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Ai, a saudade!

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Camila

Ai, a saudade!

“Saudade do que nunca vai voltar” declara o muro ao meu lado no trânsito. Existe? Existe, sim, senhor! E dói de vez em quando! Quase faz força para o relógio voltar, para um vento soprar e a folhinha do calendário voltar naquela data. Mas a gente se conforta com lembranças e novos momentos em algumas delas. Outras vezes chora, se esbalda, depende do dia.

No último fim de semana reencontrei uns 15 amigos que não via há tempos. Foi num casamento para o qual viajamos. Trabalhamos juntos. Hoje, estamos espalhados pela cidade e até fora dela. E, claro, saudade era palavra constante, sentimento que tentava se matar em abraços, risos, lembranças e até pé no chão, quando a gente lembrava da ralação que era de vez em quando. Se matava de um jeito estranho. Porque na verdade, ela era curtição. Do tipo de saudade que a gente sempre que se encontrar vai falar que tem. Saudade que não morre – de gente e também de uma época que não volta mais. Mas que de alguma forma, congrega, une e nos impulsiona a nos reunir, mesmo que poucas vezes.

E quantos tipos de saudade mais podemos contar? Há a saudade de quem morreu e não volta mais. Essa dói, corta, arde, principalmente no início, mas não tem jeito, há de se acostumar. Caso contrário, parece que a vida não anda pra frente. E, querendo ou não, ela (a vida) dá um jeito de nos mostrar novos porquês de sorrir, de caminhar, de seguir.

Há a saudade de gente que pra gente é importante, mas a gente nem sabe se lembram da gente como a gente lembra delas. Aquelas que a gente queria ter por perto, poder falar, tocar, encontrar, bater papo, saber se está tudo bem, mas não tem como. Seja por opção ou condição mesmo, infelizmente, tem saudades que a gente tem que engolir sozinho e torcer pra acabar um dia – quem sabe mais uma vez com sorrisos e abraços, ou se só o tempo fará passar.

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E a saudade da infância? Do cheiro do bolo da mãe quando a gente era pequeno, de lancheira, quando abre e tem cheiro de Danoninho, de brincar com os vizinhos, de dividir a lista de presentes de Natal entre a turma pra não ter repetido, de trocar figurinhas, bater bafo, de assistir Sessão da Tarde comendo pipoca nas férias de inverno, de jogar Stop, dançar no meio da sala as músicas infantis que o LP tocava sem parar?

Saudade vem aos poucos, com temperos e gostos diferentes. Saudade vem em menu degustação. Em pequenas doses, mas particulares, únicas e inesquecíveis.

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Camila Linberger é relações públicas, sócia-diretora da Get News Comunicação, agência de comunicação corporativa e assessoria de imprensa sediada em São Paulo. © 2014 

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