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Ameaça da guerra civil Síria: velhos tempos em que as Colinas de Golã eram um lugar calmo

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Uma batalha bem longe daquela liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico (ISIS) está se formando ao separar israelenses de sírios, jihadistas, rebeldes sírios e observadores da ONU de agricultores israelenses e soldados que se reúnem como vizinhos improváveis, os quais enfrentam um futuro volátil.

warO exército sírio, que controlou o seu lado da fronteira, não pode continuar mais a fazê-lo. A presença da ONU é cada vez mais perigosa. Como os recentes sequestros têm mostrado, a calma pode acabar a qualquer momento e pode até mesmo arrastar Israel para a guerra civil síria.

A Travessia de Quneitra – situada no sudoeste da Síria – costumava ser uma área pacífica. Os soldados israelenses e sírios, assim como tropas da UNDOF (The United Nations Disengagement Observer Force) estavam encarregadas de fiscalizar um acordo de cessar-fogo de 1974.

Homens, mulheres e crianças cruzaram a fronteira até a fronteira quatro décadas atrás. Eles passaram por uma verificação de rotina em ambos os lados, assistiram a reuniões de família e casamentos do outro lado da fronteira e, em seguida, retornaram alguns dias depois.

Hoje, porém, ninguém passa pela Travessia de Quneitra. A maioria das tropas da UNDOF que estava no lado sírio de Golã foi para o lado israelense.

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Estilhaços e parte da interminável barragem de artilharia entre as facções em guerra no lado sírio atravessaram a fronteira recentemente, ferindo um oficial israelense das Forças de Defesa (IDF).

“Às vezes é assustador, mas a maioria das vezes eu fico bem”, diz o morador de Tel Aviv, Dvir Ben Simchon, 22 anos. O jovem passou o verão colhendo maçãs em um pomar pertencente a um kibutz israelense. “A luta começou aqui. Eu estava no pomar próximo à fronteira”, diz ele.

Isso foi em 30 de agosto deste ano, quando homens armados de Jabhat al-Nusra e outros grupos islâmicos afiliados à Al-Qaeda invadiram Quneitra para cruzar para a zona neutra, onde os observadores da ONU se instalam.

Peacekeepers das Filipinas conseguiram escapar ilesos da batalha por pouco, encontrando segurança no Camp Ziouani no lado israelense, onde a UNDOF transferiu sua sede desde que a guerra civil na Síria tornou Damasco, capital da Síria, muito perigosa.

Alguns dias antes, em 28 de agosto, os jihadistas tomaram como reféns 45 observadores de Fiji da ONU, que acabaram por ser libertados somente no dia 11 de setembro.

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A presença da ONU não é mais considerada imparcial na região. Funcionários dos dois maiores contribuintes de tropas para as Forças de Defesa, Filipinas e Irlanda, já manifestaram dúvidas sobre continuar a enviar tropas para esta zona de perigo.

Se a ONU tivesse que abandonar sua missão aqui, faria alguma diferença? “Nós não contamos com a UNDOF para a nossa segurança”, disse um porta-voz das Forças de Defesa, Peter Lerner.

A UNDOF foi enviada para Golan em 1974, depois da guerra que o presidente Hafez Assad, pai do ditador sírio atual, Bashar Assad, lançou contra Israel no ano anterior.

Sofrendo com sua derrota nesse conflito, Assad manteve o cessar-fogo até sua morte em 2000. A ONU apresentou relatórios de rotina sobre violações dos termos do cessar-fogo. Bashar Assad também manteve a calma, até que a rebelião contra seu governo começou há três anos.

O primeiro sinal de perigo foi uma tentativa de cruzar a fronteira em maio de 2011. Na ocasião, Assad disse que era uma manifestação espontânea de cidadãos enfurecidos em solidariedade com os palestinos em Israel. Mas as autoridades israelenses viram doze aspirantes serem mortos, como uma manobra para desviar a opinião árabe e mundial da agitação generalizada que acontecia em Damasco, na época contra o regime.

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Desde que a revolta anti-Assad se transformou em uma guerra armada, atraindo adeptos do Oriente Médio e de outros luagres, Damasco perdeu o controle sobre a fronteira de 20 quilômetros que separa Israel e a Síria de Golã, que desde 1974 tem sido conhecida como a “linha roxa”.

“O exército sírio tem duas divisões em seu lado de Golã – a Divisão 61 sul de Quneitra e Divisão 90 norte de Quneitra”, diz Idan Avni, correspondente da Rádio Israel.

“Mas Assad tem batalhas mais urgentes, em Aleppo, Damasco. Esses caras por aqui não recebem nada dele há meses. Nenhum material ou armas, nada mesmo. Então ou eles atacam ou se rendem ao lado dos rebeldes; há ainda a terceira opção: simplesmente largar o combate e ir para casa”, diz Idan.

No lado sírio da fronteira, a imagem do que está acontecendo é confusa e está em constante mudança. Durante meses, o lado sírio da fronteira tem sido controlado não pelo exército, mas por vários grupos rebeldes. “Veja esta bandeira verde?”, diz Idan Avni, apontando para a bandeira através da Kunetra Crossing (Travessia Quneitra, em português).

“Eu nem tenho certeza a qual grupo islâmico esta bandeira pertence, há tantos. Algumas semanas atrás, havia uma bandeira verde diferente lá”, explica o correspondente.

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Quneitra e as áreas de fronteira ao sul dela são controlados por jihadistas que são dominados por Jabhat al-Nusra. Mais ao norte, os grupos anti-Assad mais moderados, como o Exército Sírio Livre (FSA), mantém o território, assim como os membros da seita drusa.

“Eu nasci sírio, então sou sírio”, diz Ahmad Farhat, 63 anos, um dos membros da seita drusa da vila de Boukata, local que foi controlado por Israel desde que Ahmad tinha 20 anos. Esse senhor passou a maior parte de sua vida trabalhando como professor de matemática no sistema educacional israelense. “Minha avó está no Líbano e minha tia está na Daliyat el-Carmel” em Israel, diz ele.

Mas Golã já não é mais uma fronteira calma de Israel, com pomares pitorescos, adegas e criadores de gado. As rochas de granito espalhadas pelo planalto, que sobraram de erupções de lava de eras passadas, são um lembrete oportuno que os vulcões podem ficar adormecidos, mas as erupções podem ocorrer quando você menos espera.

© 2014, Newsweek, Inc. Todos os direitos reservados.

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