas acreditam que têm o direito de declarar que qualquer um deles está fora da verdadeira fé, permitindo, assim, a sua execução.

Como qualquer pessoa deve saber, assassinar pessoas não é a maneira mais viável de ganhar os amigos, familiares e compatriotas tribais.

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Mas o ISIS não é tão inteligente. Seus ataques foram indiscriminados porque, em grande parte, ele acredita que o Islam deve ser purificado antes que ele possa ser bem sucedido na jihad.

É a lógica fatalmente falha dos verdadeiros crentes. O problema, claro, é que todos os muçulmanos do ISIS odeiam se considerar os únicos verdadeiros praticantes da fé legítima.

Quem deve ser retirado, de acordo com o ISIS? Outros grupos terroristas. O Estado Islâmico considera o Hamas e a organização sunita da luta no conflito árabe-israelense traidores da fé, que devem ser removidos ou mortos antes que qualquer vitória islâmica contra Israel possa ser alcançada.

O ISIS detonou um carro-bomba no Haret Hreik, no Líbano, um subúrbio de Beirute que é um reduto do grupo terrorista Shia, o Hezbollah – que significa “Partido de Deus” -, e, desde então, comprometeu-se a lutar contra esse grupo e seus aliados libaneses.

Eles literalmente crucificaram oito rebeldes muçulmanos que lutam com os jihadistas contra o governo sírio por ser muito moderado. E um comandante do ISIS, um tunisino chamado Abu Mus’ab, declarou que Ayman al-Zawahiri, líder da Al-Qaeda, é um apóstata.

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Inimigo nº 8: Hamas.

Inimigo nº 9: Hezbollah.

Inimigo nº 10: Al-Qaeda.

O ISIS é considerado até por outros sunitas como falsos muçulmanos. Alguns sunitas identificaram os membros do grupo como Kharijites modernos – uma seita que não é nem xiita, nem sunita, que, no século VII, se recusou a aceitar a liderança do primo do profeta Maomé. (E, de fato, isso tem alguma lógica: o ISIS tem muitos dos traços violentos e hipócritas dos Kharijites).

Outros consideram o ISIS como sendo tão contrários aos interesses dos muçulmanos que eles abertamente especulam que é uma criação dos governos ocidentais; alguns até afirmaram que Hillary Clinton se gabava da criação do ISIS em seu livro Hard Choices. (Antes que o GOP – Grand Old Party, apelido surgido no final do século XIX dado ao Partido Republicano – comece os anúncios da campanha divulgando essa conspiração, por favor, saiba: ela nunca disse isso, a ideia foi composta por muçulmanos para estimular a oposição árabe ao ISIS).

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Além dos já mencionados, há o Exército libanês, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão – uma organização política e militar -, a Frente Islâmica – um grupo de sete grupos rebeldes na Síria que estão aliados com a Al-Qaeda e que se uniram em parte para combater o ISIS -, bem como o Exército Sírio Livre.

O grupo enfrenta inimigos em todas as direções e, eventualmente, não importa quantas armas tem, nem quanto dinheiro, o ISIS vai cair quando confrontado com os terroristas ou aqueles muçulmanos.

A menos que os políticos nos Estados Unidos e os aliados no Ocidente voltem a cair no seu tradicional pensamento de abordagem militar: “Atacar primeiro, pensar depois”, a investida terá sucesso.

Consideremos por um momento: o ISIS, de repente, começou a decapitar jornalistas ocidentais e colocar os vídeos online para que todos possam ver. O público-alvo, é claro, são os Estados Unidos.

O ISIS diz que está engajado nessa barbárie para alertar os americanos, embora eles não sejam tão estúpidos.

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Os ataques do dia 11 de setembro, como todos os terroristas sabem, tiveram por objetivo conseguir atrair os EUA para a guerra, exatamente como Bin Laden esperava que seria.

Por que o ISIS achou que matar alguns jornalistas causaria maior espanto aos Estados Unidos, quando milhares de pessoas já foram mortas?

Como um especialista em terrorismo disse à Newsweek, o ISIS está esperando que a América vá muito longe e, como resposta, lance ataques que matarão muitos muçulmanos inocentes, em uma tentativa de acabar com os jihadistas.

Isso não destruiria o ISIS, mas inviabilizaria a ameaça islâmica para o grupo. Pois não importa o quão odiado o ISIS é entre os outros jihadistas e muçulmanos do Oriente Médio, os Estados Unidos são mais desprezados.

O ISIS vai cair. É inevitável. Isto é, a menos que os Estados Unidos se tornem tolos e deem o que eles querem.

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© Newsweek, 2014.

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