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Ah, não, outra rede social

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Miguel_2

Ah, não, outra rede social

Causou um furor passageiro o surgimento de uma nova rede social chamada Elo. Com um desenho mais limpo, sem anúncios e prometendo respeitar a privacidade do usuário, a Elo atraiu alguns dissidentes do Facebook. Aparentemente a febre em torno desta rede já se esgotou. Uma boa explicação para isso veio dos humoristas do Comedy Central que resumiram a questão em uma frase: “já há redes sociais suficientes”, ou melhor, “já chega de redes sociais”.

O mercado e o próprio Facebook já sabem que a rede de Mark Zulkeberg está batendo no teto e há uma tendência em desacelerar seu crescimento. Habilmente, o Facebook comprou os dois concorrentes mais fortes que surgiram nos últimos anos, o instagram e o whatsapp, e parece estar mais interessado cada vez mais em outras funcionalidades, como o feed de notícias. Ainda assim, o mercado continua obcecado em saber quem é a próxima grande rede social.

O fato é que talvez não tenhamos um novo Facebook. Há uma tendência dos usuários em restringir sua exposição e uma boa maneira é reduzir seu círculo de seguidores aos verdadeiramente mais próximos. Em partes, o whatsapp resolve isso. E por isso mesmo, é uma tolice a discussão sobre a nova ferramenta confirmação da leitura das mensagens: se você não quer receber mensagens de uma pessoa, não deveria ter dado seu telefone a ela. Se a sua opção é não ficar refém da turma de Zukleberg, o Snapchat com suas mensagens autodestrutivas está por aí, assim como o Telegram.

Cansado de fotos ostentação e de selfies? O Pinterest é uma opção bacana para quem gosta de redes de imagens, com um conteúdo que vai do “como-fazer-tal-coisa” à portfólios de designs e paisagens turísticas.

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Bem menor do que o facebook em número de usuários, o Twitter continua sendo uma boa referência e cada vez mais parecido com “uma mesa de bar”: muita gente falando sobre muitos assuntos. E é dos mesmos criadores do twitter que vem uma das redes mais bacanas e pouco conhecida dos brasileiros, o Medium, uma rede para quem gosta de escrever e para quem gosta de ler. Com uma plataforma limpa, bastante adaptável pelo usuário e agradável pelo leitor, o Medium não exige a periodicidade de um blog, nem a superficialidade dos 140 caracteres. A interação entre leitor e escritor é bem mais colaborativa do que as caixas de comentários habituais. E já estão migrando para lá, bons autores nacionais. Entrando lá, o negócio é seguir a coletânea Medium Brasil, onde vão se juntando os textos em português. Para quem lê em inglês, então, as possibilidades são ainda maiores. De quebra, como o foco é o texto, quem publica busca produzir com mais qualidade, ampliando a exposição dos argumentos ou a narrativa.

A lista poderia incluir o tumbrl, as redes de streaming de música e dezenas de aplicativos para celular que, na pratica, funcionam através dos vínculos entre usuários. Resumindo, há redes o bastante para todos os gostos e culturas. Ao invés de uma grande rede que monopolize o tráfego, o futuro talvez seja de muitas redes. E, neste caso, será que ainda precisamos de mais redes?

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Miguel Stédile é zagueiro, gremista, historiador e dublê de jornalista. © 2014.

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